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Out 27
Os Bastidores de Space Adventure Cobra
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Lancaster |
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8
Categorias: mangaka

Space Adventure Cobra, de Buichi Terasawa, é um dos grandes clássicos da história editorial da revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shueisha – assim que a Jump assumiu o posto de nº 1 do mercado, tomando-o da Shonen Magazine da Kodansha (estou lendo uma batelada de Magazines dos anos setenta para os oitenta e fica claro: sem Kajiwara – que havia migrado para os
quadrinhos para adultos – e com Nagai perdendo fôlego com os leitores, só restava ao bacana Tsurikichi Sampei de Takao Yaguchi segurar a peteca da revista. Muito pouco para quem um dia teve sucessos como Ashita no Joe, Devilman, Otoko no Oidon e Karate Baka Ichidai sendo publicados praticamente ao mesmo tempo. Mas estou desviando do assunto), a publicação contou com vários títulos de sucesso sustentando sua posição durante a segunda metade da década de setenta, e Cobra foi um dos títulos mais bem-sucedidos e bem-lembrados de seu tempo, juntando como ingredientes do mesmo bolo tanto o boom do gênero Space Opera que se seguiu ao sucesso de Guerra nas Estrelas. Ironicamente foi publicado no Brasil no final dos anos oitenta (ou começo dos anos noventa, preciso confirmar) pela editora Dealer, – leia-se, na época certa para se publicar esse material; mas ela só conseguiu lançar um único capítulo (não é lenda urbana – eu li essa edição), em formatinho. E, claro, pouquíssima gente soube que ele foi lançado, fazendo com que sua publicação por aqui morresse na praia e ninguém percebesse. E a série jamais saiu por completo do mapa: terminando sua fase na Shonen Jump (foi publicada de 1978 a 1984), foi reeditada e ganhou várias continuações, tanto pela Super Jump da mesma Shueisha quanto pela Comic Flapper da Media Factory – sem falar na série Space Adventure Cobra: Galaxy
Knights, lançada diretamente em forma de e-book pela 10DaysBook em 2003. A versão animada dirigida por Takeuchi Yoshio e supervisionada por Osamu Dezaki (sim, o mesmo de Ashita no Joe e Ace wo Nerae animados) foi exibida em vários países – infelizmente não fomos um deles – e tornou o personagem lembrado; na França, os volumes das diferentes séries em quadrinhos do personagem tendem a ser lançadas e relançadas em diferentes formatos. E Terasawa é lembrado hoje como um grande ilustrador: ele sempre foi afeito a pioneirismos e talvez ele tenha sido um dos primeiros artistas no Japão a fazer ilustrações coloridas por computadores (se é que ele não foi o primeiro; em 1985 o artista já imprimia pontos coloridos em sua arte com linhas guias em impressoras matriciais).
E é justamente essa vertente digital de seu trabalho que estamos postando aqui (tenho que agradecer ao Fábio Sakuda do blog XSIL por ter localizado esses vídeos e avisado no Twitter) – mostrando os bastidores da nova colorização da série (que eu acho desnecessária – passada a fase mais crua do começo, a arte de Terasawa evoluiu muitíssimo e funciona muito bem em preto e branco), mostrando detalhes de produção e colorização do novo material. Está em japonês sem legendas, infelizmente – não é como se essas coisas fossem encontradas em inglês todo dia; mas vale a pena ser visto mesmo assim. Divirtam-se. :)
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Comentários:
Parece ser um manga bem divertido, pena que no Brasil não tem espaço para materiais classicos.
...esses traços antigos são massa! Agora essa dona praticamente nua é demais! Hahahahahhh...
Alexandre: Ah, os bons tempos... XD
Mas realmente não havia necessidade de tanto trampo. Só as cores-bases já ficariam bem legais até para conservar o ar retrô da série (alias esse Cobra tem uma cara HYPER genérica setentista).
Alexandre: Opa, corrigido. Obrigado.
Porque eu TENHO essa edição comigo(alias, a raridade desta revista criou mais uma lenda quadrinhistica brasileira, a que ela só foi lançada em São Paulo, e depois do recolhe, foi inteiramente reciclada, não sendo distribuida nacionalmente; como você à conseguiu no Rio?)!
Alexandre: A comprei na banca, na época eu morava em Realengo e ia no dentista no Méier. Curiosamente hoje quem mora pelo Grande Méier hoje sou eu. Logo essa história de "Só em Sampa" também é lenda urbana.
Outra coisa sobre Cobra:
Seria viável lançar a série a partir da edição francesa diretamente para as livrarias, aonde o possivel público dela estaria?
Essa é uma boa pergunta.
Alexandre: Talvez as séries mais curtas a título de experiência. Se dessem certo...
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
P.S.:
(1)Conseguiu salvar os arquivos dos textos do ataque de malwares da semana passada?
Alexandre: Tudo já voltou ao normal.
(2)Você disse que está lendo muitas edições da Shonen Magazine dos anos setenta; aonde pode ser conseguido esse material, e, em qual língua?
Alexandre: Compro as edições em japonês, e por incrivel que pareça, na feira. Trago sempre de lá duas coisas: pastel de queijo e shonen magazine, sem falta. E já estou pegando as edições de 1980.
Alexandre: Bom, é questão de gosto. Na verdade algumas ilustrações dele feitas para a Shonen Jump sinalizam que ele deveria ser apaixonado pela revista francesa Metal Hurlant no seu tempo (acho que boa parte dos quadrinhistas da época eram). O que explica a importância que ele dá às cores.
-Ah, Megaman foi sim, inspirado em Cobra. Inclusive o cenário. Acho que se fizer uma busca, deve aparecer alguma imagem de uma cena dos primeiros Megaman que é homenagem a Cobra.
Alexandre: Faz sentido.
-O Terasawa diz que sua inspiração foi o Hard Boiled, num cenário FC, que fazia sucesso no Japão, independente de Star Wars, que é mais responsável pelo sucesso de Gundam do que de Cobra. Coisa da época, do cenário japonês do final dos setenta.
Alexandre: Mas o tom da FC dele é bem mais ocidentalizado, com andróides, aliens bizarros (o que é aquele sujeito com bico de galinha?)... se ele lia a Hurlant, eu creditaria a isso. A FC japonesa tem muito aquela coisa do pathos, da identificação com o inimigo, e isso faz com que eles tendam a ser mais humanóides.
-Cobra ainda não acabou, é o lifework do Terasawa, um Hi no Tori pra ele. Talvez ele morra sem fechar.
Alexandre: Ou feche e morra pouco tempo depois, como aconteceu com o Charles Schultz. É mais comum do que se pensa.
Lancaster como comentaram acima, esse traço de manga dos anos 70/80 é muito bom. Shonen era realmente para garotos e não para quem tem duvida quanto a sua sexualidade ("Not that there's anything wrong with that" como diria Seinfeld rs). Mas sinto falta da época em que se tinha orgulho em ser homem, diferente de hoje que ser masculo é taxado de ignorância). Como sempre, excelente matéria. Falando em manga classicos, e Rokudenashi Blues? Sera que passa aqui pelo blog?
Alexandre: Verdade. Já leu o "Livro Perigoso para Garotos" do Conn e Hal Iggulden? Teve gente que chiou, mas o ponto ali é o de celebrar (nas palavras dos autores) o fato de ser um garoto, com suas brincadeiras brutas mas divertidíssimas – ter também orgulho do que eles são e levar em conta que meninos e meninas são diferentes, e isso não é preconceito ou demérito, ora. Falta atitude e o Japão está cada vez mais emasculado. :\
Quanto a Rokudenashi Blues... Sabe que essa é uma boa ideia?
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