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Out 25
Preview de Family Compo de Tsukasa Hojo na França
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Lancaster |
PERMALINK |
7
Categorias: Tsukasa Hojo

Se eu falar minha opinião sobre yaoi, BL, o que for, eu vou ser acusado de homofobia, mas eu vou ser bem direto: eu vejo como pornografia light pra consumo feminino. Não venham me dizer que não é isso só porque núcleos de fãs decidiram encarar um gênero de quadrinhos como se fosse estilo de vida ou declaração de atitude. Quando falamos isso, usam essa palavrinha mágica para nos tornar vilões da história – de repente somos preconceituosos, isso ou aquilo. Nesse sentido o consumidor de hentai me parece bem mais honesto; não vejo absolutamente nada de errado que as mulheres tenham sua própria pornografia, mas parece algo criminoso para algumas mulheres
assumir que gosta de pornografia e nomeá-la como se deve. E como homem macho heterossexual que gosta de mulher, é claro que não vou me interessar para a pornografia gay dirigida tanto para mulheres (o yaoi) quanto para homens (o bara). Pornografia fala para instintos e fetiches – é para excitar seu leitor, e em mim esse tipo de coisa só me causa impotência, na boa. Por favor, nem insistam. :P
Mas isso faz de alguém preconceituoso contra homossexuais? Não. É possível para um heterossexual ler um material sobre o assunto em si, sem encucamento. E aqui chegamos a Family Compo, de Tsukasa Hojo – sim, o mesmo que criou ninguém menos do que Ryo Saeba, o mulherengo nº1 dos quadrinhos japoneses (do clássico City Hunter). A história acompanha um jovem heterossexual que, com a morte dos pais, acaba sendo convidado por uma tia que jamais conheceu para morar com sua família e terminar de ser criado. E houve um estranhamento: porque ela não foi mencionada durante sua vida?
Porque na verdade ela não era ela e acabou sendo posto para fora de casa assim que saiu do armário. Mas na verdade ela acabou casando com um desenhista de quadrinhos que tem também seus segredinhos – e o casal tem uma filha (tem explicação, mas vocês não querem que eu estrague as pequenas supresas do roteiro, certo?). O resultado é uma espécie de Família Addams
da sexualidade e nosso protagonista acaba morando com eles – e o curioso é que a série não agride em nenhum momento. Poderia ser uma série de televisão exibível no final da tarde. Essencialmente é um sitcom sobre uma família normal e esse é o ponto: será o fato da "mãe" do casal ser um homem torna o personagem menos mãe, ou do pai menos pai, ou vai afetar realmente o comportamento dos filhos? Claro, é um sitcom com um elemento meio Papai Sabe-Tudo que só precisa das risadas pré-gravadas de fundo para ser completo, e os personagens são bem exagerados (a "mãe" da família é um compêndio de todos os atributos maternais, mas também um desastre total no volante – "mulher no volante, perigo constante", lembram? XD).
Mas o que importa é que a série já foi lançada na França – aonde Hojo tem muito crédito e foi um dos convidados ao último Japan Expo – e agora está sendo relançada pela Panini francesa em edição de luxo, tendo páginas coloridas e tudo o que tem direito. E como os editores franceses não são bobos, disponibilizaram um preview com as primeiras páginas do material para dar um gostinho da série a seus leitores. Vale o registro: Family Compo saiu na meio que obscura revista Manga Allman da Shueisha (e acho que faz sentido Hojo ter migrado da Shueisha para a então novata Shinchosha; depois que acaba a fase Shonen Jump, vai saber o que pode acontecer com a carreira de um autor, mesmo os famosos).
O preview pode ser visto AQUI.

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Comentários:
É difícil lutar contra 20 mil anos de repressão, Lancaster, que inclusive já se espalhou no inconsciente coletivo há milênios. Tente entender!
Alexandre: Mas Bara não é feito pra mulheres, entonces...
Sobre a série, tem um traço suave e bonito. E a cada dia mais eu tenho vontade de ir para a França (mesmo com o pau comendo solto lá por causa dos imigrantes e previdencia privada... gauleses burros!)
Alexandre: É o Hojo. E ele não é um dos bons, nem de longe – é um dos melhores.
Alexandre: Eu acredito que ela leia. E que diria que eu não tenho conserto.
Alexandre: 9_9...
Alexandre: De rara para nenhuma.
Sou eu muito inocente em esperar que alguma coisa de Tsukasa Hojo seja publicada aqui?
Alexandre: Eu arriscaria que cedo ou tarde poderia aparecer – no máximo – City Hunter. Mas eu esperaria sentado, infelizmente.
O traço dele é de humilhar muito profissional bonzão. Sem palavras.
Alexandre: Sem palavras, mesmo.
Acho que vai dar certo se eles seguirem a dica.
Pois bem, já divulgaram que dos consumidores (pagos) de pornografia na internet as mulheres são mais de um terço, logo esse papinho de "mulher não gosta de pornografia" é mentira e não cola, se 1/3 dos consumidores é mulher, então elas gostam e muito. Só pra constar esses dados foram feitos através do cartão de crédito dos consumidores, então não tem como estarem errados.
Alexandre: Viu só? O que me incomoda é uma visão de "yaoi como estilo de vida" que já vi ser proferido abertamente, "yaoi é o verdadeiro amor", o escambau. E na verdade, eu o coloco ao lado do moe dentro do esquema de que os fetiches estão matando as histórias nos mangás, no sentido de que o importante é o consumo de elementos pontuais, no melhor esquema "mangás com garotas de óculos e orelhas de gatinho e traje de empregada vitoriana". Dane-se o roteiro, desde que essas coisas (no caso do yaoi, esfregação entre marmanjos) apareçam. O detalhe é que nesse caso, as autoras dos anos setenta que tocaram nesse tipo de assunto queriam era discutir questões de gênero. Claro que não tenho lá muita vontade de ler o Kaze to Ki no Uta de Keiko Takemiya, mas a autora era uma autora séria; depois de ler o sci-fi que ela escreveu, Terra E, não acredito que ela faria material para as meninas terem "uiuiuis". Elas criaram um monstrengo, pelo visto.
Parece ser um material interessante, mas essa "mãe" é travesti ou transsexual? Não vejo nada de gay aí se a mãe for operada, mas mesmo assim queria dar uma olhada.
Alexandre: Não fica claro na série, mas há elementos concretos que a estabelecem como travesti – e nem falei no artigo sobre os assistentes do sujeito no estúdio de quadrinhos. XD Mas a verdade é que o ponto aí é a questão familiar e do ponto de vista de um rapaz que não tem tendências nesse sentido em meio a um lar um tanto... excêntrico. Na prática é um sitcom, simples.
P.s. Só pra constar, na lista do Oricon dessa semana apareceu Kinou Nani Tabeta, mangá gay para homens serializado na Morning, fala sobre o cotidiano de um advogado gourmet e o parceiro cabeleireiro afeminado, não há cenas de sexo (nem de nada mais que um abraço aqui e acolá
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