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Mar 23
Anunciado anime de Manyuu Hikenchou
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Clara Coelho |
PERMALINK |
2
Categorias: anime

E agora, esse é especialmente para mim mesma. O mangá Manyuu Hikenchou, de Hideki Yamada, vai receber uma adaptação em anime pelo Studio Hoods Entertainment. Manyuu Hikenchou é publicado na revista de videogame Tech Gian, da Enterbrain, desde 2005, e está em seu 5o volume encadernado.
Provavelmente, muitos vão se perguntar o que há de especial nisso. Bom, o fato é que Manyuu Hikenchou é um excelente exemplo de ecchi; e isso dá margem a muita discussão. A história, que se passa na era Taiheimeji, representa um Japão onde o que importa é... ter grandes seios. Grandes, belos, generosos seios. Neste cenário, um clã de guerreiros - o clã Manyuu - detém o poder graças ao fato de ter em sua posse um pergaminho que ensina técnicas para fazer com que os seios cresçam; porém, Chifusa, a herdeira do clã, rouba o pergaminho e foge a fim de "combater o sistema".
Em primeiro lugar, acho importante deixar claro que, da mesma forma que eu não sou totalmente contra o moe, também não sou totalmente contra o ecchi. Pessoalmente, eu não tenho interesse; mas seria hipócrita da minha parte defender a existência de alguns fandom específicos e não de outros. E a verdade é que, se há uma demanda, deve haver produção que a atenda. Porém, casos como o de Manyuu Hikenchou me chamam a atenção por trazerem o ecchi como, digamos, uma mecanização do sexual. Ou seja, não importa quem é a personagem que está sendo retratada, contanto que ela seja apresentada nas cenas mais eróticas possíveis. Mas vamos, então, a um breve olhar sobre este mangá em específico.
Ao contrário de High School of the Dead, de Daisuke Satou, roteirista, e Shouji Satou, desenhista (serializado na Dragon Age desde 2006 e que recebeu uma versão animada no ano passado), ou Rosário + Vampire, de Akihisa Ikeda (serializado na Shounen Jump entre 2004 e 2007, e também com uma versão animada no ano de 2008), parece que Manyuu Hikenchou decidiu adotar o ecchi como tema central, em vez de desloca-lo para uma posição de elemento de suporte (em que, embora ele não seja essencial para o desenvolvimento do enredo, acaba sendo um fator de atração para boa parte do público). E, se essa estratégia de alguma forma garante a atenção dos fãs hardcore do ecchi, ele com certeza restringe em boa parte o público que o mangá consegue alcançar. Se alguns se dispõem a ler um Kami Nomi zo Shiru Sekai da vida (mangá de Tamiki Wakaki, publicado na Weekly Shounen Sunday desde 2008), justificando essa leitura pelo fato de que o mangá em si tem um enredo interessante (e de fato o tem), em Manyuu Hikenchou é simplesmente impossível separar o enredo dos momentos de apelo sexual. É aceitar tudo, ou nem parar para ler o mangá.
Agora, sobre a construção da história. Eu diria que tem lá suas inconsistências; a começar pelos próprios seios (que são, em última instância, o ponto central - mais até do que a própria protagonista). Eles são vistos como uma presença distinta e objetificada, e não como parte do ser vivo (mulher) que os possui. Daí que, por exemplo, quando os seios de uma personagem são cortados por aqueles conhecidos como breast hunters, ou caçadores de seios, a mulher não sangra. Não fica uma cicatriz. Nada. Eles simplesmente murcham, como uma bexiga. Que simpático. Talvez esta tenha sido a tentativa de Hideki Yamada para evitar que suas páginas fossem banhadas em sangue (o que me parece tolice; ecchi E sangue, aí sim Manyuu Hikenchou teria estourado nas vendas...), mas se esse foi o caso, só o que ele conseguiu foi criar um humor involuntário e bem negativo.
Mas não é só neste ponto que a construção da história peca. Imagine o absurdo da seguinte situação: a protagonista, Chifusa, foi declarada a sucessora dos Manyuu apesar de não ser a filha mais velha. Isso por que ela possui um poder especial: todas as vezes que ela corta os seios de uma inimiga, ela os absorve, e seus próprios seios ficam maiores. Agora, assumindo que isso aconteça em uma base regular de uma vez por volume (afinal, ela não parece ser muito a favor de cortar os seios das outras mulheres e torna-las segregadas sociais), eu imagino como ela não estará no último volume da série. Seremos capaz de enxergar seu rosto? Ela vai conseguir andar? É sério, de um ponto de vista mais prático, no mínimo ela vai terminar o mangá com uma hérnia - um final nada glamuroso, eu diria.
Outro ponto é o grau do ecchi empregado no mangá. Nada dos tradicionais garota com saia esvoaçante e calcinha à mostra ou seios se insinuando sobre a blusa; o nível em Manyuu Hikenchou é bem explícito, o que faz com que ele não esteja lá muito longe de um hentai. O que faz sentido, já que não há como criar uma história sobre seios sem mostrar alguns (ou muitos). Mesmo assim, mais uma vez, bom para os fãs hardcore... nem tão bom para o resto de nós.
Por outro lado, a favor de Manyuu Hikenchou, eu tenho que dizer que a série conta com uma boa antagonista. A irmã mais velha de Chifusa, Kagefusa, apresenta uma mistura de carisma e crueldade que raramente se vê; em alguns pontos, a única palavra que consigo encontrar para descrevê-la é disgusting. Além disso, se não fosse pelos seios (pois é, eles marcam presença mesmo) seria fácil confundi-la com um homem, até mesmo pelo design e pelo ar de agressividade passional conferido à personagem. Mas é isso. Sem outros pontos positivos.
Agora, eu me pergunto, como Manyuu Hikenchou (que nem é um sucesso tão grande assim, pelos motivos já apontados), conseguiu sua própria série de anime? Mas, mais do que isso, me pergunto quantos episódios ele vai conseguir sustentar, já que o seu público é obviamente limitado; pela minha experiência, esse tipo de obra não chega a alcançar os 20 episódios. Por outro lado, foi anunciado que a equipe de produção contará com Jun Takagi como carachter design, e Takagi já participou de vários animes bem-sucedidos, como Black Cat (baseado no mangá homônimo de Kentarou Yabuki), Death Note (baseado, também, no homônimo de Ohba e Obata) (!) e Full Metal Alchemist (outra vez, baseado no homônimo de Hiromu Arakawa). É difícil avaliar como a presença dele no staff pode influenciar o tratamento do material. Bem... lancem suas apostas.
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Comentários:
Ops, quer dizer, Legal =X
Esse tipo de gênero não me atrai muito não acho muito forçado e apelativo, por maior que seja o nível da arte como é o caso de Tenjo Tenge ou Hight School of Dead.
Mas ainda pode-se dizer que é o gênero da época, né, e tem feito bastante sucesso com o público geral
e de certa forma o que sustenta nossos gêneros menos populares favoritos são os gêneros mais populares como esses, talvez passe logo, talvez fique e se seja uma característica da mídia mangá, ou sabe-se lá.
Só não posso negar que as vezes é legar ver um pouco de luta sangue e peitos, ops @.@ quer dizer, e valores.
Clara: Eu estava mesmo contando que logo apareceria alguém em defesa dos seios... quero dizer, do gênero. =P
Bom, como eu disse, nada contra os ecchi; mas eu dificilmente usaria as palavras "mais popular", pelo menos no caso de Manyuu Hikenchou, por que é como eu disse: ele está beirando o hentai. Um Naruto da vida, com sua Tsunade, ainda é mais aceito pela maioria a nível de ecchi.
No fim, o ecchi como centro da história ficou reduzido a alguns mangás mais pesados, voltados para o fandom, embora o ecchi como elemento secundário tenha sido incorporado por boa parte dos shounen e seinen.
"Black Cat (mais ou menos baseado no mangá homônimo de Kentarou Yabuki)"
Aliás, também tenho certa tolerância ao Ecchi quando há uma história. Love Hina é um dos meus mangas favoritos, e tem comédia. E gostei bastante de I''s, que tem drama (imagino pessoas vomitando ao ler isto).
Mas por exemplo, eu li os 20 primeiros capítulos de To-Love-Ru (do já citado Kentaro Yabuki) e parei para sempre. O manga não história, é só um cara e mais um monte de garotas, uma perdendo a roupa por semana. Digo o mesmo de Mayoi Neko Overrun, que eu larguei em três capítulos.
Já moe é definitivamente algo que não me atrai.
Clara: Bom ponto, Guilherme. Mais ou menos baseado. Mas a verdade é que são tão poucos os animes realmente fiéis ao mangá que lhes deu origem, que esse "mais ou menos" já fica implícito, não acha?
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