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Nov 22
Da Série "Perguntando aos Leitores": Há Futuro nos Scanlations Oficiais?
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22
Categorias: Perguntando aos Leitores

Por mais que eu veja com certas reservas pessoais suas obras como leitor (quem comprou Love Hina lá em casa foi meu irmão, não fui eu, e nem preciso repetir o que penso de Negima), tenho que dizer que Ken Akamatsu é um dos comentaristas mais interessantes de se acompanhar no atual cenário japonês de quadrinhos – e inesperadamente uma das suas mentes mais acuradas, por incrível que pareça. Ele é alguém que conhece muito bem a indústria e seus meandros, e suas opiniões refletem isso. Foi ele quem andou percebendo as consequências nefastas de uma gradual, digamos, emasculação mental do público masculino japonês, que crescentemente anda mostrando incapacidade de se projetar em personagens masculinos, o que explica o enfraquecimento do harém nos
últimos anos e o sucesso de algo como K-On! entre os espectadores homens (sim, falo de acompanhar mais por identificação nesses personagens – e me chamem de preconceituoso à vontade, mas acho assustadora a idéia de que um marmanjo com barba na cara se veja [ou veja por não encontrar nada ameaçador] nas meninas alegres e barulhentas de K-On!); eu pessoalmente também incluiria nesse sentido a desvirilização de alguns designs masculinos: sinceramente, aquela trinca amorosa de Macross Frontier me parece um falso triângulo lésbico – eu já disse e repito que o piloto da vez parece uma versão (em tese) masculina da Motoko Aoyama de Love Hina; quando a trinca aparece em cena, vemos três moças, não duas mulheres e um homem. E foi essa série quem revitalizou a franquia Macross no Japão. Tsc, tsc. Nem queiram saber o que isso me faz pensar.
Em todo caso Akamatsu sempre mostrou preocupação com o cenário do encolhimento de mercado para os almanaques de quadrinhos que por décadas mantiveram oxigenada a indústria. O motivo dele é bem concreto: autores bem-sucedidos como ele mesmo e Eichiro Oda, que vende milhões em menos de uma semana a cada lançamento de seu One Piece, não enfrentarão problemas em se fazer chegar ao público caso o mercado de almanaques afunde de vez. O grande problema está nos autores novatos e naqueles que apesar de ter uma carreira estável, têm menos visibilidade e vendagens muito menores,
atingindo um nicho de leitores que, por mais fiel que seja, é bem mais reduzido. O mercado japonês está cheio deles, acreditem; é essa massa que forma a maior parte da comunidade de quadrinhos no país. Nada garante que, ao término de One Piece, Oda consiga emplacar outro sucesso e escape da sina de passar a produzir obras menores daí para frente, sendo lembrado como autor de um hit só. Isso vale para qualquer autor bem-sucedido no Japão, aliás. O mercado é cruel, mas assim é a vida.
Talvez por isso mesmo haja tanta preocupação e busca de soluções alternativas. Primeiro tivemos Shuho Sato, autor da série médica Say Hello to Black Jack, cuja continuação recentemente foi concluída na Big Comic Spirits da Shogakukan – e que de acordo com as palavras do autor, marca o fim de sua colaboração com o sistema de almanaques. Agora ele se dedica exclusivamente ao seu próprio portal de quadrinhos, o Manga on Web (AQUI) que conta com outros autores que vieram da indústria tradicional, como Makiru Makoto (que sumiu do mapa com o cancelamento da revista Young Sunday da Shogakukan).
O que surpreende a primeira vista é que Akamatsu esteja fazendo o mesmo: vários websites especializados estão ecoando pela internet a notícia de que o autor está lançando um website chamado J-Comi (AQUI), aonde trará várias séries que já pararam de ser reimpressas (há bastante material de Love Hina em circulação no Japão a se esgotar, antes de pensarem em uma nova tiragem).

Akamatsu está colocando um blog (AQUI) à disposição para tirar dúvidas sobre direitos autorais e similares, mas essencialmente o que ele coloca, disponibilizados de forma gratuita, são materiais fora de catálogo ou já concluídos – em arquivos PDF, não em .JPG ou .PNG como o habitual nos scans ocidentais. O que os torna mais trabalhosos de serem editados por outras pessoas – pelo menos com qualidade visual, se pensarmos bem.
Akamatsu em seu blog expõe bem o seu modelo de negócios, e ele sabe o que está fazendo – o J-Comi já nasce com uma empresa de verdade por trás, a J-Comi Kabushiki Kaisha, do próprio autor. E isso acontece pouco tempo antes de ser oficializada a recente iniciativa de 37 editoras (do qual já falei em
OUTRO POST) para a difusão de quadrinhos aparentemente gratuitos pela internet; como aprendemos em nossas aulas de história, "Põe a coroa em tua cabeça antes que um aventureiro o faça", e é isso o que elas estão fazendo: esse material tem direitos de publicação pertencentes às editoras, de qualquer forma. E nos últimos anos, graças a recursos de publicidade via acessos internáuticos, muitos dos websites agregadores de mangá – como o meio que finado One Manga (que não deixou de existir, mas acabou virando mais um fórum sobre quadrinhos ao invés do verdadeiro recanto bucaneiro de quadrinhos online que um dia foi) – chegaram a levantar belas quantias com um número imenso de visitações do mundo todo. E com o encolhimento do mercado editorial americano (importante pontuar que o país está com problemas financeiros e esse encolhimento é generalizado, não é algo que atinge apenas os mangás – o Partido Democrata de Barack Obama não levou uma sova nas mais recentes eleições à toa), é natural que as editoras japonesas – que estão vendo seus almanaques perdendo leitores a cada dia – queiram pôr as mãos nesse segmento. É direito deles, afinal.

Akamatsu expõe seus pontos claramente e de forma didática. Com inciativas como a sua, quanto mais os visitantes clicarem nos anúncios, mais o dinheiro vai para os autores; mangás que não estão exatamente fora de catálogo mas que por já terem sido serializados há muito tempo, poderão ser redescobertos (ele cita como exemplo uma série obscura de aviação de 1978 – Mach SOS, de Gosaku Ota, velho colaborador de Go Nagai – um dos títulos favoritos de sua juventude, fora de catálogo e, mesmo que, ignorado mesmo por aqueles que gostariam de rever um título que gostavam na infância; só as almas muito atentas aos relançamentos poderia se dar conta da existência desse título nas livrarias em uma eventual nova tiragem – ele saiu originalmente no
almanaque Adventure King da Akita Shoten e chegou a ter um relançamento pela Futabasha, se não me engano nos anos noventa [me corrijam se eu estiver errado] – e mesmo assim nem todos se interessariam por ele). Akamatsu já reuniu gente como Ryusei Deguchi, autor da versão para quadrinhos de Abenobashi Mahou Shoutengai (originalmente uma animação da Gainax), e aparentemente ele é só o primeiro. Love Hina terá seus 14 volumes disponibilizados como teste a partir de 26 de Novembro e o website entra em atividade oficial a partir de 10 de Janeiro.
Eu poderia ter me limitado à notícia, mas ela leva a reflexões.
Sabemos que de modo geral os agregadores levaram um grande contingente de público a acompanhar séries japonesas com dias de diferença em relação a sua publicação original. Talvez essa seja a maior graça da coisa para seus leitores. Eu já cheguei a dizer anteriormente: a era da simultaneidade já chegou; a partir do momento em que pessoas traduzem informalmente assim que o material sai no Japão, ela já existe. As empresas lá fora perceberam e entenderam que
oficializar o simultâneo é a melhor forma de coibir a pirataria. Foi assim que cresceram empresas como a Crunchyroll, que se tornou uma espécie de símbolo dessa nova era de produtos oficiais oferecidos em tempo quase simultâneo. Estamos fora disso, infelizmente: nosso mercado não é composto em sua maioria por gente que compra. Talvez nem seja um mercado de verdade. E por isso, um desenho como Full Metal Alchemist – que fez um grande sucesso na época de seu lançamento pela internet e não teve uma trajetória muito feliz em nossa televisão aberta – só vai ser concluído em DVD agora no final deste ano (se a Focus não der pra trás), após muito, muito tempo. Só que eu me lembro de ter visto cópias piratas da série em banquinha de evento de anime, mesmo com os boxes à venda nas lojas e por um preço menor ainda do que os oferecidos por uma Playarte. Dá para entender porque a Focus parou – empresa não é casa de caridade e não tem obrigação de tomar prejuízo. Bom lembrar que ela pretendia emendar, com a série, o longa final Conqueror of Shamballa. Ela não tem mais obrigação de fazer isso, depois dessa novela toda. E embora eu não esteja falando aqui de quadrinhos, animes e mangás tem essa intersecção de público – a atitude de seus supostos fãs, de um lado, não é diferente da atitude de seus fãs de outro.

E então fica a pergunta: há mesmo como quadrinhos online oficiais se tornarem lucrativos? Vocês acessam os anunciantes das páginas em que entram? Compram mesmo as séries que realmente gostam? Quantos fãs de Naruto que se dizem fãs de verdade da série compram as edições da Panini em nossas bancas e quantos ficam acompanhando os scans para discutir novelinha nos foruns, sem realmente acompanhar a versão impressa? Vocês comprariam conteúdo online? Pergunto de verdade, não da boca pra fora (o verdadeiro motivo que inviabiliza muitos lançamentos no Brasil: ao se pesquisar, mesmo superficialmente, todos diriam que comprariam: mas muitos decidem esperar
"para comprar mais tarde" em promoção nos eventos, já que os preços estão mais baixos justamente para amortizar o prejuízo que tiveram em bancas). A verdade é: qual o grau de segurança que um empresário pode ter nessa área?
Pode se dizer tudo do mercado japonês, menos que ele não tem esse grau em nível alto. Os japoneses médios, de acordo com alguns comentários captados, gostam de ostentar o que compram. Por isso, de modo geral eles não se sentem tão animados assim em piratear material. Certas adolescentes japonesas chegam a extremos para comprar uma bolsa Louis Vutton. E quanto ao Brasil, é uma pena que números não sejam apresentados oficialmente por aqui: ao mirar para um público fora do leitor usual de quadrinhos por aqui, um título erótico como Love Junkies conseguiu ter vendas maiores do que o citado Full Metal Alchemist ou do que Inu-Yasha, ambos com desenho animado exibido na televisão aberta; Inu-Yasha em particular teve um grande contingente de fãs obtidos nesse período.
Fica a pergunta: o mérito é de Love Junkies, ou FMA e Inu-Yasha não venderam tanto assim? E se não venderam, que diacho de público é esse que não compra os títulos que são supostamente hits, que são discutidos pela internet, que em tese são os grandes sucessos de que todo mundo fala? Será que
seu público não está lendo tudo, obtido pela internet, em traduções irregulares? Ter mais fãs NÃO É mais importante do que ter mais leitores, do ponto de vista de uma editora.
O grande desafio para o cenário do quadrinho online é o de ser lucrativo. Esse desafio vem sendo enfrentado internacionalmente, por diversas frentes – e ainda está para ser comercialmente solucionado de forma efetivamente lucrativa. No momento só vejo isso em dois cenários (e não sou o único a pensar assim): um, que se pague para ver o material ao invés de baixá-lo; o outro, que ele sirva na verdade como investimento em popularização e divulgação para a versão impressa (que parece ser a intenção de Akamatsu). E em um país como o nosso, onde uma grande parte das pessoas já tem de alguma forma ou de outra presença na Internet, cedo ou tarde iniciativas de quadrinho online irão ser levadas a sério. Elas terão que ser, para que se tornem comercialmente viáveis. Resta saber se o público está preparado para isso – ou melhor, se está realmente disposto a isso. Porque se não estiver, nem adianta – sem demanda de mercado, não há lei de oferta e procura.
Por isso, lanço a pergunta: há futuro para um sistema de quadrinhos oficiais online que funcione comercialmente, especialmente por aqui? As grandes editoras podem arriscar pesado nessa aventura?
Deixo a palavra para meus leitores.

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Comentários:
Mas as empresas tambem que se mexer e oferecer algum diferencial.
Por exemplo, eu compro, entre outros mangas, naruto (na verdade não gosto muito, mas como tinha feito a assinatura de dois anos assim que saiu no Brasil, pois me diziam que era bem legal, eu continuo comprando para não deixar incompleto) poderia muito bem ir em algum site e baixar de graça, mas nesses scans não tem por exemplo os freetalks do autor entre outros extras.
Acho que como voce citou, se fosse uma maneira de divulgar a versão impressa até daria certo, mas o material deveria vir com algum diferencial que não se encontra em scans piratas.
No começo, ainda tinha gente querendo barrar a pirataria de Cds, mas veja o que aconteceu. Uma quantidade de pessoas, por menor que seja, ainda compra, contudo, o motivo para comprar esse material oficial varia muito, a maioria deles é pela qualidade, superior a da pirataria.
Quando, se não me engano, o Metallica entrou na luta contra a pirataria, tomou na cara bunito. Ou seja, tentar acabar com que esse tipo de coisa aconteça é nadar contra a correnteza. Obrigar os sites de scans a fecharem não vai acabar com este ramo, não que eu esteja apoiando nenhum dos lados.
Talvez, digo somente talvez, isso obrigue as editoras a melhorarem a sua qualidade e pensem mais antes de lançar títulos a torto e a direito achando que temos que consumir tudo só porque fez sucesso lá fora, ou pelo autor que teve UM sucesso aqui no Brasil. Pior ainda, quando o mangá foi lançado a 3 anos atrás.
Conhecendo a tendência do Brasil, NINGUÉM pagar por um material online. No entanto, como eu já disse, igual ao mercado da música, esses sites (como os do Akamatsu), podem fazer com que pequenos mangakás ganhem mais notoriedade no mercado.
Uma tentativa das editoras e experimentar algo semelhante a Shonen Jump americana, que publica (creio eu) os capítulos quase simultaneamente ao lançamento japonês, mesmo que pouco provável, pode ser uma saída...
No meu caso (que pode não ser o da maioria), estou morando numa cidade menor, onde não chegam todos os mangás que saem nas bancas, sou obrigada a comprar os que quero em lojas quando vou ao Rio. Tenho dificuldade de comprar coisas on-line por conta da forma de pagamento, sou pobre e não tenho cartão de crédito internacional! Se tivesse uma maneira de pagar sem precisar disso, compraria com toda a certeza. Acompanho alguns mangás via pirataria, como Limit, mas se saísse por aqui ou pudesse comprar on-line, por aquele mangá, faria isso. Não sei se todos no Brasil podem e não compram, ou são como eu, que tem dificuldades monetárias e geográficas. Acredito que por aqui nos acostumamos a relacionar internet com liberdade total e gratuita. Mas acho que possa ser possível reverter isso. A ideia, eu não tenho, talvez um sistema de assinaturas, com acesso a conteúdos restritos, não sei, mas a cada dia parece que esse vai ser o caminho.
Uma pergunta: a iniciativa dessas editoras é só para os EUA?
Alexandre: Aparentemente a das 37 editoras japonesas vai se dirigir aos Estados Unidos. A de Akamatsu vai ser livre para todo mundo, mas tudo virá em japonês...
Mas não acredito que vingue um sistema assim não, até porque moralmente a pirataria é tratada positivamente aqui no Brasil. Sinceramente não vejo como convencer um adolescente a pagar por algo que pode ver de graça, sendo que o "grátis" é propagandeado como "contra o sistema" e "de fã para fã".
Se fosse lá fora eu teria 100% de certeza. Claro, ainda é algo novo... precisa ser digerido. E um país como o Japão, ultraconsumista, não teria problemas mesmo que todos os scanlators fossem gratuítos. No caso de lá fã SEMPRE compra. E adora tirar fotinhos das suas coleções e exibir para a galera no facebook.
Aqui no Brasil... convenhamos!
Temos uma cultura do "jeitinho" ouriunda dos velhos mandos e desmandos que a nossa política sempre fez contra nós. Contornar a lei não é visto como imoral, mas como esperteza aqui no patrópis. Uma cultura do "do it yourself", onde ninguém vê problema em alguém ir na vitirne de uma loja da Herrera, ver um modelo de vestido e depois pedir para a costureira fazer igual - a pessoa vai "ar-ra-sar" de um jeito ou de outro na festa.
Isso porque a nossa classe-média, em compração com outros países, ainda é MUITO pobre. E num lugar onde leitura e cultura nunca foram muito incentivados, a grande maioria ainda acha um absurdo pagar vinte reais num livro... que dirá num encadernado de quadrinhos (que, alias, são BEM mais caros que isso).
Consumismo no Brasil é dirigido para outras áreas, como comida e roupas. Apenas um nicho muito pequeno (como Designers que compram livros só "pela capa") faz de tudo para ter um pedaço de cultura na forma de banda desenhada do seu autor favorito.
Scanlator oficiais só surgirão no Brasil se partirem dos autores nacionais. E não sei se eles iam conseguir viver só disso... acho que precisaríamos perguntar para o André Dahmer, Carlos Ruas e outros autores on-line como andam suas contas bancárias em relação aos acessos que eles recebem em seu site para fazer um julgamento.
...em tempo, só para ilustrar, há mais de um ano eu tenho um site de tirinhas que, até agora, não me rendeu um centavo!
Quando comecei a estagiar e tive oportunidade de bancar meus mangás, inicialmente alguns de meus amigos chegavam a caçoar de mim, nada ofensivo e tal, mas as brincadeirinhas persistiram por um tempo.
O mesmo pode ser visto no caso dos games em território nacional, mesmo se a iniciativa do projeto "Jogo Justo" der certo e games de console passarem a ser vendidos por um preço acessivel, digamos 70 a 90 reais, não tenho duvidas que um grande contingente continuará consumindo produtos pirateados... "porque pagar 70 reais em um jogo se posso comprar 7 por esse mesmo valor"
Essa mentalidade de sempre levar vantagem, desse jeito "malandro" é algo enraizado na cultura brasileira. Não há consciência de que isso é prejudicial tanto aos produtores quanto aos consumidores.
Excluindo o fato de que brasileiro ainda é desconfiado em transações online.
Não acredito que uma investida em quadrinhos onlines possa ser bem-sucedida no Brasil, não enquanto o mercado não estiver disposto a mudar.
Quanto ao Mach SOS, esse eu nunca li. Mas tudo que eu posso dizer é que o Gosaku Ota é um artista terrível... Ao lado do Yuichi Hasegawa, ele é um daqueles casos raros, onde um autor sem muita capacidade de expressão consegue produzir entretenimento de qualidade. A sua versão da trilogia Mazinger (que engloba Mazinger Z, Great Mazinger e Ufo Robot Grendizer) é muito superior, em termos de roteiro, do que a do Go Nagai. O Ota também foi autor do mangá oficial de Pirata do Espaço/Groizer X, e algumas fontes o apontam como o verdadeiro criador do conceito.
Alexandre: Faz sentido – Pirata do Espaço era uma história de aviação disfarçada de robô gigante.
Dos meus amigos que gostam de animes, somente um deles lê mangas...
Um deles, sempre que argumento que em geral o manga é melhor que a versão animada (minha opinião, mas que muitas vezes é verdade, excluindo o fato de que muitas séries animadas abrangem apenas um trecho da historia do manga), me diz que até concorda, mas não vai ir atrás "porque tem de ler..."
E se as editoras não tem peito pra se comunicarem com seus clientes, quem dirá pra idealizar um projeto digital.
Muita gente culpa os brasileiros por "querer ser esperto em tudo". Ai vc compara o que se paga aqui com o que se paga lá fora e vê que somos todos trouxas pagando muito pra ter pouco, trabalhando muito pra ganhar pouco e por ai vai. Natural querer recuperar isso de alguma forma.
Basta citar o que pagamos de internet pelo serviço porco e lerdo que temos. Alem disso ter que pagar por scans? Óbvio que muita gente vai preferir obter de graça, o que na verdade nem é tão de graça assim.
Nada de sina, o próprio Eiichiro Oda já declarou várias vezes em entrevistas que não foi investir em outra série longa quando terminar One Piece, e sim seguir o caminho do Toriyama: um one-shot aqui, outra historinha curta ali...e descansar.
Eu compro tudo que leio online, até mangás medianos, só não compro se for algo realmente repulsivo (tipo Trinity Blood, li um volume baixado para nunca mais). Não ando com saco pra Gantz, mas mesmo assim compro assim que o volume é lançado. Eu gosto de ostentar que compro tudo que leio também, já me chamaram de idiota pra pagar pra reler, mas eu gosto de ter o material em mãos e saber que o mangaká que eu comprei o mangá pode pelo menos pagar um lamen com a série que eu colecionei. O cara me entreteu eu dou o dinheiro, acho que é por aí.
Alexandre: Um bom ponto. Mas o fato é que só o fato de haver quem te chame de idiota por isso já fala muito sobre o que acontece.
Sobre descontos em eventos, bem, não é bem assim, nem sempre mangás vendidos em eventos são encalhes, os descontos não são mais aquela coisa absurda da Conrad, as maiores editoras (Panini, JBC e Newpop) não vendem nada com mais de 50%¨de desconto em eventos (só um ou outro encalhe brabo de desovar mesmo). Comprar em um evento pra pegar um desconto de 30%~50% não é nada que vá levar a editora a falência, até pq elas já enxergam os eventos como mais um ponto de venda, os descontos nos eventos atualmente são a taxa da distribuição e do jornaleiro (um mangá custa entre 1 e 2R$ pra uma editora no máximo). Eu vejo a questão do encalhe de Fullmetal como algo lógico, os preços de dvds oficiais são absurdos, eu jamais pagaria 30R$ por 3 episódios. Sobre Love Junkies vender mais... o mangá estava barato (dava pra comprar uma playboy e com o troco da nota de vinte dava pra levar a revistinha de sacanagem, veja a estratégia) e atingiu o público de punheteiros, transcendeu o mangá e encontrou um novo público, os onanistas, o mangá foi o mais vendido da JBC só por este motivo.
E sim, eu amo acompanhar os mangás semanalmente/mensalmente, acho muito legal pode ler o mangá a medida que os capítulos são soltos.
Alexandre: Parece ser um dos maiores apelos dos scans para seu público, e isso é algo que acho que deveria ser melhor percebido pelas editoras.
Ah, sobre as editoras fazerem melhor... A qualidade de tradução e adaptação de mangás como Hunter x Hunter e Tsubasa/xxxHOLiC pirata é bem superior ao produto vendido pela JBC que é totalmente desleixado. Por exemplo, em HxH o Killua tem um irmão mais velho, o Illumi, ele é um boshonen andrógino e deixou de aparecer por uns 15 volumes, o tradutor mudou e com isso quando ele reapareceu se transformou em mulher e o nome virou Irumi, um dos piores e mais escrotos erros de continuação/adaptação que eu já vi. Sem falar no personagem Neferpitou que por ter pernas musculosas que parecem um quadril foi transformado em mulher. Eu compro o mangá mesmo assim por ser fã e querer poder ler o mangá em qualquer lugar que quiser independente de uma máquina que pode pifar a qualquer momento.
Alexandre: Nisso concordo: foi um furo feio. Quando troca um tradutor, é importante esse acompanhamento editorial. Mas nessas horas é o leitor que tem que reclamar e exigir não apenas uma errata, mas que isso seja corrigido a partir das edições posteriores.
Olha, eu acho MUITO dificil...como já disseram, tem muita gente querendo dar uma de esperta e outros que até dizem ter argumentos de verdade para se ler de graça.
Tenho até um amigo que lê vários mangás online que saem no Brasil. Ele diz que não tem paciencia pra esperar e até reclama quando digo que tal mangá ainda está em tal parte da série e que deveria estar colado com a japonesa(Sim, já espliquei que para as editoras e para os consumidores não é bom mas acha que ele escuta? ¬¬
E ele ainda fala algo de o que faz um mangá sobreviver é sua popularidade, o que não é verdade e como você disse: "Ter mais fãs NÃO É mais importante do que ter mais leitores, do ponto de vista de uma editora."
Enfim, citei ele porque sei que muitos que leem de graça pensam assim, que manga-ka não tem vida, não se esforça para fazer sua história, que não faz mal pessoas lerem totalmente de graça em vez de comprar, afinal, dinheiro para se sustentar é o que menos importa já que vive só da popularidade né?
Enquanto não acabar essa mentalidade, pode ter certeza que a pirataria vá prevalecer.
E sobre a pirataria ser vista positivamente, vamos ser francos: Você prefere pagar por um DVD de Avatar original por 99 reais (vi hoje nas lojas americanas) ou pagar no maximo 10 reais em camelôs?
Sinto muito mas boa parte da população brasileira não tem condições de pagar tanto assim. Mas no caso dos mangás, se for como o Humberto falou, uns 10 centavos por capítulo, considerando que um mangá tem por volta de 5 a 10 capítulos, ninguem vai pagar por mais de 1 real para ser ler 1 volume.
Fora que também já tive esse problema, não com mangás, mas com outros objetos de consumo, em que comprar direitinho é visto como 'manezice', 'coisa de playboy', mesmo qdo vc juntou a droga do seu salario inteiro por seis meses pra adquirir aquilo. É algo inerente ao brasileiro, parece.
Duvido que daria certo essa iniciativa por aqui, com os leitores atuais que temos. Talvez seja preciso primeiro 'arrumar' o mercado impresso, que é um bebezinho de 10 anos, antes de pensar em coisas mais ousadas.
Bem, sobre o assunto, na FestComix desse ano, eu fui visitar a Sandra Monte, que lançava seu livro lá, e a gente conversou um bocado sobre o assunto, e um carinha do pessoal que fazia o som do evento era exatamente um cara dessa posição.
Ele tinha todo o discurso do "país pobre", "preços abusivos", etc etc. Inclusive, falando sobre música ambiente (pela qual se PAGA direitos autorais), ele me falou que música japonesa não tem direitos no Brasil, o que não é o correto. Os direitos autorais são internacionais e o Brasil participa dos países que defendem eles.
Quanto aos preços abusivos, acho estranho, por que um game no Japão custa 7000 ienes em média, 140 reais. Querem baixar pra 70. Os gringos e japas iriam comprar tudo daqui! Iria mexer com o mercado internacional.
As pessoas ignoram, mas lá fora, mesmo nos países ricos, existem pobres, existem pessoas sem dinheiro. O piso salarial é alto no Japão, mas o preço do aluguel e da COMIDA são caros também. Muitos garotos não compram mangás frequentemente, muito menos games. A média da mesada de um garoto no colegial é 5000 ienes, 100 reais (isso é ANTES da Crise, agora, não sei), que inclui o almoço, já que muitos estudam até de tarde. Guardar pra comprar game é uma aventura a parte.
Quem compra mesmo lá é quem já ganha seu próprio dinheiro. Colegiais que fazem trabalho de meio período e os adultos. Mas um jovem adulto que mora sozinho, por exemplo, sem luxos, também não consegue comprar tudo o que quer. Ainda mais se morar em Toquio ou qualquer metrópole.
Lá, se gasta mais ou menos 2000 reais todo ano, mesmo no ensino público, para uniforme e materiais. Faculdade, é mais caro ainda. Imaginem.
O problema é que em geral, quem mais defende esse "direito" à pirataria é exatamente o burguês, classe média, que não passa fome e nem tem problemas com contas, que são pagas pelos pais. É o comunista oportunista, que só veste vermelho quando quer direitos, mas não pra dividir o que tem ou pra fazer o bem a alguém. Aliás, tem muito disso no Brasil.
Mas mirar pro público brasileiro é estar pronto pra um público acomodado e resmungão, que quer o melhor, rápido, em mãos, por um preço baixo ou de graça, e sem esforço. E se possível, com brinde.
Infelizmente, nossa cultura é a da corrupção. Queremos sempre corromper alguém a fazer o errado e achamos isso o normal. Pagar pra polícia liberar. Pedir favor pra político. Se fazer de João sem Braço.
Mas se dá certo, eu acho que dá. Mas tem que ter visão, acertar o público, uma tarefa árdua. Mas não impossível, TdMJovem dá certo hoje e ComboRangers já teve seu tempo na Internet, numa época em que a net era bem mais limitada. É acertar a fórmula e ter jogo de cintura pra se manter de pé.
Só por essa frase, a matéria já valeu e mudou definitivamente minha visão de como a banda toca no “merdado” daqui.
Se com “futuro” você quer dizer Lucro, pensando melhor, acho que não... mas como forma de divulgação do autor e seu trabalho que futuramente seria impresso, acho que sim...
Mesmo com o sistema de assinatura, se conheço bem, as pessoas iriam compartilhar também o login. Mas eu pagaria por uma assinatura mensal de um “banco de mangás”, que conteria matérias, artigos e até entrevistas exclusivas com os autores... mas teria que ser algo de primeira, coisas que as empresas brasileiras não estão acostumadas a fazer.
O mercado de mangá não será como o da música, apesar de sofrerem do mesmo mau, como muitos outros segmentos, hoje, os músicos mais ousados, distribuem gratuitamente suas músicas na internet, o lucro eles tiram dos shows e turnês que realizam, agora me diz, que tipo de SHOW um mangaká pode fazer pra ter lucro?
Também, acredito que não é do interesse de NENHUMA editora vender quadrinhos on-line, algumas só estão migrando para a internet porque estão se sentindo pressionadas com o atual cenário. Penso no livro digital e seu preço, o impresso custa 40, o digital 35?? onde está a boa vontade das editoras, será que elas pegaram o “espírito do digital”, isso me faz pensar que elas vêem seu produto digital como concorrente do seu impresso, – Bem, se começarmos a vender muito o formato digital, deixaremos que lucrar com o impresso, então vamos tratar os dois como igual ou como o mínimo de diferença!...
Então, mesmo se o mangá se torna digital aqui no Brasil, nossas queridas editoras não iriam maneirar no preço... e se isso não acontecer, não tem sentido a sua digitalização.
Então é assim que funciona a capitalização desses sites "gratuitos"? Ou só a simples visualização dos banners e pop-ups já conta (como um intervalo comercial sem fim)?
Alexandre: Depende muito de cada caso. Tem gente que paga para que o banner fique por determinado tempo.
http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo/2010/07/22/a_morte_da_one_manga/#c618739
A viabilidade desse novo mercado no Brasil depende do combate à pirataria, já que o brasileiro só quer saber de levar de graça e só vai comprar se não tiver alternativa. Também pode ser pela criação de mercados tipicamente brasileiros como o de cosplay, isso sim algo com que o fã brasileiro gosta de gastar dinheiro.
No mercado clássico, a lucratividade está na venda da versão impressa e os licenciamentos são só um graninha extra. Então não teme a pirataria porque é difícil piratear mangá impresso. Mas com mangá digital a coisa muda de figura.
Já no Brasil, nem presciso falar.
Se eu tivesse comprado todos os mangás que li, iria ter me arrependido muito de ter gasto dinheiro com alguns deles, com uma edição que fosse. Alguns mangás me dão desgosto só de lembrar. Cito que conheci Morango 100% e Elfen Lied pela internet, se gastasse dinheiro com algum edição deles só para ver se era bom, iria pedir pro jornaleiro devolver meu dinheiro, kkk (tudo bem, pode agradar muita gente, mas eu já passei desa fase...). Scans pela internet deviam valer como um "test-drive". Há um tempo atrás, o site da Conrad disponibilizava prévias de mangás, eu me lembro de ter lido 1 capítulo de Angry lá. Se existisse essa possibilidade ainda, eu não ia ter perdido quase 20 reais com um mangá brochante como Afro Samurai.
Outra coisa que você pode constar nos scanlators (eu os conheço muito bem) é que eles traduzem sucessos entre o público infanto-juvenil, na maioria ecchis, e quando não são ecchis, são os típicos mangás de luta (ex: Mirai Nikki, One Piece, Naruto, Hitman Keborn, Gantz, Belzeebub, etc), mangás adultos não são muito explorados exatamente porque o público alvo dos scanlators são jovens. Eu sei que você adora o Kenji Tsuruta, eu já li alguns mangás dele pela net (em inglês. Mas não li completo porque tenho esperanças que um dia poderei lê-lo em papel, o que é MUITO melhor. Faço o mesmo com Ghost in the Shell, Hokuto no Ken, Hiroki Endo e Yukinobu Hoshino), e sei que seus contos não são cheios de ação, mulheres peladas, sangue, mas sim cheios de algo que eu nem sei como explicar. E os leitores de shounens (pra parar de ficar falando leitores infanto-juvenis) gostam mesmo é de lutas e mulheres semi-nuas, mesmo que a história seja fraca, muito fraca, como Sekirei. Não aguentei ler um capítulo de Sekirei, me livre disso.
Onde eu quero chegar é que, quanto mais mainstream for o mangá, mais ele será procurado e, se ele existe no Brasil por editoras, poderá ser comprado. Mas scanlators gostam de se aproveitar da fama de mangás do Japão para ganhar acessos em seu site, pois sabem que um mangás lançado nesse ano por lá, só poderá ser lançado aqui há, talvez, dois ou três anos. E contra isso, as editoras não podem fazer muita coisa...
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