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Ago 13
Tiragens Japonesas de Abril a Julho de 2010
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Lancaster |
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3
Categorias: tiragens

Novamente temos um resultado parcial das vendagens dos almanaques de mangá japoneses de acordo com o JMPA (Associação Japonesa das Editoras de Periódicos), trazendo mais uma vez os desempenhos trimestrais nos pontos de venda. Não faço ideia do porquê dessa lista ser tão incompleta, tendo ausentes publicações importantes, se elas vão aparecer de qualquer forma na virada do ano. Mas novamente temos um cenário de concentração de títulos. Temos algumas surpresas: quando todo mundo esperava que a Shonen Ace, da Kadokawa, despencasse com a saída de Neon Genesis Evangelion de suas páginas (ela migrou para a revista Young Ace, da mesma editora), ela conseguiu reagir e subir minimamente em relação ao trimestre anterior. Outra
publicação que conseguiu mostrar fôlego foi a Dragon Age da Fujimi Shobo. Após uma ligeira queda que se seguiu ao crescimento mínimo que se seguiu à sua reformulação editorial (quando a editora cancelou revistas que davam prejuízo, e trouxe os poucos títulos bem sucedidos de cada uma delas para a Dragon Age, fazendo assim que a revista tivesse vários títulos ao menos estáveis), dando a entender que havia um teto para o quanto se poderia subir nessas condições; ela conseguiu reagir, mas o fato é que essa reação tem um nome: High School of the Dead. O título da dupla Shouji e Daisuke Sato esteve em hiato durante o período de execução dessas mudanças na revista. Quando os zumbis voltaram, puxados pelo seu desenho animado (que conta com a assinatura do estúdio Madhouse), a explosiva mistura entre mulheres cheias de carne e curvas, roupas rasgadas, zumbis assassinos, seios que desafiam a gravidade e desenhos afiados acabou fazendo o resto. Exploitation vende, não há como negar, e os zumbis de ambos os Sato acabaram acertando o público na mosca. Levando em conta que a revista – um dos melhores custos-benefício do mercado japonês de almanaques, com mais de mil páginas a um preço módico – sempre foi por natureza dirigida e isso se intensificou após sua reformulação editorial, cada crescimento mínimo tende a ser precioso no frigir dos ovos. É um crescimento de quase 6%, e de grão em grão, isso não é pouca coisa do ponto de vista de uma editora que afinal de contas, é um braço modesto do grupo Kadokawa, mais relacionado à produção de livros de RPG do que quadrinhos em si.
Mas zumbis não foram tudo. Tivemos um pequeno crescimento da revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shuiesha, apontando novamente para uma concentração de mercado: durante este período de constante encolhimento de tiragens, ainda são batidos recordes; mas o encolhimento das tiragens de antologias é mau para o mangá em si: quem sai prejudicados não são as mega-estrelas, são os autores em começo de carreira e, pior, os autores que operam sob perspectivas profissionais mais modestas, que podem expôr seu trabalho em periódicos, conseguir um público reduzido e assim ter um mínimo de leitores regulares para pagar suas contas. Um cenário aonde as antologias menores tendam a desaparecer é um cenário assustador para autores que tenham um perfil um pouco menos popular. Junte a isso a decadência das animações na televisão japonesa, a ascensão das novelas de televisão como preferenciais para adaptações de quadrinhos (fala sério, um mangá juvenil e absurdo como Yankee-Kun to Megane-Chan, publicado na Shonen Magazine da Kodansha, nasceu pra ser adaptado para animação!), e temos um futuro sombrio se desenhando de queda em queda trimestral. A perspectiva é que as Jumps da vida vendam mais e mais, e o resto venda menos e menos.
Ao menos temos alguns títulos encontrando seu patamar de estabilidade. A porra-louca Morning 2, da Kodansha; a Sunday GX da Shogakukan e a Jump Square da Shueisha (que na verdade é, na prática, uma Shonen Jump mensal), encontraram seus patamares de estabilidade. A Square chegou a disparar muito bem nas vendagens a princípio, descendo até um ponto de estabilização que aparentemente foi encontrado, mas revistas mensais têm a vantagem de exigir um investimento menor, justamente por conta de sua periodicidade menor. As revistas informativas também parecem ter crescido um pouco – e a infantil V-Jump foi a que mais cresceu no segmento, enquanto sua concorrente Corocoro despencou um pouco, o que é sempre preocupante. Não vou tecer muitos comentários sobre as revistas femininas, mas o crescimento da revista Asuka tem sido mínimo mas consistente – todo trimestre ela cresce um pouco. Esses sinais são preocupantes: será que o futuro do mangá no Japão pode ser o mesmo dos comic books nos Estados Unidos – a guetização? É um perigo.
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Comentários:
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Outro detalhe é esta guerra contra os scans que são um verdadeiro tiro no pé. Eles deviam pensar em termos de copo "meio cheio", vendo os scanlators como uma publicidade gratuíta - e convenhamos, a maioria das pessoas hoje em dia lê gibi de papel ou fica na internet?
Foi-se o tempo que, nos anos oitenta, não tínhamos acesso fácil à novidades e líamos tudo que era publicado num almanaque ou na chiclete com banana. Hoje a quantidade de informações é tão grande que selecionamos MUITO bem o que lemos. Receioq ue quem tem coragem de ler uma Jump inteirinha de cabo à rabo sejam só os otakus.
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