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Eventos de Anime ou Convenções de Otaku?

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Clara Coelho | PERMALINK | 13

Categorias: evento

FanMixCon

E como aparentemente há mais de uma pessoa incomodada com a situação dos eventos de anime e mangá que acontecem aqui no Brasil, perguntei a mim mesma: por que não falar dos meus incômodos com relação a este assunto, também? E como não encontrei nenhuma boa razão que me impedisse, aqui estou.
Em primeiro lugar, acho importante dizer (como de fato já havia dito antes) que eu vou, sim, a eventos deste tipo, esporadicamente; e acredito que a maioria das pessoas que os critica faz o mesmo, ou como poderiam ter motivos para critica-los? E, se elas ainda comparecem, suponho que haja atividades lá que são do seu interesse. Então, o primeiro ponto é que o conteúdo dos eventos de anime - ou, como alguns chamam e hoje me parece mais adequado, convenções de otaku - não é um problema. O problema é o que se faz lá; de que modo alguns dos visitantes estão "participando".
Por que, apesar das reclamações sobre o conteúdo destes eventos, eu ainda acredito que a média das atividades promovidas ainda é razoavelmente boa. Afinal de contas, convenhamos: são eventos voltados para fãs, e não para estudiosos e pesquisadores. Se é isto que você está procurando, existe todo um outro circuito de eventos, realizados dentro de universidades e espaços públicos como bibliotecas. Particularmente este ano, uma série de eventos realmente ricos em termos de conteúdo irá ocorrer, inclusive com a primeira edição do Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na USP, e do Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos, na UFPE. Nestes ambientes, você tem a oportunidade de apresentar novas idéias e discuti-las, formal ou informalmente, com outras pessoas que apresentam um interesse mais profissional, ou intelectual, no universo dos mangás, por exemplo.
Anime FriendsOs fãs, por outro lado, não procuram isso - ao menos, não necessariamente. Eles procuram um espaço onde possam ouvir e cantar as músicas de seus animes favoritos sem notar os famosos olhares recriminatórios ou zombeteiros - por que todos em volta também são fãs e fazem o mesmo. Eles procuram um espaço onde possam se vestir como seu personagem favorito sem serem demitidos de seu emprego ou convidados a se retirar da loja (e aqui cabe um parenteses: é muito diferente fazer cosplay em um evento de anime e fazer cosplay em uma competição de cosplay. As motivações são diferentes. É mais ou menos como a diferença entre crianças encenando uma peça para viver seu faz-de-conta favorito, e adultos encenando uma peça com propósitos artísticos). Enfim, eles querem uma oportunidade de poder vivenciar plenamente aquilo de que gostam sem precisar se preocupar com possíveis demonstrações de preconceito, e também sem precisar apelar para um verniz de intelectualidade que justifique seus gostos.
Em todo caso, partindo desse pressuposto é que eu torno a dizer: o problema nos eventos de anime e mangá não é, em si, o conteúdo proposto para estes eventos. O problema está naqueles fãs que os frequentam e transformam a coisa toda em um grande - para usar uma palavra que já vi na boca de outras pessoas - "carnaval". E então entra o colega com a plaquinha pedindo (ou doando) abraços. O outro colega, que vai ao evento mas nem chega a ver nada; acaba ficando pelos cantos, mais entretido em fazer seu contador de amassos subir. Ou aquele grupinho que aproveita a baixa segurança nos eventos (o que, da minha parte, eu acho lastimável. É aí que o slogan de "evento familiar" vai para as cucuias) para beber, fumar e, eventualmente, usar outros produtos duvidosos.
Jornadas Internacionais de Histórias em QuadrinhosE por que isso é um problema? Por vários motivos. O mais óbvio é que todos estes comportamentos são altamente destrutivos, não importa se você faz isso em um evento de anime, em uma rave ou em uma micareta. Mas sinceramente, eu não me importo muito com isso. Deixe o indivíduo ferrar sua própria vida, ele não está fazendo mal a mais ninguém; e supostamente ele tem pais ou familiares para se preocupar com ele, então por que torná-lo um problema da sociedade?
Outro problema, e este sim me incomoda, é o fato de que este tipo de situação é altamente sintomática de qual tipo de fã de anime está sendo "produzido" hoje. Vejam bem, uma das características mais contundentes da "tribo" (se é que podemos chamar assim; alguns sociólogos podem discordar, mas vá lá) dos fãs de mangás e animes (e aqui estão incluídos otakus e não otakus, igualmente) é a alta taxa de aceitação no grupo. Basicamente, não existem restrições. Você pode conhecer apenas um anime ou uma centena deles, você pode ou não fazer cosplay, pode ser adepto de qualquer um dos subgêneros... dificilmente você será discriminado por aqueles que já fazem parte do grupo. Socialmente, isso é positivo. Para a identidade dos fãs, nem tanto.
Ocorre que o resultado dessa liberdade para entrar é o fato de que, nos eventos, você acaba tendo uma presença muito grande de não-fãs, quase-fãs, mais-ou-menos-fãs. Mas não falo dos curiosos que vão lá para conhecer mais; esse tipo de participação, embora reduzida, é muito positiva. Não, são aqueles que se juntaram ao grupo, sob o pretexto de gostarem do anime da modinha ou terem meia dúzia de exemplares de mangá em casa, e acabam sendo justamente os colegas que mencionei lá em cima, os tais que fazem do evento um espaço sem regras e sem propósito. E não me entendam mal; não é que eles sejam menos fãs por que conhecem menos. Eles são menos fãs por que têm menos respeito por esta cultura e seus produtos; e é esta falta de respeito que os leva a depredar, em vários sentidos, o espaço do evento.

Anime Nation

Notem, por favor, que este tipo de fenômeno é gerado pela grande abertura dos fãs de anime e mangá a novos "membros". É muito diferente, por exemplo, do que acontece na "tribo" (novamente, entre aspas) dos metaleiros (ou, como o colega Leandro afirma ser o termo certo, "headbangers". Ficam minhas desculpas aos fãs de metal). Tente ir a um show de heavy-metal sem mostrar que realmente se identifica com aquele grupo e respeita o motivo de eles estarem lá - a música: você pode entrar; sair, eu não garanto.
Assim, aos poucos a própria imagem dos eventos de anime acaba sendo corrompida. Com o tempo, isso leva a uma diminuição na qualidade do evento em si, já que obviamente grande parte dos frequentadores já não está lá para participar de fato. Esta diminuição na qualidade, por sua vez, leva a uma consequência ainda pior: os "verdadeiros" fãs acabam abandonando estes eventos, por que já não encontram atrativos neles: o que é oferecido já não compensa dispensar uma tarde que seja em um ambiente que é simplesmente (desculpem a expressão) desagradável.
Anima RecifeE então, adivinhem: o evento de anime simplesmente não é mais um evento de anime. É, como eu disse no começo, uma convenção de otakus. As pessoas que estão lá não comparecem pelo objeto desse encontro - a cultura pop japonesa - mas apenas pela oportunidade de encontrar outros supostos otakus e promover, juntos, uma diversão que pode ir do indigno (eu, particularmente, não vejo nenhuma dignidade nas tais plaquinhas de abraço. E nenhuma auto-estima, também) ao criminoso (afinal, não é lá muito difícil acabar sendo assaltado nos eventos maiores).
E agora, apenas para comentar algo que vi o Fábio Hideki dizendo, nos comentários de outro artigo, sobre o staff dos eventos. Jovens mal preparados e mal pagos que acreditam estar subindo de status dentro da "tribo" dos fãs, por que fazem parte dos poucos escolhidos que trabalham no evento, e não apenas participam dele, como a grande maioria. Nas palavras do próprio Fábio: "para mim procede muito mais abordar a indústria exploradora que se formou à custa de uma molecada alienada e consumista que trabalha o dia inteiro como estafe de um evento sem receber nem um almoço. E ainda acha isso um grande status!".
Bom, concordo e discordo. Em primeiro lugar, vamos deixar claro que este tipo de pensamento - agora tenho status - é comum e não está restrito apenas a esse grupo. A sensação de estar envolvido na criação de algo, e não apenas usufruir de seu produto final, naturalmente leva qualquer pessoa a se sentir mais importante, mais relevante dentro daquele contexto. E isso, é claro, fora o fato de que você automaticamente se aproxima (mesmo que pouco) dos grandes, os organizadores ou idealizadores daquele projeto. Sabendo aproveitar, é uma grande oportunidade.
Anime JunglePor outro lado, é de se lamentar justamente a postura destes organizadores e idealizadores. Por que, na verdade, eles se aproveitam do fato de que alguns jovens se sentem importantes fazendo parte do staff para, justamente, tirar o máximo deles sem dar muito em troca; ou seja, mau para o staff. Isso sem mencionar que é um bom modo de economizar com pessoal especializado na preparação de eventos, que faria um trabalho mais adequado e de maior qualidade; ou seja, mau para os visitantes. Compreensível? Sim. Afinal, como qualquer outro tipo de evento, o propósito de um evento de anime é gerar lucro - o que funciona melhor quanto menores forem os gastos. Aceitável? Nem um pouco. Afinal, somos público e exigimos qualidade naquilo que nos é oferecido.
Mas não sou tão gentil a ponto de dizer que estes jovens não têm nenhuma falha. Era de se esperar que eles exigissem mais para si, já que estão fazendo um trabalho que outros cobrariam (e caro) para fazer. Exigir o que? Um treinamento, uma preparação mais adequada. E o mínimo de condições de trabalho, já que vão passar o dia inteiro correndo para todos os lados, a fim de manter aquele evento funcionando. Em alguns casos, benefícios são melhor paga do que dinheiro; e esse tipo de postura mostra um amadurecimento e uma firmeza que é, justamente, o gancho que pode ser necessário para que você consiga destacar-se aos olhos de quem é importante na organização. E, como eu disse, fazer contatos desse tipo é uma grande oportunidade para aquele fã que quer, um dia talvez, poder de alguma maneira viver daquilo que gosta.
Para encurtar esta longa história, eis em que eu acredito: está tudo errado. A organização dos eventos está errada por não proporcionar maior qualidade nos serviços, embora - torno a ressaltar - o conteúdo oferecido, em si, seja adequado ao público. Está errado o staff, que não se impõe e permite que tanto ele quanto os visitantes sejam passados para trás. Estão errados os participantes, que vão aos eventos para transforma-lo em uma festa qualquer, descaracterizando sua identidade e seu propósito. Mas, principalmente, estamos errados nós, que somos os tais "fãs de verdade" - mas que, ao invés de reclamar com quem é de direito pela manutenção e melhoria de um espaço que, em última instância, é destinado apenas ao nosso entretenimento, preferimos parar de visitar estes eventos e nos contentamos com comentários a boca miúda. O que, convenhamos, não vai dar em nada.
Nota: As fotos deste artigo representam alguns dos vários (realmente, vários) eventos de anime do Brasil. Eu optei por não colocar fotos reais dos eventos, a fim de não correr o risco de ofender possíveis desavisados que acabaram sendo capturados, acidental ou propositadamente, nestas fotos que circulam na internet.

Nota do Editor: as opiniões acima pertencem a srta. Clara Coelho como membro da equipe do blog, e foi permitido que ela expusesse sua visão sem censura, mas não representam necessariamente a postura oficial do Maximum Cosmo. Embora sempre tenha sido defendido neste blog que eventos de anime e mangá deveriam ser eventos sobre animes e mangás e não micareta com gente de touquinha de bichinho aonde os animes e mangás passam longe – e sim, consideramos que o meio anda devendo nesse sentido – o Maximum Cosmo sempre defendeu a popularização do meio para as pessoas comuns; nada é mais contra nosso espírito do que classificar sucessos como "modinhas" ou tratar aqueles que simplesmente gostam de mangá e anime como "posers".
O Maximum Cosmo jamais defenderá a guetização do anime e do mangá.


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Comentários:

Nome: Jussara Gonzo 05/05/11 11:04
The music we were waiting to listen! Realmente eventos de animes se tornaram uma grande porcaria de uns cinco, quatro anos para cá. Mal frequentados, mal organizados e cada vez mais recheados de atividades "genéricas" que atraem AINDA mais o povo nada-a-ver. Mas isso é um problema que não afeta apenas eventos de animes, mas muitos outros aqui no Brasil.

Pegue por exemplo a Virada Cultural. O evento este ano teve recorde de público, mais de 4 milhões de pessoas. Agora me diga: sabe QUANTAS lá estavam realmente interessadas nos eventos culturais?!

O problema dos eventos de animes são seus organizadores que QUEREM SIM que esse povo nada-a-ver entre no evento e pague o ABSURDO preço da entrada nem que seja só para zoar. Eles QUEREM SIM que a molecada ache o máximo trabalhar de graça para não terem que pagar gente especializada. O dinheiro está entrando e é isso que importa para eles.

Para mim evento cultural bom é evento com um MÍNIMO de seletividade. Coisas assim, populistas, dificilmente vão agradar aqueles que realmente procuram por cultura e informação, porque estas duas coisas custam caro no Brasil e o público já é selecionado por natureza (seja pelo dinheiro ou pelo esforço que os mais desfavorecidos fazem para ter acesso à cultura neste país). Mas quando você joga pérolas aos porcos é lógico que os porcos vão aparecer, e´vão pisotear as pérolas, não deixando que as pessoas que realmente se importam com elas possam apreciá-as.

Eu fui na Virada este ano e não teve UM evento que eu tentei frequentar que não foi, em algum momento, estragado ou zoado por algum engraçadinho bêbado querendo chamar a atenção! Fora o pavor de ver tanta gente mal-encarada jogada pelos cantos das ruas, prontas para mexer com os transeuntes.

Eu não vou mais na Virada. Eu não vou mais em evento de anime. E tenhoc erteza que uma enorme quantidade de gente que realmente GOSTA de animes e mangás e gosta de cultura também não vai mais. Vão sobrar os porcos... e quero ver por quanto tempo os organizadores destes eventos vão conseguir lidar com eles.
Nome: Leandro 05/05/11 01:43
Concordo com tudo que vc escreveu Clara. Hoje em dia os eventos parece um carnaval com tanta molecada e uns marmanjos com problemas psicológicos geradores de vergonha alheia. Uma das coisas mais absurdas é o volume altíssimo da música no ambiente com J-Pop infernal (existe algum teorema ou corolário que atesta que quem curte anime e mangá gosta de J-Pop???), que impede uma conversa legal. A maioria tá ali pra desfilar com os chapéuzinhos escrotos e aquelas plaquinhas para aparecer. Sem falar nas menias de ficarem expressando interjeições em japonês com voz afetada. Parece um circo de loucos. Uma conferência de hospícios. Não é a toa que a qualidade dos animes caíram nesses últimos anos. Cada fã tem o anime que merece e vice-versa!!

Saudades das sessões de vídeo nos sábados no SESC meados dos anos 90, onde dava pra conversar nos intervalos para o almoço/lanche e conhecer gente legal que realmente gostava de anime e mangá.

Hoje só tem poser moe babacão!

#prontofalei

Ps. o termo metaleiro foi a globo na incompetência dos seus jornalistas no Rock in Rio 2 que inventou. O certo é headbanger \m/

Clara: Ah, obrigada pelo toque. EntãO, antes que eu aborreça algum headbanger, corrijo no texto. Mas isso vem justamente a comprovar meu ponto: eles não aceitam nem mesmo ser chamados pelo nome errado; ao contrário dos fãs de anime, que estão (ou melhor, estamos) passivamente aceitando perder sua (nossa) identidade, e ser desconstruídos como grupo de dentro para fora pelos posers - não é?

Alexandre: Clara, uma coisa eu tenho que dizer. Quando você falou em "passivamente aceitando perder sua (nossa) identidade, e ser desconstruídos como grupo de dentro para fora pelos posers", meio que assinou embaixo de certas críticas que faço a muitas posturas que eu vejo da parte de fãs radicais em relação a pessoas que não são de sua turminha de sempre, quando se incomodam quando "alguem de fora" entra. E que me deixam com calafrios.
É a sua opinião, e independentemente do que eu pense ou não de uma coisa ou outra, eu jamais te censuraria. Você é do time do maximum cosmo. Tem o direito de falar o que pensa dentro da orientação editorial do blog assim como eu sempre tive liberdade de falar cobras e lagartos de uma coisa ou outra.
Em eventos, tudo bem: se é o que vocês querem, fiquem lá e já que vocês pagam, exijam organização. Em quadrinhos, vou brigar contra quem chama pessoas de fora de posers até a hora da morte.
Nome: Spider-Phoenix 05/05/11 02:45
Bem, nunca frequentei um desses eventos de anime. Já tive interesse e quase fui uma vez, mas essa história dos assaltos me deixou com o pé atrás.

Bem, eu concordo que essa coisa de "abertura para todo mundo" está errado, porém, acredito que se aplique só mesmo ao que se refere a pessoa não ser exatamente fã de anime/cultura japonesa/etc e ir lá só para aprontar/"deitar e rolar". Acredito que ficaria mais organizado se houvesse mais fiscalização e, talvez algo como distribuir crachás (que serviriam para circulação dentro do ambiente do evento) que distinguiriam fãs, que conseguiriam esses crachás através de incrições em sites, revistas e afins, e visitantes, que só vieram para conhecer o ambiente e a categoria de entretenimento que está sendo focada pelo evento. Mas, peraí... estamos no Brasil! E infelizmente, a falta de ação de alguns prejudicam outros.

Agora, o seu comentário sobre os jovens fãs que se deixam ser explorados me fez lembrar uma matéria que a Sandra Monte colocou no blog dela, o Papo de Budega. Ela falava algo nas linhas de que o fã não devia meter o nariz no trabalho de profissionais e se for fazê-lo, que faça mais como profissional, cobrando um valor e exigindo condições de trabalho, do que como fã. A meu ver, é uma afirmação válida, pois como você apontou, quem quiser mesmo viver do hobby tem mais chances de encontrar uma oportunidade agindo com a cabeção ao invés da paixão e do coração (algo que só funciona no universo dos animes, porque na vida real.... hehe). Sem mencionar que, agindo profissionalmente, as chances das coisas serem menos desastrosas é bem menor.

A meu ver, não vejo essa situação mudando tão cedo, infelizmente. Os organizadores não vão se mexer enquanto houverem pessoas dispostas a se rebaixarem. E alguns fãs, dificilmente vão deixar de seguir o coração (coisa mais "anime"! hehe) para seguir o lado mais racional. E posso dizer isso sem receios, mesmo nunca tendo ido a um evento, pois é algo que acontece em praticamente todo lugar e não se restringe a ambientes como eventos. É meio que uma característica da raça humana em geral: se deixar levar pelo amor e acabar quebrando a cara, mesmo que não perceba.

De qualquer forma, posso estar errado, e nesse caso, eu até gostaria. Só podemos fazer a nossa parte e torcer para que outros também a façam.

Abraços!
Nome: Fábio Hideki Harano 05/05/11 04:07
Oi, Clara.

Estou envolto em uma renca de atividades de trabalho. Quando eu estiver tranquilo, lerei o texto com atenção e tecerei comentários.

Aliás, estou com muita vontade de fazê-lo! Agradeço bastante pela consideração em escrever sobre o assunto.

Até logo, espero!
Nome: Shonen Bat 05/05/11 08:47
Faz anos que não vou em um evento destes, não sabia que tinha chegando nesse estado de degradação.

Sua descrição de algumas coisas me lembrou de um evento de games que fui recentemente que apesar de não estar assim mostra como o nível está ruim por aqui, os caras querem fazer o máximo de eventos para arrecadar, mas não fazem algo organizado.
Nome: Gabi Martins 06/05/11 04:09
Vou confessar que faz anos, mesmo, que não vou em eventos. Muita coisa ali perdeu a graça pra mim, e o custo-benefício não estava compensando. Meus comentários são em cima da situação descrita aqui, e no blog que gerou esse post.

Eu vou discordar um pouco da Jussara e do Leandro, sobre essa questão da seletividade de público. Impedir a farofada selecionando quem entra é bem utópico: não há um critério que possa ser usado pra fazer essa seleção. E distribuir ingresso apenas via fã-clube ou coisa assim só funciona quando você tem um público muito grande querendo ir - e corre-se o risco de favorecer um ou outro grupo e dar merda.

Me lembrei de um caso que li na internet: era sobre a Oktoberfest (não lembro de qual cidade, mas aquela maior, que atraía gente de tudo que é lugar). Parece que o movimento da festa estava caindo, e descobriram que um dos motivos eram universitários arruaceiros. Gente que ia pra lá em bando já bêbados, não pagavam pra entrar nos galpões ("é coisa de velho"), não gastavam um tostão furado na festa (chegavam bêbados ou carregavam bebida no carro), ligavam o som do carro na maior altura, incomodavam pessoas, arrumavam brigas... Resumindo: gente que só usava o pretesto de "temos uma festa" pra beber e bagunçar, mas não entrava no clima da festa, contaminavam o clima.

A solução? Baixaram algumas medidas (uma delas foi proibir os carros de som) e botaram fiscalização em cima. Acabou a bagunça e melhorou demais a situação.

Daí a minha analogia, já que a maior parte dos problemas descritos parece vir de falta de fiscalização. E aí vem um dos maiores defeitos desses eventos: a estrutura deles ainda é bem amadora. Só o fato de ter gente ali trabalhando como voluntário em troca de entrada e lanche denuncia esse amadorismo.
Nome: Fábio Hideki Harano 07/05/11 04:32
Olá a todos.

Jussara, seu comentário que é "the music we were waiting to listen!" Concordo completamente.

Leandro, contigo também. #pronto-falou-por-mim

Também concordo com Lancaster, mas não chego a ficar com calafrios. De fato é horrível a destruição de um grupo pelos posers. Mas não podemos ser etnocêntricos.

Transformações na identidade de um grupo acontecem, afinal. O que repudio é quando elas se dão por parte dos já citados pseudos ou por parte de picaretas em busca de autopromoção e ganho de poder. Isso também é bem comum nas artes marciais e no movimento estudantil, falando só do que eu conheço ativamente.

Até mais.
Nome: Fábio Hideki Harano 07/05/11 04:43
Começaram a pagar lanche também para os estafes? Que eu saiba, até uns anos atrás o que um estafe de Anime Friends recebia era ingresso e camiseta. Só.

O amadorismo não está tão presente assim. Há quem seja muito, mas muito profissional em ganhar dinheiro, e parte disso é saber contratar, sugar e manobrar funcionários amadores (em mais de um sentido, pois amam um suposto e vazio "ideal da cultura pop").
Nome: Cadu Simões 08/05/11 11:58
Minha única crítica a esses eventos de anime (ou convenções de otaku, sei lá;) é que não há um grande foco nos quadrinistas (ou animadores), de forma que possa conectar esses profissionais ao leitores (ou expectadores) de suas obras, como acontece, por exemplo, no eventos de quadrinhos, como é o caso do FIQ, da Rio Comicon, etc (e esse ano haverá ainda mais eventos de quadrinhos com convidados internacionais, e em diferentes cidades e estados brasileiros).

Chega até ser irônico que num evento de quadrinhos, como os citados acima, seja mais fácil encontrar um mangaká palestrando ou expondo seu trabalho, do que num evento de anime-mangá.

E é irônico pois apesar de mangá ser quadrinhos, vejo que os otakus tendem a ignorar outros tipos e escolas de quadrinhos que não sejam mangás, por isso não costumam frequentar esses eventos de quadrinhos, e acabam perdendo o contato com profissionais e estudiosos (incluindo de mangá;) que vão aos eventos de quadrinhos, mas não vão aos eventos de anime que os otakus vão.
Nome: Kirara 09/05/11 07:52
Gostei do texto, contém (tristes)verdades que há muito eu já tinha notado nos eventos.

Mas sinceramente descordo da parte do "Está errado". Os organizadores nao estão fazendo evento para, como você disse "os verdadeiros fãs de anime". Estão fazendo justamente para essa grande maioria ligeiramente alienada e/ou interessada em outra coisa que nao seja animes. O público do evendo GOSTA desses tipos de eventos. Falo porque uma amiga me levou para um terrível mês passado e nao achou nada demais no local sujo, má organização, calor infernal e pessoas bêbadas. Assim como todos que foram àquela joça exeto eu.

O sistema já está estabilizado, é funcional e a tendência é que hajam cada vez mais eventos e com cada vez menos ligação aos "verdadeiros fãs". Já que estes não os frequentam.

Se observarmos bem toda essa alienação não é um problema que atinge somente ao publico otaku. Está em todos os lugares: O jovem está cada vez mais burro. Vamos pegar nossos amigos headbangers, qual a idade média deles? E a dos fãs de restart?
Pra piorar não é apenas no nosso país, tenho notado nos animes uma massificação do estilo moe e/ou ecchi. Nada contra mas estes estilos mas nao trazem muitos debates filosóficos. Até nós otakus estamos sendo prejudicados por essa massificação da cultura alienada que invade o mundo todo. Os eventos de anime são só uma pequena consequência disso. O buraco é bem mais fudo.
Nome: Fernanda 09/05/11 10:04
Os preços realmente são absurdos. Mesmo com a desculpa para ser usado pra fazer essa seleção.

att.

Fernanda.
http://www.rsurbano.com.br/
Nome: Kyon 11/05/11 09:11
Olá Clara! Achei muito interessante o texto e os pontos destacados. Concordo com quase todos os pontos. Faço uma ressalva quanto a está se referindo, em principal, aos ditos eventos grandes, aqueles que possuem uma visibilidade maior e um maior número de frequentadores. claro que a grande maioria dos eventos que existem hoje é deste ou tenta parecer está neste perfil.

A grande maioria dos eventos menores por se inspirar erroneamente nestes maiores também tentam atrair um público bem maior do que os que "de fato" são fãs e se acham fãs de anime/mangá/outros elementos da cultura pop japonesa, porém estes eventos menores possuem uma diferença em relação aos eventos citados. A maior parte da organização e a Staff corresponde a um único grupo, que, apesar de não significar que não sintam-se equivocadamente com o status maior perante os fãs, também merecem respeito pelo fato de tomarem a iniciativa e pelo fato de se exaurirem ao máximo e até mesmo se endividarem para tornar o evento o melhor que acham possível (e falo como um ex participante da organização de um evento grande e de eventos pequenos).

Outra ressalva é o fato de dizer que o conteúdo de tais eventos não é o problema. Hei de concordar que para atender um público de fãs e não fãs, o conteúdo realmente não é problema, mas ao considerar que o grupo de fãs de anime/mangá pode está errado em parte por aceitar pessoas que nem ao menos se interessam tanto pelo objeto do qual supostamente são fãs, há um erro em dizer que o conteúdo não é o problema, pois este conteúdo não é apenas consequencia, mas também causa disto. Acredito que seja uma das grandes causas para tal imagem de grupo compreensível que os fãs de anime e mangá possuem e como base para esta afirmação tento relembrar os antigos eventos que eram realmente feito de fãs para fãs e que só continha conteúdo interessado a fãs. Nestes eventos as pessoas ditas "fãs", mas que não podem ser bem enquadradas como tais, não compareciam, ou seja, a diversificação de conteúdo também aumentou a diversificação do público.

Partindo destas informações faço uma pergunta: O que é melhor, um evento pequeno voltado apenas aos fãs "de fato" de anime e mangá, ou um grande evento voltado a um público mais abrangente que tem como parte do evento atividades que são e que não são voltadas a um público de fãs de anime e mangá?

Eu gosto mais do primeiro tipo, mas acho válida a existência do segundo e para que tal convivência harmônica exista, acredito que basta que o primeiro por ser de interesse apenas de fãs, seja feito pequeno e por fãs, sem que haja um fim lucrativo e visando apenas, no que corresponde a parte financeira, se pagar.

Assim não há vejo como haver concorrência com os eventos ditos "grandes", mesmo porque eventos voltados para um público menor não tem a necessidade de ter atrações iguais a de um evento voltado a um grande público e também nestes eventos a maior facilidade em inovar.

E como citou o grupo de "metaleiros", acredito que a maioria dos eventos para estes possuam uma idéia minimamente condizente com a apresentada acima para eventos de anime e mangá voltadas a fãs.
Nome: Ana 13/06/11 06:27
Então você quer que os Otakus se comportem como a "tribo" dos metaleiros, tomando uma postuma criminosa, coercitiva, discriminatória!! Essa é sua boa referência?? Sei... Deveria estar feliz com a situação do evento, já que você é o que mais brande para que o manga/anime se torne mais popular e saia das mãos dos otakus... Popularização é isso, não seja ingênuo...

Alexandre: a opinião é da Clara, e uma vez que ela é parte do staff do Maximum Cosmo, eu dei espaço a ela para expôr sua opinião; isso não quer dizer que eu concorde com esse aspecto. Eu sou contra a postura que define alguns como iniciados e outros como – para usar as próprias palavras da Clara – "posers". Na verdade, discordo veemente dela nesse ponto.
Mas acho que mais importante é termos eventos que levem as pessoas comuns aos quadrinhos. E nisso, os eventos de mangá e anime ficam devendo. E absurdamente.

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