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Mar 22
Today's Tom Sawyer / He Gets High on You…
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Clara Coelho |
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3
Categorias: Comic Bunch

Bom, e para compensar a minha última postagem, que trouxe a notícia do final de uma série (Kekkaishi, de Yellow Tanabe), eu venho agora anunciar o começo de uma nova série. Segundo a edição número 5 do almanaque Comic Bunch Mensal (da Shinchosha), Ume, "autor" ("autor", aqui, entre aspas. Segundo me consta, Ume foi o nome dado à dupla Takahiro Ozawa, roteirista, e Asako, desenhista. Corrijam-me se estiver errada) do seinen (entenda-se, mangá para homens adultos) Giga Tokyo ToyBox, vai lançar uma nova série chamada Nangoku Tom Sawyer em breve.
Provavelmente esta notícia não significa muito para a maioria. Giga Tokyo Toy Box, publicado desde 2006 na revista mensal Comic Birz, da Gentosha, nunca
alcançou o sucesso. E eu tenho que dizer que a história de Ume - sobre a jovem Momoda Momo, que sonha ser uma designer de jogos, e seu cotidiano como aprendiz na empresa conhecida como Studio G3 -, dificilmente poderia competir com o apelo de um Category: Freaks, de Sakuraku Gokurakuin (publicado na mesma Comic Birz) apenas para mencionar um exemplo. E não me entendam mal; eu gosto do mote de Toy Box; e, claro, cada uma tem seu público específico, já que são de gêneros diferentes. Mas ainda assim, a mistura de ação e sci-fi de Category: Freaks encontra menos chance de sofrer a resistência dos leitores, já que adota uma fórmula bastante clichê que já provou agradar o público masculino e que é bastante recorrente na própria Birz (sim, eu sou uma fã de Category: Freaks, mas sejamos justos... embora seja muito bom, não é difícil encontrar outros semelhantes por aí).
Para exemplificar isso de maneira mais concreta, basta apontar que Tokyo Toy Box, série que antecede Giga Tokyo Toy Box, teve seu primeiro volume publicado aqui no Brasil pela editora Savana, há mais de um ano atrás. Mas poucos lembram disso, e esse definitivamente não é um dos mais procurados. E o volume dois ainda não deu as caras. Por outro lado, séries de seinen como Homunculus, de Hideo Yamamoto, e MPD Psycho, de Sho-u Tajima e Eiji Otsuka, que seguem a linha de sci-fi e ação, tiveram sua boa cota de vendas.
Mas é aí que reside o ponto importante: apesar de Giga Tokyo Toy Box nunca ter se destacado, ele resistiu por bastante tempo dentro do (quase cruel, porém bastante eficaz) sistema de publicação japonês. A série vai ser encerrada com um total de 7 volumes, que, se não é um número lá muito grande, é mais do que o suficiente para desenvolver o enredo com o mínimo de consistência e encerra-lo satisfatoriamente. E, se fosse para dizer qual o motivo de Giga Tokyo Toy Box ter conseguido atingir esta marca, eu provavelmente apostaria no humor.
Mais do que qualquer coisa que se espere de um seinen sobre a vida no trabalho (e cujo maior apelo, você imaginaria, é no que se refere ao fato de que o leitor se vê retratado na história de algum modo), o humor é que marca presença. E este humor se torna ainda mais explícito no contraste entre situações incrivelmente absurdas - como encontrar um homem apenas de cueca dormindo no chão do escritório - e o traço limpo e razoavelmente caprichado do mangá. Além disso, eu devo dizer, a personagem principal, Momo, ganha a simpatia por representar bastante fielmente o jovem que encara seu primeiro emprego, descobre que ele não é tudo aquilo que você sempre sonhou, mas mesmo assim segue em frente.
Agora, sobre a nova série. Pelo que dá para inferir, Nangoku Tom Sawyer (que pode ser traduzido por algo como "Tom Sawyer Tropical") deve trazer
uma releitura do livro clássico As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain. De modo imediato, eu já me sinto bastante favorável à série, é claro; afinal, a base em que ela estará se construindo é sólida. Mas o que diferencia esta adaptação, em particular, de muitas outras que já foram realizadas em outros meios (como o cinema, que traz versões do filme desde 1907, quando ainda eram feitos filmes mudos; e até mesmo os animes, com Tom Sawyer no Bouken, produzido lá na década de 80) é que ela de fato parece se propor a repensar a obra (e não apenas reproduzi-la), em alguma medida, a partir de um olhar contemporâneo.
E aqui cabe mencionar (e este comentário eu atribuo ao Lancaster, que foi quem me chamou a atenção para este detalhe) que também o próprio perfil da Comic Bunch atual parece requerer que seus trabalhos apresentem certo arrojamento. Isto, ao que consta, para distanciar a imagem da revista daquela ostentada por sua antecessora, a Weekly Comic Bunch, que era marcada por um saudosismo com relação à produção dos anos 80.
Agora, se vai haver uma tentativa de modernizar a história, torna-la mais atrativa (e eu imagino que isto deva ser feito buscando criar mais pontos de identificação com o leitor - tarefa difícil quando o contexto da obra original era a sociedade americana do século XIX), sempre se está pisando em ovos. É torcer para que, se for esse o caso, a adaptação não desvirtue o espírito da obra de Twain, especialmente por que, para muitos este pode ser a primeira forma de contato com Tom Sawyer. Por outro lado, sempre há a possibilidade de que, no final das contas, a única relação entre o mangá de Ume e o livro de Twain seja, mesmo, o nome. Bem, dos males, o menor.
UPDATE: Não será uma adaptação. É apenas um mangá aonde vamos acompanhar o cotidiano de um jovem estudante que acaba transferido para uma escola em Okinawa e começa a curtir a vida. Tom Sawyer aqui é mera referência. No final, a última possibilidade se confirmou.
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Comentários:
Se o texto foi redigido pela nova redatora, não é hora do blog refletir que uma redatora nova "is in da house" ao invés de indicar o Lancaster como autor?
Bom, esse comentário é voltado aos admin do blog, então se não quiser autorizar a publicação, sem problemas, desde que aceitem como uma sugestão.
Alexandre: o problema é na verdade técnico. Eu acabo de fazer um post para tentar deixar claro isso. :\
Você acha isso absurdo?! Precisa trabalhar em certos estúdios que eu trabalhei!
Ah, editora Savana! O que foi aquilo?!? Alguém pode me explicar?!
Clara: Oi Jussara! Bom, sobre o "absurdo" da situação, eu só posso dizer em minha defesa que fui guiada pelo senso comum do trabalho... Quero dizer, mesmo sendo plausível (?) encontrar um funcionário dormindo no chão do escritório, que ele esteja só em seus trajes íntimos é um pouco demais, não? XD
Agora, sobre a Savana. O que eu sei é que eles anunciaram dois mangás: Tokyo Toy Box e Unordinary Life (um shoujo de Yukari Yashiki). O material nem chegou a ser concluído. Então, apesar de admitir que nenhum dos mangás era "ruim", no sentido literal (medianos, talvez, especialmente no caso de Unordinary Life), essa tentativa foi fracassada. A minha aposta é que o problema foi o fato de que nenhum dos dois era muito conhecido entre os fãs de mangás brasileiros previamente - e boa parte de quem compra são pessoas que já leram ou conhecem o material via scans e desejam ter a versão impressa. Com o pouco alcance destes lançamentos, parece que a Savana resolveu guardar silêncio por um tempo; ultimamente, nem consigo encontrar o site deles. Ah, sim; dois manhwas também foram publicados (Jack Frost, de Jin-Ho Go, e Aflame Inferno, de Dal Young Im e Kwang Hyun Kim), sem alcançarem maior sucesso do que os mangás. Enfim, passo a palavra para quem realmente entende do assunto: Lancaster, quer dizer algo?
Alexandre: seria leviandade falar algo sem saber dos bastidores. Mas eu comprei Aflame Inferno, apesar de problemas de revisão e tudo mais. Eu pelo menos, aqui no Rio de Janeiro, só vi esses títulos em gibiteria.
Não gosto quando gente de fora mexe com os grandes clássicos. Até hoje não acredito que tiveram a audácia de adaptar "Coração das Trevas" para um mangá.
Clara: Ainda bem que eu me salvei no último minuto! XD Bom, mas a verdade é que eu prefiro não criticar a obra enquanto ela não sair de fato; algumas adaptações de clássicos conseguem ser realmente boas em determinados aspectos. Além disso, elas precisam ser avaliadas de acordo com o propósito que apresentam: popularizar a obra? Apresentar um olhar contemporâneo? Ou, quem sabe, negar ou parodiar? Enfim, só o que eu acho é que esse será um mangá para ler com cautela.
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