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Nov 09
Tiragens Japonesas de Julho a Setembro de 2010
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Lancaster |
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Categorias: tiragens

Finalmente saíram, de acordo com o JMPA (a associação japonesa de periódicos), as tiragens correspondentes ao mês de Julho a Setembro de 2010 dos almanaques nipônicos de quadrinhos. É parcial – bem parcial, aliás – mas boa parte dos títulos só revelam seus números no final do ano editorial. E algumas coisas se tornaram patentes.
A primeira delas foi a queda da velocidade do decréscimo de vendas do almanaque semanal para garotos Shonen Sunday, da Shogakukan. Agora ele parece ter se estabilizado ainda em queda, mas em um ritmo mais de acordo com o padrão do mercado. Claro, admitamos: eles ainda tem sucessos como Kekkaishi e Kami nomi zo Shiru Sekai para segurar sua peteca. Eles ainda não
podem respirar, fato, e dificilmente vão recuperar tão cedo o terceiro lugar no mercado, perdido para a Shonen Magazine Mensal, mas pelo menos ainda não foram ultrapassados (ou melhor, não se deixaram ultrapassar) pela estável Shonen Champion da Akita Shoten, que não está na lista mas dificilmente deve ter caído de suas eternas 500.000 unidades por semana – oficialmente.
O segundo item a se observar é justamente a estabilidade de revistas menores e derivadas de grandes almanaques, como a Magazine Special da Kodansha e a Sunday Super da Shogakukan; elas parecem desempenhar um papel similar na órbita dos grandes almanaques para garotos de suas respectivas editoras – leia-se a Shonen Magazine e a citada Shonen Sunday.
O terceiro item é o que mais surpreende nessa lista: após mostrarem uma invejável estabilidade em um cenário aonde a concorrência tendia a afundar – o dos quadrinhos infantis, que custou a cabeça nos últimos anos tanto de almanaques como a Comic Bonbon da Kodansha e a Comic Bunbun da Poplar, mas parecia ter poupado os bastiões do segmento... bem, agora é a vez dos grandes almanaques para crianças começarem a sofrer. A eterna toda-poderosa Corocoro da Shogakukan (inexplicavelmente listada entre os materiais para adolescentes, mas ela é uma revista infantil) perdeu 40.000 leitores de uma tacada só em um trimestre. Ela ainda está na faixa dos 900.000 exemplares, números fabulosos para qualquer mercado, mas em um cenário de encolhimento geral, é importante que ela acenda o sinal vermelho e faça alguma coisa – antes que a próxima queda cause um abalo maior
em seu status. Assim como a Shonen Jump, o nome da Corocoro também é um ativo de marca, afinal.
Mas foi sua rival direta que mais sofreu: de sólidos 426.667 exemplares em circulação, a revista V-Jump da Shueisha caiu para a faixa dos 350.000 exemplares. São 76.667 leitores potenciais que se foram no processo, o que é devastador. Pode ter a ver com o somatório da baixa natalidade com a crise econômica – são menos crianças, e as que existem têm menos dinheiro para torrar. Se a tendência prosseguir, acreditem: serão menos crianças a se tornar adolescentes e menos adolescentes a se tornar adultos. Pode chegar o dia em que a Shonen Jump volte a ter pouco mais do que um milhão e cem mil exemplares, a Shonen Magazine despenque para a faixa dos 810.000 exemplares – e sabe-se lá o que vai ser da Sunday; quando isso acontecer, o resto do mercado estará muito, muito pior. Por outro lado a existência de almanaques estáveis como a Jump Square pode estar sinalizando que há limites para o quanto se pode cair. Eu disse pode.
Só para não dizer que não falei dos quadrinhos femininos: eles parecem ser vítimas dessa tendência tanto quanto os quadrinhos masculinos, mas de modo geral eles parecem esboçar alguma reação fora dos títulos restritos. Não dá para comparar a Betsuma, e almanaques femininos adultos como a Melody (de onde vem o Ooku de Fumi Yoshinaga) com periódicos tão dirigidos como a Comic Ran na lista shonen/seinen. Este trimestre só pontua o quanto a situação geral não está fácil. Para ninguém, aliás.
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Comentários:
Alexandre: Seria fácil dizer isso não fosse o detalhe de que o Japão soma dois problemas preocupantes: uma crise populacional e uma crise financeira, ambas gravíssimas. Junte-se a isso uma crise comportamental, aonde as velhas normas sociais estão se esmilinguindo, e temos um país em processo de desmanche. Os quadrinhos apenas refletem isso. Se o bolso e a cabeça dos japoneses forem postos em ordem, o populacional se resolve em uma década.
Se esses problemas se resolverem e mesmo assim o mercado continuar definhando, AÍ podemos pensar na inviabilidade gradual dos almanaques. Antes disso, é questionável – até porque uma Jump e uma Magazine ainda vendem na casa do milhão.
Alexandre: Mas a V-Jump ainda é a casa de franquias de quadrinhos como Yu-Gi-Oh nos dias de hoje. Tem isso a se levar em conta. Em todo caso, valeu pelo toque – já corrigi o erro na tabela.
Mas quando isso irá acontecer? Poucas estão (quase) se estabilizando, as quedas continuam bem acentuadas.
Acho que não adianta mais mexer no conteúdo das revistas em si, mas se adaptar às novas tendências do mercado (sejá lá quais forem elas) e esperar um novo patamar de tiragens.
E o triste é que a Afternoon deve cair para menos de 100 mil. =(
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