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Preview de Family Compo de Tsukasa Hojo na França

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Lancaster | PERMALINK | 7

Categorias: Tsukasa Hojo

Tsukasa Hojo

Se eu falar minha opinião sobre yaoi, BL, o que for, eu vou ser acusado de homofobia, mas eu vou ser bem direto: eu vejo como pornografia light pra consumo feminino. Não venham me dizer que não é isso só porque núcleos de fãs decidiram encarar um gênero de quadrinhos como se fosse estilo de vida ou declaração de atitude. Quando falamos isso, usam essa palavrinha mágica para nos tornar vilões da história – de repente somos preconceituosos, isso ou aquilo. Nesse sentido o consumidor de hentai me parece bem mais honesto; não vejo absolutamente nada de errado que as mulheres tenham sua própria pornografia, mas parece algo criminoso para algumas mulheres Tsukasa Hojoassumir que gosta de pornografia e nomeá-la como se deve. E como homem macho heterossexual que gosta de mulher, é claro que não vou me interessar para a pornografia gay dirigida tanto para mulheres (o yaoi) quanto para homens (o bara). Pornografia fala para instintos e fetiches – é para excitar seu leitor, e em mim esse tipo de coisa só me causa impotência, na boa. Por favor, nem insistam. :P
Mas isso faz de alguém preconceituoso contra homossexuais? Não. É possível para um heterossexual ler um material sobre o assunto em si, sem encucamento. E aqui chegamos a Family Compo, de Tsukasa Hojo – sim, o mesmo que criou ninguém menos do que Ryo Saeba, o mulherengo nº1 dos quadrinhos japoneses (do clássico City Hunter). A história acompanha um jovem heterossexual que, com a morte dos pais, acaba sendo convidado por uma tia que jamais conheceu para morar com sua família e terminar de ser criado. E houve um estranhamento: porque ela não foi mencionada durante sua vida?
Porque na verdade ela não era ela e acabou sendo posto para fora de casa assim que saiu do armário. Mas na verdade ela acabou casando com um desenhista de quadrinhos que tem também seus segredinhos – e o casal tem uma filha (tem explicação, mas vocês não querem que eu estrague as pequenas supresas do roteiro, certo?). O resultado é uma espécie de Família Addams Family Compoda sexualidade e nosso protagonista acaba morando com eles – e o curioso é que a série não agride em nenhum momento. Poderia ser uma série de televisão exibível no final da tarde. Essencialmente é um sitcom sobre uma família normal e esse é o ponto: será o fato da "mãe" do casal ser um homem torna o personagem menos mãe, ou do pai menos pai, ou vai afetar realmente o comportamento dos filhos? Claro, é um sitcom com um elemento meio Papai Sabe-Tudo que só precisa das risadas pré-gravadas de fundo para ser completo, e os personagens são bem exagerados (a "mãe" da família é um compêndio de todos os atributos maternais, mas também um desastre total no volante – "mulher no volante, perigo constante", lembram? XD).
Mas o que importa é que a série já foi lançada na França – aonde Hojo tem muito crédito e foi um dos convidados ao último Japan Expo – e agora está sendo relançada pela Panini francesa em edição de luxo, tendo páginas coloridas e tudo o que tem direito. E como os editores franceses não são bobos, disponibilizaram um preview com as primeiras páginas do material para dar um gostinho da série a seus leitores. Vale o registro: Family Compo saiu na meio que obscura revista Manga Allman da Shueisha (e acho que faz sentido Hojo ter migrado da Shueisha para a então novata Shinchosha; depois que acaba a fase Shonen Jump, vai saber o que pode acontecer com a carreira de um autor, mesmo os famosos).
O preview pode ser visto AQUI.

Family Compo

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Comentários:

Nome: Jussara Gonzo 25/10/10 02:57
Velhos conceitos sociais: homem que curte pornografia é normal, mulher que curte pornografia é...

É difícil lutar contra 20 mil anos de repressão, Lancaster, que inclusive já se espalhou no inconsciente coletivo há milênios. Tente entender! :P (embora eu curta mangá Bara que, assumidamente, é pornô e falo mesmo! Tô nem aí!)

Alexandre: Mas Bara não é feito pra mulheres, entonces...

Sobre a série, tem um traço suave e bonito. E a cada dia mais eu tenho vontade de ir para a França (mesmo com o pau comendo solto lá por causa dos imigrantes e previdencia privada... gauleses burros!)

Alexandre: É o Hojo. E ele não é um dos bons, nem de longe – é um dos melhores. :)
Nome: Jáder, O Pitoresco 25/10/10 07:47
Se a Valéria Fernandes estivesse lendo isso chamaria você e até a sua décima geração de machista ao quadrado.

Alexandre: Eu acredito que ela leia. E que diria que eu não tenho conserto.
Nome: Jussara Gonzo 25/10/10 08:04
Bem, até aí tem muita mulher que faz historinhas fetichistas para meninos! (ou vc está fazendo um juízo de valor moral aqui?)

Alexandre: 9_9...
Nome: Victor Souza 25/10/10 08:18
Quais as chances disso um dia chegar no Brasil?

Alexandre: De rara para nenhuma.

Sou eu muito inocente em esperar que alguma coisa de Tsukasa Hojo seja publicada aqui?

Alexandre: Eu arriscaria que cedo ou tarde poderia aparecer – no máximo – City Hunter. Mas eu esperaria sentado, infelizmente.

O traço dele é de humilhar muito profissional bonzão. Sem palavras.

Alexandre: Sem palavras, mesmo.
Nome: anachan 25/10/10 10:32
E viva la France! Eles sabem como tratar os quadrinhos. Estava tentando dar umas sugestões de títulos pra uns professores de quadrinhos meus da faculdade que não curtem mangá e tal, e acabou que falei "dêem uma olhada nos mangás que saem na França, todos que vi são recomendados." =P
Acho que vai dar certo se eles seguirem a dica.
Nome: Fábio Hideki Harano 26/10/10 12:07
Não apenas o traço de Hôjô sensei é fenomenal, como também essa obra mostra que o autor tem uma boa versatilidade.
Nome: Kuroi/Kadu 29/10/10 12:33
Bom, sabe que eu tenho que concordar com você em 80% do que foi dito? Um dia estava perguntando pra uma amiga que curte yaoi o motivo dela ler esse tipo de material, ela respondeu que é pq yaoi faz ela ter "uiuiuis", que ela se sente constrangida vendo pornografia, mas com o yaoi ela se "liberta".

Pois bem, já divulgaram que dos consumidores (pagos) de pornografia na internet as mulheres são mais de um terço, logo esse papinho de "mulher não gosta de pornografia" é mentira e não cola, se 1/3 dos consumidores é mulher, então elas gostam e muito. Só pra constar esses dados foram feitos através do cartão de crédito dos consumidores, então não tem como estarem errados.

Alexandre: Viu só? O que me incomoda é uma visão de "yaoi como estilo de vida" que já vi ser proferido abertamente, "yaoi é o verdadeiro amor", o escambau. E na verdade, eu o coloco ao lado do moe dentro do esquema de que os fetiches estão matando as histórias nos mangás, no sentido de que o importante é o consumo de elementos pontuais, no melhor esquema "mangás com garotas de óculos e orelhas de gatinho e traje de empregada vitoriana". Dane-se o roteiro, desde que essas coisas (no caso do yaoi, esfregação entre marmanjos) apareçam. O detalhe é que nesse caso, as autoras dos anos setenta que tocaram nesse tipo de assunto queriam era discutir questões de gênero. Claro que não tenho lá muita vontade de ler o Kaze to Ki no Uta de Keiko Takemiya, mas a autora era uma autora séria; depois de ler o sci-fi que ela escreveu, Terra E, não acredito que ela faria material para as meninas terem "uiuiuis". Elas criaram um monstrengo, pelo visto.

Parece ser um material interessante, mas essa "mãe" é travesti ou transsexual? Não vejo nada de gay aí se a mãe for operada, mas mesmo assim queria dar uma olhada.

Alexandre: Não fica claro na série, mas há elementos concretos que a estabelecem como travesti – e nem falei no artigo sobre os assistentes do sujeito no estúdio de quadrinhos. XD Mas a verdade é que o ponto aí é a questão familiar e do ponto de vista de um rapaz que não tem tendências nesse sentido em meio a um lar um tanto... excêntrico. Na prática é um sitcom, simples.

P.s. Só pra constar, na lista do Oricon dessa semana apareceu Kinou Nani Tabeta, mangá gay para homens serializado na Morning, fala sobre o cotidiano de um advogado gourmet e o parceiro cabeleireiro afeminado, não há cenas de sexo (nem de nada mais que um abraço aqui e acolá;) e é totalmente voltado ao "slice of life", acho que é um material interessante para o público heterossexual conhecer o mundo gay, interessante que os homens gays da Fumi Yoshinaga convencem bem nesse mangá, é bem diferente dos arremedos de homens que não passam de delírio máximo da idealização feminina dos yaois da vida. É isso.

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