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Mar 23
Mais uma de Moteki...
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Clara Coelho |
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6
Categorias: Moteki

Saiu na revista Evening, da editora Kodansha, neste 22 de Março: o mangá Moteki, de Mitsurou Kubo, vai receber uma versão live-action. Moteki é um seinen (ou seja, um mangá voltado para homens adultos) em quatro volumes, publicado na própria Evening, entre os anos de 2008 e 2010. Moteki narra a história Yukiyo Fujimoto, um trabalhador que, no alto de seus 29 anos, jamais teve muita sorte com as mulheres. De repente, porém, ele se vê estranhamente atraente para elas, e começa a receber e-mails e ligações das mulheres que conheceu ao longo da vida. E a história segue, então, em um tom de comédia, acompanhando as aventuras de Yukiyo conforme lida com esta situação inédita em sua vida.
Bem, não é uma grande surpresa ver Moteki recebendo seu próprio filme. Afinal, ele já foi adaptado para um dorama em 12 episódios pela TV Tokyo, adaptação esta que contou com Mirai Moriyama no papel principal (o mesmo ator, por sinal, indicado para representar Yukiyo no filme) e recebeu um prêmio especial no 66th Television Drama Academy Awards.
Vale lembrar que o dorama de Moteki foi ao ar no mesmo mês em que a série de mangá foi concluída, Julho de 2010. Apenas para estabelecer uma comparação, Tobaku Mokushiroku Kaiji, mangá seinen de Nobuyuki Fukumoto serializado na Young Magazine semanal entre 1996 e 1999,
somente foi receber sua primeira adaptação (para anime) em 2007; e o filme live-action só saiu em 2009. Mesmo assim, esta é uma série de considerável sucesso, que por sinal recebeu três continuações em mangá (Tobaku Hakairoku Kaiji, Tobaku Datenroku Kaiji e Tobaku Mokushiroku Kaiji: Kazuya-hen), a última delas ainda em andamento. Assim, dá para ter uma idéia da rapidez com que Moteki - uma série que eu dificilmente classificaria como estouro - está sendo levado de um meio para o outro.
Possivelmente, a razão pela qual estas adaptações estão sendo feitas é a grande flexibilidade da história. Afinal, Moteki não figura entre os seinen que são alvo de grande restrição etária ou de gênero; de um modo geral, o público que pode se interessar por ele é bastante variado. Então, levar a história para meios que atingem estes variados públicos de modo mais específico é uma medida plausível. Além disso, há de se considerar o fato de que muitos dos leitores da versão em mangá terão interesse (ou ao menos curiosidade) em assistir ao dorama e ao filme, o que significa que estas versões já são lançadas com um mínimo de background, em termos de recepção. Digamos que lançar adaptações é, de modo geral, um investimento razoavelmente seguro. Por outro lado, não deixa de ser intrigante que Moteki não tenha recebido um anime ainda, sendo esta a passagem mais comum. Não descarto que vejamos esta adaptação em breve, também.
E, para aqueles que estão se perguntando o que vai acontecer com Mitsurou Kubo, bem, ele está de mudança para a Shonen Magazine, também da editora Kodansha. Lá, ele deve lançar a série Again!!, da qual por hora pouco se sabe, exceto que deve se passar em um colégio.
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Comentários:
E para não ficar em branco sobre este tal de Moteki: essa homarada de hoje em dia...!
Alexandre: tente postar de novo por via das dúvidas. E se acontecer o mesmo, mande o comentário por mail que a gente vê se dá um jeito.
Clara: Pois é. E vai melhorar ainda mais se for confirmado que vai haver uma sequência para o Live-Action, que não é - eu repito, não é - uma adaptação fiel, e também não é - mais uma vez, não é - o melhor trabalho de interpretação de Tatsuya Fujiwara (que faz o protagonista), mas ainda assim é um bom filme. Mas não sei se acredito muito, por que a notícia da sequência para o Live-Action saiu logo depois que o primeiro filme foi lançado, lá em 2009, mas nunca mais se disse uma palavra.
Clara: Bom, se ficou ridículo não sei; na verdade, este é o padrão básico para as comédias românticas no Japão (mesmo sendo derivado de um seinen). E eu apostaria que o o filme vai ser algo mais ou menos neste estilo; pois se até o ator é o mesmo... Mas ainda assim, a minha expectativa é boa, por que este é um gênero em que a adaptação tem menos chances de dar errado.
E já que falei em Death Note, a série que você venera, você não achou o filme live-action meio brega? Eu até achei legal a fidelidade na caracterização dos personagens, mas me pareceu o tipo de estória que fica perfeita em manga e anime, mas horrível com gente de carne e osso - tipo, eu não conseguia levar a sério o L (também, com aquela cara de emo dele - apesar de estar igualzinho ao manga). Seria que nem assistir Samurai X live action (tipo o Sanosuke - eu pelo menos esquecia do detalhe de ele ter 18 anos de idade - mas é algo que não tem muito como disfarçar com uma pessoa de verdade).
Clara: Oi Pedro! Estou contente... estava mesmo esperando que alguém notasse que o Fujiwara era o mesmo que fez o Raito (ou Light) de Death Note e o Shuya de Battle Royale. Agora, sobre a "série que eu venero" (adorei essa ^.^); a verdade é que eu poderia fazer um texto inteiro apenas para refletir sobre os Live-Action (no plural, por que são três: "Death Note - The Movie", "Death Note - The Last Name" e "Death Note - L changes the world"), mas vou me limitar a um breve comentário.
Sim, a caracterização foi fantástica, e especialmente no que se refere ao L - ao menos, nos dois primeiros filmes. Assista "L changes the world" e você terá uma desagradável surpresa.
Nos dois primeiros filmes - que são de fato a adaptação do mangá - ele está MUITO parecido com o personagem de Ohba e Obata, e isso causa estranhamento por que a existência de alguém assim no mundo real simplesmente não faz sentido. Quando você o vê em um desenho, está implícito que aquilo é uma fantasia. Mas vê-lo como alguém de carne-e-osso é ir contra o senso comum. Ainda assim, admita-se que é interessante de ver. E, deixando de lado a questão da caracterização dos personagens, os dois primeiros filmes valem a pena de assistir por que foram um fantástico exemplo de adaptação de uma obra fechada que deu certo. Sem furos, quase sem pontas soltas, com uma drástica redução de enredo (sem mencionar corte de personagens) mas ainda assim capaz de manter-se fiel ao original. E captou muito bem o espírito da obra.
No terceiro filme - que é uma side-story - o problema é que a linha que vinha sendo bem seguida até então vai para o espaço. Não apenas a caracterização física do L (o único personagem dos filmes anteriores que permanece) é realizada de modo muito exagerado, levando ele a virar uma caricatura de si mesmo, como também o psicológico e as situações em que ele se envolve parecem não estar coesos com a obra inicial. E, por fim, o enredo então já não permanece fiel ao original, introduzindo por exemplo uma versão alternativa para o "surgimento" de Near.
Enfim, para concluir (vou levar uma bronca do Lancaster por esse longo, longo comentário =P ) eu diria que os filmes "The Movie" e "The Last Name" são de boa qualidade e valem a pena gastar algumas horas assistindo. Quanto ao "L changes the world", somente merece crédito como "artigo de colecionador" (me recuso a usar o termo "fanservice" para Death Note), ou seja, um item de curiosidade para aqueles que são muito fãs da série e querem mais dela.
Clara: Olá, Guilherme. Bom, o post de Manyuu Hikenchou já teve comentários, então acho que o problema (fosse qual fosse) já foi resolvido. Não gostaria de tentar novamente? Se continuar encontrando dificuldades, reporte novamente e nós tentaremos resolver, okay?
Battle Royale também causa um certo estranhamento, mas porque no manga certos personagens parecem muito mais velhos do que de fato são, como um cara com o físico do Bruce Lee mas que só tem 15 anos de idade, ou aquela colegial que se prostitui pra conseguir dinheiro de homens ricos mas tem o corpo de mulher adulta. Se pensarmos bem, não são muitos os mangakas (que eu conheço) que conseguem desenhar colegiais de maneira similar ao mundo real. Dos mais recentes, talvez o próprio Takeshi Obata, e acho que também o Takehiko Inoue (já leu Real?... pra mim o melhor mangá dele, superior até mesmo a Vagabond, que eu adoro - mas que está ficando filosófico demais. Desse jeito fica difícil discordar do Lancaster de que a série é pretensiosa... eu diria que um pouquinho de pretensão é bom, mas Vagabond está se tornando maçante. Quem sabe a sensação mude quando eu ler as edições fisicamente, e não pelo computador).
De Death Note a melhor coisa concerteza pra mim é o anime, em especial a versão dublada brasileira, que ficou ótima. A trilha sonora é muito boa também. E o mangá tinha que ser publicado em formato americano pra apreciarmoa os desenhos detalhados de cenário. Aqueles castelo de dados do Near deve ser algo muito cansativo de se fazer, mas que bom que alguém faz.
Clara: Pois é, Pedro. Não posso dizer que discordo totalmente; a maioria dos mangakás parece não ser muito realista ao retratar seus colegiais. Mas, da minha parte, eu credito isso ao que você chamaria de "licença poética". A preocupação maior seria criar um personagem cuja aparência física dá suporte à sua personalidade e papel na história, mais do que retrata-los como se pareceriam se fossem reais. E você aceita isso por que, afinal, é um mangá; existe um acordo tácito prévio entre leitor e mangaká, e você concordou que vai aceitar aquilo que ele desenhou como sendo real e possível, dentro do universo de fantasia que ele criou. Afinal, você não acha que a imagem de uma mulher adulta dá mais suporte a uma personagem que se prostitui do que a de uma garota que ainda nem tem os atrativos que um homem (supostamente) procura?
Eu me abstenho a falar de Vagabond. Na minha opinião, por melhor que seja o conceito do mangá, o Inoue perdeu a noção de quando é hora de parar. Ele poderia ter encerrado a série com dignidade e bastante classe já há algum tempo. Mas parece que virou moda expremer uma história até o ponto em que a sua única razão de existir é continuar existindo.
E, quanto a Death Note, sim - o anime é realmente muito bom. E cumpre exemplarmente sua função, que é apenas a de servir como meio de divulgação do mangá. Por que o anime de Death Note não foi pretendido para acrescentar nada de novo à história. Mas, como você bem pontuou, ele acaba acrescentando mesmo sem querer, através da trilha sonora, que exprime bem a essência da história, mas com um apelo mais jovial à imagem dos personagens (especialmente de Raito, que é representado na abertura "The World", do Nightmare).
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