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Ago 15
Os Virgens de 30 Anos
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Lancaster |
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14
Categorias: anime

A coisa está preta pelo visto. De acordo com o ANN, foi distribuída uma edição especial gratuita do jornal Mantan Broad no Comiket (o principal evento de quadrinhos no Japão, voltado a fanzineiros, e que tem um perfil muito voltado ao fã hardcore, vulgo otaku) que incluiu uma imagem anunciando, entre outras séries, uma adaptação em versão animada do livro 30-Sai no Hoken Taiku (leia-se, educação física e mental para homens de trinta anos). O detalhe é que esse livro, publicado em Novembro de 2008, é um guia para homens de trinta anos que não tiveram ainda nenhum tipo de experiência romântica ou sexual com mulheres. Leia-se: é um guia para… virgens de trinta anos ou mais.
(pausa para risadas, por favor. Pausa dupla para risadas quando pensamos aonde foi distribuído esse anúncio.)
Aham. Apesar de nossas gozações tão brasileiras, o problema é sério: em 2005, o Instituto Nacional de Pesquisas Populacionais e de Segurança Social divulgou uma pesquisa nacional em que levanta a preocupante lebre: um entre quatro japoneses entre os 30 e os 34 anos jamais tocou no sexo oposto – e aparentemente falamos de homens que gostam de mulher, aqui. Muitos deles tem condições financeiras para se casar, mas são focados demais em seus trabalhos – ou estão por demais estressados, física e mentalmente, pelas suas exigências profissionais –, para sequer pensar em sexo. Para piorar, o comportamento das mulheres japonesas mudou e elas preferem ser solteiras nos dias de hoje, evitando qualquer relacionamento mais significativo. Nesse contexto, um guia como esse se torna uma necessidade e não é à toa que ele não apenas foi um sucesso como gerou mais dois volumes.
E é claro que, fora do Japão, assistiremos esse desenho animado por espírito sádico e maldade, mesmo. A piada, afinal de contas, é inevitável.
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Comentários:
E não vejo problema nenhum em uma mulher querer ser solteira para sempre - foi-se o tempo que "solteirona" era uma ofensa grave. Mas imagino que no caso do Japão: sem casamento, sem sexo.
Eu eu não aconselharia o mundo a rir desta situação. Pois em breve boa parte dos países estará assim, com a superproteção que damos aos filhos e a cada vez menor socialização física que as pessoas têm graças ao computador. Não podemos nos esquecer que as pessoas da casa dos vinte no Brasil e em outros AINDA é a geração que NÃO nasceu com um computador em casa.
Mas e esta e a próxima? Apesar de todos os escandalos de sexo virtual (dããã...) com menores, como será?
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Tá bom, eu ri.
Alexandre: XD
Alexandre: Parece que sim.
E quem é o autor desse guia? É alguém que realmente tem experiencia com mulheres né? (pergunta besta mas vai saber...)
Alexandre: É uma boa pergunta.
Para começar, a imaginação de Jussara está errada quanto à relação entre sexo e casamento no Japão.
Basicamente o que acontece, principalmente nos grandes centros urbanos, é que muitas mulheres não querem se submeter à condição machista de yome san, esposa.
Preferem é ser livres para pegarem (e transarem com) quem quiserem, sem ter que engolir sapo de um marido tosco.
Temos também legiões de homens tímidos, travados e escapistas que se apegam a mundos virtuais onde se imaginam guerreiros-magos-mutantes-cercados-de-estudantes-peitudas.
O cenário é de mulheres não entrando no esquema sexista da família tradicional e de homens que não conseguem pegar ninguém (tenho quase certeza de que tentar, eles tentam, mesmo que desistam depois).
Isso mostra uma crise social do conservadorismo abrindo caminho para um notável individualismo. E a taxa de natalidade do Velho Yamato continua baixa...
hahaha
Medo
Medo
Medo
Medo
e Medo do comentário do Felipe Onodera.
Mas dá para perceber, só de ler mangás, o quanto a mentalidade japonesa ainda é absurdamente conservadora, mesmo nos dias atuais. Até agora não conheci nenhuma personagem feminina casada que trabalhasse fora, por exemplo.
Sinceramente, uma sociedade assim tem mais é que acabar mesmo... a natureza é sábia!
Ah, e foi boa a pergunta da Thaís... to achando que não, viu! ;p
Alexandre: Fácil, imigração aberta, total e irrestrita. Tudo se tornou muito fácil. Se um bando de homens de outros países mostrarem iniciativa e irem casando com as japonesas mais bonitinhas, os homens japoneses:
a) ou vão tomar vergonha na cara e correr atrás do mulherio, até por orgulho nacional...
b) ou o Japão vai virar mesmo uma sociedade multiétnica, mas não vai faltar gente pra trabalhar e pôr o país para frente.
Nos dois casos o país em si teria tudo a ganhar, mas acho que isso não vai acontecer. A tendência natural do japonês me parece ser o isolacionismo – e o comportamento que parecia prometer um futuro mais cosmopolita nos anos 70 e 80 parece ter sofrido um imenso recuo após o estouro da bolha econômica que levou à década perdida. Não adianta: o século XXI vai ser da china, e eles já estão fazendo, a propósito, seus próprios mangás...
Nesse mangá, a mulher em determinado momento decide trabalhar fora, mas o marido fica cheio de complexos e acaba convencendo ela a desistir. É uma forma de ver como é a mentalidade dos japoneses nesse sentido. É o único mangá que eu li que aborda isso (o que, por si só, já é deprimente), mas é possível que também role em alguns dos "gag mangas" centrados em famílias, que raramente são traduzidos.
Informações vindas de lá (segundo gente que morou lá - e casou com japonesas!) é que elas estão LOUCAS para arrumar maridos não-japoneses! O que elas não querem é o produto "da casa"!
Interpretem isso como quiserem. Eu passo os fatos como me foram contados, não faço juízo de valores...
Muito pertinente a réplica ao comentário de Allan. Parece que em pleno século XXI a ideia de sakoku (país fechado) está voltando...
Jussara, é importante ressaltar que manga também é anúncio, rótulo, um ideal a ser passado do Velho Yamato, muitas vezes uma imagem a ser vendida (isso literalmente sempre é, né?). Principalmente quando falamos de manga e anime de exportação, "enlatados (...) de nove às seis".
E a cultura japonesa tem muito de jogar a sujeira para baixo do tapete. Esses e outros "problemas" sociais só surgem em obras que buscam propositalmente expor isso. Gantz, no começo, o fazia muito bem.
Assim, mulheres divorciadas trabalhando não são muito mostradas. Uma exceção que me vem à cabeça é a mãe de Yamato e Takeru (Matt e T.K.) de Digimon Adventure I e II. Ainda que superficialmente, a ideia das três primeiras séries Digimon era justamente mostrar dramas comuns de crianças urbanas de classe-média de várias partes do mundo.
Falando em classe-média urbana de todo o globo, basta pensar em seriados como Sex and the City, com mulheres independentes, bem-sucedidas, vaidosas e que não estão dispostas a aturar qualquer homem na vida. Isso acontece no mundo todo, e o Japão não é exceção. Não mesmo!
Para mim, não é sabedoria da natureza, mas sim o choque entre os valores da sociedade moderna contra os da sociedade feudal. Isso explica muito do que acontece no Velho Yamato, que continua velho em vários aspectos.
Até mais!
Os países da Europa, especialmente os do norte, estão passando pelo mesmo problema. Embora os mecanismos demográficos ainda não sejam totalmente conhecidos, o que se sabe até agora indica que os Europeus e japoneses estão apenas antecipando um futuro problema mundial.
É interessante aliás, sabermos que o povo brasileiro, apesar de sua fama de saliente, está começando a passar pelo mesmo problema. Acessem vocês mesmos os dados do site do IBGE sobre as taxas de natalidade brasleira dos últimos anos e confirmem.
Não riam dos japoneses. Logo logo vamos estar na mesma situação que eles.
A diferença aqui é que, como no Japão os quadrinhos são uma diversão popular muito mais que em qualquer outra parte do mundo, acabam sendo um dos meios naturais de divulgação das iniciativas governamentais de incentivo à natalidade.
Os outros países que sofrem desse problema não lançam publicações deste tipo simplesmente porque o mercado de quadrinhos destes países possuem um apelo popular menor, especialmente entre adultos. Aquela famosa mentalidade ocidental de que quadrinho é coisa de criança.
Como o público adulto destes países consomem pouco quadrinho, tampouco os levam a sério, estes não servem como veículo de divulgação eficaz para o público-alvo das campanhas natalistas.
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