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Mar 21
Depois da Catástrofe...
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Clara Coelho |
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8
Categorias: business

Já faz quase dez dias desde o grande incidente no Japão. Falar em “terremoto” ou “tsunami” já se tornou quase inócuo, tendo em vista o acidente nuclear. E, como era de se esperar, os reflexos na indústria cultural fazem-se sentir.
O resultado mais esperado, que não chega a ser uma surpresa para ninguém, são os atrasos e cancelamentos. Alguns exemplos são Beelzebub, anime baseado no mangá homônimo de Ryuuhei Tamura (publicado no almanaque para garotos Shonen Jump, da Shueisha), sobre um jovem delinquente que é encarregado de tomar conta do filho (bebê) do demônio. O anime vinha sendo transmitido na televisão japonesa desde Janeiro; neste dia 20 de Março, porém, foi determinado que, em seu lugar, seria transmitida uma reprise de Yumeiro Patissère, shoujo baseado no mangá de Natsumi Matsumoto. Um triste golpe para um anime promissor, que conta com um enredo original e a vantagem de ser, em essência, uma comédia - o que lhe permite estender seu alcance a um público mais amplo. Outro caso é o de Ao no Exorcist, baseado no mangá de Kazue Katou, cuja história também vem trazer a figura do “demônio”, agora em uma história de ação sobre o filho de um demônio que decide tornar-se um exorcista. A estréia de Ao no Exorcist foi adiada de 10 de Abril para 17 de Abril.
Se me perguntarem, eu diria que um adiamento na estréia é menos prejudicial do que a grande lacuna entre os episódios - por uma razão simples: o fator “expectativa”. Enquanto o atraso na estréia cria uma nova expectativa pelo anime (ou qualquer outra obra, na verdade) desconhecido, a lacuna exagerada
entre episódios destrói a expectativa, estraga o ritmo da história e afeta o interesse do espectador. Você já conhece o estilo, já sabe como é o traço, as vozes, a personalidade do personagem; em certa medida, consegue até mesmo prever os próximos acontecimentos. Provavelmente, não terá tanto estímulo para retomar o anime depois de um período sem assisti-lo.
Nos mangás, vamos destacar que a editora Shueisha já anunciou mudanças na distribuição das próximas edições das revistas Shonen Jump, Young Jump semanal e Jump Square. No caso da Shounen Jump, a edição de 28 de Março será lançada em 04 de Abril; a partir de então, a distribuição deve voltar à normalidade. No caso da Young Jump, a edição de 31 de Março será lançada na data normal, em conjunto com a edição de Abril; não haverá, portanto, uma edição em 07 de Abril. Já no caso da Jump Square, as edições de 04 de Abril e 07 de Maio serão lançadas em conjunto, no dia 24 de Abril. Aqui, fica difícil não mencionar a inteligência do sistema editorial japonês. Não é por que as datas foram prejudicadas que alguma edição vai ser perdida, ou “pulada”; lança-se com atraso, sim, ou até mesmo duas edições ao mesmo tempo, mas todas elas estarão nas bancas.
Agora, o outro efeito do incidente no Japão sobre os mangás e animes foi mais surpreendente - ao menos, para mim. Trata-se das modificações nas obras que
apresentavam referências a incidentes semelhantes. Não vou entrar (e Deus sabe como é difícil para mim não entrar) na discussão sobre se esta medida é apropriada, ou mesmo justificável. Mas acho que vale a pena mencionar e refletir sobre seus reflexos secundários.
É fato que a produção de mangás e animes se apoia sobre vários pilares. Gêneros, subgêneros, temas, perspectivas e formas de abordagem não faltam. Mas, se for haver uma modificação generalizada - ou, vá lá saber, até um cancelamento provisório - das séries que apresentam elementos alusivos a desastres naturais, desastres nucleares e, em uma visão mais abrangente, aquelas que apresentam cenário ou temática do Apocalipse, bem... isso acabaria levando a uma considerável perda de um bom nicho de mercado. Não vamos nos esquecer de que muitas obras embasam-se nestes elementos, desde Tokyo Magnitude 8.0 até High School of the Dead.
Não vou dizer que estas obras possuam um fandom tão estrito quanto alguns gêneros específicos, cujos fãs dificilmente leriam algo que fuja à fórmula com que estão acostumados. Mas ainda assim, os leitores interessados neste tipo de enredo veriam-se temporariamente “orfãos”, e talvez não se sentissem dispostos a migrar para a leitura de outras séries. E isto para não mencionar a perda, em termos culturais, de um material que insere-se em uma tradição maior de obras apocalípticas e cuja produção paralela ao acontecimento real de eventos desta natureza seria, talvez, interessante de se observar.
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Comentários:
1) Lê o título.
2) Vê a imagem do manga de Beelzebub.
3) Vê o texto de rollover.
4) Pensa imediatamente "Oh, não, tiraram Beelzebub da Jump, o que aconteceu com o autor?!?"
Então eu li o resto da notícia e me acalmei. Bom, mais ou menos.
Clara: Pois é, Guilherme, eu entendo sua inquietação. Fiquei preocupada também... até o ponto que (me disseram) exagerei um pouco no texto XD Mas fazer o que, eu gosto de "Beelzebub"...
Seja como for, todos estes acontecimentos estão dentro do "normal" que provavelmente ocorreria diante desta catástrofe. Na verdade fiquei surpresa ao ver que os atrasos nem serão tão grandes assim.
De qualquer maneira, limarem da programação animes sobre terremoto, tsunami, holocausto e tudo o mais também é esperado: fizeram a mesma coisa na época do 11 de setembro, quando filmes sobre terroristas e prédios em chamas ficaram provisoriamente fora de circuito, mas creio que eles voltarão aos poucos. E acho que, depois de tudo que aconteceu, nem os fãs destes nichos vã se sentir confortáveis assistindo um anime onde menininhas em trajes escolares são esmagadas por prédios balançando.
E vamos combinar: terremoto, tsunami, ameaça nuclear e - segundo algumas fontes - erupção de vulcões... nossa! O FILME catástrofe do século! Depois de se recuperarem deste duro baque, isso vai render ótimas obras em animes e mangás - como o próprio 11 de setembro rendeu boas obras alguns poucos anos depois.
...e se tudo tem sempre um lado bom, quem sabe esse tremor não serviu, pelo menos, para chacoalhar essa petizada herbívora e otaka que só atrapalha o Japão tmb, não é? (ou quem sabe para eles se afundarem AINDA mais em K-on?!?!?)
Clara: Olá Jussara! Bom, em primeiro lugar, na verdade, não falta nenhum pedaço no final do texto. O espaço em branco realmente não devia estar lá (pode ver que ele sumiu), mas não há nada a acrescentar no final. O que aconteceu foi que eu cheguei a um ponto onde, qualquer outra coisa que escrevesse, provavelmente iria soar insensível ao sofrimento do povo japonês. O que não é o caso; eu estava apenas deixando este sofrimento de lado para me concentrar em uma questão mais prática. Em todo caso, eu e o Lancaster conversamos e chegamos à conclusão de que parar a discussão ali era suficiente. Agora, sobre o fato de os atrasos serem normais, não discordo; mas realizar mudanças no conteúdo dos animes e mangás eu considerei um exagero, no sentido de que, ao meu ver, este é justamente o momento ideal para abordar o tema das catástrofes de modo mais crítico. Imagine, por exemplo, um "Akira" da vida; encarado como uma crítica metafórica aos caminhos da racionalidade e ciência a partir dos eventos da 2a Guerra. Se ele fosse exibido hoje, em meio a uma crise nuclear, essa crítica teria um alcance e uma ênfase bem considerável. Mas é verdade que, no pós-catástrofe, provavelmente veremos algumas obras sobre o assunto emergirem - e estou até curiosa para ver como o assunto vai ser abordado. Por fim, só para mencionar, eu não compartilho da opinião negativa do Lancaster sobre o moe. Não totalmente. Algum dia ainda vou escrever sobre isso... até lá, vou preparar minha defesa contra as pedras que serão lançadas, com certeza. XD
Agora quanto aos outros animes, para um público mais velho... não sei se é o certo. Embora talvez eles sejam mais sensíveis às alusões, e a algo que aqui a gente chamaria de "humor-negro".
Clara: Também não sei se é o certo, Hakeru-chan. Do meu ponto de vista, o momento certo para abordar um assunto polêmico (como, na verdade, é o caso) é "enquanto" ele acontece. Mas, é claro, isso é apenas a minha forma de ver... e, afinal, muitos pontos delicados estão envolvidos, como a necessidade de evitar que o pânico se espalhe entre a população, além de manter o moral de todos elevado de modo a acelerar a recuperação do país - o que é mais difícil de fazer quando eles são constantemente lembrados, até em seus momentos de lazer, do incidente. Por outro lado, basta olhar pela janela para se lembrar do que ocorreu; algumas cenas de anime ou páginas de mangá talvez nem façam diferença. Enfim... é um paradoxo.
Só que isso tem que ser essa recuperação tem que ser o mais rápido possível, pois atualmente o país esta investindo basicamente nos meios de sustento, e o dinheiro tem que rodar para o mercado em geral não entrar em crise.
Eu tava ansioso pelo Ao no Exorcist, vamos ter que esperar mais um pouco né.
Clara: Eu concordo, maximos. É difícil julgar um povo outro tomando a nossa própria cultura como parâmetro; eu noto isso ao ver como eles são capazes de manter a calma mesmo em frente a essa situação calamitosa. Mas, apesar de inicialmente eu ter tido a impressão de que talvez eles não fossem conseguir se recuperar totalmente (provavelmente, por que nunca tinha visto algo dessa proporção), conforme as notícias vão chegando, me parece que as coisas estão voltando à normalidade - e esse é o primeiro passo para a recuperação. Quanto a Ao no Exorcist, também estou ansiosa, mas é como disse: neste caso, um pouco mais de espera é até positivo...
Gostei muito do texto de Clara. Na verdade, eu não havia reconehecido a autoria até ela ser mencionada, ao final do texto. Pelo menos nesse, pareceu bem Lancaster escrevendo.
Concordo com tudo o que foi escrito no texto. Tudo mesmo.
Já quanto às réplcias e tréplicas, concodo com a ojeriza de Lancaster ao moe. E achei muito boa a ideia de que o momento é propício para um "Akira" da vida.
Poderia e gostaria de comentar mais, mas no momento estou em um intervalo da faculdade e ainda tenho que trabalhar como um camelo.
Nesse contexto, ler esse texto é um momento bem agradável.
Parabéns, Clara e Lancaster! Até mais!
Clara: Olá Fábio! Nossa, que interessante... eu tinha justamente dito ao Lancaster que qualquer um que lesse o texto poderia dizer qual de nós dois havia escrito. Talvez nossas opiniões não sejam tão diferentes assim (embora eu duvide). E, novamente, eu não sou completamente contra o moe; mas acho que vou esperar uma oportunidade mais propícia para tocar no assunto... Grande abraço!
primeiramente queria saber algo...
algo que venho perguntando em todos os blogs so que sempre me ignoram (não sei por que -.-") queria saber como é que vai ficar o manga de Evangelion que ia retorna em abril,alguem sabe dizer se tem alguma noticia?se puderem responder agradecerei muito^^
Alexandre: simplesmente não vi nenhuma fonte falando disso até agora infelizmente. Mas duvido que o pessoal no Japão esteja com vontade de ler Evangelion justamente nesse momento. :\
Agora que X, do Clamp, não termina mesmo.
Tava vendo minha coleção nessa semana e já me preparava para comprar as 15 edições restantes. Agora vai para a pilha de mangás que vou jogar fora (e que está grande já
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