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Abr 02
Agora sim: Entrevista com J. M. Trevisan sobre a série Ledd
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Lancaster |
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12
Categorias: mangá global

Bem, depois da nossa pequena brincadeira de Primeiro de Abril, nada mais justo que o Trevisan viesse a público apagar a fogueira. Assim, temos uma entrevista oficial do roteirista da vindoura série Ledd aqui, no Maximum Cosmo. Aproveitem e divirtam-se.
1) Fale um pouco sobre Ledd, a série.
A ideia para Ledd surgiu faz uns dez anos e ficou engavetada durante todo esse tempo. Tentei retomá-la há uns 3 ou 4 anos e inclui algumas coisas no plot, mas o negócio não foi para frente e o personagem continuou esquecido nas entranhas do meu HD empoeirado. No fim do ano passado comecei a jogar Valkyria Chronicles no PS3, um RPG de estratégia em estilo anime com gráficos lindos, e isso me despertou a vontade de voltar a procurar coisas do gênero. Assisti Full Metal Alchemist: Brotherhood e me empolguei com a ideia de fazer um quadrinho que tivesse inspiração nos mangás. Nesse mesmo período o Lobo Borges me procurou no Twitter para mostrar portifólio e eu gostei bastante do que vi. Acabei lembrando de Ledd e a história casou direitinho com o estilo dele. Fiz um plot geral com a ajuda do Cassaro em um brainstorm pra lá de proveitoso, e escrevi 3 dos primeiros roteiros em menos de um mês.
A série começa em Yuden, na Fortaleza Hardof, conhecida como a prisão mais linha dura do Reinado. Ledd, o personagem, principal está preso ali sem saber por que. Mas isso é só a ponta do iceberg.
2) E quanto aos personagens?
Já temos vários, mas os principais até agora são Ledd e Ripp. Ledd é um garoto por volta de 18 anos de idade. Aparentemente é um guerreiro, mas ninguém sabe ao certo. Há uma série de mistérios em volta do personagem. Não é a coisa mais original do mundo, mas é um playground onde eu nunca brinquei, então acho que vai ser divertido para todo mundo.
Ripp é um mago mais velho. Não tem pelos nem cabelos (e não, não fiz isso para que ele se parecesse comigo) e tem um método de fazer magia um tanto quanto peculiar.
A gente também divulgou os esboços de Drikka, uma outra personagem, mas não posso falar dela agora sem estragar a surpresa.
3) Como vai ser a forma de publicação?
Quebrei muito a cabeça com isso junto com o Guilherme, nosso editor-chefe e um dos cabeças da Jambô, e acabamos nos decidindo por um formato que eu não sei se é inovador, mas pode pelo menos ser chamado de ousado, acho. Ledd será publicado mensalmente em um hotsite próprio -- que está sendo elaborado pelo Fabio Fugikawa, antigo responsável pela diagramação e visual das revistas D20 Saga e Dragon Slayer -- e depois encadernado em volumes a cada número X de episódios.
4) E qual vai ser o formato final e preço esperado? Acho que isso é importante, depois da pequena brincadeira de primeiro de abril...
Bom, não vai ser 180 reais! A boa notícia é que a leitura online vai ser gratuita. A gente pensou bastante, e a verdade é que tudo mais cedo ou mais tarde vai parar na internet por ação dos piratas. Principalmente se for um produto legal (o que esperamos que Ledd seja). Se é assim, que ao menos o material chegue na rede pelas nossas mãos, com a qualidade que gostariamos e com a possibilidade de lucrarmos de algum modo (seja com anúncios, seja com pagamento voluntário no caso do cara que prefere ler online e só, mas ao mesmo tempo gostaria de recompensar o trabalho dos envolvidos -- embora eu ainda não tenha conversado sobre isso com o Gui).
A ideia é oferecer um produto mais bem acabado no volume impresso. Além da capa colorida, provavelmente o primeiro caderno inteiro também será colorido (para o trabalho escalamos nosso amigo Rod Reis, colorista da DC). E teremos extras como esboços, notas de produção, talvez trechos de roteiros originais, tudo o que pudermos enfiar.
Minha esperança é que o cara leia no site para matar a vontade e depois compre o volume encadernado para guardar e reler quando quiser. Lógico que tudo isso pode ser revisto se houver um impacto muito grande nas vendas, mas não achamos que isso vá acontecer.
Ledd será vendido nas livrarias e estamos estudando a possibilidade de colocar os volumes em bancas também, mas ainda não há nada acertado quanto a isso.
5) Faço a mesma pergunta que fiz na versão "piada": vai haver integração de mídias, entre história e o rpg?
Difícil fugir né? Além de uma receita boa e de sucesso comprovado, a raiz de Ledd nessa nova encarnação (originalmente a história se passaria em outro cenário, mas o Cassaro me convenceu do contrário) é Tormenta. E Tormenta sempre vai ser RPG. Não existe nada planejado ainda, mas é muito provável que surja material de RPG relacionado à série na revista Dragon Slayer ou no próprio hotsite.
6) Os livros de Leonel Caldela alteraram muito a percepção geral do universo. Isso fez diferença na forma final de Ledd?
Se for no sentido da temática, não. O Leonel fez o público ver essa faceta mais séria, mais cruel do cenário, mas ela sempre existiu, embora estivesse misturada aos aspectos mais leves. Basta pegar O Reinado D20 e procurar. A primeira coisa que me chamou a atenção no Leonel quando conheci os trabalhos dele, foi o fato de nossa visão de fantasia medieval ser muito parecida (com a diferença de que ele é um escritor de prosa muito mais competente do que eu). No fim, Ledd acaba sendo uma mistura dessa minha visão, do que o Leonel fez e do que eu aprendi com o Cassaro. Embora tenha brincado na entrevista de primeiro de abril, eu realmente quero explorar essa possibilidade que o estilo mangá dá de misturar gêneros e climas sem prejudicar a história. Se o leitor conseguir rir e chorar em proporções iguais durante a série, sinal que a gente alcançou o objetivo. Mas tem muito chão pela frente.
7) Faça alguns comentários sobre o trabalho do artista.
O Lobo é fantástico. Tenho noção que Ledd vai ter um crescimento gradual. Eu mesmo nunca escrevi uma série contínua, ainda mais nesse estilo. Então é normal que a gente comece devagar e acelere aos poucos. Mas o Lobo já começa num nível muito bom para quem nunca publicou. Há muita margem de melhora tanto para ele quanto para mim, mas o resultado final deste primeiro episódio vem me agradando demais. Além disso é um cara muito gente boa, muito dedicado. Costumo dar abertura para que os desenhistas com quem trabalho opinem no roteiro, e o Lobo deu muitas sugestões legais. É não só um desenhista com um belo futuro pela frente, mas um grande parceiro.
8) Por fim, uma última palavra para os leitores.
Bom, o principal é o desejo de que a maioria goste de Ledd! Estamos no dedicando muito à série. Embora eu já tenha publicado trocentas coisas nesses meus 16 anos de carreira, meu sonho sempre foi fazer história em quadrinhos de verdade, por isso me sinto como um principiante.Como eu disse outro dia no Twitter, não viemos para ser melhores que ninguém e nem para "mostrar como é que se faz". Viemos para tentar contar uma boa história. E esperamos conseguir. Muito obrigado pelo espaço, Alex!
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Comentários:
O traço do Lobo Borges é muito bom! Gostei mto.
Isso você precisa ter na estante!
Com uma boa divulgação, será sucesso na certa! E se as vendas forem boas, com certeza irá agitar o não tão agitado mercado de quadrinhos brasileiros.
Eu sei que essa postura parece aquela postura do assim auto intitulado "otaku" brasileiro, ler e assisitr tudo de graça e depois reclamar por falta de titulos, mas de fato é muito dificil arriscar em qualquer titulo encadernado sem conhecer absolutamente nada sobre o titulo antes.
Eu mesmo fiz isso duas vezes apenas, e me arrependi na segunda, quando comprei Hetalia, quem promete ser uma comédia hilariante mas que não passa de tirinhas sobre meninos bonitinhos com varias insinuações homosexuais entre os protagonistas onde a parte sobre a guerra e a História mundial são só um pretexto que no fim tem que ser explicada em praticamente todo rodapé de pagina.
Já o que nos promete Ledd nos dá uma prévia, e nos prepara para pensar antes de consumir. De certa forma é também o que eu espero da Ação Magazine, uma revista onde vou poder acompanhar diversos títulos, e que caso algum me interesse mais, compro o encadernado, caso lança-los estejam nos planos da equipe da AM, obviamente.
Fico feliz que finalmente ALGUÉM que trabalha numa editora de verdade aqui no Brasil terá bolas suficiente para fazer este esquema de publicação: na net de graça, como se fosse um scan, e depois fechado em encadernados (como Freak Angels do Warren Ellis e outros mais). Acho que Ledd será um sucesso de vendas, mesmo com a obra disponíveis "de graça" - sem falar que anunciantes e doações oluntárias também são ótimas!
E já que ergueram a lebre: Leonel salvou o cenário, faça me o favor! Tormenta era ridículo antes, agora está bem mais consistente - mas pode melhorar!
Finalmente alguém fez o Careca falar.
Além da trama, uma das minhas maiores dúvidas era em relação ao formato de publicação; acompanhando o autor pelo Twitter e ver ele falar em "episódios" sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha.
Esse formato, aliás, me lembrou o sistema das antologias japas, só que emulado para a internet - mais interativo impossível. Acho que pode funcionar e torço pelo sucesso de "Ledd".
Parabéns mais uma vez ao JM Trevisan e ao talentoso Lobo.
Minha primeira pegadinha do malandro Huauua XD
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Agora falando sério ^^
Espero que gostem de Ledd, estamos dando sangue aqui para poder fazer uma boa HQ
Muito obrigado ao Alexandre pelo espaço e a todos vocês que estão nos acompanhado no começo dessa nova saga ^^
Abraço,
Lobo
Boa sorte ao Trevisan e ao Lobo Borges!
Hahaha, espero que sim.
Boa sorte para os dois autores com o seu gibi (quadrinho, mangá, comic, etc...), e espero que isso ajude a popularizar ainda mais o quadrinho brasileiro e provar que aqui podem existir bom quadrinistas também!
E não vangloriar algo já estagnado.
Pois é, Tormenta estagnou legal.
Tanto e matéria de criatividade quanto a seus criadores que não fazem anda mais original.
Espero que vingue, mas se não, só lamento.
Quanto ao Cassaro, o cara é um poozer.
Junto com a Awano, espero que percebam a droga que estão fazendo e voltem a pensar com o coração, e não com o bolso.
Enfim, é isso que tenho a dizer.
Gostem ou não.
Alexandre: olha, estou liberando sua mensagem, mas só digo que Tormenta para mim é um cenário mais interessante hoje, com os livros do Caldela e com a virada de mesa dos Minotauros, do que no passado. Isso não é ser estagnado. E franquias são para isso: para gerarem produtos em diferentes mídias. Se Tormenta é franquia, nada mais correto do que novos produtos ambientados em seu cenário. Acho isso saudável.
Quanto a Cassaro e Awano, ela está afastada da franquia que eu saiba hoje em dia e o Cassaro que eu saiba participa mais dos bastidores do que da execução propriamente dita. Não vejo o porquê de condená-los por isso em se tratando de, repito, uma franquia.
Tudo de bom!!
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