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Mar 25
E Ideon tenta outra vez...
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Clara Coelho |
PERMALINK |
7
Categorias: Space Runaway Ideon

Em uma entrevista para a edição de Maio da revista Otona Fami, da editora Enterbrain, o diretor Yoshiyuki Tomino disse que tem planos para um projeto envolvendo o mecha Space Runaway Ideon (no japonês, Densetsu Kyojin Ideon), dos anos 80; ao que tudo indica, será realizado um remake da obra, embora não tenham sido dados detalhes de quando este remake deverá sair.
Ideon narra como a busca pelo conhecimento através de explorações espaciais acaba levando a humanidade a descobrir o planeta Solo, onde são encontradas as ruínas de uma civilização alienígena e três partes de um robô que é, na realidade, uma poderosíssima arma - o "Ideon" do título. E é usando este robô que os terráqueos enviados a Solo para investigar as tais ruínas se defendem
contra o Buff Clan, um grupo de alienígenas (que por sinal, são retratados apenas como humanos comuns) que está interessado na energia que dá poder ao Ideon, conhecida como "Id".
Ideon foi levado ao ar na década de 80 - mais precisamente, entre 1980 e 1981 -, na forma de um anime inacabado em 39 episódios. Depois disso - logo depois, na verdade - a história foi recontada (e concluída) na forma de dois filmes, Ideon: A Contact (Densetsu Kyojin Ideon: Sensshoku-hen), de 1982, e Ideon: Be Invoked (Densetsu Kyojin Ideon: Hatsudou-hen), de 1983. Todas as animações foram conduzidas pelos estúdios Sunrise, e o próprio Tomino foi responsável por elas.
Hoje, Ideon é considerado um marco cultural para o gênero mecha – muito embora jamais tenha conseguido alcançar expressividade comercial. Mas eu não tenho motivos para fazer uma preleção sobre as qualidades de Ideon como narrativa; o enredo de qualidade, que trabalha drama e ficcção científica em doses bem equilibradas, já foi comentado aqui anteriormente pelo Lancaster – e duvido que eu consiga fazer uma análise melhor ou mais apaixonada do que ele. Mas me dou à liberdade de fazer alguns comentários.
Em primeiro lugar, vamos manter em mente que, se este projeto se concretizar, será a terceira versão animada de Ideon, todas baseadas na mesma história - o que não é pouco para uma animação que nunca chegou a fazer sucesso. Por outro lado, não chega nem perto do que Gundam, do mesmo Tomino,
conseguiu alcançar. Hoje, Gundam conta com uma série de sequências para a TV, além de filmes e especiais; enquanto isso, Ideon é um dos únicos mecha da virada anos 70/anos 80 que jamais recebeu um remake nas duas décadas seguintes. Acho que a diferença na recepção dos dois fica bastante clara, não?
Bem, o fato é que Ideon foi, em essência, um misto do espírito "Vamos vender em cima disso", que dita o tom do mecha em geral, com o ideal "Vamos inovar aqui", que guiava Tomino ao produzi-lo. E nesse meio conturbado acaba surgindo uma história que é, ao mesmo tempo, moldada pelos clichês do gênero (uma limitação com a qual acaba sendo necessário lidar, nem sempre em benefício do desenvolvimento do enredo) mas muito forte e muito complexa para que o espectador comum consiga acompanhá-la. Para piorar, ela não conta com o atenuante de um tom de comédia ou um "final feliz", que justifique para este espectador assistir a dois filmes repletos de referências nem sempre claras e reflexões cáusticas sobre a sociedade. Não há uma compensação.
E agora Tomino retorna, querendo resgatar seu clássico não-reconhecido e responder a uma pergunta simples: como o espectador contemporâneo vai reagir face à violência e crueldade retratados no Ideon original (agora, é claro, propostos sob uma ótica mais moderna)? Bem, na minha opinião, o resultado vai ser o mesmo que verificamos quase sempre em obras neste estilo: poucos
vão reconhecer em Ideon as críticas que seu diretor desejava fazer. Para a maioria, a violência e crueldade vão continuar a ser apenas um chamariz de audiência, sem maiores significados. Infelizmente para Ideon, agressividade gratuita pode ser facilmente encontrada em muitos animes, e os espectadores não precisam recorrer a uma obra de três décadas atrás para encontra-la.
Eu realmente não aposto em um sucesso muito maior para Ideon desta vez - a menos, é claro, que alguma grande alteração seja realizada no original (o que parece improvável) ou que de algum modo se invista maciçamente na divulgação desta versão, concedendo a ela um grande destaque na mídia (menos provável ainda). Enfim, se houve algo de feliz na notícia deste remake, foi o timing de Tomino, que retorna justamente um momento em que o Japão precisa mais de obras que apontem e critiquem do que de retratações de um mundinho feliz.
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Comentários:
Daria para se fazer uma série enxuta de 13 episódios com esse material que condensasse o melhor do original em uma história coerente e, espera-se, bem animada. Seria a melhor solução.
Alexandre: eu daria uns 26 episódios de espaço, na boa. a série decola muito a partir do meio e tem muita coisa boa – na verdade, acredito que o grande material a enxugar viria da primeira metade.
E eu só não cortaria a Kitty Kitten porque ela aparece na sequência final da série. E essa sequência é intocável.
Alexandre: ideon não precisa puxar nada de evangelion, já este puxou muita coisa de ideon.
E diacho, a série tá me causando comichões pra assistir animes clássicos de mechas dos anos 80. Lá vou eu caçar esse material...
Quanto ao Tomino em si, ele já fez algumas declarações curiosas, como de que computadores são coisas do mal (?), e que por causa da depressão que sofria antigamente, as suas obras mais antigas tinham uma visão mais pessimista da vida, e isto jogava contra o fator entretenimento.
E porque não fazer também um anime de Gundam The Origin?
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