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Ago 03
Entrevista com Ujiko-Ujio na Big Comic Spirits
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Categorias: Naoki Urasawa

Eu já escrevi em outra ocasião essa história: todo mundo ficou surpreso quando o quadrinhista Howard Chaykin, aclamado a aquela altura de sua carreira por obras como American Flagg e Falcão Negro (dois dos meus títulos favoritos de adolescência. O quadrinho americano já foi muito bom, acreditem), anunciou aos quatro ventos que estaria produzindo uma história pornô (Black Kiss). Em uma das introduções ao seu trabalho, ele explicou seu ponto: ele não se incomodava que nerds que nunca tiraram uma nota decente em ciências no colégio escrevessem gibis pseudo-científicos de super-heróis, mandando todas as leis da física para os quintos dos infernos. Mais incômodo para ele era ver que os quadrinhos pornôs eram escritos por gente que parecia nunca ter nem falado com uma mulher em toda a sua vida. E por isso ele se meteu a escrever algo no gênero – algo escandaloso no mainstream do quadrinho americano. Quando leio certas histórias em quadrinhos românticas japonesas, penso seriamente que esse raciocínio também se aplica nelas.
E o que Naoki Urasawa, autor de Monster e 20th Century Boys, tem a ver com isso? É que ele também parece pensar da mesma forma. Dentro do citado 20th Century Boys, ele plantou uma brincadeira referencial: a dupla de quadrinhistas Ujiko-Ujio (cujo nome é descaradamente uma gozação com a famosa dupla Fujiko Fujio, criadora de Doraemon e inúmeros outros personagens infantis). Naoki aproveitou esses personagens para histórias curtas e, principalmente, para uma
paródia chamada Aozora Chu-Izo, que detona de uma tacada só todas as comédias românticas absurdas aonde meninas mais do que bonitinhas (e burras demais pra se dar conta dos atributos que tem), que acabam (mais estupidamente ainda) formando um casal com um sujeito repelentemente mané. Inserido no contexto de outras histórias curtas que Urasawa perpetrou com a dupla, dá para entender que a piada é essa: só uma dupla de nerds que nunca souberam o que é uma mulher de verdade poderia produzir essas histórias (claro, sempre há o caso de autores como Ken Akamatsu, de Love Hina e Negima, que mesmo com um perfil nerd e bobão similar, se casou [após se encher de grana] com uma bonita modelo e cosplayer, mas isso é problema dele e este blog não é a revista Contigo dos mangás). Junte ao bolo um traço que deliberadamente parece ter saído de alguma história esquecida da Shonen Sunday do final dos anos oitenta, começo dos anos noventa, e o deboche está feito.
Agora nossos desenhistas de mentira aparecem em uma entrevista de mentira na edição de 2 de agosto da revista semanal para leitores maduros Big Comic Spirits, da Shogakukan. Isso tem sua razão de ser: faz parte da divulgação do volume que compila essas histórias, 20 Seiki Shounen no Wakiyaku – ou, muito apropriadamente, "20th Century Boys Spinoff", com direito a um concurso para os leitores concorrerem a uma edição autografada do material. Que ninguém diga que o povo não gosta de maldade. E talvez Chaykin – e Urasawa – estejam certos: deveriam pensar duas vezes em entregar uma história de romance a alguém que nunca teve uma namorada na vida.
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Comentários:
Nossa, me deu mais vontade ainda de ler 20th Century Boys!!!!!!
Sempre achei mais que absurdo um cara incrivelmente pamonha, feio, burro (muitas vezes pervertido), que nunca nenhuma mulher reparou (positivamente) e do nada tromba com A miss perfeição e pronto... brota mulher de tudo quanto é canto e... ele não pega ninguém!!! Afffffffffffff
Esses tipos de protagonistas sempre sonham em ter namorada mas quando arranja uma possivel candidata (ou várias) eles não fazem nada!!!!! Não to dizendo que precisa transar com ela, mas pelo menos escolhe uma logo para namorar e fim!!! Ficar no chove e não molha já não dá mais pra mim.
E isso também fale pros shoujos, com suas milhares de protagonistas songa mongas que não sabem se virar sozinhas, ficam correndo atrás de homem que não quer saber delas (mas graças a deus de uns tempos para cá já está aumentando o número de protagonistas mais inteligentes e fortes)
Alexandre Bom, 20th Century Boys é sensacional, mas não é bem essa a tônica da coisa. Ele apenas aproveitou o Ujiko-Ukio para brincar com o assunto.
E sim, esse "no Japão" foi só pra tirar o meu da reta.
Alexandre É claro.
Alexandre: E você acha que isso não foi deliberado? XD
(Há tantos japoneses assim que comem torradas de manhã? Nos mangás de culinária que eu vi, o café da manhã típico nipônico envolve bolos de arroz e similares, sendo o pão relativamente raro...)
Alexandre: Não faço idéia, mesmo. Mas a torrada se tornou emblemática. XD
Mas aí, acho que a história nem ia durar tanto...E as estátuas de PVC do meu par romântico não iam vender tanto *_*
Alexandre: Faz sentido, mas é mais importante ter jogo de cintura e pedir para sua namorada fazer essas poses estratégicas pessoalmente para você. É mais divertido e você não vai apanhar de uma garota furiosa depois. XD
Afinal a obrigação de um mangá é vender e entreter, e não dar lição de vida... :-)
Alexandre: É um ponto. Mas não sei se rio ou choro disso. XD
O café da manhã tradicional dos japoneses já é uma coisa das gerações antigas... O público dos mangás culinários!
Tudo explicado, eu acho.
Alexandre: Faz sentido.
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