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Para não dizer que não falei de Live-Actions...

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Clara Coelho | PERMALINK | 7

Categorias: Black Jack

Black Jack

Não é comum ter, aqui no Maximum Cosmo, um post dedicado a um Live-Action. No entanto, eu acho que a notícia em questão aqui é digna de quebrar esta regra.
Em primeiro lugar, vamos deixar claro que eu sou favorável à adaptação de animes e mangás para dorama ou filme Live-Action, sempre e quando for pertinente, e claro, tendo em mente que mesmo uma boa história pode ser completamente destruída se não for bem executada - independentemente do meio em que ela está sendo executada. E é então que entra essa notícia: neste sábado, foi veiculado na televisão japonesa (mais especificamente, no canal NTV) um episódio especial em Live-Action de Black Jack, mangá criado por Osamu Tezuka e serializado na Shonen Champion, da editora Akita Shoten, entre 1973 e 1983. O tal especial, de título Young Black Jack, enfoca a juventude do famoso e controverso médico, tentando responder a algumas perguntas sobre seu passado: por que ele não possui licença médica? E como conheceu o doutor Kiriko?
Black JackAgora, eu devo dizer que, a despeito do meu apreço por Live-Actions, a mera visão do pôster já me deixou preocupada. Parece que este é um daqueles casos em que a representação (ao menos visual) com pessoas reais apenas consegue lembrar remotamente o anime... E corre o sério risco de tornar-se uma caricatura do original, sem mencionar uma decepção para aqueles que o conhecem. É um problema que ocorre frequentemente, por exemplo, na adaptação de literatura de horror para o cinema: não importa a maquiagem ou computação gráfica que seja aplicada, ou qualquer outro efeito, o resultado final dificilmente provoca o mesmo impacto obtido na leitura. Mas, é claro, isto não significa o fracasso da adaptação. Ainda resta confiar na qualidade do roteiro e na capacidade de interpretação dos atores - que são, afinal, os aspectos mais relevantes.
Por sinal, o papel de Black Jack será interpretado por Masaki Okada, cujos papéis mais importantes foram em adaptações de shoujo (ou seja, mangás voltados para mulheres jovens), geralmente com um papéis pouco impressionantes (e aqui me perdoem o parênteses sobre shoujo, apenas para dar um exemplo: mesmo quando ele interpretou o protagonista de uma série - no caso, Masamune Asuka, de Otomen - o personagem era tão insosso que o espectador via-se naturalmente mais interessado por sua contraparte feminina, ou por seu antagonista). É difícil dizer ao certo se Okada tem pouca presença como ator ou pouca sorte com personagens.
Talvez Young Black Jack, em que o papel que lhe foi atribuído definitivamente é de maior complexidade, seja uma boa oportunidade para determinar esta questão. A perigo, é claro, de que se Okada não for um ator de talento, esta adaptação para dorama acabe se tornando uma lembrança ruim - a primeira - na história de uma série que já recebeu várias continuações, spin-off's, além de adaptações para anime e OVA, e (até agora) pode ser considerada impecável.


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Comentários:

Nome: Fábio Hideki Harano 23/04/11 11:24
Oi, Clara.

Concordo com o texto e tenho que ressaltar uma representação que encontra-se tanto no anúncio que ilustra o texto quanto em um jogo de Black Jack para Nintendo DS, podendo ainda estar presente em outros produtos:

A exposição do bisturi como se fosse uma arma, e não como um instrumento para salvar vidas. Não gosto nem um pouco disso.

Na real, eu não boto fé nessa adaptação.

Até mais!
Nome: Fabio Sakuda 24/04/11 03:25
Tem sim, procura no meu blog lá uma adaptação antiga de Black Jack que até os fans mais doentes renegam. E o pior, era com um puta ator no papel principal.
Nome: Daft Punk 24/04/11 10:12
Esse cenário fizeram um mistro de matrix com essas telas verdes.. kkkk
Nome: Júlio Nunes da Silva Filho 26/04/11 07:12
Olá, Clara, tudo bem?

Clara, tenho duas sugestões de temas para o Blog (você tem um e-mail de contato fora do blog?):

1ª. - O fim da Tokyopop, que também é o fim de uma era nos mangas americanos:

http://www.universohq.com/quadrinhos/2011/n18042011_05.cfm

2ª. - Os eventos de anime no Brasil ( e uma referencia a virada cultural aqui em São Paulo):

http://www.portallos.com.br/2011/04/19/evento-de-anime-e-carnaval-de-otaku-reflexoes/

Uma ultima pergunta;
Como posso fazer para conseguir um exemplar da Ação Magazine nº0?

Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho

Clara: Oi Julio! Bom, suas sugestões para temas estão anotadas, claro. Também acho o fim da Tokyopop um evento digno de uma boa nota; quanto aos eventos, circula muita coisa por aí no estilo "manual de sobrevivência", mas quase nada que realmente fale deles como o que são: um fenômeno social meio assustador. E eu ficaria mais do que satisfeita em lançar um olhar menos inocente sobre eles - apesar de eu mesma gostar de alguns.
Quanto ao e-mail, fique à vontade para escrever para:
khigurashi.18@gmail.com
É sempre um prazer manter contato com outros interessados por mangás e animes.
Agora, quanto à Ação Magazine nº0, só quem pode falar é o Lancaster. Só digo que, se for rolar distribuição gratuíta, também quero.
Nome: Fábio Hideki Harano 27/04/11 09:50
Olá, Júlio, Clara, Lancaster e demais.

Visitei os dois links e o segundo me chamou bem mais a atenção. Alexandre já falou um pouco sobre isso, em uma tréplica de comentário aqui no Maximum Cosmo. Ele concluía com algo assim: "Quanto mais esses fãs insistem em não serem brasileiros, mais se mostram como tal."

Teci o seguinte comentário:

"Olá.

Interessante o texto, que me contemplou bastante. Principalmente o final pessimista. Muito bom citar a fábrica de dinheiros em que se tornou a indústria de eventos de manga e anime. Isso sozinho é tema para um longo e aprofundado texto.

Não sou muito chegado, mas também gosto de shows, fantasias e festança. Apeteceriam-me mais eventos com uma abordagem também intelectual, com rodas de discussão e conversas sérias.

Tchau."

Acho que seria sim interessante um texto sobre o forte apelo carnavalesco dos eventos. Mas para mim precede muito mais abordar a indústria exploradora que se formou à custa de uma molecada alienada e consumista que trabalha o dia inteiro como estafe de evento sem receber nem um almoço. E ainda acha isso um grande status!

Até mais.

Clara: Bom Fábio, eu também compartilho da opinião do Lancaster - e da sua - quanto aos eventos. Na verdade, eu vou um pouco mais longe e tenho medo do que eles representam, socialmente (e sim, mesmo assim eu frequento esporadicamente).
Então, a idéia de falar sobre isso me parece boa e vou aproveitar que saiu justamente da cabeça dos leitores - o que provavelmente indica que é uma discussão pertinente. Por sinal, vou fazer disso uma prioridade, o que significa que esta madrugada (meu horário habitual de trabalho no Maximum) já deve estar no ar.
Nome: Warty 29/04/11 11:49
Olha, honestamente, nãoa credito que semelhança física seja algum ponto de partida pra julgar um live action. Eu encaro adaptações como adaptações. Oldboy trou a história do Japão e jogou na Coréia em sua adaptação, e conseguiu ser melhor que a obra original. Fidelidade nunca é sinônimo de qualidade.

Clara: Bem, eu encaro da seguinte maneira: semelhança física não é algo que se espere em uma adaptação. Afinal, você está passando do domínio do imaginário, criado na ponta de um lápis, para o real - e, a despeito dos avanços na "tecnologia" cinematográfica e televisiva, ainda há limites para o que pode ser feito dentro do real.
A semelhança de conteúdo, de enredo, por outro lado, é sim um fator importante para julgar qualidade. É claro que, se você encarar o Live-Action como uma obra em si mesma, não relacionada ao original, contanto que seja bem realizado, ele pode ser julgado como "bom". Mas se você admite que ele partiu de algo anterior, a semelhança com esse algo é um fator relevante e positivo - afinal, é essa semelhança que faz jus a que ele carregue o mesmo título de uma obra já existente.
Além disso, qualquer mudança que seja realizada dentro de uma adaptação deve também ser avaliada, a partir de dois aspectos principais: a sua coesão com o restante da obra e o quanto ela acrescenta à obra original. Algumas modificações não se encaixam, ou não tem razão de ser (ou ambos) e isso prejudica a qualidade da adaptação.
Então, basicamente, o que estou dizendo é: semelhança é sim importante, ainda que a similaridade completa seja, em muitos casos, impossível de se alcançar.
Nome: Fábio Hideki Harano 29/04/11 03:39
Uau! Na verdade, Clara, eu só lançara uma ideia no ar mas, se você se animou para escrever a respeito, acho muito legal!

Clara: O que posso dizer? Eu sou uma pessoa naturalmente animada XD
Mas, na verdade, senti um pouco de tensão nesse tópico. E afinal, qual seria meu papel aqui se não lançar mais lenha na fogueira das discussões?
Então, agora o artigo está passando pelo crivo de nosso editor e seus olhos atentos. É esperar e ver se ele aprova.

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