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Ago 12
Ranking do Oricon (JP) – 08/08/2010
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Lancaster |
PERMALINK |
6
Categorias: rankings
A chuva vem e lava a alma, varrendo tudo de ruim que está acumulado, permitindo a renovação da terra. No caso, a chuva se chama Shonen Jump, varrendo com seus títulos a sensação de desolação que permeou semana passada, e que traz consigo uma novidade não tão inesperada assim: a mais recente edição de One Piece (quem mais poderia ser?) chega quebrando um recorde histórico: a edição 59 é a que mais vendeu em uma semana de estreia na história dos quadrinhos japoneses. Além do mais, os três volumes precedentes de One Piece se estabeleceram muito bem entre os cem mais vendidos do mercado esta semana – inclusive com a edição 58 no Top 30 geral. Um belo presente de aniversário pra quem acaba de chegar à puberdade (One Piece fez treze anos outro dia mesmo). ;)
Shonen/Para garotos
| Ranking Shonen | Ranking Geral | Título | Editora | Vendas da Semana | Vendas Acumuladas |
| 1 | 1 | One Piece 59 | Shueisha | 1.852.541 | 1.852.541 |
| 2 | 2 | Naruto 52 | Shueisha | 846.206 | 846.206 |
| 3 | 3 | Bleach 46 | Shueisha | 548.912 | 548.912 |
| 4 | 4 | Katekyo Hitman Reborn! 30 | Shueisha | 330.180 | 330.180 |
| 5 | 5 | Gintama 35 | Shueisha | 280.185 | 280.185 |
| 6 | 6 | Bakuman 9 | Shueisha | 251.082 | 251.082 |
| 7 | 8 | Kuroko no Basket 8 | Shueisha | 103.008 | 103.008 |
| 8 | 9 | Beelzebub 7 | Shueisha | 94.433 | 94.433 |
| 9 | 11 | Bleach Official Character Book 2: Masked | Shueisha | 86.454 | 86.454 |
| 10 | 12 | Gekijou Gag Manga Biyori 11 | Shueisha | 80.292 | 80.292 |
| 11 | 15 | Karakuridouji Ultimo 4 | Shueisha | 39.313 | 39.313 |
| 12 | 18 | Soul Eater 17 | Square Enix | 34.011 | 275.119 |
| 13 | 19 | Gintama Character Book 3 | Shueisha | 33.429 | 33.429 |
| 14 | 20 | Pandora Hearts 12 | Square Enix | 32.297 | 140.572 |
| 15 | 21 | One Piece 58 | Shueisha | 30.498 | 2.312.304 |
| 16 | 25 | Hokenshitsu no Shinigami 4 | Shueisha | 28.375 | 28.375 |
Seinen/Para jovens adultos
| Ranking Seinen | Ranking Geral | Título | Editora | Vendas da Semana | Vendas Acumuladas |
| 1 | 10 | Initial D 41 | Kodansha | 91.708 | 91.708 |
| 2 | 13 | Detroit Metal City 10 | Hakusensha | 45.468 | 137.880 |
| 3 | 14 | Bartender 17 | Shueisha | 44.608 | 44.608 |
| 4 | 16 | Omamori Himari 7 | Kadokawa | 37.808 | 37.808 |
| 5 | 22 | Billy Bat 4 | Kodansha | 29.491 | 206.781 |
| 6 | 23 | Ikigami 8 | Shogakukan | 29.261 | 56.957 |
| 7 | 27 | Shinjuku Swan 23 | Kodansha | 26.673 | 26.673 |
Naruto chega em segundo lugar, e duvido que Masashi Kishimoto esteja reclamando das vendagens de sua série. São quase 850.000 exemplares vendidos, e esses são números de primeira linha em qualquer lugar do mundo. Mas convenhamos que Naruto poderia estar vendendo mais. Acredito que o próximo volume vá vender melhor na sua primeira semana por conta das recentes revelações da série, mas para um título de peso, mas falamos de uma série em que cada volume usualmente deixa o ranking se aproximando do milhão de exemplares. O fato de ter saído na mesma semana em que One Piece puxou todos os holofotes para si talvez tenha ajudado. Aproveitando, acho que talvez esse seja o ponto que faça a diferença no desenvolvimento de popularidade de One Piece em relação a Naruto. Naruto é muito mais ancorado em uma estrutura narrativa de longo prazo, tendo uma trama maior que está sendo longamente desenvolvida. A medida em que a história avança, percebemos que há um rumo com pontos fixos, e o autor não se desvia deles – conduz tudo firmemente para onde quer. One Piece por sua vez tem uma trama extensa, sim; mas é bem mais amigável ao leitor novato, oferecendo portos ao longo da série aonde os marinheiros de primeira viagem possam embarcar. One Piece é tocado de forma muito mais intuitiva do que Naruto, e não fossem as mãos habilidosas de Oda, isso poderia ser um perigo: Oda é repleto de ideias malucas e gosta de experimentá-las em pleno curso de viagem, embolando rocambolescamente a trama, mas sempre garantindo a diversão no processo. São duas experiências
diferentes de leitura, e cada uma tem seus méritos.
Bakuman, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata (que como todo mundo que lê este blog já está completamente careca de saber, é a minha série favorita da atual grade da jump ao lado do Sket Dance de Kenta Shinohara – e estou achando Swot interessante, mas é cedo antes de dizer se ele tem futuro), chega a seu nono volume com mais de 250.000 edições vendidas. Ótimo, ainda mais se pensarmos na natureza de seu tema. Não é um mangá de luta. É um mangá sobre dois jovens quadrinhistas construindo uma carreira. E por isso mesmo é tão significativa a presença desse material nos mais vendidos. Outro que também merece atenção é o inacreditável Gag Manga Biyori, de Kousuke Masuda. A série, como o próprio título diz, é um gag mangá, absurdamente mal desenhado como se espera da média dos gag mangás, e sem personagens fixos. É muito bem-sucedido, especialmente se levarmos em conta que gag mangás são materiais que funcionam melhor dentro da dinâmica das antologias do que dos volumes compilados. Sua série foi publicada na finada Shonen Jump Mensal e, após seu cancelamento, foi parar na Jump Square. É um humor insólito, com momentos bem ferinos, como por exemplo quando uma desenhista de shoujo mangá à la Arina Tanemura fica embatucada porque tem que fazer sua protagonista olhar para sua lente de contato caída no chão – quando uma personagem tem os olhos do tamanho de um pires, como representar visualmente uma lente de contato em um dedo, sendo que
de acordo com a lógica, a lente deveria ter o tamanho de um pires? Pode parecer estranha a presença de uma garatuja ambulante como essa série entre os mais vendidos, mas se pensarmos bem, humor nunca precisou se ancorar em bons desenhos para fazer público; basta pensar em Allan Sieber. Antes de ir para a lista Seinen, vamos só anotar: Karakuridouji Ultimo, de Stan Lee e Hiroyuki Takei, não está rendendo muito bem, com aproximadamente 30.000 exemplares. Ele pode se aguentar, porque afinal de contas ele é publicado em uma revista mensal; fosse em uma Jump semanal, com exposição mais frequente, periodicidade mais exígua de encadernados e um investimento maior por trás, já estaria nas bocas do cancelamento.
Vale a pena também apontar para o campeão do segmento seinen da semana: Initial D. A série, publicada na Young Magazine da Kodansha, tem um apelo imenso para fãs de automóveis, dentro e fora do Japão. É um desses materiais cujo mérito é extrapolar o universo de fãs hardcore – e um dos mais fáceis para cativar espectadores e leitores que não sejam necessariamente leitores de anime e mangá. Esse é um mérito imenso. Initial D é uma série que aborda o universo de rachas de automóveis, e esse universo já gerou uma subcultura a parte, mas é uma subcultura de apelo pop imenso – basta lembrar de que há um quinto Velozes e Furiosos em produção. Apesar de seu traço nem de longe ser "bonitinho" ou similar, já passou da hora desse material ser publicado no Brasil. Initial D é uma daquelas séries que melhor expõem também a natureza
verdadeira de certos títulos com o sufixo "Young" nas costas: ele está longe de ser realmente um quadrinho para leitores adultos. É um shonenzão, voltado a um público mais velho. E um shonenzão dos bons, aliás.
Detroit Metal City, Ikigami e Billy Bat seguem suas carreiras tranquilamente no segmento adulto. Apesar de uma série com recorte mais otaku como Omamori Himari (que quebra uma tendência de semanas, aonde o material mais otaku tem estado ausente, e essa ausência foi boa; de modo geral material otaku tem um teto de vendagens; quando eles aparecem, é porque os materiais de massa não venderam bem o suficiente – e mesmo em semanas de vacas magras, essa ausência foi significativa), as estreias da semana são mais consistentes em média, como a alcoólica série Bartender, cujo título é auto-explicativo; e a estável série Shinjuku Swan, sobre um olheiro de uma agência de artistas que acabou sendo delegado para um bairro da luz vermelha – lógico que a cafetinagem em geral não gosta da ideia de um sujeito que surge para levar suas meninas para longe. Essa série tem uma premissa interessante, um pouco mais realista do que o normal, mas é possível encontrar grande diversão longe da fantasia – tanto é que esse material já rendeu novela de televisão e similares no Japão. Não custa lembrar, vem da mesma Young Magazine de onde saltou Initial D. Enfim, a lista tem um percalço ou outro em sua extensão, mas no todo essa foi uma boa semana. Muito boa, aliás.
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Comentários:
Bakuman "oficial" continua morno de dar desgosto (e seus momentos "tcham, tcham, tcham, tchaaaaam" não têm mais a mesma força), mas o especial Otter 11 deu uma guinada na franquia. Alias a história parece mais um seinen nonsense que um shonen. E por isso mesmo me cativou!
Interessante a proposta deste Initial D, e realmente é pop, mas imagino que as pessoas que REALMENTE façam rachas não lêem mangá (ou a esmagadora maioria), engraçado, né?
Alexandre: Tente mostrar Initial D pra pessoas realmente aficionadas por carros. Eles acabam grudados, há registro disso com testemunhas.
E não subestime esse segmento. Durante a faculdade eu fiz uma pesquisa sobre o assunto. No auge, as revistas de tuning existiam ao mesmo tempo, ao monte, e várias delas já chegavam às bancas com o custo de produção pago, só por conta da miríade de anunciantes de lojas de peças pra você transformar seu Simca Chambord em um Batmóvel. O público dessas coisas vive em função do seu carro, vai por mim – e isso fazia com que qualquer coisa feita na cola de Velozes e Furiosos emplacasse nas locadoreas. "Racha – Velocidade sem Limites", a versão para cinema de Initial D, deu muito certo nas locadoras.
Aficionados por automóvel não querem saber se é mangá ou não. Eles querem saber se tem carro e adrenalina. Isso basta.
Alexandre: Sim, mas apanhei pra montar tabelas em html. Deve haver um modo mais fácil. Se isso tomar tempo sempre, vai deixar de valer a pena. Em todo caso essa abordagem está em fase de testes.
Agora, alguns comentários e perguntas:
-Fiquei surpreso com as vendas de Bleach Official Character Book 2: Masked (86.454); é normal um livro de imagens de série vender assim?
Alexandre: Ele não é um livro de ilustrações, mas um guia de personagens, com bastante informação, cobrindo os personagens criados nos últimos quatro anos desde o primeiro livro. Quem tem o primeiro normalmente corre atrás do segundo, e convenhamos que Bleach é uma série muito, muito popular. Não vejo títulos cujos tanko-hons normais orbitam na casa dos 150.000 exemplares vendidos conseguindo vender seus livros de referência com tanta força. Se é Naruto, One Piece e Bleach, vende, mesmo que Bleach ande decrescente.
-Que série é essa (Swot)[não, eu não leio a Shonen Jump, mas adoro Bleach (Lancaster, somente nós dois que percebemos que a parte mais legal da série é o elemento de "samurai pop", ou é impressão minha?)]?
Alexandre: Swot é uma série recente, está no sexto capítulo. Brigas de gangues escolares, protagonizados por um nerd cujo grande objetivo é limpar a escola em que ele se matriculou. Ninguém espere disso um Crows, fato, mas até agora tem sido bem divertido pra mim e parece estar entrando qualitativamente nos eixos como série de porrada. E sim, realmente Bleach é samurai pop disfarçado de sobrenatural.
-Sobre Gag Manga Biyori,isso é normal; humor (local) vende (e muito), só os otakus radicais não vêem isso.
Alexandre: Bem, nem tanto. Gag Mangas de modo geral ajudam a revista a ter algum tipo de interesse para o leitor casual – tanto que é relativamente normal uma série dessas ser popular em uma revista mas não vender tão bem nos encadernados. Eles são episódicos, fazem rir e funcionam como um desanuviador de fim de edição. Gag Manga Biyori é bem mais bem-sucedido do que a média dos gag-mangas, se olharmos bem.
-Falando sobre a série que poderia ser a Love Junkies do automobilismo nacional, Initial D; nenhuma revista automobilistica se interessou em publicar a história (alias, ela foi oferecida para publicação; algumas histórias dezem que sim, outras que não)?
Alexandre: Não ouvi falar de nenhuma iniciativa nesse sentido.
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
já faz um tempo que não leio bakuman mas fico imaginando quando sair a sua animação quanto sera que ele vai vender,se ainda estiver sendo lançando o manga
Alexandre: Não acho que Bakuman vá ser uma série tão longa assim. Acredito que o mangá poderia muito bem terminar quase simultaneamente ao anime, se Ohba tiver em mente qual será o final.
Vamos continuar torcendo para que esta situação se mantenha.
Que bizarro, eu achei ruim demais, quase capotei quando li isso. Eu vou esperar começar a ser rankeado, se ficar bem eu volto a ler, mas acho que vai ser igual Metalika.
Aí eu lembro que você não gosta de Beelzebub, mangá que invariavelmente é coparado com Swot, mas as opniões são sempre contrárias às daqui.
Alexandre: Bom, eu não disse que acho genial. Eu disse que acho interessante – eu pelo menos não deixei de ler. Até porque a série ganhou um objetivo mais concreto em relação ao one-shot. Mas não dá pra comparar com Metallica – aquilo é um frankenstein bizarro de diversas séries bem-sucedidas, você encontra ali Dragon Ball, Dragon Quest, Hunter X Hunter – mas as costuras estão à mostra. Mas acho que Swot é melhor do que, digamos, Medaka Box. É série que mesmo se emplacar, tem cara de "eterno meio de ranking".
Sobre Bakuman acho que já poderiam sinalizar o fim da série. Toda hora acho que vai entrar no arco final mas sempre há espaço para mais umas coisas. Está tendendo a ficar enfadonho. Espero que resolvam logo isso e definam de uma vez por todas o que é o tal "Bakuman" dentro da série.
Um gag mangá que sai numa revista mensal vender 80 mil na semana foi o ponto alto desse ranking pra mim. Uma pena que é tão difícil acompanhar essa série por aqui.
Ah, e ficou bacana mesmo essa tabelinha. =D
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