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Mar 07

A Volta dos Robôs Gigantes!

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Lancaster | PERMALINK | 5

Categorias: robôs gigantes

Victory Five

Os anos setenta e oitenta foram um período mágico para a animação japonesa. Ao invés de produzirem materiais para nerds irrecuperáveis, eram materiais de grande sucesso, com grande apelo comercial e penetração de massa. No entanto, sejamos honestos: boa parte desse material era extremamente pobre em execução, com roteiros pífios e episódicos; não há nada errado no fato de que fossem feitos para vender bonecos, mas em sua grande maioria não ofereciam muito além disso em termos de entretenimento. Mesmo assim, não podemos reclamar: criadores que quiseram ir além dessa visão comercial levaram as séries de robôs muito longe, e de seu bojo surgiram nomes como o de Yoshiyuki Tomino só para dar um exemplo, levando o gênero a alcançar seu Combattler Vpotencial criativo pleno.
E um dos nomes mais importantes nesse processo foi o de Tadao Nagahama, diretor oculto sob o nome coletivo de Saburo Yatsude (que englobava todo o staff da Toei Animation). Ele desenvolveu uma trilogia que posteriormente viria a ser lembrada como Nagahama Roman Robo Shiriizu – ou melhor, Os Três Romances dos Robôs de Nagahama ("Romance" em sentido literário, por favor), compostas por três séries: Choudenji Robo Combattler V (1976-1977), Choudenji Machine Voltes V (1977-1978; não custa lembrar que seu longa-metragem resumo chegou a ser exibido na finada Rede Manchete em tempos pra lá de idos) e Toushou Daimos (1978-1979), todas exibidas em carreata.
Mas o que define conceitualmente essa trilogia – e fez dela um marco – já que cada uma pertence ao mesmo gênero de sempre e apesar de todo e qualquer diferencial que pudessem ter, apresentavam toda a rotina habitual de robôs gigantes esmagando robôs gigantes? É que apesar delas serem também projetadas para vender brinquedos, os personagens, pela primeira vez nesse contexto, evoluíam: havia uma premissa comum a todas elas – contar histórias dramáticas com foco em conflitos humanos e empatia com os personagens. Ou, nas palavras do próprio Nagahama a respeito da série intermediária da trinca: Voltes 5:

"Até aquele momento, quando se fala de animes com robôs gigantes, as cenas de batalha eram o ponto comercial a ser vendido, e as histórias eram auto-conclusivas. Voltes V foi uma criação cuja meta era ir além disso. Eu queria uma visão do ponto de vista do inimigo para exprimir ao público seus aspectos psicológicos. Eu também queria criar algum tipo de relação de sangue entre o herói e seu inimigo. Animes anteriores nunca lidavam com temas sociais, mas em Voltes, apresentei uma situação aonde havia preconceito entre aqueles que tinham chifres e os que não tinham. E eu queria integrar tal situação nessa saga épica. Este trabalho examina a fundo a vida de pessoas diferentes. Considerando que o caráter do Príncipe Heinell foi bem escrito, foi possível para o público ver as coisas de sua perspectiva. Mas isso não foi suficiente, então demos um passo adiante. La Gour foi escravizado porque não têm chifres. O que teria acontecido caso ele não se levantasse para defender sua causa? Ele arriscou a própria vida para lutar pelo que defendia, acreditando que não deve haver escravidão entre seu povo. A agenda de La Gour é tão digna quanto a agenda do Prince Heinell. Este trabalho exigiu muita reflexão da platéia. Eu ficaria feliz se essa obra tenha gerado algo a ser pensado pelo espectador e que pudesse ser aplicado a suas próprias vidas."

Nada mau para uma série de robô gigante pensada para vender brinquedos, não?
Com tudo isso, essas séries acabaram se tornando um marco no gênero, sendo importantíssimas para o processo de amadurecimento da animação comercial japonesa, e adquiriram um status de item de nostalgia no Japão, e entre os anos de 2001 e 2003, a editora Futabasha arriscou um almanaque temático dedicado a essa vertente clássica: a Super Robot Magazine, trazendo séries novas de mangá baseadas em vários desenhos animados do gênero dos anos 70, como Gravion, Getter Robo e Mazinkaizer. Apesar de sua vida curta, saíram materiais interessantes no meio desse lote – e um deles foi Choudenji Taisen Voltes VVictory Five, de Yuuichi Hasegawa (autor com várias passagens nos quadrinhos da franquia Gundam). Victory Five é uma série que reúne os três clássicos robôs da trilogia de Nagahama em uma equipe (acrescida do robô da vez de Mirai Robo Daltanias, usualmente associado a Nagahama, que realmente trabalhou na equipe de produção – mas que na verdade é uma obra de Sasaki Katsutoshi e não é parte da trilogia), e um quinto robô criado especialmente para a série, Magnekong (ou melhor, Choudenji Super Giant Soldier Magnekong, já que super-robô que se preza precisa de um nome maior do que os seus usuais noventa metros de altura). No fim das contas a obra teve apenas dois volumes, e não sobreviveu ao fim da Super Robot Magazine.
Mas a revista Comic Rush, da Jive Ltd., encampou o projeto, publicando a sequência da história. E agora que tudo foi concluído, a Jive está anunciando o relançamento dos dois volumes antigos em um único tomo que passa a ser o volume 1 oficial, enquanto o material publicado na Rush é compilado no segundo volume. Os dois volumes serão lançados ao mesmo tempo, em março. Suas capas podem ser vistas no topo e no final deste post. E esse trabalho, independentemente do cheirinho de naftalina presente em todo produto criado com um olho na nostalgia, é obrigatório para os fãs da era dos super-robôs dos anos setenta, quando gigantes super-heróicos de metal, com mais de noventa metros de altura, defendiam a humanidade de impérios invasores alienígenas.

Victory Five

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Comentários:

Nome: Rubiopaloosa 07/03/11 08:06
Parecem ser obras muitos boas, mas duvido que será facil encontrar algum deste material traduzido, mas não custa nada procurar.
mas uma coisa que fiquei meio confuso, é uma trilogia cronologica?, ou três contos separados?

Alexandre: são separadas entre si, mas não há muita diferença entre um universo e outro se lembro bem. Poderia ser o mesmo sem problemas, e fazer um crossover disso não é exatamente um pesadelo.
Nome: Rodrigo Candido 07/03/11 09:55
Olha aí uma compra quase garantida XD
Nome: Fábio Hideki Harano 08/03/11 07:55
Muito bom ler esse texto!

Vi uns episódios de Voltes V na TV Manchete à exaustão, porque na época eu tinha acabado de deixar de ser bebê, mas meu pai, ainda bem, gravara. O começo do auge do VHS!

Naftalinas à parte, não me espanta que a empreitada da Super Robot Magazine não tenha dado certo, dado seu público restrito. Eu mesmo preferiria comprar compilações de uma ou outra série em específico, e não o almanacão.

Uma boa dose de supereletromagnetismo para você!
Nome: Pedro Bouça 09/03/11 06:42
Sou um dos raros privilegiados a ter um brinquedo do Daltanias da Godaikin, que meus pais compraram durante uma viagem à Zoropa quando eu era moleque, sabendo como já então eu adorava robôs gigantes.

De longe o brinquedo mais incrível que eu já tive! Boa parte do robô é feito de METAL, não de plástico ordinário!

Infelizmente os outros brinquedos dessa coleção (que inclui os clássicos robôs gigantes da época, como os mencionados acima) são raríssimos e custam uma fortuna...
Nome: marcel 10/03/11 04:57
Go Nagai! Como pode falar de anos 60 & 70, robôs gigantes e não mencionar uma vezinha sequer GO NAGAI!

Alexandre: ele podia ser o maior nessa área, mas não era o único. ;)

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