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Ago 17
Programado Lançamento de Dororo no Brasil
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8
Categorias: Osamu Tezuka
É Tezuka, então é obrigatório. A NewPOP, que já lançou o Metrópolis de Tezuka, anunciou para Setembro o lançamento de seu Dororo – um dos materiais do autor que eu mais queria ver no Brasil há anos. Dessa vez prefiro não falar nada: tomei a liberdade de convidar um dos nossos colaboradores, Pedro Hunter, para comentar brevemente sobre a obra. Só vale acrescentar o fato de que o final é inconclusivo, e embora já tenha surgido uma continuação apócrifa posterior, nas mãos de outros autores, há ainda a esperança de que um dia Hiroaki Samura, autor de Blade – a Lâmina do Imortal e fã confesso da série (que é uma das suas inspirações para Blade), faça um remake do material (Samura já manifestou verbalmente essa vontade. Mas não antes de terminar Blade, por favor. Alguma editora se habilita a continuar essa série no Brasil? De preferência mantendo as páginas coloridas do original…).
Bom, é Tezuka, e como eu disse, é obrigatório. E como o assunto é Dororo e não Blade, vamos diretamente ao assunto. A bola é tua, Hunter.
No Japão Feudal, um daimyo (senhor feudal) faz um acordo com 48 demônios: Em troca do poder necessário para dominar o Japão, ele daria a cada um destes uma parte do corpo de seu filho ainda não nascido (!).
Desnecessário dizer, quando o moleque nasce ele não passa de uma massa disforme. Sem interesse em criar um filho assim, o daimyo quer matá-lo, mas a mãe manda ele rio abaixo no melhor estilo Moisés. Um peão recolhe o moleque, mas quando vê a coisa que tem na mão, acredita que não tem salvação e o abandona em um canto. Porém, o garoto, ao perceber a proximidade de comida (aparentemente a falta dos sentidos convencionais lhe deu um sexto sentido que o permitia "sentir" as coisas), começa a arrastar-se na direção dela.
Ficando admirado com essa vontade de viver, o camponês (que, aparentemente, era também um médico e carpinteiro onipotente) constrói um corpo artificial para ele (vários na verdade, conforme o rapaz vai crescendo), que lhe dá a aparência e capacidades de uma pessoa normal.
O problema é que o rapaz, Hyakkimaru, ATRAI demônios devido à sua condição especial! Quando ele chega à idade adulta, recebe um corpo artificial turbinado (com espadas nos braços e coisas afins) e, graças ao treinamento
conseguido por uma vida inteira de luta contra demônios, transforma-se em uma máquina de matar. Decide então sair por aí para matar os 48 demônios e recuperar seu corpo original! No caminho encontra um menor abandonado chamado Dororo, que vira seu companheiro de viagem.
O grande problema? Cada vez que ele mata um demônio e recupera uma parte do seu corpo original, ele perde ou parte de suas capacidades especiais, que existiam para compensar seu corpo fragilizado, ou parte de seu corpo artificial turbinado. Trocando em miúdos, vai ficando mais FRACO com o tempo! Mas os demônios vão ficando mais fortes...
Esse mangá foi uma tentativa do Tezuka de fazer um gekigá violento no estilo dos que pululavam no Japão nos anos 70 (tipo Lobo Solitário). O mangá não fez muito sucesso e foi cancelado na metade, mas deu origem a um anime (da época, então já é BEM antigo!) de certo sucesso - foi o antecessor da célebre série World Masterpiece Theater! - o que fez com que Tezuka eventualmente o terminasse, ainda que de forma improvisada e pouco conclusiva. Embora o tema não seja bem a praia de Tezuka, o resultado, na minha opinião, é muito bom!
(por Pedro Hunter)
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Comentários:
E Samura revisitando Dororo? Cara, quase infartei. ISSO. PRECISA. EXISTIR.
E no traço do Samura ficaria perfeito!
Então vai pintar no Brasil? Vou ficar de olho.
O pouco que conheço de Dororo veio de Felipe Yamato. Parece ser muito interessante. Tomara que essa edição brasileira faça jus a Tezuka sensei.
Vejo mais uma vez a velha ideia do trade-off de que o ser humano é fraco e que alterações sobrenaturais (e também tecnológicas, posteriormente) o fortalecem, mas o tornam menos humano; sendo a humanidade preciosíssima.
Falando em alterações corporais que minam o componente humano, acho pertinente citar Cyborg 009, obra marcada pela barreira intransponível da matéria e da tecnologia. Conforme a história se desenvolve, os corpos modificados dos heróis se tornam obsoletos, tecnologia ultrapassada.
E não há pensamento positivo, explosão de cosmos, água da vida ou grito desesperado que fortaleça os heróis. Diante da desvantagem tecnológica, o que resta aos heróis é treinar táticas de combate, formações, improvisos e contar com a sorte. Mais pé no chão, impossível.
No caso de Hyakkimaru, a situação parece ser muito pior! Como se diz no exército: "O mundo gira, e o soldado SE VIRA."
No fim das contas, é uma forma do velho dilema do preço que se paga pela autenticidade, "até onde vão os seus princípios?". As limitações da condição humana, da pureza e da verdade podem ser vistas em Kikaider, Inazuman e tantas outras obras. Assim como vejo gente invocando Nietzche e outros filósofos para justificar tudo quanto que é pilantragem.
É duro...
Mesmo uma obra que se propõe a ser realista, como Hajime no Ippo, mostra o desgaste dos combates apenas em personagens secundários, enquanto o protagonista convenientemente mantém uma saúde de ferro sem sequelas.
Muito bonito, mas a verdade dói.
Mas que eu queria ver o mangá inteiro com a arte do cara, eu queria!
Mais um motivo para querer ver uma versão longa um dia desses...
Isso não confere, Dororo não é e nem tenta ser gekiga. Na verdade, foi feito no embalo da moda Youkai desencadeada pelo Shigeru Mizuki e que afetou muitos mangákas na mesma época. A origem grotesca do protagonista provém daí.
Espero que um dia outros artistas clássicos, em especial Ishinomori, alcancem o seu lugar de direito em nossas livrarias. Se Tezuka de repente está se tornando um nome conhecido pelos brasileiros, então ainda é possível. Eu apostaria no lançamento de Kamen Rider Black, pelo fator nostalgia e contar com uma história boa e consistente, diferente de sua contraparte televisiva. E é superior ao mangá do Don Drácula, que também possui um público em potencial no Brasil, mas acho que não seria bem visto por ser uma comédia escrachada, gênero que nunca foi muito popular por aqui.
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