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Jan 14
Manpuku Jump: Quadrinhos de… Culinária?
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Lancaster |
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4
Categorias: Shueisha

Parece que vem por aí uma nova leva de antologias temáticas. Enquanto o final da Young Jump Mensal levou à criação de uma Miracle Jump, dedicada aos gêneros de fantasia e ficção científica, e uma Girls Jump chegou a ser lançada em caráter de edição especial (trazendo histórias concebidas apenas por mulheres), o cancelamento da Oh! Super Jump (que obviamente é um derivado da Super Jump) – de acordo com o bom blog espanhol Hablemos de Shonen – está levando a criação de um novo almanaque a ser lançado no dia 18 de Janeiro: a Manpuku Jump. Só que aqui, o grande tema será… a culinária. Não pensem que isso não tem importância: no Japão, há vários mangas muito bem estabelecidos sobre o assunto, como Cooking Papa e Oishinbo. A revista não apenas puxará três séries do gênero presentes na finada Oh! Super Jump (Marie Antoniette no Ryourinin, por Akira Shirakawa e Kei Satomi; Keita no Aji, por Kozou Hashimoto e Hikari Hayakawa; e Touba Shokufu por Ton Okawara), como também agrega séries culinárias de outras revistas da editora Shueisha (Otoko Men por Shigeru Tsuchiyama e Suit Man por Gô Oohinata) – e traz sete novas séries (Oui Chef! por Hiyoko Kobayashi e Araki Joh; Sushi Nehan por Hikari Hayakawa e Syuji Tateya; Aru Ken Joshibu por Naoki Serizawa; Pro Ramera Ore por Seiki Tsuchida; KaraMura-kun por Yasutaka Togashi; B-1 wo Satta Machi por Yoshiro Nabeda e Oku Michinori; e Otona Kyuushoku por Aoki Uhira) além de colunas sobre o assunto.
É um caso a se pensar: porque essa guinada repentina para a especialização de almanaques por subgênero ou tema específico? Talvez para agregar justamente os fãs de determinado tipo de assunto, e garantir alguma estabilidade de público. Isso funciona em editoras menores: revistas sobre um jogo de tabuleiro como Mahjong trazem histórias sobre o assunto (Akagi, de Nobuyuki Fukumoto, é publicada em uma dessas revistas). Se essa tendência pode dar certo em um cenário de crise de vendagens é outra história, mas vale a pena acompanhar. Podemos estar assistindo ao início de uma era de experimentações editoriais interessantes – foi de uma crise de público no cinema americano que surgiu toda a geração de cineastas dos anos setenta em hollywood, e talvez tenha sido a época mais criativa e interessante do cinemão americano, mas isso só aconteceu porque sem grandes certezas, os executivos decidiram deixar os criadores livres – enquanto nos quadrinhos japoneses, boa parte das editoras se deixa amarrar por velhas fórmulas. Vamos ver no que é que dá.
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Comentários:
Alexandre: o que leva a pergunta de ouro: qual o peso dela? XD
Pelo menos eu acho mais lógico. Pois quando eu vou comprar uma história em quadrinhos eu não vejo se ela é "adequeada para minha idade" ou "para meus cromossomos" primeiro, mas sim se me agradam o genero da história, o enredo e o traço (nesta ordem).
Em tempo, Lanca... você quer uma Miracle Jump?
Alexandre: é claro.
Mas eu também gosto de variedade. O clássico almanaque britânico Action! foi garfado pela censura inglesa, que é feroz, e foi substituído por uma revista de ficção científica, a 2000 A.D. – que está longe de ser ou ter sido algum dia um fracasso!
Mas quando eu fui conhecer os títulos que saíam na Action!, eu pensei "cara, eu QUERO ler isso!" – e muitos deles nem teriam lugar na grade da 2000 A.D. simplesmente porque fogem da dobradinha FC/Fantasia (apesar do discurso FC, eles publicam Slaine). Diacho, eles fizeram uma série inspirada em "tubarão" onde o protagonista ERA O PRÓPRIO TUBARÃO, devorando os humanos escrotos que invadiam seu pedaço. Dredger era o anti-James Bond, uma série de espionagem bem durona, ao tom mais realista dos anos setenta. Left Out the Lefty era uma resposta dura aos quadrinhos de futebol populares na Inglaterra, aonde mostrava-se coisas que não eram abordadas nos Roy of the Rovers da vida, como hooligans. E por aí vai.
Nesse sentido, tem um lado bom e um lado ruim em separar por tema. Podemos deixar de ler muita coisa boa por causa desse tipo de abordagem.
Alexandre: acho que o ponto é ser uma revista inteira com séries apenas dedicadas a isso...
Poderia ser algo funcional para maximizar variedade: um album, digamos, trimestral em que a editora publica one-shots de TODOS os seus títulos (que seriam publicados cada um na sua revistinha ou voluminho) - ao invés de ter que, necessariamente, acompanhar o almanacão todo mês/semana, o tal almanaque seria um "cardápio", digamos.
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