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Fev 15
Biografia de Yoshihiro Tatsumi ganha Versão Animada
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Lancaster |
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Categorias: Yoshihiro Tatsumi

Talvez o manga mais relevante e importante a ter sido publicado no ocidente no biênio 2009-2010 tenha sido A Drifting Life (Gekiga Hyouryuu no original, que significaria algo como "À Deriva nos Quadrinhos"), de Yoshihiro Tatsumi. E claro, não foi tanta gente assim a se dar conta disso – seu reconhecimento se deu em círculos restritos de leitores. Mas acreditem, no Japão foi muito pior. De acordo com Frederik Schodt (autor do obrigatório Manga Manga! – The World of Japanese Comics), Tatsumi havia sido reduzido a uma nota de pé de página na história dos quadrinhos japoneses – o homem que cunhou o termo Gekiga,
relativo aos quadrinhos japoneses para adultos, mas com conotações estéticas próprias e que se tornariam datadas; com a abertura do leque estético, o termo Seinen acabou, a partir do final dos anos sessenta, por se tornar mais genérico a respeito do demográfico e o termo Gekiga passou a definir mais uma artística artística à parte ligada ao período do que quadrinhos adultos em si. De resto, sua obra acabou se tornando esquecida até mesmo no seu próprio país de origem.
Mas pesquisadores como Schodt e artistas do cenário indie americano como Adrian Tomine acabaram por se tornar grandes difusores da obra de Tatsumi fora do Japão, em edições espelhadas (que parecem estar voltando a ser olhadas com valor e aparentam ter melhor penetração com o público adulto de quadrinhos nos Estados Unidos do que o material com sentido original, mais voltado ao público mais jovem). Suas histórias curtas foram sendo publicadas em coletâneas (das quais vimos apenas uma aqui no Brasil: Mulheres, que saiu pela Zarabatana Books), e por fim, tudo culminou no lançamento de Drifting Life nos Estados Unidos. A obra – uma autobiografia do autor em quadrinhos, mais focada na sua busca por uma linguagem própria, buscando romper com a influência de Osamu Tezuka que parecia se fazer sentir por toda a sua geração – foi indicada para várias premiações nos Estados Unidos, e mesmo no Japão chegou a ser o grande vencedor do Prêmio Cultural Osamu Tezuka em 2009.
Mas isso não quer dizer que Drifting Life tenha se tornado famosa no Japão por causa disso. Tatsumi produziu por mais de dez anos a obra em capítulos curtos como mero catálogo de uma rede de livros usados no Japão, a Mandarake; no
fim das contas a série acabou sendo compilada em dois volumes pela editora Seirinkogeisha – a mesma que publica os almanaques alternativos AX e Garo (o cabide da galera do underground, que não publicaria em nenhum outro lugar mesmo). E agora, após um desempenho de crítica mais do que respeitável mundo afora, a obra ganha finalmente sua versão animada de acordo com blogs como La Ventana de Saouri e websites como o da Catsuka…
… mas não no Japão. Apesar da obra ser dublada em japonês, será uma produção de Singapura, assinada pela Zhao Wei Films e pela Infinite Frameworks. O diretor será Eric Khoo, que tem passagens em festivais como o de Cannes por animações como 12 Storeys, Be With Me e My Magic. Apesar do fio condutor do roteiro do longa – que se chamará simplesmente Tatsumi – ser justamente o Drifting Life original, a trama será intercalada por histórias criadas pelo próprio Tatsumi, à medida em que elas vão sendo desenvolvidas no contexto de criação. Sendo bem-feito, esse será um grande tributo à obra de um dos nomes que, mais do que o cronista impiedoso de uma época árdua na vida de seu país, foi um dos que ajudaram o manga a se tornar o que ele é. Mesmo que ele seu próprio povo só venha a se dar conta disso agora.
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Comentários:
Alexandre: sim.
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