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Jul 26
55 Anos de carreira para Kazuo Umezu
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Categorias: homenagem

Kazuo Umezu é mais do que uma figurinha excêntrica que se veste como aquele garotinho que metia a mão numa caixa de biscoitos no velho logo da Tostines (algum ser humano ainda lembra?), e pior, pintou a casa no mesmo padrão de listras vermelhas e brancas para o horror da vizinhança, como se ele fosse, sozinho, uma espécie de Família Addams da vida real. Ele é um dos mais
importantes autores na história dos quadrinhos japoneses, por conta de seu pioneirismo e relevância em gêneros que posteriormente se tornariam importantes (foi ele o criador, na mídia dos mangás, do gênero "comédia romântica para garotos", com a arqueológica série Romansu no Kusuri; e é considerado o grande mestre dos quadrinhos de horror no Japão, tendo uma vasta obra no gênero – o maior prêmio aos quadrinhos de horror no Japão, inclusive, tem o nome de Prêmio Umezu). Por conta de tudo isso, ele é enormemente reverenciado e seus 55 anos de carreira estão rendendo mais uma exposição dedicada à obra do autor. O evento acontecerá em Osaka, entre 15 e 31 de Agosto, e exibirá, claro, vários originais do autor. Nada de incomum no Japão – que sabe tratar bem seus grandes quadrinhistas. Mas é uma bela desculpa para falar do sujeito e mostrar que ele anda vivo e forte. O velhinho merece. Ah, sim, a imagem no topo é daquela que é considerada sua obra-prima, Drifting Classroom, publicada na revista Shonen Magazine, da Kodansha, nos anos setenta (como não poderia deixar de ser). E não se esqueçam, crianças: GWASH! (digitem no Google e vocês vão entender).
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Comentários:
Alexandre: Não que eu concorde 100%, mas faz muito sentido: ele é fruto da guerra fria e da paranóia nuclear, e se pensarmos bem, esses tempos trouxeram uma nova modalidade de horror – um horror "científico", onde a ameaça não surgia do sobrenatural / demônio, a menos que a gente pense que o demônio em si é a caixa de pandora que a ciência abriu. Nesse terreno a gente coloca os filmes de zumbi do Romero. São horror e tem uma origem científica.
Se bem que em Drifting Classroom a natureza da coisa não é muito clara a princípio...
Já Cat Eyed-Boy, o único outro título que eu li do Umezu, é mediano. Dá pra notar claramente a influência do Shigeru Mizuki nesse segundo, na verdade, as semelhanças são tantas que é difícil perceber a originalidade do Umezu. Li outros one-shots breves, mas gostaria mesmo de saber se algum outro chega perto do que foi Drifting Classroom. Makoto-Chan eu tentei, mas não dá, é aquele humor escatológico que só japonês entende.
Alexandre: Eu tenho vontade de ler o Makoto-Chan. E o fato dele ser seu maior sucesso só mostra o quanto Umezu foi um artista plural, nunca estacionando em um gênero só, apesar dele ser mais associado ao horror.
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