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Mai 17
Nova Série, Nova revista, Conceitos novos?
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Clara Coelho |
PERMALINK |
2
Categorias: antologias

Esta notícia vem com atraso, por vários motivos, mas vamos lá. Mais uma série deve estrear em breve: Makai Ishi Mephisto, de Kairi Shimotsuki, vai ser publicado na Comic Gene, revista shonen (voltada para homens jovens) da Media Factory. A estréia foi anunciada para a edição de 15 de Julho. O que me interessa nessa notícia é que tanto a autora quanto a série, e mesmo a própria revista, merecem ser comentados, ainda que mais brevemente. Vamos começar, então, pela autora.
Kairi Shimotsuki é uma mangaká com um bom pé no shoujo (mangá voltado para mulheres jovens) - mais especificamente, no yaoi (mangá que representa relações homossexuais masculinas, voltado para as mulheres). Mas não torçam o nariz (nota do Lancaster: torcemos sim); como eventualmente ocorre, em geral são yaoi com um enredo real como pano de fundo, e não o
mangá como mero pretexto para idealizar a relação homossexual pela perspectiva feminina. Um exemplo disso é Madness, mangá de teor futurista que retrata um cenário caótico, em que dois homens - um sacerdote católico e um assassino em massa (que, obviamente, são o casal da história) - procuram resgatar a humanidade de seu estado de degradação. Tanto quanto yaoi, esta é uma série de ação. Mas, claro, é aceitar o pacote completo ou nem pegar para ler (nota do Lancaster: não, obrigado).
Em todo caso, onde fica o outro pé de Kairi? No mangá shonen e seinen (mangá voltado para homens adultos) com pano de fundo histórico. E daí vieram Sengoku Basara Ranse Ranku, Date Bashira e, claro, Brave 10 (que vem sendo publicado no Brasil pela editora Panini desde o ano passado). E, particularmente, eu diria que ela tem uma maestria rara neste gênero.
Tomemos por exemplo Brave 10, que é mais conhecido nestas terras tupiniquins (e recebeu alguma atenção por bater de frente com Naruto, mangá licenciado de maior vendagem, já que ambos se enquadram em uma mesma linha narrativa básica). Brave 10 me parece estar em outro nível, absolutamente. Seu traço é mais sofisticado, e contém uma profusão impressionante de detalhes que causa grande impacto no leitor - impacto este que casa muito bem com o ritmo de ação rápida, quase frenética, da narrativa. Além disso, o enredo é bem construído e, de modo geral, mais objetivo - já que,
desde o início, há um ponto definido para o qual ele se dirige a passos largos: a formação do grupo dos dez heróis de Sanada. Fica muito claro que Kairi sabe como manipular os elementos do tipo de mangá que está criando, empregando-os de modo a capturar seu leitor por completo.
E então Kairi chega agora com Makai Ishi Mephisto, que é na verdade a adaptação de uma série de romances escritos por Hideyuki Sakuchi. O enredo, aparentemente, tem um tom histórico, mas embasa-se principalmente na fantasia. A história se passa em uma vila de demônios chamada Shinjuku, e seu personagem principal é Mephisto, o mais poderoso dos médicos de demônios.
Esta série parece vir a trazer uma visão mais "romântica", ou, melhor dizendo, mais "romantizada", dos demônios. Basta um olhar à imagem divulgada: Mephisto é o que conhecemos como "bishonen" (ou seja, o homem belo, com traços delicados e femininos). Bem diferente, por exemplo, da imagem mais comum, até mesmo mais humana, criada para Rin Okumura - o protagonista de um dos mangás shonen sobre demônios mais comentados dos últimos anos: Ao no Exorcist.
E isto me leva diretamente ao último ponto que gostaria de comentar: a própria
revista Comic Gene. A Comic Gene ainda não começou a ser publicada; seu primeiro número deverá sair em 15 de Junho. Os anúncios para esta revista feitos pela Media Factory afirmam que ela virá a "subverter os conceitos de revista shoujo e shonen". Uma proposta bem ousada, já que este sistema de divisão em gêneros e sub-gêneros está completamente enraízado no modo de produção de quadrinhos japonês, bem como na própria ideologia de leitura dos fãs.
Ainda assim, se me perguntassem o que penso disso, eu diria que a proposta bem pode se concretizar. Afinal, um dos mangás já anunciados para a Comic Gene foi um spin-off de Maria Holic, por Minari Endou. Maria Holic, vale lembrar, é originalmente um seinen publicado na Comic Alive, da própria Media Factory; uma de suas características mais marcantes é brincar com lugares-comuns do shoujo, como a "troca de gênero", ou "gender-bender" (em que um personagem finge ser do sexo oposto por motivos triviais, como o desejo de estudar em uma escola onde indivíduos do seu sexo não são aceitos). E a mistura destes lugares-comuns com material mais pesado e agressivo, como o sadismo, cria um efeito bastante chocante e que passa longe de agradar a todos.
Em todo caso, se Endou é uma das mangakás que podem desafiar as fronteiras entre gêneros de mangá, Kairi certamente é outra. Embora de modos diferentes, ambas já fizeram isso em suas carreiras: Endou através da produção de um mangá que une elementos do shoujo e do seinen; Kairi através de uma trajetória como quadrinhista que já transitou pelo shoujo e pelo shonen. E, se uma mera ilustração servir de base para lançar um palpite, eu diria que Makai Ishi Mephisto pode vir a ser a encruzilhada entre estes dois caminhos tão distintos, que ela trilhou paralelamente até agora.
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Comentários:
Por mais que tenha o formato de nome: quando Lancaster inclui algo, fica confuso a identificação.
Obrigado e continue assim.
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