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Um Outro Olhar sobre o Pós-Guerra

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Lancaster | PERMALINK | 3

Categorias: exposições

Town of Evening Calm, Country of Cherry Blossoms

Yunagi no Machi, Sakura no Kuni, de Fumiyo Kouno (publicado nos Estados Unidos como Town of Evening Calm, Country of Cherry Blossoms pela editora Last Gasp), é uma premiada história de volume único que merecia ser olhada por mais atenção por nossas editoras voltadas aos segmentos para livrarias. Publicada na revista Manga Action da Futabasha e lançada em 2004, a história tem como protagonistas duas moradoras da cidade de Hiroshima, em dois períodos bem distintos de tempo: 1955, quando as feridas da destruição ainda eram visíveis, e décadas depois, quando as marcas físicas da desgraça parecem ter sido apagadas, mas a presença da tragédia parece permanecer de forma indireta, no comportamento daqueles que não a viveram, mas foram educados pelos que a sofreram e tiveram seus comportamentos e visão de mundo alterados para sempre. Esse material levou para casa dois dos mais importantes prêmios quadrinhísticos do Japão: o Grande Prêmio do Festival de Artes Midiáticas em 2004 e o Prêmio Cultural Osamu Tezuka em 2005. Agora, anos depois, a obra continua rendendo frutos e respeitabilidade: dentro da programação de uma conferência sobre Quadrinhos e a Segunda Grande Guerra, a livraria In Libro, de Ikebukuro (Tokyo), exibirá uma mostra de artes originais desse trabalho e Kono Sekai no Katasuminide outra das suas séries ambientadas na Hiroshima da mesma época, Kono Sekai no Katasumini (outra série premiada no Festival de Artes Midiáticas, em 2009; conta a história do cotidiano simples de uma mulher que passa a viver em Hiroshima durante o andamento da Segunda Guerra, através de um casamento arranjado; tem três volumes ao todo), tendo doze peças sendo expostas. Embora Kouno não tenha uma arte para lá de impressionante (ela tem um traço mais largado, típico das desenhistas do segmento josei, voltado a mulheres adultas; produz material do gênero para revistas como a Be Love e parece deixar os seus trabalhos mais autorais para a Manga Action), o ponto é que não é esse o aspecto mais importante em seu trabalho. O importante nas suas histórias de época, que tem conotações autobiográficas (a autora nasceu em Hiroshima no ano de 1968, tendo entrado tardiamente no mercado de mangás, em 1995) sempre foi a sua reconstrução dos traumas de um período que, de geração em geração, criaram fantasmas que, de uma forma ou de outra, podem ser sentidos até hoje. Ela cresceu com eles, ela sabe do que está falando, ela os conhece muito bem – e pelo visto, as maiores cicatrizes podem não ser causadas pelas dores de uma catástrofe, e sim os traumas que são transmitidos dentro do mais insuspeito cotidiano familiar.


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Comentários:

Nome: Alexandre Nagado 22/07/10 12:00
Eu estive em Hiroshima em 2008. A cidade é uma das mais modernas porque teve que ser totalmente reconstruída. O único prédio que restou foi preservado como ficou após a bomba, semidestruído.

O museu de Hiroshima é impressionante e lá você sente uma emoção indescritível. Você se sente pisando em solo sagrado. Conheci uma sobrevivente da bomba que contou relatos que me assombram até hoje.

Por isso, toda e qualquer iniciativa de se contar a história daqueles tempos e do que as primeiras gerações sofreram é válida. É História, todos deviam saber.

Foi há muito tempo, mas andando por Hiroshima, você percebe que as cicatrizes nunca fecharão. Há um memorial que é sempre atualizado, pois cada um que morre decorrente de alguma doença provocada pela radiação (e existem vários até hoje - incluindo descendentes dos sobreviventes) tem seu nome escrito no memorial.

Não sabia desse mangá, mas parece bem interessante e, pelo tema, deveria ser leitura essencial. Tomara que lancem por aqui.

Abraços
Nome: Gustavo 31/07/10 05:28
Você viu Lancaster? Esse mangá vai ser lançado pela JBC esse mês no selo Graphic Novel.

Alexandre: Estou absolutamente surpreso. O_O
Nome: Matheus Gustavo 31/07/10 07:31
A JBC vai lançar essa mangá o_o

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