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Mar 31
Shuho Sato sai de Bokuman
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Clara Coelho |
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4
Categorias: mangaka

E, depois de passar um tempo esquecido, Bokuman volta às notícias; agora, com a saída de seu roteirista, Shuho Sato. Não foram divulgadas as razões que levaram a isto, mas já é certo que, após o segundo capítulo do mangá (a ser lançado no dia 05 de Abril), será Tokihiko Ishiki quem ficará encarregado do enredo, além de ser o desenhista da série. Bokuman é um mangá seinen (voltado a um público masculino adulto) publicado na revista Mangá Action, da editora Futabasha, desde 1o de Março. Lancaster já comentou um pouco a respeito da obra, de seu ponto de vista, aqui no Maximum; agora é a minha vez.
Bem, Bokuman causou algum furor, a princípio, pelo fato de quem seu mote é idêntico ao do mangá sucesso da Shonen Jump, Bakuman, de Ohba e Obata - sem mencionar, é claro, a evidente semelhança entre os nomes. Ao que parece, porém, o projeto não alcançou ainda muita expressividade; e é bem provável que nunca o faça. E por quê? Porque, infelizmente, esse é o destino em geral de obras que se apropriam de um tema já trabalhado exemplarmente. Mesmo que estas obras não sejam, na realidade, cópias; mesmo que elas de fato tenham qualidade; seu destino acaba sendo o estigma de "plágio" e a perspectiva de serem eclipsadas pelo sucesso da antecessora famosa.
Para exemplificar como isso acontece, vou mencionar um exemplo simples: o caso de Lost+Brain, de Akira Ootani e Yabuno Tsuduku; um mangá shounen (voltado para o público masculino jovem) publicado na Shonen Sunday, da Shogakukan, entre 2007 e 2008. Um belo mangá: enredo interessante que caminhava entre os gêneros suspense e drama psicológico; traço limpo e bem desenvolvido; história fechada (talvez um pouco curta demais) que conseguiu completar seus objetivos sem andar em círculos ou apelar para os tão odiados fillers. Mesmo assim, foi um título que recebeu pouca atenção (apesar de ter sido publicado em uma das revistas mais importantes de uma editora "gigante"). E isso por que o tema - um garoto que decide usar um poder sobrenatural para mudar o mundo a seu gosto - já havia sido utilizado, pouquíssimo antes, por Death Note, de Ohba e Obata. (Sim. Mundo pequeno). O resultado: muitos consideraram Lost+Brain apenas uma versão "piorada" de Death Note. E, embora ele tenha até mesmo sido licenciado na Europa, nunca vai poder ser considerado um marco ou um sucesso.
Então, voltando a Bokuman: há boas chances de que o mangá outrora de Sato, agora de Tokihiko, esteja enfrentando problemas semelhantes. Ao propor uma nova obra com um tema tão semelhante ao de Bakuman (embora abordado de uma perspectiva mais pessimista, talvez até mais amarga, e claramente contestadora), ele assume o risco de ser considerado uma cópia, ainda que apenas ao nível das idéias. O que, é claro, não é uma boa publicidade. Se você já
tem um bom mangá sobre determinado assunto, por que se dar ao trabalho de ler outro que, obviamente, só foi concebido graças à apropriação de idéias, e não a partir de um pensamento original?
Não me interpretem mal. Eu tenho plena consciência de que "originalidade", no universo dos quadrinhos, é um conceito de difícil aplicação. Os fãs de alguns gêneros específicos podem ter uma visão um tanto quanto indiferente quanto a originalidade, já que apenas desejam ler mangás que sigam a fórmula que eles tanto apreciam; mudam os nomes, a história é a mesma ou bem parecida. Mas aqui estamos falando de fãs de obras. Esta é uma categoria diferente, regida por normas diferentes; alguém que é realmente cativado por uma obra dificilmente vai querer vê-la sendo repetida por outro autor, talvez com uma qualidade inferior. É desprestigioso.
Agora fica a dúvida: será que Sato decidiu abandonar sua própria obra por que percebeu a má recepção que provavelmente sofreria (ou já está sofrendo)? Se este for o caso, eu diria que a postura dele enquanto autor é bastante criticável; depois de propor um mangá que repensa profundamente a imagem da indústria de quadrinhos divulgada por Bakuman, simplesmente desistir é como assumir que, para ele, a questão não era realmente importante - ou, o que é pior, que ele não valoriza sua própria visão a respeito desta questão.
Alguns poderão dizer (como, de fato, já me disseram), que Sato não podia arriscar sua imagem vinculando-se a uma série que é alvo da antipatia do
público, já que ele depende desta imagem para vender seus quadrinhos via internet; mas, apesar de toda a lógica de mercado, há momentos nos quais se apegar àquilo em que você acredita é necessário. Eu devo dizer que esperava de Sato ao menos a dignidade de concluir pessoalmente seu Bokuman, ainda que o fizesse brevemente, depois de fazer dele uma espécie de manifesto anti-utópico sobre a vida de mangaká. E, se ele não estava pronto para assumir os riscos óbvios de uma empreitada deste tipo, então que não tivesse dado a cara a tapa.
Agora resta ver se Tokihiko vai seguir no caminho iniciado por Sato ou se vai conferir uma nova cara a Bokuman. Mas o que eu realmente espero ansiosamente por descobrir é se ele conseguirá tirar a série do ostracismo, ou se a saída de Sato é apenas o prenúncio de seu final prematuro.
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Comentários:
De qualquer modo, acho que esta obra está mesmo fadada ao fracasso desde o início por causa do tom "hater" que ela carrega. Teria sido muito mais digno se o autor apenas iniciasse a obra sem esse ba-fa-fá de ter se indignado com Bakuman e tals. E o nome Bokuman é idiota ao extremo! Sem falar que poderia até ser considerado REALMENTE plágio por meios jurídicos - imagina se a dupla de Bakuman fosse o Leiji Matsumoto!
Mas a questão de plágio é realmente algo complicado. Se formos pensar assim, pelo menos 70% de todos os mangás já publicado na Jump já se "plagiaram" uns aos outros. É tudo uma questão de um enredo que, a medida que vai sendo 'copiado', torna-se lugar-comum e vira um gênero próprio - como os filmes de bang-bang americanos que parecem tudo cópias uns dos outros.
No caso, mangás metalinguísticos assim como Bakuman e Bokuman ainda são raros, mas quem sabe, um dia, possam se tornar razoavelmente comuns até se tornar um genero a parte também. Mesmo que restrito.
E sobre Bakuman em si (alias, acho que a imagem inicial do post não deveria ser essa, mas de Bokuman que é o assunto, sinceramente!)já faz muito tempo que escancarou na cara dos pobres leitores que NÃO É um mangá realista sobre a vida de um mangaká. Não que isso seja tão ruim assim, afinal Naruto NÃO É um mangá realista sobre ninjas, muito menos One Piece é um mangá realista sobre piratas... o problema não é esse. O problema é que dificilmente um leitor de mangá será um ninja ou pirata na vida real - por isso não há problema nenhum em fantasiar bem estas coisas. Mas no caso muitos leitores de mangás almejam ser mangakás... e embora Bakuman não seja uma obra ruim, ela meio que joga pequenos esguichos de água fria de tempos em tempos na cara dos leitores que esperavam algo mais sério. O jeito é lê-la como se fosse um Dragon Ball da vida, trocando o Kamehame-ha pelos pincéis e lápis.
E voltando à Bokuman (que porra significa esse nome?!): não posso deixar de pensar que Shuho Sato pode acabar se tornando uma espécie de "Sid Vicius" do mangá - um "punk" que levou mesmo à sério a receitinha da autodestruição que ele mesmo pregava. Talvez Bokuman seja uma obra TÃO deprimente que até mesmo ele abandone a carreira.
Clara: Concordo e assino embaixo, Jussara. Quanto à imagem, eu peço desculpas por esta falha e vou tentar prestar mais atenção a estas questões de estilo e design daqui por diante. =)
É Bokuman ia seguir esse destino mesmo...
Foi corvadia mesmo do autor abandona-lo
acho que ele estava realmente com medo que sua reputação caisse...
agora uma coisa...
Alguem sabe algum site que tenha o manga para baixar?
pode ser ingles mas de preferencia portugues(se for em ingles posso ate traduzi-lo^^)
Anyway, agora fiquei curioso quanto á esse Lost+Brain, pareçe interessante...
Quanto a Bocuman, eu não li nem pretendia, já que não tenho nem muito tempo, nem curiosidade para esse caso (adoro Bakuman, e já me custa conseguir seguir as séries que sigo), mas acho que se o cara ia fazer uma série quase que exclusivamente para defender o seu ponto de vista (nem sai se era, mas lá vai) ele deveria continuar até o fim ou ter pensado duas vezes antes...
Clara: De fato, a Sunday é da Shogakukan, muito bem notado, Filipe. A Kodansha, na verdade, publica a Shonen Magazine.
Clara: Eu mesma também não vejo Bokuman como um caso de plágio. Mas sendo um mangá que se aproxima de Bakuman em tantos aspectos, é fácil ser levado a acreditar que Sato de alguma maneira esperava que sua obra decolasse por associação à de Ohba e Obata. O problema neste raciocínio é que os fãs de Bakuman dificilmente vão se sentir abertos a um mangá que foi criado aproveitando sua idéia original - ainda mais se este "aproveitamento" foi realizado com uma intenção claramente crítica.
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