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Dez 03
Tezuka no Comiket
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Lancaster |
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6
Categorias: Osamu Tezuka

Tenho certeza de que se o saudoso Osamu Tezuka, (pai da estética narrativa dos mangás como conhecemos) estivesse vivo, com certeza estaria completamente desgostoso e soltando palavras muito duras sobre o atual rumo da indústria dos mangás e animes, que continuamente estão se encolhendo em vendagens – e se ancorando como porto seguro nos materiais que valorizam mais e mais o culto a fetiches pontuais (cuja presença é razão de ser das histórias em si), ao invés de contar histórias de verdade. E não deixa de ser uma nota um tanto melancólica, se pensarmos bem:
a Tezuka Pro, que administra o espólio criativo do autor, perpetrou em Novembro uma exposição no bairro de Shinjuku, levantando o lado moe – a hiperprotetividade afetiva fragilizadora, com subtons implicitamente sexuais – da obra de Tezuka (talvez tentando chamar a atenção dos fãs hardcore para os personagens, já que pelo andar da carruagem, essas criaturas perigam dominar o cenário dos quadrinhos e da animação japonesa no futuro – e ninguém parece se dar conta que quando isso acontecer, as vendagens mirrarão de vez e tornarão os mangás tão insignificantes quanto o atual quadrinho americano de gibiteria. Não adianta os fanboys radicais negarem isso três vezes diante do espelho, basta comparar as vendagens de quadrinhos no Japão, França e Estados Unidos).
Agora, teremos também a presença da Tezuka Productions na Comiket – o maior evento de quadrinhos do Japão, e também um verdadeiro antro de fãs hardcore – para o lançamento do livro Osamu Moet Moso: Concept Book 1.0 – o artbook dessa exposição, contando com a presença de artistas como Haruhiko Mikimoto e Range Murata a retratar os personagens clássicos de Tezuka em versão moezeira. Por mais que alguns estudiosos apontem as origens do moe no próprio Tezuka, na certa ele deve estar se rolando no túmulo com isso.
E para vocês que não sabem o que é o Comiket, dêem uma olhadinha AQUI.
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Comentários:
Apontar Tezuka como a origem do moe é a mesma coisa que apontar Leonardo Da Vinci como o pai do impressionismo - quem primeiro ve taradice em algo é o leitor, se hoje temos mangás moezeiros é porque algum famigerado pedófilo lá atrás pensou coisas impróprias antes... DEPOIS é que os autores começaram a fazer obras para este nicho.
Mas devo admitir que o traço ficou bem bonito! E falando em mercados de quadrinhos, será que, um dia, as BDs vão tomar conta das nossas bancas assim como os comics e os mangás fazem hoje?!?
Alexandre: Impossível na minha opinião. Periodicidade e formato jogam contra eles. BD não foi feita para bancas.
Na minha escala de drogas ilicitas, o Moe ganha disparado de qualquer outra.
Qual o rémedio? começa com B termina com E hehehe
Alexandre: Mas não deveria terminar com a letra... Ah, esquece.
Podem, me chamar de derrotista, mas depois dessa, foi impossivel não dizer: "Perdemos, o mal venceu"...
E que "Arthur, uma Epopéia Celta" que a Ediouro/Pixel VERGONHOSAMENTE não trouxe de volta retorne... alias eu bati TANTO o meu tambor para eles depois disso que acho que foi por isso que eles quase faliram... bem feito!
Quanto à questão do moe, isso é só visual de personagens. Tezuka soube adaptar o dos seus personagens de acordo com as eras sem nenhum problema, o importante é que eles sempre estavam em uma história!
Eu consigo visualizar Tezuka desenhando personagens nesse estilo, mas sempre dentro de uma narrativa digna do seu nome.
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