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Dez 29
Lançado Character Book de Bakuman
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Categorias: Bakuman

Eu ando deixando passar muita coisa (e sinceramente, pensando em abandonar de ver as notinhas diárias em prol de artigos) por estar enrolado com o fim de ano e com trabalhos que tenho que fazer, mas como admito que eu sou mesmo fã da série Bakuman, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, não resisti: A Shueisha está lançando seu guia de personagens da série – como é de bom tom quando as séries bem-sucedidas da revista semanal para garotos Shonen Jump alcançam um certo grau de longevidade e o leitor novato pode se perder em meio ao elenco que foi se acumulando edição após edição (e convenhamos, pouco a pouco o elenco de Bakuman tem ficado cada vez maior). Mas o volume oferece outras coisas interessantes: há um capítulo extra chamado Fukuda Corporation, onde temos uma mesa redonda sobre a produção de quadrinhos pelos personagens, além da apresentação de "names" fictícios (name é o storyboard padrão no mercado japonês). De resto, os fãs das meta-séries publicados na grade fictícia da Jump de Bakuman terão mais motivos para ficar felizes, com direito à contracapa dedicada à atual série de sucesso dos protagonistas na história, PCP – Perfect Crime Party.
A propósito: para os que não sabem até agora do que a série se trata, Bakuman conta a história de dois rapazes, Mashiro Moritaka e Akito Takagi (vulgo Shuujin), que batalham diariamente pelo sonho de serem quadrinhstas bem-sucedidos. Com todos os seus altos e baixos, é talvez a melhor coisa sendo publicada na Jump nesse momento. Mas eu sou suspeito para falar.
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Comentários:
Alexandre: mas admitamos: dificilmente o título não mudaria assim que eles entrassem no caminho profissional.
Alexandre: eu também gosto. O grande problema é que elas me tomam tempo e preciso realmente pôr meu trabalho para andar. Então ele passou a estar sujeito a esses problemas. O resultado é que eu me sinto culpado quando ele não vai ao ar.
O ideal seria se eu montasse uma equipe. Mas é complicado fazer isso e manter o nível. Então o melhor é transformar o cosmo em um blog de artigos. Mas isso ainda não foi definido oficialmente. Depende de algumas coisas.
Alexandre: gosto dele mas eu tenho lá meus motivos de crítica. O mangá ainda é melhor.
Por outro lado, o anime é algo que eu poderia, digamos, assistir com uma namorada e saber que ela teria o que assistir.
E agora que Jaguar acabou, concordo com a última linha. XD
Alexandre: pessoalmente nunca vi graça nenhuma em Jaguar...
Alexandre: olha, quem propôs essa idéia absurda de esperar foi ela.
Quem, quando ele disse que talvez não fosse uma boa idéia esperar tanto, derramou lágrimas para gerar nele complexo de culpa, foi ela.
Quem disse "se você tem tanto tempo livre, vá desenhar mangá", foi ela.
Quem disse lá pelas tantas da série que "não vou esperar para sempre" foi ela.
Patifaria dele? Eu acho que ela conseguiu um cavalo de corrida, usa a si mesma como uma cenoura na frente dele e ele cai. Na verdade falta isso na vida do Mashiro: uma mulher que o tente a considerar outras opções. Só que isso geraria um segundo "arco do romance", e aquilo, ninguém quer, pelo amor de Deus!
Aproveitando a deixa, se Bakuman não foi anunciado ainda pela JBC, é bem provável que a Panini tenha pegado, ou ambas estejam lutando.
A JBC não tem nenhum medalhão da Jump semanal em mãos (bom, tem Hikaru no Go, mas o público brasileiro despreza mangás bons) e imagino que eles estão doidos para estampar "dos mesmos criadores de Death Note".
Alexandre: de modo geral existe uma regra de preferência: a editora que publicou um autor originalmente sai na vantagem. Não é impossível que uma Panini pegue, mas eles tem que oferecer bem mais vantagens à Shueisha do que a JBC – a menos que esta por algum motivo não se interesse pelo material, abrindo o caminho.
E sobre a inércia do Mashiro em relação à insossa da Azuki eu prefiro acreditar que se trata de algo cultural. XD
Alexandre: a Azuki tem muito de "primeira namoradinha". É o perfil da primeira mulher que um homem se apaixona na vida, em algum canto dos seus onze anos. Mas quando se cresce, se descobre que mulheres assim são tão empolgantes quanto um arranjo da sala. Mas há perspectiva que ela melhore, afinal de contas a mãe dela parece ser mais interessante (julgando pelo mangá, claro).
Alexandre: olha, acho que a pequena participação da Katou dos tempos em que ela trabalhava com Detective Trap foi uma mensagem aos leitores de que esse status quo não mudaria. Pesava contra ela o fator idade, mas ela era zelosa e estava sempre ali. O encontro dela com a Azuki foi para deixar claro aos leitores: ela não é ameaça e nem tem como mudar nada. Mas convenhamos, se surgisse triângulo amoroso dali, iria arruinar a história – e hoje sabemos disso.
Mas acho que o motivo deles terem se tornado profissionais cedo é que ninguém aguentaria ficar vendo eles só tentando e fracassando, o povo ia perder a paciência e largaria a história. A não ser que desse um salto temporal de uns 10 anos, com eles finalmente conseguindo publicar algo.
Alexandre: o pior é que não acho que iria rolar dessa forma. já ouvi falar que é difícil entrar muito velho na Jump – é mais lógico eles entrando por uns dezoito anos. Mas eles tinham a favor um editor que acreditava neles, com isso era difícil eles não conseguirem publicar algo.
Alexandre: eu sei que não são, mas você acha que novela não é feita para que os outros discutam como se fossem pessoas de verdade? Estou tratando apenas nos termos da história. Ficção popular ainda é feita para despertar reações emocionais nos espectadores/leitores.
Na verdade eu acredito que o roteirista tenha um SÉRIO problema com mulheres (desde Death Note, inclusive), pois para começar ele trata todas as mães como se fossem vacas que se colocam contra o sonho dos filhos - sim, existem muitas mães que são assim (mesmo que bem-intencionadas), mas pode reparar que ou elas são contra o que os filhos fazem num primeiro momento (até o maridão calar a boca delas) ou então são simplesmente moscas mortas que deixam tudo passar, sem incentivar nem proibir.
Alexandre: tem a mãe do Nakai, que aparentemente apoiou o filho, mas o recrimina por "abandonar seus sonhos".
Sem falar que mulher boa é aquela que desiste dos seus sonhos para ajudar o maridão nos sonhos dele, e que fica lavando louça enquanto o bonzão vai almoçar fora só para fazer desaforinho.
Alexandre: Bom, se você fala da Miyoshi, já reparou que ela não tem nenhum objetivo concreto? Se bem que na época colegial da série, fica claro que ela era atleta. E isso foi esquecido – tanto que mal é mencionado na versão anime. Se era para colocar algum objetivo na moça, era por aí. Acho que foi erro de avaliação do Ohba.
E veja como a Iwase (a mulher mais decidida da história, embora por motivos idiotas) é retratada, sempre como uma pessoa antipática e que no fundo "só quer um macho". E a única exceção, a minazinha sem-sal que esqueci o nome que é mangaká, também, no final, precisa da ajuda de um macho para vencer na JUMP.
Pode parecer coisa de feminista, mas é assim que as coisas tranparecem na obra - e talvez seja assim mesmo que tudo funcione no Japão, fazer o quê? Nenhuma das mulheres consegue se virar sozinha, ou então só se vira por motivos luxuriosos - incluindo a tonta da Azuki, que só conseguiu suas primeiras chances como dubladora porque é "bonitinha".
Alexandre: bom, justiça seja feita, o papel do seiyuu no Japão é maior do que meramente ser dublador. Eles aparecem na mídia, gravam discos, fazem o diacho. Então ser bonitinha deve contar, sim.
E sim, já me conformei que, no fundo, Bakuman NÃO É a história de um garoto que luta para ser mangaká, mas de um garoto que luta para mostrar O QUANTO TRABALHJAR NA JUMP É LEGAL. - nada a se fazer contra isso, claro, afinal a editora é dona do mangá. E mesmo aquele momentozinho de rebeldia de quererem sair da Jumpa foi um blefe safado.
Alexandre: você acha MESMO que ele sairia da Jump em uma série publicada na Jump?
Bakuman já foi o meu quadrinho favorito de todos (entre mangás, comics, fumettis BDs...), mas agora eu nem aguento ler "por obrigação" só para acompanhar o novelão. Desisti de vez.
Alexandre: acho que o grande problema da série é que ela se ancorou numa premissa linear que exige algum tipo de conclusão. Não pode ser esticada indefinidamente. E o fato do casamento dos dois – a conclusão lógica – precisar de um anime, vai cortar uma das possibilidades mais interessantes: mostrar como a existência de um anime pode afetar o mangá original.
Mesmo que a promessa dos dois seja o fio condutor para a historia continuar, acho que poderia ser feito de outra maneira (fora que a Azuki tem o mesmo carisma que uma pedra). Acho que só mesmo os japoneses para se identificar com este tipo de situação.
Alexandre: Sinceramente, acho que nem precisava de um motivo romântico para ele ter saído da inércia. Isso faz com que o personagem não se desenvolva e só exista para desenhar – pode reparar que Shuujin teve mais desenvolvimento como personagem do que Mashiro. A história não seria muito diferente naquilo que interessa se Azuki não existisse, pensando bem.
Alexandre: nunca me impressionou tanto, mas com o tempo ela subiu no meu conceito por ser o que promete, de forma honesta. Se é por isso, não há o que criticar – ela é o que é e funciona no que se propõe, acabou.
E a personalidade de todo mundo continua tão rasa quanto a de um pires. O tal "crescimento" que uns poucos personagens tiveram ou foi pífio ou foi meio forçado, tipo "Rank up! Aprendi a desenhar calcinhas e agora sou uma pessoa e uma profissional melhor!".
Claro... "isso é um mangá para garotos da JUMP" é sempre a velha desculpa! Depois eles ficam lamentando o encolhimento de mercado...
O Alexandre nega, mas eu me queixo disso quase desde que o mangá começou.
Isso não é uma série, é publicidade da Jump para conseguir novos autores!
O grande interesse nela é servir para mostrar ao pessoal leigo como funciona uma antologia como a Jump. Só.
Alexandre: é uma boa definição, e não acho que isso desmereça a série.
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