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Fev 09
Os Leitores Reais de One Piece
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Lancaster |
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13
Categorias: One Piece

Pois é, eu volto de viagem e dou de cara com uma notícia dessas... de acordo com o website Sankaku Complex (o link é AQUI, mas tem muito material baixaria nesse site, inclusive nas imagens relacionadas; entre por conta e risco), foram reveladas ao público as estatísticas relativas à faixa etária dos leitores do título mais vendido do Japão: o todo poderoso One Piece, de Eichiro Oda, publicado na revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shueisha. Os dados estão na imagem acima: apenas 12% dos leitores da série tem menos de dezoito anos (supostamente o público ao qual as aventuras de Luffy e companhia são dirigidos). Na verdade, a maior parte dos leitores estão na faixa dos vinte anos, seguidos pela faixa dos trinta e quarenta (totalizando 75% dos leitores da série). São estes os leitores que tornam a série o mangá mais vendido do país.
Não vou tecer grandes comentários salvo este: o título vende bem, e tanto para Oda quanto para a Shueisha, isso é ótimo; e vai lá, One Piece é realmente um mangá bacana – mas essa talvez seja a ferida de morte para a indústria dos mangás como um todo. Vocês não tem ideia da verdadeira tragédia que isso representa. Mesmo.
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Comentários:
Alexandre: ah, não seja ranheta, One Piece é legal.
Mas imagino que a tragédia a qual você se refira é o número bem reduzido de leitores jovens - que vão viver mais que a turma dos 50 e vai garantir o sustento da indústria no futuro. E talvez fique ainda mais irônico porque a JUMP adora alardear que faz obras para jovens e coisa e tal. Sinceramente? BEM FEITO!!!
Uma problema que parece que ninguém consegue enxergar é essa maldita "democratização" de votos que a revista faz desde o princípio. Ela, no desespero de tentar vender mais e mais, acabou inoculando um veneno lento e letal em si mesma: a revista ouve a opinião da maioria e, com isso, as séries mais populares ganham... ok, perfeito! Mas ela se esqueceu de um detalhe: ela só ouve a opinião de quem JÁ LÊ a Jump, não de alguém que possa vir a ler! E pouco a pouco, com as minorias tendo suas séries preferidas sendo jogadas para baixo do tapete, vão abandonando a revista aos poucos! Só que este abandono só será sentido quando One Piece acabar e o número de vendas da Jump cair para 100 mil exemplares...
A criançada hoje em dia tem mais o que fazer do que ficar lendo histórias em quadrinhos "feitas especialmente para elas"! Eu pego como exemplo Turma da Monica Jovem: minha prima, todo o mês, compra a revista para a filha adolescente dela ler... mas quem lê é só a minha prima! A filha dela, se leu até a edição 8 ou 9, foi muito! Ela não gosta das histórias - que foram feitas para "leitores da idade dela".
Alexandre: mas Mônica Jovem não é feita para os jovens. É feita para os pais dos jovens ficarem tranquilos com o que os filhos lêem. Foi por causa disso que os mangás e animes penetraram nos Estados Unidos, cujos quadrinhos são feitos para nerds de gibiteria e não seres humanos normais, e cuja animação era feita menos para divertir do que deixar os pais tranquilos com o que eles viam na telinha.
Imaginei mesmo que o que susentava a venda da JUMP fossem um bando de nerds caducos.
Alexandre: bem, nesse caso não são nerds. Lembre-se que por muito tempo as pessoas comuns lêem quadrinhos no Japão, por toda a vida. O ponto é não terem largado a Jump e ido ler, digamos, a Weekly Manga Goraku ou a Manga Sunday.
Só que, se a Jump tivesse algumas séries mais bacanas, talvez esse senhor de 40 anos que lê One Piece poderia passar a revista para o filho ler e, depois que One Piece acabar e o velho chato não se interessar mais pela Jump, quem vai começar a comprar é o filho - e as vendas não cairão muito. É essa reciclagem que parece ter emperrado no mundo dos quadrinhos.
A verdade é que a JUMP é uma revista feita para agradar os EDITORES dela! Sujeitos com 40 e muitos anos. Alias, não só a JUMP, mas outros almanaques japoneses e os quadrinhos americanos de super-heróis de uma maneira geral.
Em tempo, se eu morasse no Japão, a JUMP já estaria fora do meu catálogo de compras faz tempo! Ok, não sou da faixa, nem do gênero que ela se propõem a cobrir, mas ainda assim eu seria uma leitora a menos...
Alexandre: seria muito bom que fosse só isso, mas a Jump é uma revista para garotos e sempre se propôs a fazer quadrinhos para leitores jovens. Que justamente estes estejam ausentes da equação é um sinal muito ruim.
E a linguagem do One Piece, com seu humor, é comparável à antiga Chiclete com Banana aqui do Brasil, que tinha o Laerte (com os Piratas do Tietê
Eu analiso desta forma.
Alexandre: Okay, "Que justamente estes estejam ausentes da equação de seu título mais popular é um sinal muito ruim."
Vi uma família INTEIRA (com direito a bonecos, pufes e mãe chorando) fã da série. Sem falar no estúdio do Oda, cuja fechadura é um timão.
E esse cenário aí não é CG, não. Foi todo montado "a caráter" mesmo.
A Conrad, na minha opinião leiga, foi totalmente incompetente ao interromper a publicação dum título desses. Dividir um volume em dois (ou três), com reforço de anime na TV, 10 longas pra cinema e toda uma megaestrutura de licenciamentos a reboque, como se fosse mais um mangá a meter na banca e vender de qualquer jeito, mostra o quanto o negócio dos quadrinhos no Brasil começou e morrerá com Mauricio de Souza.
Alexandre: você está intimado a colocar isso no you tube.
E realmente: eu teria jogado a coleção Baderna e todo o Crumb da Conrad em um picador de papel a deixar de publicar One Piece, na boa.
Agora, eu gostaria de ver um post falando de Shingeki no Kyojin, que virou um ultrafenômeno ultimamente.
Alexandre: eu estava preparando um mega-post falando de mais de vinte séries, e essa era uma delas. Mas foi interrompido pela viagem. Devo retomá-lo.
O fim da industria? hummm... Realmente não sei o que representa. Mas vc poderia esclarecer, certo?
Alexandre: a longo prazo, isso representa uma incapacidade total de se renovar. E isso é o caminho para o cadafalso.
Sobre o que o Marcelo Santarem viu na TV: Tragédia! Eu não disse? XDDD
Fico bastante curioso sobre o futuro dessas revistas. Será que os mangakas vão ficar independentes das editoras, por publicar digitalmente, e com a possível democratização dos tablets eles poderão alcançar os leitores em sua rotina como ocorre hoje em dia com produto impresso?
Alexandre: sinceramente, nem da pra prever algo nesse momento.
Aliás, se alguém aqui tiver o gráfico populacional do Japão e colocar do lado desse gráfico de leitores de One Piece eu creio muito que será realmente muito próximo. One Piece a meu ver extrapolou as barreiras do shounen mangá e é lido de forma homgoênea pela população japonesa.
IMHO One Piece merece isso tudo mesmo, um dos pontos altos da minha semana é quando eu pego um capítulo novo de One Piece pra ler.
E quem não gosta de One Piece é feio chato e bobo.
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