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Comentários breves sobre a J-Comi

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Lancaster | PERMALINK | 5

Categorias: business

J-Comi

O portal de quadrinhos gratuitos J-Comi (sem piadas batidas, por favor), de Ken Akamatsu (atualmente produzindo a série Negima para a revista Shonen Magazine, da Kodansha), entrou no ar e acabou levantando considerações interessantes. Ele colocou em fase de testes, como todos que se interessaram pelo assunto já devem estar sabendo, todos os quatorze volumes de seu primeiro grande sucesso, Love Hina. Devido ao barulho e às possibilidades em termos de modelo de negócios que a experiência oferece, não poderíamos deixar de lado esse projeto e por isso mesmo estamos dando uma olhada. A primeira coisa que salta aos olhos é a escolha do formato .PDF para os materiais disponibilizados (podem clicar nas imagens que postei para ver tudo com mais detalhes).

J-Comi

Akamatsu oferece o material gratuitamente em duas versões: de baixa qualidade (e menor velocidade de download) e alta qualidade, para os que tem mais banda para gastar. Optamos pela versão de alta qualidade. Parece uma opção incomum para nós, no ocidente: tendemos a baixar os .jpg (ou .png) em pacotes com as imagens em separado, e a partir daí ler tudo em programas de visualização ou recursos que fazem esse serviço. No caso do Macintosh que uso, o mais prático para a leitura de imagens é selecionar todos os arquivos dentro de uma pasta (o bom e velho botão Command + A) e clicar duas vezes, acionando automaticamente o recurso Preview, que também permite a leitura de arquivos .PDF de forma mais leve e imediata do que o Acrobat Reader. É pelo J-ComiPreview que abri o arquivo desse Love Hina.
Ouvi algumas reclamações sobre a ausência das páginas coloridas, aqui presentes em preto e branco. Me faz sentido porque, em primeiro lugar (pelo que me foi repassado; me confirmem se eu estiver errado), os volumes originais também não as tem a cores – elas foram publicadas apenas na Shonen Magazine. E em segundo lugar... bom, a ideia é ajudar a esvaziar o estoque de material que já foi publicado, mas ainda pode ser encontrado em circulação no Japão, e isso poderia ser deixado para as versões impressas como atrativo, embora a obra em questão não o faça. E Love Hina ainda não foi reprensado, apesar do sucesso ainda maior de sua obra posterior, Negima. As comemorações de dez anos da série foram muito modestas e se limitaram a uma história curta a cores, de seis páginas, na Shonen Magazine. O que deve estar contando para o material ter sido escolhido para o projeto, no final das contas: Love Hina deixou de render dinheiro. Por isso mesmo, se torna significativo o fato de que, no dia de estreia do portal, 45.000 exemplares do primeiro volume foram downloadeados, e em três dias, chegaram a um milhão, mas ainda havia a expectativa do retorno através das afiliações para esse material na Amazon japonesa. E no final, acabaram sendo bem-sucedidas: através dele, compraram não apenas volumes novos de Negima...

J-Comi

... (que acabou sendo mais beneficiado do que Love Hina – não que ele vá reclamar), como cabos USB e... volumes de Sayonara Zetsubou Sensei (de Koji Kumeta, a mais devastadora sátira ao gênero que Akamatsu encampou tão bem), o que levou Akamatsu a declarar, em tom de brincadeira, que era deplorável amealhar dinheiro com a ajuda de Kumeta.
Reparem que o risco é baixo, porque é tudo material já previamente pago; mas os scans oferecem uma possibilidade interessante em arquivo .pdf porque trazem algo que não é uma possibilidade nos arquivos em separado (talvez poderia ser em formato "agregador", mas convenhamos que como os agregadores que conhecemos até agora foram piratas, seria o fim da picada): anunciantes, como em revistas. Clicando nas páginas dos anunciantes, somos levados aos seus websites oficiais. O que comercialmente oferece um monte de possibilidades.

J-Comi

No final essa é uma experiência que pode dar certo. A pergunta é se ela pode ser replicada fora do Japão. Há por lá uma cultura do consumo que ajuda a dar certa margem de segurança para experimentos como este. E por ora este é apenas um experimento, com poucos anunciantes e apenas um título. Akamatsu já declarou querer expandir seu campo de ação para os doujinshis (fanzines), fazendo com que os ganhos sejam divididos entre os artistas e os criadores originais, como ocorre com obras licenciadas. Apenas um outro autor já foi oficializado, mas uma vez que isso emplaque, dificilmente não se seguirão outros (e convenhamos que Akamatsu é um nome com mais visibilidade do que Shuho Sato, que opera com compra de quadrinhos online no seu próprio portal, o Manga on Web).
No final das contas, todo projeto novo oferece uma cota concreta de risco. Mas os resultados aqui podem ser bem interessantes. Continuaremos acompanhando os seus rumos. :)


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Comentários:

Nome: Jussara Gonzo 29/11/10 02:32
Negima eu J-Comi e não gostei, mas resolvi dar uma olhada no site. (desculpe, não resisti! :D)

Alexandre: Isso é pedofilia! XD

Obviamente ele não foi feito para ocidentais - tudo em japonês e nem o Google Translator funcionava, foi uma luta descobrir qual botãozinho apertar! Fora que eu não consegui baixar nada, pois a caixa de download ficou horas "obtendo informação do arquivo" e nada aconteceu. Mas talvez o problema seja da minha rede e da minha máquina.

Alexandre: Estranho, porque achei a navegação muito fácil.

Sobre a idéia, eu acho ótima. E espero que vingue e se expanda (e se facilite). Claro que é fácil para um cara conhecido como ele ter uma porrada de acessos e downloads, precisamos pensar em como estes grandalhões podem ajudar os pequeninos, nem que num primeiro momento seja em número de acessos. Talvez com banners e hyperlinks, agregando estes sites pessoais de autor em grandes almanaques virtuais.

Mas acho que estou me adiantando. Vamos ver no que isso vai dar primeiro!

Alexandre: Agora a ordem é esperar pra ver. :)
Nome: will walbr 29/11/10 03:42
Não baixo mangás faz uns anos, mas acompanhava a publicação digital 'Guia do Hardware' e acompanho atualmente as 'Nintendo Blast, Arkade e Game Sênior'. Todas foram/são publicadas em PDF e de lá pra cá sempre me pareceu o formato mais adequado, inclusive pelos recursos adicionais que o formato oferece.

Aliás, se não tô enganado, todas tem espaço pra publicidade...

Alexandre: Sim, parece a solução mais prática. Detalhe que acabei esquecendo: o arquivo pdf do akamatsu tem proteção, então nem dá para o pessoal pensar em tranformá-la em raws para seus scans internacionais, desfazendo assim o arranjo de anunciantes.
Nome: J Daniel 29/11/10 09:21
Muito interessante a matéria.

O produto do Negima comercialmente é bom, então funciona.

Vou dar um exemplo na música. O Marillion, uma grande banda de rock progressivo, no começo da década de 2000, resolveu não trabalhar com gravadoras. Como tinha uma rede de contato muito forte com os fãs na internet (foi uma das primeiras bandas a usarem a internet nos anos 90), solicitaram a eles pela internet a comprarem o álbum antes da banda lançar. Por que isso? Com o dinheiro, a banda poderia custear toda a produção do álbum sem precisar de gravadora. E conseguiram. Os fãs receberem depois o disco e gostaram.

A experiência funcionou tanto que a banda repetiu no disco seguinte o processo. Além disso, os fãs que compraram com atencedência ainda ganharam acesso gratuito para baixarem muitas músicas extras e inéditas no site oficial.

Hoje, o marillion.com, site oficial da banda, vende diretamente aos fãs cadastrados vários DVD's de shows e discos ao vivo a preços especiais. (descontos)

Então, essas experimentações, como a da J-Comi também, são válidas e pode dar certo no mundo dos mangás.

"A pergunta é se ela pode ser replicada fora do Japão."

A internet é uma opção para quem não conseguiu ou não quer trabalhar com editoras.

Por exemplo... no Brasil funciona se, para começo de conversa, arte, roteiro e personagens forem muito bons e a obra estiver num alto nível de qualidade, de fazer frente mesmo aos mangás estrangeiros. Tem que ter esse espírito, tem que encantar de verdade a ponto do leitor querer sempre mais e mais.

Com produto bom, certamente os leitores farão esforço para ajudar o autor a mantê-lo, clicando nos banners de publicidade e até fazendo doações, por que não? Se é fácil para fansubs brasileiros arrecadaram R$500, R$700 mensalmente num esquema bem simples com internautas que ficam baixando de graça mangás e animes, é possível autores independentes conseguirem arrecadar montando uma estrutura eficaz de divulgação da obra.

Penso que também os desdobramentos trarão retorno ao autor, como licenciamentos.

Mas repito: o produto tem que ser muito, mas muito bom, do contrário não vai empolgar e incentivar as pessoas a mantê-lo vivo.
Nome: Guilherme 29/11/10 10:25
Eu entendi direito?
É grátis, não tem que criar conta nem nada, o projeto se mantém só com anunciantes?
Se for isso, me parece arriscado...

Mas se a idéia é só para mangas que não rendem mais, sei lá, não há nada a se perder.
Nome: YOKOkurama 13/03/11 05:08
Cara gostei bastante dessa idéia, uma coisa que eu sinto falta aqui no Brasil é o grande "arsenal" de títulos de mangás.
A quase ia me esquecendo... Me passa o link desse seu wallpaper *-*

Alexandre: acho que peguei na Mecha Image of the Day. Dá uma olhada lá, mas não tenho certeza agora de memória.

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