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Jul 26
A Lontra de Bakuman
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Categorias: Bakuman

Quem lê regularmente a fabulosa série Bakuman, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, publicada na revista semanal para garotos Shonen Jump, da Shueisha, acompanha também o que poderia ser chamado de uma "grade ideal" da Jump em gradual formação. É meio decepcionante acompanharmos na ficção os desempenhos de títulos como Crow, +Natural, Detective Trap e, agora, Perfect Crime Party (a mais recente série assinada pelos protagonistas Shujin
e Mashiro)… e, em seguida, voltarmos a realidade e darmos de cara com Shonen Shikku, Metallica Metalluca e Katekyo Hitman Reborn (não venham me defender a série hoje, por favor, que não estou com saco para isso. Obrigado). Bem, agora vemos o primeiro desse manancial de personagens criados ficcionalmente por Ohba e Obata ganhar vida própria: o mangá Otters 11, do problemático desenhista cachaceiro Hiramaru Kazuya vai ganhar uma história especial nas páginas da edição de 8 de agosto da Shonen Jump na vida real, mostrando as excêntricas aventuras de uma lontra antropomórfica em meio aos humanos e sua mediocridade, consertando os problemas que as pessoas comuns acabam fatalmente criando, com seus dois punhos que se transformam em pedras. Depois desssa notícia, eu não duvido que outros personagens da série possam ganhar seus especiais no futuro – a porta foi aberta, afinal, e a vontade de ler Crow e Trap em ação é grande. Ah, sim, aproveitando a deixa, um bando de fãs criou uma Bakuman Wiki – uma mini Wikipedia dedicada ao universo da série, que pode ser vista AQUI. Refresquei a memória por aqui, confirmando alguns dados extras nela, e achei que valia a pena divulgar a iniciativa.
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Comentários:
Alexandre: Ele é uma espécie de frankenstein de diversas obras de sucesso, misturando Dragon Ball, Hunter X Hunter e até mesmo um tico de Full Metal Alchemist. Montar elementos avulsos não seria problema se ele daí criasse algo novo. Mas não foi o que aconteceu: vemos de onde ele tira tudo, assim, de cara. E o público parece estar respondendo bem mal a isso.
A série deixou de ser a minha favorita faz tempo. Nem de longe ela mostra o que é a vida de um mangaká, exceto pela perspectiva "dragon ball" da coisa: dois novatos "gênios" que logo de cara conseguem um editor na Shueisha... O Mashiro com sua força de vontade alienígena que deve fazer inveja até mesmo para Deus... A maneira robótica com que eles fazem tudo e conseguem contornar seus próprios erros numa velocidade inumana...
Sem falar que os meninos simplesmente NÃO TÊM problemas pessoais. Mãe: "Não, Mashiro, você não vai desnehar mangá, isso não dá futuro!" duas páginas depois: "Seu pai mandou eu calar a boca e deixar você fazer." Sogro: "Não, você não vai casar com a minha filha" Duas páginas depois. "oh, eu conheci este mangaká teimoso feito mula que morreu pobre e endividado e por isso deixo você casar com a minha filha!" Dããããã...
Bakuman, para mim, tem sido uma montanha de decepções. Mas não é de se espantar, estamos falando da JUMP...
Alexandre: Jussara, apesar de tudo esse AINDA é um quadrinho para garotos. Não estamos mais no fim dos anos sessenta/começo dos anos setenta, quando na edição de estreia da Shonen Jump (após o cancelamento da Shonen Book), tínhamos o Otoko no Jouken de Ikki Kajiwara, que mostra com uma perspectiva bem mais barra-pesada a profissão de quadrinhista (e que é homenageada lá no comecinho de Bakuman, lembra?). E que não por acaso, teve apenas seis volumes – foi cortada pela Jump, mas acabou virando cult e ganhando respeito ao longo do tempo.
Quanto ao Mashiro, o único problema pessoal que ele poderia ter seria ser chutado pela Azuki. E algo me diz que isso seria o mais plausível: descobrir que aqueles votos de juventude são... votos de juventude.
Não é a toa que o Japão está sendo infestado de "herbívoros", pois estes garotos olham para os seus heróis do mangá (que, como vc mesmo disse, fazem - ou fizeram - parte integrante da vida de um japonês) e percebem a rapidez com que seus heróis conseguem ganhar tudo na vida e depois olham para si mesmos e suas dificuldades. Fico imaginando quantos aspirantes à mangaká devem ter se achando uns bostas ao se compararem com o Mashiro e sua força de vontade obsessiva e desistiram da carreira.
Uma coisa que parece que ninguém entende é que nivelar as faixas etárias por baixo é o verdadeiro motivo que está fazendo várias formas de entretenimento ficarem obsoletas. Pense nos Muppets: uma série feita para CRIANÇAS e que ainda assim zoava políticos corruptos e fazia uma piada envolvendo Charlie Parker... uma figura que uma criança pode até não conhecer, mas ri pelo contexto; e faz adultos saxofonistas irem ao delírio.
Castelo Ra Tim Bum era uma coisa bem bobinha voltada para crianças, mas até hoje se estiver passando eu assisto, assim como a minha mãe de 58 anos e minha prima de 13. Em compensação Ilha Ra Tim Bum me dói na alma até hoje.
Não estou dizendo que Turma da Monica Mangá era para ser uma espécie de "Anos Incríveis" (que não era esta coca-cola toda não...), mas custava subir o nível um bocadinho?
Mas talvez o problema seja realmente eu, uma marmanja brasileira do sexo feminino lendo uma revista voltada para garotos japoneses de 14 anos. Talvez eu simplesmente deva esquecer a Jump de uma vez...
Duvido que role, Alexandre. A série tem consistentemente evitado QUALQUER trama envolvendo a vida pessoal dos personagens! Quando aparece alguma, é resolvida da forma mais rápida e primária possível. Não me surpreende muito, já que Death Note era similar, mas ao menos naquela série o resto da história tinha reviravoltas o bastante para manter o interesse.
Já há algum tempo, porém, que Bakuman virou um grande anúncio da Jump. "Venha trabalhar na Jump, somos os melhores e aqui você tem sua maior chance de sucesso!" Não está muito diferente dos filmes do Eisenstein que você gosta de criticar, com a diferença que Bakuman defende uma "ideologia" que a qual você concorda...
Eu compro a edição francesa da série (yup, eu gasto dinheiro com Bakuman) apenas porque acho interessantes as explicações de como funciona o mecanismo interno da Jump, porque como história há muito que ela entrou em piloto automático.
Abraços.
E a personalidade deles era, apesar de ingênua também, trabalhada de um modo MUITO menos odioso e irritante que Bakuman. E os personagens, ao menos, tinham alguns problemas pessoais mais graves: Sakuragui perdeu o pai, os veteranos de todos os times se encontram "na corda bamba" para ganhar o intercolegial, do contrário terão que desistir do seu sonho de virar jogadores de basquete. Sem falar nos dramas como o do Mitsu e outros. E NENHUM deles é um drama cabeçudo de mangá Indie, todos eles são colocados bem de leve na trama, na dose certa, como todo mangá shonen devem ser - mesmo assim ainda estavam lá, mostrando que apesar de "gênios" os personagens não eram deuses intocados pelo mundano.
E a propósito, eu não disse que a série desestimula os aspirantes à quadrinistas OTAKUS que provavelmente devem estar se matando neste minuto para produzir seus mangazinhos e apresentar à Jump, falei que desestimula os aspirantes "normais" (lembre-se, mangá, no Japão, não é só para Otaku, que parece ser 85% do público de mangás aqui no Brasil). Não dá para um moleque do colégio, que tem outros interesses na vida além do mangá (ou seja, um não-otaku), se retratar num cara sortudo pra cacete, que logo de cara ganha um estúdio só para ele, não tem que gastar a mesada comprando papel e tinta, não tem os pais o aporrinhando para arrumar um "emprego de verdade" e ainda tem uma noiva praticamente garantida que ele se RECUSA a sequer olhar na cara até "os sonhos se realizarem".
Mas tudo bem, concordo que Bakuman é só uma obra para vc se divertir, mas sinceramente eu não consigo mais me divertir com ela à tempos. Os personagens são idiotas, irritantes e teimosos feito mulas, tomando atitudes que acho que nem uma criança no jardim de infância tomaria. Se você gosta de ler um mangá com personagens assim, boa leitura para você.
E nem sei por que você tocou neste assunto. Bakuman é "banal" por acaso?
Engraçado como VENDE, não?
E eu não disse que Bakuman era TÃO ruim, só disse que não me agradava mais.
Creio que o Tiago tava tirando uma onda, sobre a qualidade duvidosa do que vende mais :O, mas isso não vem ao caso.
Estamos falando de coisas diferentes, eu disse que esses argumentos são características shonem, e são sim, se Slam Dunk tem personagens mais bem construídos é por mérito do Inoue, mas isso não muda nem um pouco o fato de ter exatamente as mesmas características narrativas e argumentativas, mesmo que tratadas de forma diferente tendendo a um maior ou menor realismo indo e vindo por característica de quem escreve o argumento.
Sobre desestimular aspirantes a desenhistas normais, discordo veemente do que tu disseste, é justamente o contrário, se uma pessoa não viciada em mangás, com uma vida pra cuidar, estiver lendo esse mangá, com certeza vai entender que isso é apenas um mangá, não vai imaginar ser que nem os personagens, é o mesmo que pensar que quem ler qualquer mangá temático, seja de boxe, tênis ou luta livre, vai se sentir desestimulado por não conseguir fazer o que se faz na revistinha.
Compartilho contigo um problema, o de achar que sempre que uma pessoa que comenta um um blog de notícias sobre mangás etc. sempre vai ser o garotinho aficcionado em Naruto que não tem muito a oferecer e só conhece otakus. Mas nem sempre é verdade, por isso eu costumo comentar só aqui, onde é quase impossível encontrar esse tipo de leitor.
Tu deves ter lido rápido o final do meu comentário vou colocar aqui no finalzinho de novo ^^
Acredito que o mangá está sofrendo com a onda do pós cult pros brasileiros, aquela síndrome onde as primeiras pessoas que começam a gostar de algo e tomá-la pra si, começam a desgostar com a "banalização" e popularidade de determinado produto, cultural ou não.
Beijos (com todo respeito) Jussara ^^
e abraço a todos
Mas o spin-off definitivo de Bakuman seria um 4koma baseado no Hiramaru.
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