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Mar 25
Lá vem mais Blood
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Clara Coelho |
PERMALINK |
10
Categorias: anime

E uma notícia que me deixa particularmente feliz: a franquia Blood vai receber mais uma adaptação, desta vez entitulada Blood-C. O anime vai ser realizado pelo estúdio Production I.G., com a CLAMP como responsável pela história e character design. Uma possível data de lançamento é Julho deste ano. Blood-C também vai contar com um mangá, de Ranmaru Kotone, a ser lançado na Shonen Ace - revista da editora Kadokawa Shoten - número 7, que sai dia 26 de Maio.
Agora, eu sei que muitos devem estar arrancando os cabelos com esta notícia. A verdade é que as adaptações de Blood: The Last Vampire - originalmente um filme animado lançado em 2000 - até o momento foram alvo de muitas críticas, é verdade. Depois do Blood original, veio um filme em Live-Action, lançado em 2009; um jogo para PlayStation; um mangá seinen (ou seja, voltado para homens da faixa etária adulta) criado por Benkyo Tamaoki e serializado na Ace Next em 2001; uma série de light novels; e a série Blood+, que engloba o anime Blood+, composto de 50 episódios e também produzido pelo estúdio Production I.G., e os mangás Blood+, Blood+ Yakou Joushi, Blood+ Adagio e Blood+ Russian Rose (sobre os quais não vou me estender, já que a ordem de publicação, profusão de autores e revistas, bem como grande variação de gêneros, cria uma confusão sem tamanho).
De modo geral, estas adaptações foram sendo bem aceitas pelo público; mas a
série Blood+ conseguiu mudar este cenário, e foi muito criticada por alterar o espírito da obra original. Especialmente, ouve-se muitas reclamações sobre a perda da característica principal da trama - o fato de ser um mangá de horror. Os traços muito semelhantes ao que se vê em shoujo (mangás voltados para mulheres jovens) e a atenção maior ao drama que se desenrola entre Saya e Haji parecem transformar o que deveria ser uma história sombria em um drama romântico.
Um dos casos mais especificamente criticados é o de Blood+ Yakou Joushi, de Hirotaka Kisaragi, serializado na Asuka Ciel - uma revista de shoujo e yaoi da mesma editora Kadokawa Shoten que irá lançar Blood-C. Yakou Joushi é classificado como um shounen-ai (ou seja, uma história com insinuação de relacionamento homossexual masculino) - e, sim, neste ponto eu sinto pedras sendo atiradas na minha direção. Afinal, eu ainda sou uma defensora do direito de existência dos fandom, mesmo aqueles baseados em fetiches.
Mas não se preocupem; apesar da minha posição e muito embora eu tenha um certo apreço pelo
shounen-ai, eu não defendo o uso deste gênero no caso de uma adaptação de Blood. E isto simplesmente pelo fato de que não há qualquer coerência entre esta história e as demais séries da franquia. Haji sempre foi leal a Saya (sem mencionar, platonicamente apaixonado por ela), e criar uma situação de romance entre ele e um personagem aleatório tirado Deus sabe de onde foge às leis da razão. Não é verossimilhante. E ponto. Se Yakou Joushi tem algum valor (e digo isso por que eu mesma tenho um exemplar em casa, da edição lançada pela Panini aqui no Brasil há uns dois ou três anos atrás) é pelo belo traço de Kisaragi. Fora isso, é um artigo de "fanservice" tão (ir)relevante quanto as fanfics yaoi de Naruto ou Bleach que surgem nas esquinas sombrias da internet.
Por outro lado, de modo geral eu vejo um grande avanço nas tramas das séries Blood+ no que se refere ao desenvolvimento psicológico dos personagens secundários. Se o Blood original tem algum defeito, é sua limitação em termos práticos, de extensão. Tamaoki fez um bom trabalho ao criar um mangá que, até hoje, é referência em termos de obra de terror; e o terror, na verdade, só pode ser criado quando se trabalha com o drama psicológico. Mas fazer isto com todos os personagens da trama é quase humanamente impossível. Tome-se Mary Shelley e seu famoso Frankenstein como exemplo, e é fácil de ver que somente o dr. Frankenstein e o monstro são realmente desenvolvidos; os demais personagens são demasiado superficiais e, portanto, dispensáveis.

Blood+, por outro lado, ao se distanciar um pouco (alguns dirão, bastante) da questão do terror, tem mais espaço para mergulhar livremente no universo de seus personagens secundários. E é aí que muitos deles começam a fazer mais sentido. É nisto que consiste o diferencial de Blood+, que, se não pode ser considerado "fiel", ao menos é o tipo de adaptação que acrescenta algo à obra original; uma nova perspectiva.
Agora, o que esperar do anime de Blood-C? A história, até mesmo pelo que o título sugere, não deve estar atrelada à linha que Blood+ vinha seguindo. Ao
mesmo tempo, baseado na produção mais usual da Clamp, dá para imaginar que Blood-C também não vá ostentar um tom tão sombrio quanto o Blood original. Nestas horas, sempre acabo lembrando de Code Geass - que teria potencial para ser um anime muito mais denso, mas perdia força em alguns momentos pela preocupação aparente em fazer algum tipo de humor a intervalos regulares. Mas isso não significa que a série não tenha boas chances de sucesso, já que a fórmula da Clamp é quase sempre bem aceita pelo público.
E, quanto ao mangá que Ranmaru Kotone vai produzir... bem, tomando por base os trabalhos que ele realizou até o momento (o mangá Saihate no Diasta, de sua autoria, publicado na Young Ace, e o mangá Toki wo Kakeru Shoujo, do qual ele fez a arte, e que foi publicado na Shonen Ace), não dá para dizer que histórias recheadas com violência e sangue sejam sua especialidade. Mas dá para esperar um desenvolvimento condizente com o que veremos no anime. E, se considerarmos que todos os seus trabalhos (todos os dois, quero dizer) foram publicados pela Kadokawa Shoten, ele já deve estar se sentindo em casa e à vontade o bastante para apresentar um bom desempenho. Vamos apenas esperar que a editora mostre pulso firme, e não permita que aconteça com essa adaptação o mesmo que foi feito em Yakou Joushi...
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Comentários:
Tive esta sensação quando assisti a nova série de Fullmetal Alchemist (a série antiga, pelo que lembro, era muito mais dramática, e na minha opinião, melhor).
E parabéns pelo texto, ficou muito bem escrito (quem sabe no futuro uma matéria sobre Death Note?).
Clara: Bem, eu acredito que no caso de FMA, você tem também um pouco da questão do desgaste. Veja bem, FMA já tinha vindo com uma série em 51 episódios - quantidade considerável, já que a média hoje é de 25; e ele trazia um enredo que, em si, tem grande peso filosófico (mesmo que nem sempre seja encarado desta maneira). Então vem FMA Brotherhood, que trata da mesma história (bom, quase a mesma; mas o ponto era que ele não era novidade, já que está se aproximava mais do original de Arakawa do que a primeira versão do anime), e em 64 episódios! Quero dizer, ele precisava de um atenuante; um atrativo, digamos. E então, para o público que já tinha assistido FMA (e para aqueles que não assistiram justamente devido à essa densidade do enredo), ele oferecia este lado mais cômico, que de certa forma passa uma impressão de "superficialidade" na obra.
Ah, e quanto a uma matéria sobre Death Note... estou me mordendo pra fazer uma. Mas, claro, tudo tem que passar pelo nosso editor, hehe. Bom, veremos o que dá para fazer...
Alexandre: se quiser fazer esse artigo, fique a vontade.
(mas Bakuman ainda é melhor.
Clara: Oba, sinal verde então! Go go go!
(melhor baseado em que? ¬¬" )
Concordo. No mais, esse Blood-C parece ter a intenção de ser bem pop e fugir mesmo desse lado mais obscuro. Só de ter o CLAMP no projeto já indica quais são as pretensões da série, acho.
Clara: Sinceramente, eu não acho não. Quero dizer, a história de Blood vem sendo modificada (e com ela, o estilo gráfico) desde que a série Blood+ começou, e nesse processo acabou sofrendo uma gradativa suavização que chegou ao ápice com Yakou Joushi. Blood-C feito pela Clamp parece ser apenas mais um estágio desse processo, e quem o acompanhou não chega de fato a estranhar (mesmo que não goste). E no fim, tudo isso não passa de uma maneira bem arquitetada de fazer com que uma franquia que se provou rentável desde o começo tornar-se melhor aceita pelos públicos mais variados - daí a Clamp se envolver na produção, já que as histórias e o estilo de design produzidos por eles parecem conseguir entreter razoavelmente bem a homens e mulheres de diversas faixas etárias, como fica claro com o casadinho XXX Hollic e Tsubasa.
...será que agora que temos uma colaboradora que é a favor do Fandom, tem chance de rolar matérias que FALEM sobre esses fandons de forma menos emocional? Que tal uma matéria que fale sobre... bara?
Clara: Eu sugeri um artigo estilo "Bara for dummies" para o Lancaster, mas não tive muito apoio... (brincadeirinha... =P no fim, eu não vim aqui pra ser do contra e fazer propaganda pró-f's - fetiche, fandom e fanservice) Mas a verdade é que, eventualmente, o tema vai aparecer. Aí, eu mesma vou fazer questão de fazer um comentário sobre o assunto.
Alexandre: Clara, é só gozação da Jussara... XD
(AGORA eu vou cobrar só de birra!)
Alexandre: o dia que eu escrever sobre isso, vou abrir com o vídeo "Holiday foi Muito", do Falcão. E vão chover os processos. Melhor deixar de lado.
Falando a sério agora, o bara é só uma subdivisão do hentai, só que é voltado para gays. Seria mais fácil fazer uma matéria sobre o hentai em si. E sinceramente, com meu tempo como está, e alguns artigos inconclusos, dificilmente vou pôr esse assunto como prioridade.
Mas é o Maximum cosmo que agora conta com um lado feminino. xD
Alexandre: mas ainda estamos abertos a novos redatores. A nova fase será um pouco mais plural, mas não se afastando da orientação editorial de sempre.
quando eu vi o filme Blood the Last vampire, eu gostei muito mas achei curto eu queria mais daquilo. E não teve mais nada (NÂO TEVE!).
E nem vai ter, pelo visto.
Alexandre: eu tenho uma teoria sobre as razões de terem feito Blood+ (que eu carinhosamente apelido como "aquela *****" ou "aquilo"). Pode reparar que a Saya original fez mais sucesso fora do que dentro do Japão, tanto que chamaram o live-action de Last Blood para que não relacionassem à franquia. A conclusão que eu cheguei é assustadora, mas meu tempo anda estreito.
Isso é amargo demais para eu digerir. Sem falar que falta aqui um emoticon para eu expressar meu desgosto com isso.
Clara: Bom, eu não vou discutir gostos pessoais (quem sou eu para isso?), mas se você não reconhece em Blood a força de uma boa obra de terror, ao menos não pode negar que, dentro deste gênero, foi uma das que alcançou maior reconhecimento. E uma obra de referência é justamente isso: a soma de qualidade e expressividade. As quais, na minha opinião, o Blood original tinha de sobra, e que permaneceram como marca da franquia pelo menos até que Blood+ começou a ser lançado.
E não deixei claro. Eu me referia ao mangá.
Alexandre: ufa...
Sim, eu sei que vc NÃO é preconceituoso. E sim, eu sei que num país como o Brasil se você é homem e NÃO aparentar ser preconceituoso contra a homossexualidade então vão pensar que vc gosta do riscado tmb! Paizinho de gentinha triste...
Alexandre: :\
Ela vai descaracterizar totalmente o anime/mangá da série...
Depois veremos filas de fãzinhos de meia tigela comentando sobre esse anime sem saber nada da série original. Deprimente.
Alexandre: bom, o novo Blood realmente não é lá essas coisas – mas até aí, o Blood+ já era uma descaracterização do Blood the Last Vampire. Então já é um produto estragado de antemão, não tem jeito.
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