Submarino.com.br

Artigos

Do Crescimento do Mangá Global


Outros Artigos e Reviews de Interesse



Perguntando aos Leitores


Entrevistas


Comentarios Recentes


Posts Recentes




Busca

Nov 15

Reflexões Pós-Rio Comicon

Compartilhe: Delicious Digg technorati Stumble Upon Twitter Creative Commons License

Lancaster | PERMALINK | 25

Categorias: Artigos e Reviews

Rio Comicon

Em primeiro lugar, este é um blog focado preferencialmente em mangá e anime, nessa ordem. Por isso mesmo não havia muito o que falar sobre o Rio Comicon. Ele optou por ser um evento de perfil mais cult, mais voltado ao "quadrinho séééério", e por isso mesmo seu alcance ficou bem mais restrito do que poderia ser. Mas apesar da grade apresentar lá pelas tantas um desfile de cosplay (que não fiz questão de assistir), eu fico feliz de ter estado em um evento de quadrinhos que se propôs a ser, e foi, um evento de quadrinhos de verdade – não uma turba com touca de bichinho na cabeça em meio a uma micareta ao som de um cantor japonês que emplacou uma abertura de algum desenho animado mal lembrado nos dias de hoje, enquanto a pirataria come solta em barraquinhas de camelôs que misteriosamente não recebem uma invasão da polícia federal em plena festa (que na certa seriam recebidos por nossa alegre juventude com um "porque não vão prender bandidos de verdade", enquanto eles estariam carregando em suas bolsas uma cópia pirata de Evangelion 1.1 porque sai mais barato do que na loja).
Mas vou ser sincero, por mais que eu quisesse ver as exposições (e só a do Milo Manara expunha originais, mas ela foi linda e valeu a pena; foi ao tentar bater fotos dela que descobri que a bateria do meu celular estava arriada, ¬¬), o meu maior chamariz foi a palestra do Paul Gravett. Já que não pude ir ao longo da semana, decidi não faltar no último dia de jeito nenhum e me despenquei sem falta para a Estação Leopoldina.

Rio de Janeiro

Acabei chegando com um pouco de atraso. Mas valeu: essencialmente, Gravett (autor de um dos melhores livros teóricos a respeito dos mangás que temos a nossa disposição: Mangá – Como o Japão Reinventou os Quadrinhos, publicado no Brasil pela editora Conrad) expôs justamente o potencial narrativo e visual dos mangás, comparando na tela imagens de vários materiais e apontando recurso visual a recurso visual em cada página exibida. Foi uma explanação bem didática, que pecava pelas limitações do tradutor: frequentemente ele omitia nomes e informações expostas pelo próprio Gravett, inclusive sobre materiais e autores já publicados no Brasil. Gravett, por exemplo, citou o Inspetor Munakata de Yukinobu Hoshino (publicado no Brasil com o seu El-Alamein e Outras Batalhas), descrito pelo teórico como um híbrido entre o Hercule Poirot de Agatha Christie e o Indiana Jones de George Lucas e Steven Spielberg, e o nome do autor foi omitido na tradução simultânea. Informações preciosas que fazem falta, inclusive como referência posterior a ser procurada por futuros desenhistas na plateia. Imagens do Hiroshima, a Cidade da Calmaria, de Fumiyo Kouno, também apareceram e faltou background na hora de traduzir – elementos jogados por Gravett acabaram sendo deixados de lado. Uma perda e algo a seriamente se levantar.

Yukinobu Hoshino

Foi bom olhar as várias exposições apresentadas no local enquanto digeria profundamente as palavras de Gravett e o que as imagens por ele exibidas me fizeram pensar.
Uma pergunta que foi solta na internet recentemente e que para mim se tornou bem relevante enquanto eu assistia a palestra foi: "Porque não surgiu um Alan Moore do Mangá Global?" Bom, a palestra de Gravett expõe a resposta à essa pergunta que nem foi levantada. O que muitos autores japoneses fizeram, para transformar o mangá no potentado que ele se tornou, foi testar os limites da estética, brincando narrativamente com as possibilidades que lhes foram oferecidas. Com isso, eles acabaram indo longe. Em possibilidades de traço, de narrativa, de recursos visuais. E aqui no Brasil? Se Masaya Tsunamoto, o autor de Giant Killing, surgisse com seu traço – e sem opções em nosso mercado restrito – fazendo teste para desenhar, digamos, um desses (escolha seu subproduto que se diz mangá e preencha a lacuna) _____ Teen, Manga: sixty years of Japanese comics, Paul Gravettseria descartado porque "seu traço não é mangá". E (escolha seu subproduto que se diz mangá e preencha a lacuna) _____Teen não é mangá nem por um decreto. Simplesmente muita gente não tem idéia por aqui do que faz de um mangá aquilo que ele é.
O pior é que há obras no Brasil que não são mangá – mas que tomam como base justamente as premissas de narração cinemática que são a alma e o sangue da estética mangá, mais do que olhos grandes (que devem ser vistos mais como parte dos recursos de imersão e projeção dos leitores nos personagens – um meio, mais do que um fim em si), e por isso mesmo são mais próximas deles do que muita coisa que sai no Brasil. Tirando exceções, muita gente prefere brincar de ser "mangaka japonês" e viver num mundinho de fã hardcore do que usar o potencial da linguagem que tem a disposição. E isso só depõe contra o próprio mangá aos olhos de quem os vê de fora; só o torna mais pobre no fim das contas.
Ver as artes de Allan Alex para o seu O Cabeleira, expostas (não como originais, infelizmente), evidenciam isso bem. Essa obra não é um mangá – foi pensada como um filme que acabou não sendo feito e foi transformado em um álbum de quadrinhos. Apesar de alguma presença daquele maldito ranço behaviorista de sempre se enxergar o banditismo no Brasil por algum tipo de viés social, de homem como fruto de seu meio – lembrem-se que ele foi pensado como cinema e, nesse sentido, o que me incomodou aqui é algo que pode ser encontrado em boa parte de nosso cinema nacional, infelizmente – é uma boa obra, bem escrita e bem narrada, que merece ser lida.

Cabeleira

O detalhe é que embora ele não se proponha nem possa ser nem remotamente confundido com um mangá – e eu não vou forçar a barra para sugerir isso – ele, ao partir de uma matriz eminentemente visual para contar sua história, acabou se aproximando mais dos mangás do que muita coisa com olhos grandes feita aqui no Brasil. E essa sensação se dá mais radicalmente naquele que talvez seja o melhor quadrinho publicado em nosso ano aqui no país – considerando inclusive muita coisa estrangeira no balaio – Bando de Dois, de Danilo Beyruth.
A história não tem ranços ideológicos. Essencialmente é uma história inspirada no tom dos faroestes italianos de gente como Sergio Leone, Sergio Corbucci, Tonino Valerii e companhia, narrando a busca por vingança de dois cangaceiros (ou melhor, apenas um, já que o outro tem motivos bem diferentes para participar dessa busca). E é uma aventura de primeira, com ótimas cenas de ação. Sem desmerecer o "Cabeleira", mas representa comparativamente uma evolução na abordagem do tema.

Bando de Dois, Lady Snowblood, Yuki

Durante a leitura de "Bando de Dois", eu me vi muitas vezes lembrando dos gekiga sessentistas e setentistas – em especial do Yuki, Vingança na Neve de Kazuo Koike e Kazuo Kamimura, e o Lenda de Kamui (na verdade o Kamui Gaiden publicado no ocidente, não o Lenda de Kamui original de Sampei Shirato). Fiz uma pequena comparação visual do senso narrativo de ambos na imagem acima.
Embora Yuki não tenha envelhecido de forma tão sólida como o clássico Lobo Solitário de Koike e Goseki Kojima, ele funciona como um representante melhor e mais acurado do que era a média dos quadrinhos adultos do final dos anos sessenta e começo dos setenta, em uma das épocas mais explosivas e criativas da história dos quadrinhos japoneses. E faz sentido: o mangá em muito trouxe a linguagem do cinema de seu tempo para os quadrinhos. O western spaghetti foi muito influenciado pela linguagem de cineastas japoneses como Akira Kurosawa e Yasujiro Ozu, influências assumidíssimas por Sergio Leone (Era uma Vez no Oeste), mas não precisamos nos fiar apenas nele para que encontremos esse exemplo – pensem também na linguagem visual de um Enzo Castellari para seu excepcional filme Keoma.

Imaginem isso como um storyboard, quadro a quadro, e vocês vão pegar o que estou dizendo. Pensem em quantas páginas isso poderia render se cada cena fosse transcrita como um quadro de mangá.
O que surge dessa constatação? Que Bando de Dois tomou para si princípios comuns e basilares para o entendimento do que são os mangás, e como resultado há nele a sensação visual de imersão que encontramos nos bons produtos japoneses (e coreanos, porque não? Eles tem tido mais tempo para dominar a linguagem). Tanto que isso dá margem a algumas confusões. Uma menina apareceu no twitter elogiando o "mangá Bando de Dois". Eu acabei repassando o twit porque isso bateu justamente com a percepção que eu tive do material. Beyruth não buscou o mangá, mas chegou mais perto do que muita gente que olha apenas os aspectos mais superficiais Bando de Doisda estética, como os olhos grandes – ou pior, a procedência. Tanto que eu quase criei para este blog uma seção "Brazilian Gekiga" neste blog, nos moldes da seção "American Gekiga" do Blog of the North Star, em que se compila materiais que mesmo não sendo mangás, poderiam cair nas graças de seus leitores tradicionais. Acabei mudando de ideia por uma série de razões (notadamente o meu esforço em manter este blog dentro de sua linha editorial, sem muitos desvios), mas a percepção vale: Bando de Dois é mais mangá em espírito narrativo do que muito material que pensa ser mangá.
Talvez esteja se olhando para o lado errado há muito tempo.
Mas voltando ao evento, temos que falar das compras. Há algo a criticar: não houve presença das editoras, salvo da Panini – mas que se limitou a uma banquinha pra captar assinaturas de seus títulos. Você quer uma assinatura da linha DC Comics? Eu não, obrigado, e do jeito que está a DC de hoje, eu só recomendaria aquilo a um inimigo mortal. E para os fins desse blog, há pouco o que se falar: o grande forte do estande da Livraria da Travessa foi justamente a batelada de álbuns franceses – com uma oferta de material grande o suficiente para levar um leitor de quadrinhos a falência em um dia. E das quatro compras que fiz, três são completamente off-topic aqui no Maximum Cosmo. Então fiquemos com a quarta, que também pareceu contribuir com o raciocínio que surgia: o álbum La Montaigne Magique de Jiro Taniguchi.
Originalmente publicado no Japão em 2003 (a edição da Casterman é de 2007) sob o nome de Mahou no Yama, essa é uma das edições mais bonitas que eu já vi qualquer mangá. Primeiro, eu queria esfregá-la na cara de qualquer purista, que acha que qualquer alteração de um mangá representa uma ofensa mortal (o que sempre me lembra das sábias palavras do editor americano Toren Smith, que ao contar para autores japoneses a defesa que certos fãs fazem da originalidade a qualquer custo, recebeu risadas de incredulidade – porque mesmo no Japão, eles são obrigados a tomar parte de diversos tipos de alteração exigidas por editores, inclusive da versão publicada em almanaques para as versões publicadas em encadernados). O próprio Taniguchi participou da feitura da edição, e são muito esclarecedores tanto o prefácio do autor quanto a entrevista de cinco páginas ao final do volume.
Em miúdos, a obra foi deliberadamente espelhada e colorizada, com um cuidadoso trabalho de edição visual. E isso não é demérito, não é sinal de "trabalho porco", como alguns infelizes gostam de perpetrar pela internet. O próprio autor parece expressar satisfação com o trabalho e confessa que gostaria de produzir uma "bande dessinée" nos moldes franco-belgas – o que Jiro Taniguchiacabaria efetivamente acontecendo, com a história Mon Année, roteirizada pelo prolífico roteirista Jean-David Morvan. A história remete em muitos aspectos ao Meu Amigo Totoro de Hayao Miyazaki, mas sob uma perspectiva mais adulta e meditativa: conta a história de Kenichi, um garoto de dez anos de idade que passa o verão com os avós no interior, ao lado de sua irmã caçula Sakiko – por conta da internação hospitalar da mãe de ambos. Para ela as coisas são novas, mas Kenichi ainda se lembra do seu finado pai, que morreu quando ele tinha seis anos. Ele se apega a uma salamandra em cativeiro, e decide levá-la de volta a seu habitat natural, ao lado de Sakiko; para isso ele terá que superar todos os seus medos e tristezas, em uma jornada de cunho sobrenatural, com muita influência do espírito panteísta do xintoísmo, que culmina com um acerto de contas com a dor da perda paterna. Um belo trabalho, que ganha muito – tanto com as plácidas e muito bem-escolhidas cores do volume, quanto com o formato álbum; ambas valorizam muito o traço do autor (e acabam colaborando visualmente com o espírito miyazakiano da história). Sim, essa é uma piscadela para as editoras voltadas às livrarias. Taniguchi não é autor de banca, afinal.
Quando eu mostrei isso a um amigo que encontrei ao acaso, ele insistiu: "é narrativa de europeu". Eu não havia chegado em casa e pesquisado sobre o material, ainda, para descobrir que ele havia sido previamente publicado no Japão; e isso me falou muito sobre como os limites sobre o que define cada narrativa ainda são truncados e confusos por aqui, e o quanto temos que aprender quanto a isso.

Jiro Taniguchi

Antes de sair, eu dei uma olhada na exposição que mostra a história da Argentina contada por seus quadrinhos. Ela estava escondida, montada ao redor do painel que montaram para a exposição de Milo Manara. Eu pessoalmente nunca consegui me empolgar com os quadrinhos argentinos que li e acho o finado Oesterheld um chato de galocha, podem me matar por isso. Mas é admirável como eles sabem dialogar com o seu próprio país e com sua história. Na verdade, a maior parte das grandes escolas de quadrinhos no mundo, o mangá incluso, sabe fazer isso muito bem, e cada um a sua maneira. Nós, não.
Há muito o que aprender, há muito o que ensinar. De todos os lados. E acho que mesmo tendo ido apenas no último dia, há muito o que se digerir do que o Rio Comicon nos ofereceu. Que venham os próximos. E do ponto de vista de quem aprecia o mangá, que eles estejam mais representados ainda nas próximas edições – não apenas com seus teóricos, como Gravett, mas também com seus criadores. Não poderemos esperá-los dos eventos de anime e mangá que temos, afinal de contas.
É bom ir a um evento de quadrinhos de verdade.


Posts similares:
Como o Japão Reinventou
os Quadrinhos

Cláudio Seto no 4º Festival de Quadrinhos da FNAC
Mangá Francês do ET de Varginha

Related Posts with Thumbnails

Comentários:

Nome: Hakeru-chan 15/11/10 08:29
"E do ponto de vista de quem aprecia o mangá, que eles estejam mais representados ainda nas próximas edições – não apenas com seus teóricos, como Gravett, mas também com seus criadores. Não poderemos esperá-los dos eventos de anime e mangá que temos, afinal de contas."

De todo o seu texto, essa parte foi a que mais me chamou atenção. Especialmente porque você está certo :P

E acho que isso responde uma pergunta que me fiz há algumas semanas. Sempre vejo notícias de mangakás (não necessarimente de obras mainstream) indo à eventos na Europa (Espanha, França) ou até nos EUA.

Agora aqui... realmente, com o estilo de evento que temos no Brasil, não me admira que nenhum mangaká dê as caras por aqui :P

Alexandre: Infelizmente é por aí mesmo. :\
Nome: Montserrat 15/11/10 08:32
Interessante seu comentário sobre a linha narrativa do Danilo. Tivemos a oportunidade de conversar um pouco sobre suas influências e ele me comentou que realmente leu alguns mangás, principalmente os títulos clássicos de terror que foram publicados por aqui (não me recordo o nome das obras, mas creio que você já escreveu artigos sobre esse assunto). Foi bem curioso perceber como ele recebe a influência desse material e o transpôs para sua obra. Com o espaço adequado funciona bem. ^____^

Alexandre: Provavelmente ele fala de Hideshi Hino e Junji Ito. Faz sentido, eles têm uma abordagem narrativa de mangá mais tradicional. :)
Nome: Montserrat 15/11/10 08:39
Sobre a questão dos eventos voltados para o mangá, por aqui. Infelizmente o processo de "fechamento de portas" tanto para os profissionais externos como para os desenhistas brasileiros que recebem influência do gênero é mais que evidente. Não são necessários muitos neurônios para se saber que eventos bem direcionados "oxigenam" o mercado e criam uma roda viva comercial que pode se auto sustentar muito bem. O problema é que para alguns organizadores o problema não são os neurônios; é a real vontade de alavancar o mercado e trabalhar de verdade um conceito bem maior do que apenas vender mais do mesmo.

Alexandre: Acho que as editoras poderiam perceber isso – elas seriam as maiores beneficiárias dessa percepção. Mas a ausência delas de um evento como o desta semana já fala muito sobre a postura generalizada nesse caso.
Nome: ana carolina 15/11/10 09:12
A palestra do Gravett realmente é algo que eu gostaria de ter visto!!! "Mangá não é olho grande, é narrativa" foi um dos pontos fundamentais do meu TCC...
E um evento desse naipe voltado ao mangá ainda é um sonho distante nesse Brasil... e é uma pena que essa abordagem de prestígio aos 'otakus loucos' acabe transbordando para o próprio mangá: tenho visto preconceito se formando com o estilo por conta de seus fãs (em meio acadêmico mesmo, de pesquisa de quadrinhos, isso é meio triste :/)
Mas tudo isso sobre o super elogiado Bando de Dois foi muito elucidador, vou atrás dessa HQ logo logo ;)

Alexandre: Na verdade o ideal é que aconteça como nos Estados Unidos: o grande público precisa entrar nos mangás para jogar o otaku para escanteio. Só assim as coisas entrarão nos eixos.
Nome: Gustavo 15/11/10 09:26
Belo post, as usual. ^^

Ah, ficou brilhante essa seqüência da queda do cangaceiro em BdD.

Alexandre: Com certeza. Acredito que Bando de Dois tem potencial para se tornar um divisor de águas do quadrinho Brasileiro no futuro.
Nome: Tabby 15/11/10 10:04
Adorei o texto (como sempre, né?)! Interessante poder saber do evento por alguém que curte mangá. Ultimamente pessoas a minha volta estão se dedicando a esculhambar o estilo por pura ignorância. Pena que elas não foram a palestra do Gravett.
Você descreveu os nossos eventos de mangá/anime de forma perfeita! Só esqueceu de comentar a música altíssima e o espaço mixa pra fanzines. E pensar que a Kayono vai num evento de mangá da Espanha. É triste.

Alexandre: Infelizmente é verdade. E vai continuar assim por inércia. :\
Nome: Jussara Gonzo 15/11/10 11:59
Observação impertinente e desnecessária: você escreveu este texto na correria, né?

Alexandre: Resposta Impertinente: Sim, ou essa matéria viraria embrulho pra peixe. :P

Observações pertinentes:

Que inveja! Ir num evento de quadrinhos DE VERDADE! Minas Gerais tem o FIQ, agora o Rio tem o Rio Comicon. E é curioso como em NENHUM destes dois eventos as grandes editoras apareceram para vender seus comiquizinhus e mangázinhus... por que será, né?

Muito interessante este Bando de Dois! Alias eu gosto de ver os cangaceiros como uma espécie de samurai/cowboy brasileiro! Mas infelizmente como o ensino no Brasil só manteve, do início do século vinte, os moldes tacanhos é comum QUALQUER pessoa ter até trauma quando tenta se transportar a cultura brasileira para o terreno do lazer: como os quadrinhos. Seja como for esta é uma HQ inclusa na minha próxima lista de compras.

Bem, dê um desconto ao fato que, bem ou mal, o Japão trabalhou, inconscientemente, para todo mundo pensar que mangá e anime era exatamente esta coisa rasa: olhos grandes e cabelos coloridos. Claro, hoje a França, a Itália, a Coréia e até os Estados Unidos entendem que mangá não é só isso... mas o Brasil, que nem dá para dizer que TEM mercado de quadrinhos (e eu não estou falando do mercado de quadrinhos nacional!), ainda vai levar muito tempo para aprender (isso se a ficha cair um dia).

Mas realmente acho que os quadrinhos vão precisar dar uma guinada geral em todo o mundo para se manterem vivos agora. Este pode ser o ponto de "singularidade" para o Brasil e a última chance de tentar fazer crescer um mercado de quadrinhos DE VERDADE nessa pocilga, e tentar acabar com o clima de Restartpunk que permeia os intelectos...

E só para finalizar: Fumetti, mangá, BD, comics... o que importa é o QUADRINHO ser bom! Não importa a nacionalidade!

Alexandre: Resposta Pertinente: Você sintetizou tudo na última frase. :)
Nome: Guilherme 16/11/10 01:00
Só vou terminar de ler amanhã (hoje) mas tô escrevendo só para dizer que eu ADOREI a ilustração do chão caindo no cangaceiro.

Alexandre: Eu também. :)
Nome: Cadu Simões 16/11/10 07:14
As editoras podem não ter ido a Rio Comicon, mas aos menos os quadrinistas estavam lá em peso (seja com estande ou não). Eu mesmo bati meu recorde de vendas das minhas HQs nesse evento. Consegui vender bem até minhas HQs antigas, que já estavam encalhadas e não vendiam mais tão bem aqui em Sampa.

Alexandre: Isso é bom. É um excelente sinal de receptividade quanto ao público do evento.

E muito boa a sua análise de Bando de Dois, e como ele se aproveita da narrativa do mangá, melhor até do que muitos mangá.

Alexandre: Na verdade eu pensava em termos de mangás fora do Japão. De modo geral a narrativa dos mangás é entronizada entre os autores japoneses, e utilizadas em diferentes níveis de grau. Fora do Japão, poucos param para pensar nessa estrutura narrativa e se atém aos aspectos mais superficiais da estética. Na verdade, eu acredito que a verdadeira natureza de uma escola de quadrinhos seja ditada por narrativa, não por traço. Se eu digo que o que há de mais próximo aos mangás no ocidente é o fumetti, o pessoal é capaz de dizer que eu sou maluco. XD

Como já te disse, eu particularmente não penso mais nos quadrinhos de forma seguimentada (ou seja, como comics, mangá, fumetti, banda desenhada, ou que seja). Penso em tudo isso como histórias em quadrinhos, pois é isso que todas são, não importa de que país veio. E com o sincretismo cada vez maior de linguagem particular entre elas, essas segmentações sobre o que é comics, ou que é mangá, ou o que seja, fará cada vez menos sentido.

Alexandre: Talvez, mas por ora, ela ainda conta e tem relevância comercial inclusive.
Nome: Alexandre Nagado 16/11/10 09:06
Boa reflexão. Realmente, os eventos e o público têm uma percepção distorcida. Ver gente fantasiada de personagem ficou mais importante do que ver quem (e saber como, por quê;) criou o personagem.

E caso os leitores aqui não tenham visto, indico uma postagem antiga que fiz em meu blog sobre esse tema:

"O que deveria importar num evento de mangá e animê":
http://nagado.blogspot.com/2010/09/o-que-deveria-importar-num-evento-de.html

Abraços!

Alexandre: De fato – o foco se perdeu no caso de eventos de anime e mangá. Virou carnaval.
Nome: R. Moss 16/11/10 09:48
A sala do Gravett estava cheia?
Pelo menos no FIQ aqui em BH as palestras mais legais ficavam vazias. Só quando tinha algum peso pesado da DC e algo envolvendo Batman é que lotava. =/

A tradução também é um problema por aqui.

O que percebo é que por mais que tentem deixar tudo organizado, tudo não passa de amadores esforçados.

Alexandre: A sala do Gravett estava bem ocupada. Mas a sala não era monstruosamente grande, e isso contou a favor.
Nome: Marcelo Santarem 16/11/10 11:24
Fui no sábado. Não pude deixar de comparar com as Bienais Internacionais de 91 e 93, tocadas pelo mesmo pessoal. A sensação, aliada ao aspecto decadente do espaço, não foi das melhores, por mais que as exposições (do Manara, principalmente) não tenham decepcionado.

Sabe que vendo a exposição argentina eu senti a mesma coisa? Esse é o barato dos quadrinhos deles: bem ou mal, DIALOGAM com seu público-alvo. Não foi só por percorrer as ruas e bairros de Buenos Aires que "O Eternauta" se tornou o sucesso que ainda hoje é. Não foi só pelo Horacio Altuna que "El Loco Chávez" era acompanhado dia a dia pelos leitores do Clarín. Claro que cultura e educação do leitor também contam pra isso. Não se publica pro deserto.
Aqui não há o deserto, mas continua-se insistindo nas fórmulas da cópia, da paródia, do... "autoral" e do "udigrudi" sempre. A ideia de uma "indústria" do quadrinho brasileiro pra um PÚBLICO brasileiro começou e terminou com Mauricio de Sousa.
Também compartilho da sua satisfação em ter visto um evento de quadrinhos de fato, não um mero pretexto pra modinhas e oba-oba. Mas, pelo perfil europeu do Rio Comicon, — por parte até dos próprios organizadores —, não boto fé que chamem um "invasor" do mangá algum dia. Pelas omissões na tradução da palestra do Gravett que você citou, não duvido que também haja uma ignorância contumaz no staff com relação ao tema e seus autores e obras, que nem um Gravett é capaz de sanar.

Alexandre: Esse é um problema fácil de resolver, eles tem simplesmente que procurar apoio nesse sentido. Não há quem não possa falar sobre o assunto, desde teóricos como a Sonia Bibe Luyten até artistas como a Erica Awano. Eu acho que eles deveriam abrir-se um pouco para o pop, sim; mas mesmo na ala mais cult há quem eles possam trazer do Japão em termos de autores, sem demérito.
Nome: humberto 16/11/10 11:50
cara por isso que o maximum cosmo é o melhor blog de mangas do Brasil. Concordo com tudo que voce disse. Na minha opinião, alem da narrativa o mangá se tornou o que é no Japão por dialogar com o povo. Muita coisa que vejo no Brasil em termos de arte, tanto quadrinhos, quanto cinema, musica e outros, parecem ter sido feitas para que os criticos avaliem bem e para que fiquem presas no circulo de pessoas cultas e entendidas.

Por isso que compartilho totalmente de sua opinião a respeito dos mangas de beisebol (mas ao contrario de voce acho um esporte bem simpatico hahaha). Uma vez tava vendo uma comunidade do orkut de desenhistas e me deparei com uma idéia absurda, mas que pensando depois me parecia uma coisa mais apropriada: um garoto novo (acho que tinha uns 13 anos) estava escrevendo um mangá sobre pipas!!!

E mesmo não sabendo como este tema poderia ser tratado, achei uma idéia genial.

Enquanto os quadrinistas ( sem o minimo de bagagem cultural, diga-se de passagem) que achavam que estavam fazendo mangá de verdade porque seus personagens tinham nomes japoneses, viviam no japão, tinham olhos grandes, um garoto queria fazer um quadrinho sobre uma coisa que ele vivenciava diariamente.

Garanto que os garotos do Brasil nessa idade estariam mil vezes mais interessados num quadrinho sobre pipa, do que num quadrinho que fala de um pais que eles nem ao menos conhecem.

è a mesma coisa o futebol. Um esporte mais popular do mundo e extremamente negligenciado pelos quadrinistas no proprio país do futebol.

Quanto ao quadrinho do Danilo Beyruth, voce só me deixou com mais vontade de comprar. E realmente, é mais mangá que muitos mangas nacionais.

Quanto ao evento, parece ter sido ótimo. Agora é ironico um cara como o gravett, que escreveu um livro incrivel sobre mangá, ter dado palestra num evento como esse , ao invés de um evento gigante como o anime friends. Por isso que nunca vou no AF, fui uma só vez para nunca mais voltar

Alexandre: Não acho "incrível" que o Gravett tenha dado palestra em um evento como este porque o assunto lá era quadrinhos, e mangá é quadrinho. Os eventos de anime e mangá do brasil não são eventos de quadrinhos, simples assim.
Nome: Fábio Hideki Harano 16/11/10 04:41
Olá, Lancaster.

Muito bom esse texto.

Começo dizendo os pontos dos quais discordo.

Você sabe minha opinião quanto à pirataria, completamente favorável. A questão é técnica e material, em uma crise do modelo de consumo pautado pela aquisição de bens privados. A sociedade da informação e as tentativas desesperadas de privatização da propriedade intelectual evidenciam a situação crítica vivida atualmente.

Não sou behaviorista, mas concordo bastante com "enxergar o banditismo no Brasil por algum tipo de viés social". Há um grande esforço para se tratar questão social como caso de polícia, de maneira elitistamente conveniente. Assim, acho até certo ponto bem válida a ideia de "revolução do 157". Mais do que válida, compreensível. E muito.

Sou contra o espelhamento de quadrinhos, ainda que "com um cuidadoso trabalho de edição visual". Acho bem melhor manter o sentido original de leitura; pois assim destros não viram canhotos, cicatrizes do lado esquerdo do rosto não vão para o direito, volantes de carro não mudam de lugar, e afins. Para mim manga de artes marciais são o maior exemplo de como isso pode fazer muita, mas muita diferença.

Saindo desses três pontos, concordo bastante com o texto. Fui bastante contemplado pelos comentários anteriores, então não vou chover no molhado.

Até outra vez.
Nome: Leandro 16/11/10 05:35
Excelente texto, depois desse virei seu fã de vez!

Você precisa acessar uma comunidade no orkut chamada Mangaká Brasil pra dá umas risadas.
Nome: Marcelo Santarem 16/11/10 07:50
“Os eventos de anime e mangá do Brasil não são eventos de quadrinhos, simples assim.”

Na verdade, os eventos de anime e mangá do Brasil são o retrato do mercado de anime e mangá no Brasil.
Nome: Ana 16/11/10 08:22
Não acho que eles vão abrir mais que 10%?! de espaço para o mangá, eles devem estar evitando o maximo esse tipo de comsumidor.. O publico do RioCom é mais jovem-adulto, cult, reflexivo, racional... apesar de eu não concordar com 90% do que acontece nos eventos de mangá... é preciso pensar quem é/ e o que quer/ a maioria do publico que o mangá atinge no Brasil, que é na sua maioria(acho) adolescentes cheios de hormonios que só querem o que a maioria dos adolescentes do mundo inteiro querem, curtir. E acho, que sem eles, sem os programas dominicais direcionados a eles, o mangá nem teria aparecido por aqui... Artigo muito bom o seu ^-^ Parabens!!
Nome: Pedro H. 16/11/10 10:15
Sabe qual o maior problema nestas palestras? As perguntas. Quem já assistiu o programa Inside The Actor's Studio, sabe do que eu estou falando. Eles levam pessoas do calibre de um Scorsese e Coppola, e o que os "futuros atores" perguntam: que música vocês escutam no Ipod? É de broxar qualquer um...

Pessoas que eu adoraria assistir palestras: Érica Awano, Eduardo Riso e Yoshiyuki Tomino. A primeira desenhou várias "mangas" nacionais, e se tornou uma puta desenhista; o segundo idem, além de parecer ser gente finíssima e muito inteligente (entre no site do Universohq que tem uma entrevista com ele); e o terceiro é apenas umas das pessoas vivas que mais entende de animação NO MUNDO. Sem contar que ele já veio pro Brasil, então impossível não é.

Valeu.
Nome: Warty 17/11/10 01:11
Não sou behaviorista, mas concordo bastante com "enxergar o banditismo no Brasil por algum tipo de viés social". Há um grande esforço para se tratar questão social como caso de polícia, de maneira elitistamente conveniente. Assim, acho até certo ponto bem válida a ideia de "revolução do 157". Mais do que válida, compreensível. E muito.
[2]


Em suma, concordo com boa parte das coisas.
Nome: Kadu/Kuroi 17/11/10 07:03
Boa matéria, eu não fui ao Comicon, mais por não saber da palestra do Paul Gravett, se soubesse teria ido certamente.

Sobre Bando de Dois, ainda não li, mas pelas imagens que você postou me lembrou muito o traço da Natsume Ono (Ristorante Paradiso, House of five leaves), aliás, pq q ainda não lançaram nada dela aqui?

E se ter olhos grandes fosse sinônimo de ser mangá... Por pior que alguns produtos teens possam ser a Turma da Mônica Jovem em algumas sagas do Marcelo Cassaro conseguiu ser melhor do que muito mangá em banca (Como o Maurício liberou Monstros do ID pro público débil dele? E Brilho de um Pulsar é de uma beleza ímpar, roteiro fechadinho, emocionante... ápice da TMJ).

P.s. Tenho ojeriza de supers, mas Vertigo eu amo. A DC existe no meu conceito só por causa da Vertigo (e mesmo assim nem todos os títulos).

Alexandre: o único título da DC que me interessa, Jonah Hex, sai na DC normal, longe da Vertigo. E quando esteve na Vertigo, só pisaram na bola com ele.
Nome: Jáder, O Pitoresco 19/11/10 01:09
Enquanto isso, o SANA Fest, maior evento de anime realizado em janeiro no Ceará, até agora só confirmou a presença internacional de Yumi Matsuzawa, cantora ¬¬
Nome: Pato_Supersonico 19/11/10 05:47
Parabéns pele ótima matéria. Dá muito o que pensar.

Alexandre: Valeu, Pato. E você andou sumido, cara. :)
Nome: Felipe Xavier 09/12/10 12:13
Matéria muito esclarecedora! Parabéns, Lancaster!

Realmente, a narrativa do mangá tem sido bem pouco percebida, estando completamente ausente de (escolha seu subproduto que se diz mangá e preencha a lacuna) _____Teen.

A frente otaku, entretanto, mais que uma tendência, parece ter os contornos de uma instituição: é só arranjar algumas destas revistas de "como desenhar mangá" para nos depararmos com idéias como "para desenhar mangá é preciso ter contato profundo com a cultura japonesa", ou "o ideal é escolher um mangaká como ídolo e imitá-lo em tudo...". Tipo, parece haver mesmo um sistema que cria essa cultura otaku.
Acho que, para reverter isso, vamos ter que fazer um movimento de artistas de quebra de paradigmas, tipo o Gekiga dos anos 60. Algo com muita força. Só assim para vencer essa estagnação bairrista.
Nome: Ricky Goodwin 09/12/10 09:58
Que artigo excelente - e profundo - Alexandre!

Gostei muito da análise comparativa entre quadrinhos brasileiros "não-mangá" e a linguagem narrativa do mangá.

Seu blog realmente esta bem á frente do que se le/ve a respeito habitualmente no Brasil.

Queria observar que a ausencia dos mangás não foi algo intencional por parte da organização do Rio Comicon.
Lembro que no último FIQ - organizado pelo mesmo Roberto Ribeiro - o Japão foi o país homenageado.

Convidamos dois artistas do universo mangá - indicados inclusive por nosso consultor, Paul Gravett, presente ao evento - mas infelizmente não puderam vir. Uma artista inclusive cancelou um tanto em cima da hora, e não deu para a substituirmos (os grandes artistas precisam ser convidados com antecedencia.)

O local da Estação Leopoldina é muito charmoso mas acabou sendo pequeno para o evento, não havendo espaço para uma exposiçao de mangá, como também pretendiamos.

No próximo evento espero que possamos suprir essas lacunas. Afinal, as obras de mangá estão entre as mais excitantes sendo produzidas na HQ atual!

Alexandre: Obrigado pelos elogios, Goodwin. Seja sempre bem-vindo por aqui.

O pior que eu senti que os trens poderiam ser melhor utilizados – seriam ótimas galerias para mini-exposições na minha opinião, mas eles precisariam ser reformados para isso, e essa reforma precisaria vir do estado... :\

Lamento pelo artista que não foi – acho que isso faz falta. Mas vamos esperar a próxima Rio Comicon.
:)
Nome: Danilo Beyruth 04/04/11 01:14
Lancaster, só li agora este post! Muito obrigado pelo comentário sobre o Bando de Dois! Duas das minhas HQs favoritas são mangás: o Lobo Solitário e Bakune Young. Mas a influência é indireta, misturada a muita coisa. Aliás, tenho a impressão que o próprio cinema de faroeste italiano é fortemente influenciado pelo cinema japonês de samurai, muito mais do que se poderia imaginar. Valeu!

Alexandre: Olá, Danilo, devido a um problema do sistema só agora estou lendo seu comentário! :)
Mas o que você fala é verdade. Leone mesmo estava influenciado por Kurosawa e Ozu. Não podemos esquecer que seu primeiro faroeste, "Por um Punhado de Dólares", é uma refilmagem de Yojimbo, de Kurosawa. E em Era uma Vez no Oeste, ele estava pesadamente influenciado pelos dois citados; o duelo final entre Harmônica e o Vilão era inspirado no senso ritual dos filmes de samurai de acordo com as próprias declarações do autor. :)

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Set cookies for name, email and url)
(Allow users to contact you through a message form (your email will NOT be displayed.))

Post anterior: A Era dos Scanlations OFICIAIS?Próximo post: Saiu Trailer do Filme de Ashita no Joe...