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Mar 28
E a Kodansha entra na dança
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Clara Coelho |
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Categorias: business

Apenas alguns dias atrás, eu mencionei aqui que a Shueisha estaria distribuíndo gratuitamente na internet a edição da Shonen Jump que deveria ter sido vendida por ocasião da catástrofe que atingiu o Japão. Pois bem, e como aquela idéia foi realmente inteligente - de um ponto de vista comercial - a Kodansha decidiu aderir à brincadeira. Grande surpresa. Lancaster me disse que isso se chama "benchmarking"; eu prefiro a expressão mais popular, mas igualmente enfática, “não estou a fim de ficar de fora”.
Então, para marcar sua "generosidade" com a população, a Kodansha vai distribuir edições gratuitas online de algumas de suas revistas. Dentre elas estão, claro, a Shonen Magazine (revista shounen - voltada para um público masculino jovem - semanal), a Young Magazine (revista seinen - voltada para um público masculino adulto - semanal), a Morning (revista seinen semanal) e a Evening (revista seinen quinzenal), além da Be-Love e Kiss (voltadas para o público feminino). De modo geral, o movimento é o mesmo realizado pela Shueisha: um modo de ganhar a simpatia dos leitores. Neste caso, porém, é difícil dizer se eles também pretendem evitar um efeito dominó de atraso nas publicações, por um motivo que explicarei depois.
Algo que eu não havia mencionado antes é que em ambos os casos, tanto na edição da Shonen Jump oferecida pela Shueisha quanto nas edições oferecidas pela Kodansha, somente as seções de mangá serão disponibilizadas; nada de propagandas, nem as seções de entrevistas, reportagens ou afins.
Não deixa de ser curioso que os anunciantes não tenham se juntado a essa iniciativa, já que é bastante provável que essas edições online alcancem um público maior ainda do que a versão impressa, inclusive fora do Japão.
Mas o mais interessante é que a Kodansha ainda não divulgou quais edições de suas revistas serão disponibilizadas - nem onde, quando ou por quanto tempo; estas questões ficaram de ser decididas ao longo desta semana. E é por este motivo que não dá para dizer ao certo se a editora faz isto com algum interesse de evitar os atrasos nas próximas edições. Pode ser (e, eu diria, é bem provável), que eles pretendam distribuir edições mais antigas, e não necessariamente aquelas cujas vendas foram afetadas pela catástrofe; isto explicaria por que os anúncios originais não estão sendo incluídos (embora, claro, não explique por que novos anúncios não o foram). E isso representa uma diferença crucial com relação à atitude da Shueisha, já que esta limita-se a tentar reparar um dano momentâneo, pontual, e não visa uma ação mais extensa.
Neste sentido, eu diria que a Kodansha deu um passo além de sua concorrente - e um passo bastante significativo; afinal, a divulgação de material vai ser realizada em quantidade consideravelmente maior, e atingindo um público mais diversificado. E divulgação de material, em circunstâncias nas quais seus leitores usuais estão de certa forma impossibilitados de compra-lo, é algo vital.
Por fim, por que não dizer, esta ação por parte das duas editoras também pode ser considerada memorável dentro de um panorama mais geral de transição do impresso para o digital. Talvez não seja o maior passo já dado, uma vez que várias iniciativas desta natureza mas com um foco realmente (e assumidamente) comercial já estão sendo tomadas; mas com certeza é algo para marcar o início de algo maior e particularmente importante, uma vez que envolve as duas maiores editoras japonesas e seus títulos mais relevantes.
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Comentários:
Ao invés de "benchmarking" ou "não estou a fim de ficar de fora", prefiro a expressão "copião" mesmo.
Agora, sendo só uma edição e com um tremendo (literalmente) motivo para a não-publicação impressa, para mim não fica claro "o início de algo maior e particularmente importante".
Até mais!
Clara: Oi Fábio!
Bom, sobre "copião"... Eu pensei em algo do tipo, inicialmente, também. Mas depois de algumas conversas, percebi que copiar algo que está dando certo, ou tem chances de dar certo, não é nada incomum dentro de uma lógica de mercado. Então, por que avacalhar, né...
Agora, sobre ser o "inicio de algo maior", na verdade isso é a minha esperança falando mais alto. Eu sou a favor de uma transição, ainda que parcial, do impresso para o digital. Mas veja bem, meu raciocínio foi: por que tanto a Shueisha quanto a Kodansha simplesmente não utilizaram uma opção alternativa para comercializar as revistas impressas? Isso poderia ser feito mesmo sem acarretar grandes atrasos. Uma opção viável era lançar mais de uma edição no mercado na mesma data, como foi anunciado que fariam com a Young Jump e Jump Square.
Então, o que eu imagino (e ressalto, essa é minha interpretação) é que ambas julgaram este um bom momento para testar uma recepção de seus títulos através deste sistema de distibuição, sem as pressões de assumir de fato uma transição para a publicação online. Afinal, devido às circunstâncias (como você mesmo disse), esta medida não parece estranha e ainda é vista com simpatia e gratidão pelos leitores, gerando boms resultados a longo prazo.
Agora, mesmo que esta seja uma situação pontual e que depois dela não vejamos mais desenvolvimentos na área de publicação digital por parte de Shueisha e Kodansha, o próprio fato de estas duas gigantes aderirem a ela, bem como os métodos que utilizam para isso, já são relevantes por si só, provavelmente servindo de modelo e de incentivo a outras editoras que desejam se aventurar neste campo. Assim, eu acredito que este é um evento bastante significativo, sim.
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