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Ago 13
A Volta de Kannagi
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Lancaster |
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Categorias: Comic Rex

Kannagi (ou Crazy Shrine Maidens, como aponta o seu subtítulo internacional que ninguém usa), de Eri Takenashi, é o tipo de material que normalmente não pisaria aqui no Maximum Cosmo. É um sub-Oh! My Goddess, voltado a um segmento de fãs hardcore (leia-se, otaku). Mas os eventos que geraram polêmica e o jogaram para frente dos holofotes acabaram por se revelar significativos, porque expuseram os subtextos sociais por trás desse segmento no Japão. Quando a autora trouxe um ex-namorado da personagem para a trama, pronto: houve uma revolta de sua base de leitores, que chegaram a rasgar em público a revista, assumindo que a personagem não era mais virgem e dizer em massa que não queriam sonhar com um ídolo de segunda mão (e diabos, olhem para essa personagem! Ela parece uma garotinha de dez anos, pombas! O que vocês querem que eu pense dessa gente?). A autora acabou adoecendo e duvido que não haja relação direta entre doença e essa reação feroz, gerando uma pausa que dura desde Janeiro de 2009. Não há como negar que isso trouxe atenção para a série, mesmo que pelos motivos errados, a ponto de gerar um spin-off com outra equipe (Kampachi) enquanto a autora não se recuperava. Agora, foi anunciado finalmente o retorno de Kannagi às páginas do almanaque Comic Rex, da Ichijinsha, aonde a série estava sendo publicada. A Rex está entrando em um período de reformulação editorial e o retorno de Kannagi parece fazer parte desse projeto, junto a toda uma nova leva de séries. Vamos ver para onde isso leva. A Dragon Age da Fujimi Shobo e a Comic Blade da Mag Garden tiveram sua leva de novidades, mas de modo geral as reações foram apenas paliativas – terminado o impacto das estreias, as revistas voltaram a perder gradualmente leitores. Vamos ver se a Comic Rex terá melhor sorte.
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Comentários:
Tenho que discordar de você aqui, a começar não foi a base de fãs do mangá que deu esse chilique extremamente imbecil a respeito dele.
Foi uma parcela minima de leitores frequentadores de foruns online que fizeram tais atos porque queriam uma coisa: chamar a atenção.
E ainda por cima conseguiram, justamente por repulsa tanto na internet quanto na midia ao absurdo que foi isso, inclusive da imprensa internacional e fizeram começar um debate sobre a atual situação social que os fans fanaticos por esse tipo de anime no Japão enfrentam.
Mas eu não vejo isso como paliativo para o mangá ter perdido seus fans, tanto que as vendas do mangá e dos DVDs do anime (que na época ainda era exibido na TV) não se alteraram com tal noticia, na verdade eles ainda aumentaram, pois acabou chamando atenção de um publico fora do contexto do mangá que ficou curioso para ver do que se tratava (de maneira semelhante ao anime Hetalia que chamou a atenção incial graças a toda aquela polêmica envolvendo a Coréia do Sul).
Enfim, outro dia estava zapeando pelos canais da TV japonesa quando me deparo com um senhor de 50 anos em um programa de auditorio japonês declarando seu amor otaku e mostrando seu quarto cheio de bonecas de PVC com ele vestindo um cosplay apertadissimo das meninas Touhou e depois dançando as dancinhas de Lucky Star com outros de seus amigos (alguns com cosplay de personagens de um eroge qualquer de apelo moe).
Sério, eu não consigo enxergar outra justificativa que essas pessoas tem senão a de quererem chamar a atenção, de irem em publico só para fazer isso, não duvido que realmente exista gente psicótica ao ponto de não querer que suas personagens idolatradas não sejam virgens ou de se casar com seu travesseiro.
Mas tenho certeza que tais não são maioria dentre os proprios otakus fãs do anime, são os trolls que querem flammear tudo e chamar a atenção, tanto que após esse incidente de Kannagi virou moda entre os 2channer de destruir os materiais seja lá de qual idol/mangá/anime for sempre que declarações como essa vazam (recentemente o mangá GOOD ENDING e a dubladora Aya Hirano foram vitimas disso) até porque os proprios otakus tem noção da situação em que eles estão e se mantem bem com isso.
Quando vejo a impressa falar dos otakus e citar exemplos como esse de sua matéria, só consigo me lembrar dos adolescentes metralhando todo mundo na escola e a impressa botando a culpa no videogame que eles jogavam... Eles podem ajudar a alimentar o vicio, mas o motivo real delas fazerem isso é bem mais profundo...
Alexandre: Eu acabei respondendo de forma mais completa ao dHeku logo abaixo, por isso vou não vou direto ao ponto e vou ser mais breve aqui; mas convenhamos que embora os mais radicais sejam poucos, eles são o reflexo mais radical de algo que já existe em um patamar mais médio entre algum grupo. Digo isso porque é assim com todos os setores radicais. Para haver uma extrema direita ou uma extrema esquerda, é preciso uma direita ou uma esquerda.
percebo que toda vez que você fala sobre kannagi, tem um leve ar de sarcasmo e preconceito com a serie. Talvez você não tenha e mente que ela também vende por ser uma ótima serie de comédia e ter um variado arco de personagens cativantes, e não por ser adorado por fãs - como você intitula - "hardcores"; Realmente existem pessoas deste tipo no japão, mas isso acontece com qualquer serie famosa e não acredito que uma animação e o ova foi feito somente para satisfazer esse público.
claro que isso é um blog pessoal que você expressa somente sua opinião, mas uma vez que você também usa um discurso jornalístico, as vezes o texto se perde entre fatos verídicos e apenas opiniões no mínimo "pre-julgadas" (para não dizer preconceituosas) .Não estou reclamando, ou muito menos fazendo mimimimi, só estou também defendendo meu ponto de vista, e aconselho você a pelo menos ler alguns capítulos e ver como a historia se desenrola para o capitulo do "second-hand", sabe, conhecer sobre o que você fala.
Obrigado.
Alexandre: Bom, vamos lá.
Em primeiro lugar eu dei sim, uma olhada no material e sempre defini a série como um sub-Oh! My Goddess. Vamos olhar bem: acho que nem o mais ardoroso fã de Kannagi pode negar o eco que essa série tem com a outra, mas nesse caso nem vou culpar a premissa porque ela está sendo trabalhada na base do alto conceito. Ou seja, Kannagi é a apreensão moe da premissa básica de Oh! My Goddess para o público de Akihabara, esse sim com perfil de fã hardcore.
Isso porque de modo geral o que caracteriza, no meu entender, o material para fãs hardcore, é 1) a pontualidade do fetiche e 2) a estruturação da história como veículo para a manifestação pontual desses elementos em detrimento de uma história. Mais ou menos como as rotinas obrigatórias de uma ginasta rítmica, entende? Não importa que você conte a mesmíssima trama de sempre, desde que você, digamos, faça a cena da moça caindo e mostrando a calcinha, ou mostre uma menina de óculos, ou mostre uma tsundere, etc – e temos dentro desse raciocínio uma margem de manobra na trama para poder marcar sua pontuação em relação a concorrência. E pessoalmente acho que isso está comendo os animes e mangás, até porque – à sua própria forma – JÁ ACONTECEU ANTES. O perfil para mim é bem claro. Na verdade acho até que a obrigação de pontuar rotinas está mais e mais apertando a criatividade dos autores, porque é mais difícil operar dentro de margem de manobra. Todo mundo já fez algo parecido com o que um novo autor que queira trabalhar nessa área possa querer fazer.
Quanto a Kannagi, nem há como negar o público ao qual ele se dirige. Claro, é bem-feitinho e coisa e tal, mas ele não nega aos seus – está tudo lá e acho até que a abordagem idoru da abertura de sua versão animada deixa claro a quem esse material se dirige (e não custa dizer, a Nagi tem um corpo de uma garotinha de onze anos – mas o roteiro seria o mesmo se ela tivesse o corpo das meninas de um Kentaro Yabuki por exemplo). Não pense que sou um puritano, mas que tem algo errado, tem. Para você ter uma idéia, eu estava vendo ontem mesmo um anime ecchi de 1981 chamado Maicching Machiko Sensei. Eu reparei que ele é aquilo que esse material se propõe a ser: uma comédia maliciosa, sem "rotinas de pontualidades". E sinto que havia um senso de diversão ali que se perdeu quando o modelo "otaku de akihabara" se tornou um porto seguro.
Não admira que animações estejam se tornando menos populares no Japão de hoje e as novelas de televisão estejam crescendo na preferência dos espectadores, gradualmente alijando animes do horário nobre. E convenhamos, Kannagi não é o culpado dos males do universo, mas tem todo o perfil desse cenário de materiais dirigidos e busca pelo fetiche pontual em função de um público que o prioriza. E sim, por isso eu posso dizer: é o otaku quem vem matando pouco a pouco o anime e mangá no Japão.
Kannagi é apenas um fruto desses tempos, nada mais. É sintoma, não doença. Mas que o "caso Kannagi" expôs uma ferida, ah, expôs.
Alguém precisa criar um centro de reabilitação para esses tipos de otakus. Porque fazer uma coisa dessas só porque acham que uma personagem de mangá não é mais virgem definitivamente não é coisa de gente que bate bem da cabeça.
Estou superficialmente informado do "caso Kannagi" e do "caso Hirano Aya", mas concordo com as seguintes afirmações:
"Para haver uma extrema direita ou uma extrema esquerda, é preciso uma direita ou uma esquerda."
"Não admira que animações estejam se tornando menos populares no Japão de hoje e as novelas de televisão estejam crescendo na preferência dos espectadores, gradualmente alijando animes do horário nobre. (...) é o otaku quem vem matando pouco a pouco o anime e mangá no Japão."
Diz um ditado que o sapo que fica na água lentamente aquecida morre cozido sem perceber. Não somos sapos e, além disso, temos a capacidade de analisar a situação por fora - o que é muito bom. Assim é possível notar esse importante fenômeno da morte paulatina.
Até outra vez!
Membros extremados (otakus ou fanboys)existem em todos os lugares...
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
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