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Abr 18
A Volta de Samurai X
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Lancaster |
PERMALINK |
23
Categorias: Samurai X
Friamente, jamais poderia dizer que Samurai X (Rurouni Kenshin, no original), de Nobuhiro Watsuki, é uma obra-prima. O mangá (publicado originalmente na revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shueisha) é um exemplar notável de quadrinho de entretenimento, mas nada mais do que isso, e só existe dentro de seu prazo de validade; a versão animada caminha para uma séria datação – e foi destroçada pelos fillers (episódios criados pela equipe de produção do desenho) que vieram após a saga mais famosa da série.
Afetivamente, no entanto, a banda toca de outra forma. É um desenho que ocupa um lugar especial para mim e me lembra bons momentos – eu o gravava na Cartoon Network em vhs e não perdia um episódio; quando foi publicado
pela editora JBC, ele era a razão primária que me ancorava à banca de quinze em quinze dias, mais do que qualquer outra coisa em publicação na época. É verdade que ele foi esculhambado por alguns críticos "sérios" de internet por aqui, que esperavam de qualquer material de samurai um perfil próximo à Lobo Solitário e deram de cara com um material pop, com influência pesada de videogames como Samurai Showdown; estes jamais entenderam que a premissa da série não era essa – e não por acaso foram estes que alçaram o superestimado Vagabond, de Takehiko Inoue a um status prematuro de obra-prima. Mas Samurai X jamais pretendeu ser uma obra-prima. É uma série juvenil da Jump, que cumpriu sua função: fazer sucesso enquanto durasse. Perenidade é bônus e é algo que só se descobre após a conclusão do material – de preferência muito tempo após essa conclusão. Nesse sentido, acredito que o tom dos OVAs (animações produzidas para o mercado de Home Video) tenha sido um enorme erro: atraíram a atenção de um público que não era o da série, e criaram uma comparação desnecessária para gente que acredita que ser "mais adulto significa ser melhor". Não, não significa. A última leva de OAVs em particular foi extremamente supérflua, e danem-se as disposições em contrário.
Por isso foi uma surpresa encontrar na ANN o anúncio de que um novo projeto de animação baseado em Samurai X. Esse anúncio foi feito na revista mensal
Jump Square, da Shueisha – aonde Watsuki publica seu atual trabalho de carreira, a série Embalming, da qual falamos AQUI na época do lançamento de seu primeiro volume. Maiores detalhes virão em edições posteriores da Square, mas é importante lembrar que a saga do andarilho com cicatriz em forma de X acabou mostrando força para além de seu encerramento, primeiro com uma edição definitiva, depois por conta do lançamento de videogames como Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan Saisen, para PSP, e de quebra, com um anúncio de um projeto cinematográfico em forma de live-action (e convenhamos, se dá para fazer um filme de Tsurikichi Sampei ou de Yatterman, Samurai X não apresenta problema nenhum nesse sentido).
Há lugar para um novo desenho de Samurai X? Pode ser. Os OAVs de Kenshin estão sendo relançados em Blu-Ray e com certeza o personagem está ainda vivo na lembrança do público. Se for um produto para a televisão, adaptando a fase final do mangá, melhor. Afinal, Samurai X é uma série que define como subgênero o termo Samurai Pop, e o representa com total exatidão; e os OAVs, por mais que algumas pessoas os amem (e não sou uma delas), foram contra a identidade da série e não honraram justamente o Pop do termo. Uma boa hora para desfazer esse erro.
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Comentários:
Quanto ao anúncio da nova série, espero que mantenham o clima construído no mangá. É uma história com background forte, mas que aposta (corretamente) no otimismo juvenil de tratar os personagens como gente que erra, mas que é boa, no fundo. Observando o Kenshin, isso fica claro: por mais que tenha sido um esquartejador, por mais que tenha matado no passado, o personagem principal virou um portador da esperança. Foi isso o que me marcou quando assistia religiosamente à serie no Cartoon Network, muitos anos atrás.
Alexandre: esse é o ponto – os OAVs foram Samurai X para quem não pegou o espírito de Samurai X.
Vc falou da influencia de Samurai Shodown , mas como não esquecer das "participações especiais" dos heróis da MARVEL , escondidos nos concepts de alguns personagens ?!?!
Alexandre: verdade. Bom dizer que o Watsuki nunca se livrou desse gosto – fala a verdade, eu leio Busou Renkin e penso no Vírus Legado de X-Men...
Sim, eu amei (e ainda amo) o manga e desprezei os OVAs. Não faço questão de ser sério, quero algo que atraia a minha atenção. Talvez essa tenha sido a série que mais teve esse efeito sobre mim.
E torço para que seja um Rurouni Kenshin Brotherhood, e não um Rurouni Kenshin Kai.
E digo mais: Slam Dunk é a obra maior de Takehiko Inoue.
(recolhe a cabeça e fecha a porta)
Alexandre: pode entrar na casa sem medo porque concordo com você.
(by the way, você viu que coisa espetacular são as edições francesas desse mangá? se o $ fosse igual à vontade...)
Sobre os OVAs, concordo que o tom é outro, e acho que industrialmente é uma desvantagem; mas, do ponto de vista estritamente pessoal, eu gosto q tenha sido assim. Gosto de ver personagens que me interessaram sendo pintados em tons e propostas totalmente diferentes (podemos pensar no rei arthur do Bernard Cornwell e no da Marion Bradley).
Um abraço!
Os especiais de Samurai X seguiram a tendência dos filmes de Patlabor. Sérios ao extremo e sem humor. Mas eu pelo menos gostei, e no caso do primeiro OVA, acho que a seriedade jogou a favor da história (a trilha sonora no começo do primeiro episódio, com os samurais atacando a "família" do Kenshin é tenebroso).
E concordo que comparações são desnecesárias. São dois produtos diferentes - e para mim de qualidade. Acho que a única coisa que ficou bem melhor no OVA que no original foi amamneira como Kenshin ganhou a segunda cicatriz.
Espero que produzam o arco de Enishi. Se CDZ depois de vários anos teve sua último arco animado, por que tem que ser diferente com RK?
Quanto ao fato de comparar não concordo muito e acho o OVA muito superior sim, mas é questão de opinião hehe
De resto gostei da idéia de lançarem algo, se saiu Trigun outro dia, por que não Samurai-X?Ou mesmo o Repaginamento do DBZ.
Gostaria muito de ler material original novo, mas infelizmente o tempo passou..
Alias 02 : a quantas anda o Embalming????
Alexandre: O Embalming está sendo publicado – chegou a ter uma pausa porque o Watsuki ia fazer um trabalho especifico (se não me engano, uma coleção de cards), mas terminando isso ele voltou e a série continua sem sobressaltos. Mas não vende muito. Pena, porque é o melhor trabalho dele desde a conclusão de Samurai X. Mas não sei se essa série tivesse vindo logo após sua obra mais famosa teria tido melhor sorte.
Porém admito que sempre preferi o tom mais "sério" dos OVAs do que o anime "alegrinho" - embora eu gostasse da série também, mesmo sem muita paciência para assistí-la completa. Mas meu amor para com os OVAs vem num sentido mais técnico de qualidade de animação e pelo meu gosto pessoal: não sou público de shonen mangá, gostar de Samurai X foi um bônus.
Mas não acho que estes OVAs foram contra o "espírito da série" - alias eu acho que esse negócio de ficar guardando espírito de uma série, feito um cambono, o primeiro passo para alguém se transformar num fanboy/otaku chato. - acho que foram apenas uma releitura interessante e maravilhosa.
Sou A FAVOR de buscas por novos públicos. Afinal de contas sempre achei o Coringa um personagem bem chatinho, até vê-lo pela lupa de Alan Moore e Heath Ledger.
Gostei muito do texto. Está, como sempre, fluido e bem escrito.
Este trecho em particular me chamou a atenção por ser bem sintético e poderoso: "Samurai X é uma série que define como subgênero o termo Samurai Pop, e o representa com total exatidão".
Concordo com quase tudo e minhas discordâncias estão contempladas nos comentários de Nunes e Leandro. Ressalto aqui que só considero boa a primeira série de OVA, já que os outros episódios são completamente dispensáveis e desvirtuam o rumo da vida do personagem-título, levando-o a um buraco que não é nem merecido nem plausível pela história.
Quanto à nova animação, ficamos aqui na torcida para que seja boa!
Pessoalmente, gosto da forma como a linha principal da história do mangá se desenvolve, especialmente da forma como Kenshin faz as pazes com o passado dele. Em compensação, acho que a evolução de personagens é um tanto quanto forçada: na saga final a Kaoru Kamiya não faz absolutamente nada (a não ser servir de isca), enquanto o Yahiko enfrenta pau a pau mais de um capanga do Enishi - sendo que ela era a mestra precoce do estilo e ele era aluno há pouco tempo. Claro, a história é shonen, foca no público de jovens meninos, mas não engulo essa reviravolta (lembrando que na saga do Shishio eles juntaram forças contra dois inimigos).
No aguardo de mais informações dessa nova série. E vou correr atrás do jogo de PSP já.
Achava que só eu não gostava dos OVAs de Samurai X. Parece que fizeram aqueles OVAs para ganhar algum prêmio de animação, ficou tudo sério demais. Também tenho um carinho especial pelo mangá, porque foi meu primeiro mangá.
Engraçado que a cena mais tristíssima que me lembro do mangá, se não me engano não existe nesse ova, que é quando o Kenshin sai com as crianças da vila onde ele morava com a Tomoe pra 'brincar pela última vez'.Que quadrinho forte é aquele...e pelo que lembro, os capítulos do passado, no mangá mesmo, não era no mesmo nível de 'leveza' das sagas anteriores, tinha um clima mais pesado tanto nos eventos quanto nos desenhos.
E ainda considero Kenshin um dos mangás shonen de samurai mais 'respeitáveis', pelo menos ele nunca retratou o Bakumatsu como um passeio no parque, como sinto em alguns mangás.
Fora a arte do Watsuki, que apesar de ser um emo reclamão na época de Kenshin, manda muito bem e tem uma narrativa bem construída e empolgante, normalmente dá pra entender as cenas de luta dele sem nenhum problema.
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: pessoalmente acho remotas.
De um lado sabemos que a saga de Hokkaido seria transplantada para Gun Blaze West – foi justamente a atmosfera de faroeste que essa saga teria que o levou para um conceito do gênero. Por outro lado, como Gun Blaze West acabou se distanciando desse caminho (aparentemente por influência editorial mal-mandada) e sendo, no fim, cancelado, a saga acabou não sendo usada.
Por outro lado, acho que o final de Kenshin encerra qualquer chance de continuação – ele está lá, com mulher e filho; o uso da sua técnica, feita para corpos mais robustos (como o de seu mestre), está consumindo seu corpo, ou seja, final feliz é ele parar ali e o próprio autor deixou claro que achava melhor um final feliz para o material. E por fim, acho que o Yahiko como protagonista não funcionou tão bem assim no one-shot A Sakabatou de Yahiko. Dificilmente ele deve ter uma série só para ele – a melhor opção para se fazer a saga de Hokkaido.
Por último, ele deve estar é preocupado com Embalming. Teve, seguidos, um fracasso total na Jump (Gun Blaze West) e uma série de vôo baixo que só conseguiu decolar no apagar das luzes (Busou Renkin). E podem reparar: acredito que só fizeram o anime de Renkin após o final de tudo por conta dessa reação positiva no final – tenho certeza que se o anime tivesse emplacado de verdade, a série voltava. Duvido que ele queira comprometer uma série que vende pouco mas ao menos ainda está sendo publicada, ainda mais após um hiato – e deve ter valido a pena esse trabalho que o forçou a pausar a série, já que Embalming, por mais interessante que seja, não vende muito bem, mas em termos de um almanaque mensal, ele se sustenta.
Enfim, acho que só por um milagre veremos a saga de Hokkaido. Talvez depois que Embalming acabar, mas eu não contaria com isso.
O que não dá pra engolir é o PÉSSIMO OVA2, uma maneira mais ridícula de encerrar a série que aqueles filers malditos.
Enfim, também acho que não teremos a saga de Hokkaido, mas só o fato de termos a série de Enishii por completo já é excelente e dá pra caber certinho no padrão 26 episódios.
Digo isso porque acredito que a saga dos deuses de Cavaleiros do Zodíaco pegou muita gente de surpresa quando surgiu. Eu fui um deles, que não esperava mais do que a animação da saga de Hades em clima de revival.
Saindo do universo de manga e anime, agora até os Caça-Fantasmas vão voltar ao cinema, após Indiana Jones.
Ou seja, não duvido de que daqui a uns bons anos possamos ler a saga de Hokkaidô. E eu ficaria muito satisfeito com isso.
Ah, Lancaster, a cada dia fico mais fã desse site. Não posso expressar em palavras o quanto essa frase é excelente!
Concordo plenamente com cada letra digitada nela.
Honestamente vejo essas abordagens mais... intensas como apenas outro tipo de abordagem narrativa mas não como um padrão que deve ser considerado imprescindível para um fã curtir determinada obra, para a tal obra ser considerada boa/interessante ou para simplesmente fazer o leitor "se sentir na idade dele", como as vezes os chamados "especialistas" e alguns fãs querem.
Abraços!
Alexandre: mas essa é sua função e isso não é nenhuma vergonha!
Tenho 30 anos, sou mãe, e (tinha que ter vergonha, eu acho :$ ) meu quarto ainda é cheio de quadros envidraçados feitos de um artbook do RK. Não consigo passar pro meu filho de jeito nenhum! rsrs
Só não sei ainda o que eu acho sobre uma nova versão.
Alexandre: bom, só descobriremos vendo...
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