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Jan 13
Vamos lá em Português Mesmo
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Lancaster |
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12
Categorias: Comic Flapper

O almanaque Comic Flapper, da Media Factory, está publicando em suas páginas uma série (da autora Yoshimi Osada) a respeito de uma menina temperamental e anti-social que é o terror de sua escola – mas que é puxada por uma comunicativa colega para o clube escolar de futebol de salão, o que lhe abre novas portas, novas amizades e… Okay, eu não estou nem um pouco animado com essa descrição e nem com a capa. O que chama a atenção é que esse título, apesar de estar sendo mencionado em alguns cantos por sua forma ajaponezada – "bamora" – na verdade se chama… "Vamos lá!", em português mesmo – e é com esse nome que o material teve seu lançamento anunciado na França pela editora Doki Doki, para o dia 7 de Abril deste ano (sim, acho sensacional se anunciar uma publicação em uma data marcada e saber, meses depois, que o material foi lançado nessa data e está à disposição nas lojas). Se olharmos a capa japonesa, os hieróglifos de plantão estão em destaque, mas o "vamos lá!" está bem ao lado, discretamente, com acento agudo e tudo.
Porque estou falando isso? Porque uma vez que os japoneses já fizeram isso, alguns fãs provincianos – que acham que "japonês é mais cool" e que português é feio – agora já podem calar a boca quando alguém usar nomes locais para alguns materiais lançados no Brasil (embora eu jamais vá comprar esse material nem com uma arma apontada para minhas costas, eu dou todo o apoio à Panini por chamar Hoshi wa Utau de "As Estrelas Cantam"). Esse já vem com o nome de fábrica, e se algum fã brasileiro falar "bamora" na minha frente caso se refira ao material, vai levar uma no pé do ouvido.
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Comentários:
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra, como diria o filósofo.
Título em português depende da estratégia de marketing da editora que está lançando aqui, como a Panini fez. E também há situações e há situações.
Discordo de você do "já podem calar a boca". Acho que ninguém pode calar a boca por nada nesse mundo. Se a tradução do original para o português for ridícula, o leitor deve botar a boca no trambone sim, como no caso polêmico da versão nacional do mangá Fairy Tail.
Acho que toda opinião de fã, inclusive os protestos dos mais "hardcore", ajudam de certa forma a melhorar o produto. Todos devem ser ouvidos.
Alexandre: O problema é outro. No caso de traduções, tudo bem que às vezes ocorrem abusos nas adaptações – e por mais que eu ache que "pintar as zebras" foi ir longe demais e o "cavaleiro, e do zodíaco" foi pessimamente mandado, achei que o Briggs mandou bem no "Nuossa, como é grande" e em outras brincadeiras aqui e ali. Isso é necessidade de um editor para polir os excessos, não de evitar adaptações. Porque muitos fãs querem uma adaptação a seco, nada mais do que uma transliteração arrumadinha, preferencialmente mantendo referências que não são realmente necessárias e acabam exigindo notinhas de texto. Acho inclusive que manter honoríficos como "kun" e "chan" em uma tradução é ir longe demais em nome de um purismo fora de propósito.
Muitos protestos não tem como objetivo melhorar, e sim manter o material mais próximo aos interesses do fã hardcore ao invés do grande público. Poderíamos ter um público bem maior para os mangás hoje em dia. Hoje ele tem um leitor restrito – e embora ele seja maior do que o leitor médio de marvel/dc (esse o material mais superestimado mercadologicamente em nosso mercado), ainda é um leitor restrito. E o fã hardcore pode ser bem afeito a trollagens nesse sentido.
Quando li o "bamora", logo imaginei meu sensei de Kendô puxando treino, mas não vislumbro isso saindo da boca de um fã brasileiro, mesmo que seja o maior paga-pau de japonês.
Por exemplo, achei acertada a decisão de se manter no Brasil o nome Yû*Yû Hakusho, sem um subtítulo - tosco - como Ghost Files ou uma tradução como Diário do Espírito Brincalhão.
Aliás, achei a tradução da JBC muito boa nesse manga, sem "transliteração arrumadinha" nem "purismo fora de propósito", e ainda contando com bordões de Chaves e outras boas referências brasileiras (sim, eu acho que, mesmo o seriado sendo mexicano, ninguém vai discordar).
A melhor de todas foi quando Kuwabara exclamou: "O sujeito é mais forte que o Francisco Filho!!!"
Para mim essa tradução, além de exemplar, é uma obra de arte à parte.
Alexandre: por mim isso mandou muito bem, e eu também ri quando usaram uma citação a chico anísio em uma edição nacional de Kenshin ("alegria, alegria, faça como eu, sorria", de um Yahiko bêbado...)
Alexandre: não, é efeito de pronúncia – mais ou menos o mesmo que transformou a norne da mitologia nórdica "Verdandi" em "Berudandi" – e que em uma das maiores pisadas de bola já feitas, fez com que Berudandi fosse transformado em "Belldandy" quando levaram a série para os Estados Unidos.
... e o que mais me assusta nesta capa nem é a pieguice, mas o erro de profundidade!
Alexandre: justiça seja feita, já vi coisa muito pior nesse sentido...
Alexandre: não sei, mas foi bem mandada.
Queria ver os otakus se estressando com isso, rs :X
Alexandre: ah, mas é parte da diversão... XD
Alexandre: acho que o pior caso que me lembro foi ler um scanlator brasileiro de Hajime no Ippo falar de um certo boxeador chamado Edel Jofle, provavelmente por ter tirado de algum scanlator americano que traduziu seu nome assim.
Que um americano erre essas coisas, é de se esperar mesmo, mas um Brasileiro que traduz um mangá de boxe e nem sabe de Éder Jofre não merece perdão.
Alexandre: tem um filme que no Brasil se chama "Vamos Nessa", e achei válido...
Sinceramente, digo sem sombra de dúvida ou medo de errar. Se eu fosse editor de mangás no Brasil, tenho certeza de que eu seria muito odiado pelos otakus hardcore e mesmo assim meus mangás venderiam super bem.
Alexandre: parece simples de dizer, mas uma coisa eu concordo – o editor que vender bem de verdade vai ser odiado por muitos fãs radicais.
WTF?
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