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Clara Coelho | PERMALINK | 6

Categorias: seinen

Yokai Hunter - Yami no Kyakujin

Pois é. Mais séries de mangá seinen (voltados para homens adultos) estão terminando. A série Yokai Hunter - Yami no Kyakujin - está publicando seu último capítulo na Gekkan Comic Bunch número 5, da editora Shinchosha. A série é, na verdade, um remake de uma série de mangá (também de nome Yokai Hunter) em seis volumes de Daijiro Morohoshi, originalmente publicada na revista Mephisto, da editora Kodansha. O remake, realizado por Junya Inoue, ficou em apenas um volume.
Bem, comentar Yokai Hunter é complicado. Em primeiro lugar, não foi um título muito divulgado nem mesmo em sua primeira versão (e muito menos na segunda). Em segundo lugar, trata-se de um título de horror - que definitivamente não é o gênero que mais move os leitores hoje em dia.
O termo "youkai" traz à memória da maioria mangás shounen (voltados para homens jovens) simpáticos, como InuYasha, de Rumiko Takahashi, ou Nurarihyon no Mago, de Hiroshi Shiibashi; de resto, esta temática foi relegada ao uso em mangás de harém e harém reverso, como mais um exemplo de tendência fetichista. Nestas séries, youkais podem vistos como criaturas muitas vezes de boa índole, ou talvez até malignas, mas sempre carismáticas e em alguma medida cativantes; bastante diferentes da representação mais clássica, e que é adotada em Yokai Hunter (para manter a coerência com o fato de que é um mangá de horror), que mostra os youkais como seres monstruosos.
KaranQuanto a Inoue, o mangaká é melhor conhecido por seu trabalho com a série Otogi Matsuri, publicada na Comic Gum da Wani Books entre 2002 e 2008, e, mais recentemente, por Btooom!, publicada na própria Gekkan Comic Bunch desde 2009. Esta, por sinal, é uma série de ação ao melhor estilo Duro de Matar e outros filmes hollywoodianos repletos de explosões, e com certeza lhe rende mais "ibope" do que Yokai Hunter jamais poderia. Ou seja, não se preocupem - ele vai viver.
Outra série cujo final se aproxima é Karan, mangá de Kon Kimura sobre judô serializado na Afternoon, da editora Kodansha. Seu último capítulo será publicado na edição número 6, que chegará às lojas em 25 de Abril. Karan ainda alcançou uma marca melhor do que Yokai Hunter, encerrando com um total de sete volumes.
Sobre o caso de Karan, se há algo que valha a pena mencionar, é o fato de que a história gira em torno do clube de judo de um colégio feminino. O que pode ser considerado inovador se pensarmos que todos os grandes títulos de mangás de esporte, desde Ashita no Joe, de Tetsuya Chiba, até Capitain Tsubasa, de Yoichi Takahashi são desenvolvidos dentro de um universo estritamente masculino. Por outro lado, este pode ter sido justamente o problema de Karan, que no final das contas ficou bem abaixo da média de volumes em séries cujo tema central são os esportes (um tema que parece ter grande apelo para os homens no Japão. Claro, e por que não? Tradicionalmente, os esportes possuem um simbolismo de masculinidade, apesar das mulheres terem cavado seu caminho dentro desta área, e mesmo dos esportes de maior agressividade, nos últimos cinquenta anos), algo próximo de 20 volumes - embora os grandes hits possam chegar a até cinquenta. E isso se torna especialmente curioso por Karan tratar de um esporte que é originário do próprio Japão, o que nos faria esperar (ou, ao menos, me faria esperar) por uma simpatia maior dos leitores; no final das contas, parece que fazer um mangá sobre mulheres para um público masculino ainda não é a opção comercial mais segura.


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Comentários:

Nome: Pedro Bouça 28/03/11 01:46
Tipo, um mangá protagonizado por uma judoca não era exatamente o conceito do EXTREMAMENTE bem sucedido Yawara! de Naoki Urasawa (29 volumes + uma série de anime de 124 episódios)?

Parece mais para mim que Karan não teve foi originalidade...

Clara: Pois sim, o mote é semelhante. Mas então, Yawara! contava com algo que Karan nunca contou, e que vinha a ser justamente Urasawa. Enquanto isso, Karan tinha Kon Kimura, cujo único trabalho conhecido é... Karan. Então, no final, mantenho o que eu disse: ainda não é muito seguro fazer mangás seinen com mulheres como protagonistas. Quando dá certo? Quando você tem um mangaká de "grande porte", digamos assim; cujo talento seja grande o bastante para sobrepujar esta barreira de aceitação (e, sim, sou grande fã do Urasawa, mas não por Yawara!. Na minha opinião, a obra-prima dele é mesmo Monster).

Alexandre: Clara, vou dar razão ao Hunter – o Urasawa apareceu justamente com Yawara! Antes disso, ele não era ninguém.

Mas eu até comentei com você em privado: até dá para ser bem sucedido com personagens femininos desde que você engula o veneno do moe. Aí você tem a seu favor um público que nem se incomoda com o que você escreva, desde que tenha meninas bonitinhas mostrando como são adoráveis. :P


Clara: Eu concordo que Urasawa só "nasceu" para o mundo dos mangás com Yawara!. Mas, quando eu disse que Yawara! contava com o background de um mangaká como ele para garantir sua boa aceitação, eu não quis dizer que os leitores aprovaram esta obra por que seu autor era famoso. Eu só quis dizer que ele tinha talento o bastante para fazer uma obra como essa dar certo - muito certo. E Kimura, embora não seja um mangaká ruim, não tem nem de longe talento o bastante (ou aquele "je-ne-sais-quoi", se preferir) para fazer isso. Ou seja, minha única discordância em relação ao que o Pedro disse é que o problema de Karan não foi originalidade (Deus sabe que hoje isso já não significa muita coisa para o sucesso de um mangá...), mas sim o nível do autor.
Nome: R. Moss 28/03/11 12:54
Toda série esportiva na Afternoon irá sofrer e será totalmente eclipsada e aniquilada pela obra-prima dos quadrinhos esportivos Ookiku Furikabutte.

É meio difícil se destacar quando nas mesmas páginas da antologia é desenhada a mais espetacular história esportiva da história do Japão (ainda que não tenha o mesmo impacto histórico das famosíssimas do gênero, e nem terá, infelizmente são outros tempos agora).

Alexandre: acho que você precisa ler Star of the Giants, só para ficar no beisebol. O original, não o remake.

E diabos, dizer que Ookiku Furikabutte é superior a clássicos como, digamos, Ashita no Joe, é um exagero
. :P
Nome: alex 28/03/11 10:01
vlw pela noticia o//


sobre esse negocio de "harem reverso" pelo que eu sei isso não existe harem com mulheres ou homens fica somente "harem" não tem "harem reverso" ...

Clara: Oi Alex. Bom, não sou nenhuma especialista em tipologia e nomenclatura de mangás. O que posso dizer é que há sim uma divisão entre os harém voltados para homens e para mulheres, divisão esta que é marcada até mesmo pela forma de constituição de cada um - arrisque-se a assistir um harém reverso e você verá que, enquanto o harém para homens é marcado pela questão da sexualidade e dos avanços entre os sexos, o harém para mulheres é quase sempre marcado por uma protagonista alheia a seus contrapartes masculinos, pela relação mais próxima da amizade do que do amor e, eventualmente, pelo final inconcluso.
Enfim, voltando ao que eu dizia, os harém para mulheres constituem sim um gênero separado dos harém para homens, possuindo um modus "operandi próprio"; e, graças a isto, receberam de suas fãs o nome específico de "harém reverso" (em alguns casos, "harém inverso", mas este não pegou). Fique à vontade para você mesmo procurar e verificar que é assim que o fandom deste gênero se referem a ele. Agora, se este nome é oficialmente reconhecido por aqueles que trabalham e pesquisam o mangá, eu já não posso afirmar...
Nome: R. Moss 28/03/11 11:25
Por isso que eu disse que não vai marcar época.

O mangá costuma ser muito fantasioso, não eram totalmente verossímeis (os mais recentes também não são, Slam Dunk é um exemplo disso).

E o que era o Japão naqueles tempos? Um país se erguendo, ainda com a estima lá na lama.

Por isso esses mangás antigos marcaram uma época, não necessariamente pela qualidade (embora não estou dizendo que ela faltava) mas sim pela forma como a mensagem foi passada, pela emoção transmitida.

Isso não significa que eles eram um primor técnico, e é nesse ponto de vista que eu faço minha defesa de Oofuri. Não só é um primor técnico e verossímel, como transmite toda a tensão do campeonato colegial japonês de beisebol. Tudo isso sendo muito divertido.

Porém, não há como impactar. São outros tempos, outros valores, outros paradigmas. Veja One Piece, tirando o fato de ser "o mais vendido", o que as pessoas lembram dele?

A cada nova geração, será impossível superar os mangás do passado, já viraram instituição e a situação atual não leva a crer que novas séries terão essa enorme representatividade. E isso é uma espécie de ponto negativo nos clássicos do amanhã.

Nunca consegui acesso integral ao texto de Star of Giants e Ashita no Joe é muito inverossímel. Nesses quesitos, Oofuri é superior, mas nunca vai marcar época.

Mas veja bem, é o único título da Afternoon vendendo acima do meio milhão. Você há de reconhecer que isso significa alguma coisa.

No final das contas, é uma questão de gosto (teve uma pesquisa sobre mangás esportivos que Oofuri ficou na frente, inclusive desses clássicos, mas não me lembro nem consigo achar -_- ), não é tão importante, mas eu, na minha humilde e paupérrima opinião, acho melhor. =D
Nome: alex 29/03/11 08:11
eu ja tinha dado uma olhada na internet e o genero "harem" é um grupo de pessoas do mesmo sexo com sentimentos por uma pessoa do sexo oposto ... "harem reverso" provavelmente os fãns começaram a falar assim ... mas pelo que eu sei não é oficial ... se alguem souber se realmente é oficial seria legal falar aqui sobre o assunto ...
Nome: Sthefan 02/04/11 12:42
"Na minha opinião, a obra-prima dele é mesmo Monster"

Ai, que raiva da Conrad! Quero comparar Monster a 20th Century Boys (ao qual li por scans), ver de qual gosto mais, mas por uma tola esperança de que a série será publicada em sua totalidade no Brasil, isso fica só na vontade...

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