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De Volta aos Anos 80...

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Lancaster | PERMALINK | 7

Categorias: exposições

Kimagure Orange Road

Kimagure Orange Road, de Izumi Matsumoto, é uma das obras mais famosas publicadas na revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shueisha, durante os anos oitenta. A série girava em torno de um garoto com poderes psiônicos envolvido em um triângulo amoroso. Como os poderes psiônicos aparentemente não importaram muito para seus leitores, eles foram praticamente deixados de lado e deixaram de fazer diferença para a trama: virou um quadrinho de romance qualquer. Curioso é notar que Matsumoto, no início da série, tinha uma influência muito grande do trabalho de Mitsuru Kimagure Orange RoadAdachi – com a diferença de que enquanto Adachi sempre preferiu ser o mais atemporal possível (praticamente não há muitas referências do momento nas suas histórias, o que as fez envelhecer pouco), Matsumoto preferiu abraçar seu tempo. Isso lhe deu um diferencial, mas não sem preço: hoje, Kimagure Orange Road se tornou uma das histórias mais assustadoramente datadas já feitas, remetendo à época em cada bandana enrolada na cabeça, visita a danceteria ou penteado esquisito. Em suma, virou artigo de nostalgia, como qualquer Festa Ploc da vida. Mas a nostalgia de tempos mais felizes parece ser bem-vinda quando o futuro parece negro, e por isso mesmo essas obras voltam periodicamente à evidência: a GoFa (Gallery of Fantastic Art) está dedicando uma exposição voltada à série, com direito a storyboards e repleta de ilustrações coloridas. A exposição irá de 20 de Setembro a 9 de Novembro antes de ser levada a outros lugares, trazendo mais um pedaço da era das calças cotelês (meu irmão mais velho tinha uma verde, mas ele nega de pés juntos), terninhos amarelos, e referências visuais que remetem a (argh) Flashdance – enfim, coisas que hoje são horripilantes, mas representam uma época boa na vida de muita gente.
Pensando bem, isso explica o sucesso de um filme como o Mercenários do Stallone, não?


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Comentários:

Nome: AlphaZine 31/08/10 11:17
Puxa KOR é nostalgia pura. Vi toda a série de TV e os filmes. Os OVAs acho que só vi um.

Tenho um volume do mangá japonês e tava querendo pegar a edição espanhola que creio ainda está sendo publicada. A edição francesa já tá fora de catálogo.

De fato os poderes do Kyosuke são totalmente irrelevantes para a trama servindo apenas como elemento cômico.

Alexandre: E algo me diz que isso aconteceu justamente por conta da reação dos leitores. Poder psiônico não é algo que se joga numa história por nada.
Nome: Karina 31/08/10 03:35
Já vi as imagens desse anime/mangá e achei bem bonitas. Você tem razão, é bem anos 80. A roupa da garota na capa lembra as roupas de bandas tipo Poison e outra da época. Não foi nessa série que autor de Bastard foi assistente? As moças lembram muito as moças de Bastard.

Alexandre: Verdade, o Hagiwara foi assistente de Matsumoto em Kimagure Orange Road antes de criar Bastard! para a Shonen Jump. É um processo natural, muitos artistas que fizeram fama na Jump foram assistentes de outros artistas – Takehiko Inoue foi assistente de Tsukasa Hojo, por exemplo. Mas não acredito que seja influência específica nesse caso: vejo mais como frutos de um mesmo contexto de época.
Nome: R. Moss 31/08/10 04:56
Assim que vi a primeira imagem eu ri um bocado, isso porque lembrei da menção à KOR no insanamente hilário capítulo 5 de Sayonara Zetsubou Sensei (leiam! É muito bom).

Bom...

Embora só tenha conhecido KOR no final dos anos 90 (através do terrível Shin KOR), foi um dos primeiros mangás que simpatizei na época. E só por causa disso aguentei ler até o final.

Coincidentemente KOR parece não ter sido licenciado em lugar algum. E eu sempre desejei esse mangá por aqui.

Acho que os otakus só iriam chiar quanto ao traço, pois esse pessoal parece não se importar para outros aspectos da história mesmo...
Nome: Biguá 31/08/10 05:24
eu adoro KOR, vi todos os episódios/ovas/filmes e realmente é algo extremamente datado.. mas pra mim, que nasci/cresci nos anos 80 (83 o/) é algo realmente emocionante de se ver. Tenho todo o mangá em inglês baixado, tá na fila de leitura há anos.. acho que chegou a hora enfim.

Alexandre: Aviso que o traço no começo pode dar um susto muito grande em quem se acostumou com a versão animada...
Nome: hadrian marius 31/08/10 07:51
Ahhhh... os bons animes de antigamente!!!
Nome: Júlio Nunes da Silva Filho 31/08/10 07:58
Lancaster, confesso que nunca li Kimagure Orange Road,mas sempre ouvi falar muito bem dela; tambem ouvi falar que existe uma edição argentina, isso é verdade (uma vez, tentei pegar uma edição americana, mas ela está fora de catalogo)?
Aproveitando o mote, o que o Izumi Matsumoto fez depois dela?
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho

Alexandre: Pouquíssima coisa que eu conheça. Sei que ele fez em 1988 uma série adulta para a Super Jump, Sesame Street, que nada tem a ver com Vila Sésamo e que rendeu só quatro volumes. Mas pelo que sei, isso aconteceu porque ele se dirigiu para a animação e para o character design de jogos. Volta e meia sai alguma coletânea de histórias curtas dele.
Nome: Fábio Hideki Harano 03/09/10 06:38
Olá.

Muito agradável ver esse post aqui!

Para mim a graça de Kimagure Orange Road é em grande parte essa sua total situação temporal, servindo como um ótimo registro da época.

Sendo de 1987, o manga me apresenta muito bem uma época anterior, vivida por muita gente com que convivo. Não chega a ser nostalgia do que não vivi, até porque muito do que era legal naqueles anos hoje é bem cafona!

Enfim, o caminhar que os poderes paranormais tiveram na obra foi muito bom. Como citado em um comentário, seu papel de elemento cômico - principalmente com as peripécias de Kazuya - deu mais graça e leveza à série.

Kimagure Orange Road é um ótimo exemplo de manga divertido, leve e gostoso; com muito carisma, sem melodramas chatos e exagerados, sem porradas desnecessárias a rodo, sem parafernalha confusa de ficção científica. A obra marcou bem a época, que marcou bem a obra.

Por fim, deixo uma pergunta: já parou para pensar que a atemporalidade das obras de Adachi sensei causa um empobrecimento estético ao cenário; sempre com roupas, cortes de cabelo e passatempos básicos?

Até outra vez.

Alexandre: Acho que nem tanto, porque se olharmos bem, suas histórias são voltadas para dentro do mundinho pessoal dos personagens. E isso até valoriza uma escolha concreta de acompanhar um universo de pessoas mais simples e comuns. Não sei se você leu os artigos que escrevi sobre Touch e Cross Game, mas o ponto dele é justamente esse: se focar em pessoas mais simples, sempre foi. Com o tempo elementos datados acabam tomando a atenção da história. Talvez esse seja o motivo pelo qual Adachi continua perdurando.

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