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Ago 30
Edição Definitiva de Blue City, de Yukinobu Hoshino
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Categorias: Yukinobu Hoshino

Em meados dos anos setenta, a revista para garotos Shonen Jump, da Shueisha, em um processo gradual que começou desde o seu surgimento, tomou o cetro de revista número um do Japão das mãos da Shonen Magazine, da Kodansha (que brilhou por dez anos e na virada dos anos sessenta para os setenta, se tornou a primeira revista em quadrinhos japonesa a vender mais do que um milhão de exemplares). Há um bom motivo para isso. A Shonen Sunday (da Shogakukan) e a Shonen Magazine eram revistas com autores estelares, que faziam tudo o que queriam lá dentro. Com a ascensão dos primeiros títulos adultos, as revistas para garotos começaram a incluir elementos maduros para não perder seus leitores mais velhos, e, sentindo a
disputa, as revistas para leitores adultos começaram a trazer artistas mais juvenis, em contraponto ao traço mais anatômico do seu material (o que explica como um termo como gekiga acabou se tornando obsoleto; muitos materiais para adultos passaram a ter traços menos realistas daí para a frente). Isso gerou uma mistura que daria a forma ao que conhecemos até hoje, mas fez com que as revistas para garotos perdessem o foco de seu público.
A Jump sabiamente se aproveitou desse contexto. Em uma época aonde a Shueisha ainda era uma editora menor, a revista surgiu sem estrelas (na verdade tinha uma: Ikki Kajiwara, com Otoko no Jouken) e, como os empreendimentos mais perspicazes fazem, usou o que poderia ser seu calcanhar de aquiles como uma tremenda vantagem: uma vez que seus autores eram todos desconhecidos, ela estabeleceu uma política editorial firme como uma rocha: não topou, rua. Dessa forma, ela pôde se dirigir firmemente para garotos, sem desvios de rota. Além disso, ela estabeleceu um sistema de questionários que mudaria a face dos quadrinhos japoneses daí para a frente, depurando darwinianamente sua grade de séries de acordo com sua popularidade. Com isso, e sabendo o que seu público queria, foi questão de tempo até que ela tomasse de assalto o mercado – o que deve ter representado um choque monstruoso de realidade às editorias da Magazine e da Sunday na ocasião.
Um dos autores que marcaram essa época de virada da Jump foi Yukinobu Hoshino. Nos anos oitenta ele se consagraria em definitivo, sempre dentro de sua principal especialidade, a ficção científica, com obras adultas como 2001 Nights e Saber Tiger. Mas foi na Jump que ele começou, com títulos como Hanakanaru Asa e, principalmente, Blue City – sua obra mais famosa no período. A série é uma saga oceânica que, como é de se esperar nos anos setenta, tem tons apocalípticos – no caso com um vírus patogênico provocado por um misterioso meteorito, que ao se estilhaçar contra a atmosfera, causou a catástrofe. Agora uma edição definitiva do material, Blue City Chronicle, está sendo lançada, reunindo não apenas a saga original (devidamente restaurada), mas também as histórias curtas do cenário (ordenadas de forma cronológica dentro do universo da série, não pela ordem de publicação original) que mostram como tudo aconteceu; mais novas e antigas ilustrações a cores do material. O material terá dois volumes, e com isso a livraria Sanseido irá expôr uma mostra do trabalho do autor, com artes originais, manuscritos e similares. Nada mau. O autor se tornou razoavelmente conhecido nos Estados Unidos pela publicação de 2001 Nights, mas o que tivemos dele por aqui foi El-Alamein e Outras Batalhas, um material atípico no conjunto de sua obra. Faltam mais mangás de ficção científica por aqui – e sinceramente, falta mais Hoshino também. Ele merece ser mais lido.
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Comentários:
Claro que deve ter os entusiastas, que mesmo não sendo do tempo, poderão comprar.
Mas será que vai pegar o público que leu isso anos atrás? Não me parece um bom momento para versões definitivas de obras antigas.
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