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Abr 22
Mirai Nikki recebe adaptação para anime
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Clara Coelho |
PERMALINK |
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Categorias: anime

Mirai Nikki vai virar anime na primavera (a data exata ainda não foi confirmada). O que não é surpresa nenhuma, por dois motivos: em primeiro lugar, por que ele já havia sido adaptado para OVA anteriormente; em segundo lugar, por que Mirai Nikki é realmente daqueles mangás que pedem um anime. E talvez um Live-Action.
Mirai Nikki é um shonen (ou seja, um mangá voltado para homens jovens) de Sakae Esuno. Foi publicado na Shonen Ace, revista mensal da Kadokawa Shoten, de 2006 a 2010. Rendeu doze volumes encadernados de história principal (o último dos quais será lançado na próxima semana) e mais dois spin-offs: Mirai Nikki Mosaic e Mirai Nikki Paradox. A história basicamente acompanha o jovem Yukiteru Amano conforme ele disputa com outros personagens para sobreviver – e, sobrevivendo, tornar-se o novo "Deus do Tempo e Espaço". Como armas, cada um conta com um "Diário do Futuro", capaz de mostrar (parcialmente, é claro) eventos que ainda estão por acontecer.
Mirai Nikki entra, então, para o rol dos mangás que têm apostado em um enredo de "jogo de sobrevivência", tema que está bastante em voga e tem sido representado por grandes títulos, de Deadman Wonderland a Battle Royale, de Liar Game a Enigma. Dentre todos estes, possivelmente Mirai Nikki é o mais superficialmente construído; ainda assim, é um mangá que considero interessante por representar um ponto fora do gráfico em vários aspectos.
A começar por seu protagonista, que é, com o perdão da palavra, simplesmente patético. Agora, em alguns gêneros, ter um protagonista patético pode ser aceitável ou até mesmo desejável. No caso de um mangá em que o enredo é, basicamente, uma corrida pela sobrevivência, com vários outros "competidores" mais inteligentes, mais fortes, mais resistentes e dispostos a matar este protagonista, porém... Bom, é uma aposta arriscada. Afinal, vê-lo ser o vencedor é realmente pouco crível; e possivelmente ele despertará pouca simpatia, ficando elipsado por personagens secundários mais carismáticos.
Outro ponto de Mirai Nikki que foge ao habitual em mangás do gênero é o traço de Esuno, mais descuidado e que por isso mesmo acaba levando o leitor a valorizar a narrativa acima do aspecto visual. E com isso, é preciso ter uma boa narrativa. Felizmente, embora Mirai Nikki não seja exatamente genial, ele funciona bem principalmente por adotar uma velocidade maior no desenrolar das ações - ao contrário de outros mangás na mesma linha, que podem levar tempo demais em explicações e na construção do contexto antes de realmente apresentar algum progresso na história.
Por fim, a Yandere. Não poderia deixar de comentar, afinal, temos aqui um caso exemplar do fetiche inserido dentro de um mangá que, a princípio, não é voltado para um fandom específico. Para aqueles que não estão familiarizados com o termo, "Yandere" refere-se aqui a uma personagem caracterizada como obsessivamente interessada por um rapaz, tornando-se um tipo de perseguidora maníaca.

No caso de Mirai Nikki, essa personagem é Yuno Gasai, a princesinha do colégio e portadora de um Diário do Futuro, que surge inexplicavelmente apaixonada por nosso protagonista sem-sal desde o primeiro capítulo. Em um shonen de massa (Nota do Lancaster: mais ou menos. A Shonen Ace sempre teve um pé na otakicidade, apesar do "shonen" no título). E critique Crepúsculo e as garotas que o lêem depois disso...
Em todo caso, não acho que haja um problema em apresentar uma Yandere na série. É um estereótipo comum, que pode agradar a alguns, embora possivelmente a maioria enxergue aí ou um gancho para uma leitura mais cômica ou um elemento que vem acrescentar tensão à obra (afinal, em alguns momentos Yuno é bem mais assustadora do que os adversários que Yukiteru precisa enfrentar), e não creio que possa haver uma popularização significativa deste fetiche simplesmente por sua inclusão em um mangá de circulação mais abrangente; também não acho que Mirai Nikki vá passar a ser considerado material exclusivo de fandom por conter um elemento de fetiche. O que eu acredito, isto sim, é que este elemento pode ter aberto portas para que os fãs mais ferrenhos de Yandere se interessem por Mirai Nikki. E, afinal, se está bom para ambas as partes...
Da minha parte, estou realmente interessada em ver como será construída a adaptação para anime. Como é mais usual, dá para contar com uma preocupação maior com o aspecto gráfico, inerente ao próprio gênero. Mas me pergunto se a velocidade da narrativa, razoavelmente veloz, será mantida – o que provavelmente permitiria que Mirai Nikki se desenvolvesse bem com uma quantidade de episódios menor. Além disso, será interessante observar quanto destaque vai ser dado à Yandere e com que enfoque - cômico, horrorífico ou realmente erótico-sexual –, sem mencionar os efeitos deste tratamento. Afinal, não importa se o mangá foi realmente um trabalho bem conduzido; se a adaptação para anime não for realizada com cuidado, esse background vai ser inútil. E aí, sim, dá para imaginar que Mirai Nikki acabe se tornando material para otakus interessados em fetichismo.
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