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Jul 16
Ranking do Oricon (JP) – 11/07/2010
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Lancaster |
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12
Categorias: rankings

Dizendo logo: a lista desta semana, assim como a da semana passada, está até boa; mas conta pontos para isso o fato de que a lista não é muito diferente da semana passada, o que não é bom. A lista para garotos é praticamente uma cópia carbono da semana anterior; já a lista para adultos tem um bocado de boas estreias, incluindo os campeões da semana (Moyashimon no topo). O chato é que por conta disso, eu praticamente não devo falar dos quadrinhos para garotos dessa semana. O que eu tinha a falar foi dito semana passada.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Claymore 18 (Shueisha) – 82.014 / 182.180 [8]
02. Nurarihyon no Mago 11 (Shueisha) – 78.800 / 176.985 [9]
03. Toriko 10 (Shueisha) – 69.099 / 158.452 [10]
04. Sket Dance 14 (Shueisha) – 54.659 / 124.341 [13]
05. Pyu to Fuku! Jaguar 19 (Shueisha) – 42.932 / 86.096 [15]
06. Medaka Box 5 (Shueisha) – 42.418 / 101.697 [16]
07. Kure-Nai 5 (Shueisha) – 41.884 / 96.141 [17]
08. Psyren 12 (Shueisha) – 35.584 / 82.213 [21]
09. Kuroshitsuji 9 (Square Enix) – 34.956 / 513.038 [23]
10. One Piece 58 (Shueisha) – 33.758 / 2.218.180 [25]
11. Shiki 8 (Shueisha) – 33.542 / 71.857 [26]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Moyashimon 9 (Kodansha) – 240.670 / 240.670 [1]
02. Minami-ke 7 (Kodansha) – 127.807 / 127.807 [4]
03. Highschool of the Dead 6 (Kadokawa / Fujimi Shobo) – 92.040 / 92.040 [5]
04. Drifters 1 (Shonengahosha) – 83.231 / 83.231 [6]
05. Moyashimon 9: Edição de Colecionador (Kodansha) – 82.662 / 82.662 [7]
06. Steel Ball Run 21 (Shueisha) – 68.182 / 155.960 [11]
07. Kenka Shobai 21 (Kodansha) – 43.903 / 43.903 [14]
08. Team Medical Dragon 23 (Shogakukan) – 39.613 / 150.437 [18]
09. Ookiku Furikabutte 15 (Kodansha) – 39.009 / 411.029 [19]
10. Minami-ke 7: Edição de Colecionador (Kodansha) – 35.057 / 35.057 [22]
11. Summer Wars 3 (Kadokawa) – 34.584 / 87.996 [24]
12. Wangan Midnight C1 Runner 3 (Kodansha) – 31.876 / 31.876 [28]
13. Gaku - Minna no Yama 12 (Shogakukan) – 31.069 / 105.339 [29]
O que me faz escrever diretamente aqui sobre o demográfico seinen. Como eu já disse, o topo tanto desse segmento quanto da lista geral é o hit Moyashimon, que conseguiu algo inusitado para títulos adultos: se popularizar via lobby do fofinho. É que a história gira em torno de um protagonista capaz de ver e se comunicar com seres microscópicos, e embora eles sejam desenhados com certa acuracidade científica, eles se tornam simpáticos – e prontos para virar plushies e outros objetos de pelúcia, além de um sem-número de outros artigos. Isso com certeza está enchendo o autor de grana, muita, muita grana. O segundo lugar é Minami-Ke, uma comédia meio sem pé nem cabeça sobre o cotidiano de três irmãs não muito normais. Esses dois títulos tem em comum tanto o fato de serem publicados pela Kodansha (respectivamente nas revistas Evening e Young Magazine) quanto a sua dupla presença na lista dos mais vendidos, graças a edições de colecionador com brindes. Então o terceiro lugar acaba ganhando destaque por estar sendo impulsionado pela sua versão animada na televisão: Highschool of the Dead é um título que dá o que promete: zumbis e garotas com curvas fartas e pouca roupa. Mais filme B, impossível. Apesar dos desenhos animados encartados em edições limitadas de mangá estarem se revelando uma forma mais barata de usar animação para impulsionar as vendas, a presença televisiva de versões animadas ainda exerce um peso importante na dinâmica de vendas de quadrinhos no Japão e não deve ser negligenciada.

Com tudo isso, perdido no meio disso tudo, fica até fácil deixar de notar que a nova obra de Kouta Hirano, autor de Hellsing, emplacou o seu primeiro volume com mais de 80.000 exemplares vendidos e não duvido que ele consiga chegar aos 100.000 em menos de três semanas. Drifters lembra em alguns aspectos um dos filmes ruins mais influentes que conheço: Freejack, que mostrava pessoas sendo resgatadas instantes antes de suas mortes acidentais através de máquinas do tempo – para fins no mínimo questionáveis. Aqui, a coisa é mais puxada para a Fantasia: humanos comuns, inclusive figuras históricas, são puxados no instante de sua morte para ambos os lados de uma guerra interminável para se juntarem a suas hostes, compostas também de
anões, elfos e a pia da cozinha. O protagonista é o lendário samurai Shimazu Toyohisa, que na vida real veio a falecer em combate na famosa Batalha de Sekigahara (aconteceu em 1600. É nela que começa a saga de Vagabond, lembram?), que luta ao lado de Nobunaga Oga (o homem que unificou o Japão… e morreu vinte anos antes de Toyohisa), Aníbal de Cartago, Cipião o Africano (que tem que esquecer suas diferenças e lutar juntos), a gangue de Butch Cassidy e Sundance Kid – e um piloto japonês da segunda guerra mundial, que trouxe seu avião a tiracolo. Do outro lado, temos Toshizo Hijikata, líder do Shinseigumi (que resistiu a restauração Meiji no século XIX), Minamoto no Yoshitsune (general da era Heian, falecido em 1189), Joana D'Arc, Anastasia Romanova (que ao chegar nesse novo mundo se torna uma poderosa feiticeira) e o místico Grigori Rasputin, que serve a um "Rei Negro" não identificado que traz consigo uma flor de lis na bandeira, sinalizando que ele é algum grande nobre europeu. Alguma duvida que uma história como essa TEM que ser muito legal? Pessoalmente eu jamais fui muito fã de Hellsing, mesmo; mas não dá para desgrudar de Drifters.
A maior parte dos títulos veio da lista anterior, e o maior destaque ao lado dos títulos de topo e, claro, de Drifters, é sem dúvida o hilariante Kenka Shoubai. O grande problema é que eu já falei tantas vezes dessa pérola da porrada e do humor grosso – mais do humor grosso do que da porrada, para ser direto – que não dá para ser extenso sem se repetir aquilo que já foi dito várias vezes em diferentes posts anteriores...

... e na boa: não é material pornô ou coisa parecida, mas ele cria situações de grosseria que beiram realmente a pornografia. É como certas piadas do primeiro Todo Mundo em Pânico (que foi o único da série a prestar): é tão inusitado e absurdo que você ou ri muito, ou se incomoda com os excessos – mas a função é fazer humor, não fazer material pornô. NÃO HÁ meio termo: ele vai incomodar algumas pessoas; é o tipo de material que tem que vir lacrado em banca por aqui. Ou você aceita, ou vai ler outra coisa, simples assim. Então novamente os meus comentários vieram curtos, mas ao menos, são sobre uma lista que está bem recheada na média.
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Comentários:
Esse Drifters parece mesmo muito bom, a lá Extraordinários Gentlemans, só que com figuras reais. O problema é que, justamente por tratar de personalidades que já existiram, periga em ganhar inimigos do lado dos History Fanboys/fangirls que ACHAM que sabiam exatamente como a personagem histórica pensava ou agia (fazendo fanarts e fanfics sobre ela) e ficam furiosos quando é mostrado uma versão diferente do que eles pensam.
Como você deve lembrar (até por viver reclamando disso) semanas de "entressafra" costumam sofrer invasões moezeiras de grande escala, e o fato de duas semanas seguidas desse tipo não sofrerem ataques violentos da "Brigada SOS"( e não é dos bombeiros que estou falando, você sabe), é um presságio excelente para a indústria de quadrinhos japonesa.
Essa surpreendentemente vigorosa e prolongada resistência ao MOE pode indicar não só que o astral do público japonês está finalmente se recuperando de seu longo período de deprimência, como pode indicar que não se trata de uma tendência passageira, mas uma recuperação de fato da confiança do consumidor japonês no futuro.
Claro que certamente não será algo comparável à euforia dos tempos do milagre japonês, mas se as próximas "semanas de entressafra" permanecerem assim - semana jumpiana não conta - saberemos que entramos em uma daqueles períodos de decisiva transição que serão lembrados pelos textos que tratarem da história da cultura J-Pop a serem escritos pelas futuras gerações.
Claro que posso estar me precipitando, mas a esperança é imensa aqui. =)
Um título que fecha a Jump semanal beirando os 100 mil.
Toriko com bons números, mas o que me espanta é ver Sket Dance passar de 120 mil no ranking.
Mas viva a flauta doce. XD
O que se por acaso aconteça me deixara intrigado, pois o Japão a meu ver não esta la passando por transformações tão perceptíveis a olhos estrangeiros.
Alexandre:
Bom, corrigido. Obrigado.
O problema é sua premissa, de que existem pessoas especiais e extraordinárias, cujos grandes feitos são consequência de competências pessoais interiores.
Ninguém é tão bom assim. Aparecendo repentinamente em um ambiente bem distinto, essas importantes figuras históricas estariam bem descontextualizadas, sem poder lançar mão de suas habilidades.
O que seria de Oda Nobubaga sem seus ajudantes ou de Joana D'Arc em uma sociedade sem toda a mitificação em torno de sua pessoa?
Parece-me que é um manga bem divertido e interessante, mas traz em si uma ideia bastante elitista de que existem indivíduos especiais e superiores.
O que é muito perigoso, pois isso fica impregnado no inconsciente de uma parcela do público que, sem notar a influência, pode acabar soltando pérolas como "Uns nasceram para mandar e outros para obedecer." ou "O sucesso é só para os especiais."
A arte e o entretenimento são formadores de opinião poderosos e perigosos.
Alexandre: Pelo contrário – eu acredito profundamente no poder do indivíduo de agir e fazer a diferença. É aqui que reside minha mais profunda rusga com a esquerda. Não acredito que somos fabricados pelo meio, que somos meros marionetes. Se esses caras estivessem em posições de poder e fossem bananas, seriam meros títeres de gente mais poderosa do que eles.
Acredito seriamente que somos o que somos. Não somos frutos amorfos moldados pelo meio – porque muita gente venceu pela força de vontade ao próprio meio. Não somos acidentes históricos, frutos de processos dialéticos. Somos gente. E isso, ninguém nos tira.
De resto, isso é uma série pipoca, pô. Leia e divirta-se. XD
Agora, vendo por outro lado, se a Córsega não tivesse se tornado parte da França e continuasse sendo uma ilhota abandonada no meio do Mediterrâneo, teria Napoleão chegado lá? Se não fosse a Revolução Francesa e a meritocracia que decorreu dela, ele não teria permanecido um tenentinho de artilharia a vida toda?
Portanto não basta ser excepcional, é preciso haver um ambiente propício a seus talentos.
A verdade, como sempre, está no meio do caminho, não nos extremos. Por isso que há muito considero "direita" e "esquerda" conceitos políticos obsoletos.
A individualidade é importante, mas minha vivência e meus estudos me mostram que essa importância é pequena se comparada ao meio em que está o ser.
Somos únicos, sim, mas bem menos do que o sistema quer nos mostrar, de uma maneira enganosa. Aliás, o mito da extrema individualidade é um dos truques do capitalismo.
Manga shônen comerciais, seriados da Disney, filmes de Hollywood, Silvio Santos e tantos outros procuram passar a mensagem de que cada um de nós é exageradamente especial e singular; para, com isso, seduzir o consumidor a comprar o badulaque x supostamente único - e que muitos vão comprar. E aí vêm a massificação de compras - e de pensamento.
Poderia dar alguns exemplos de campeonatos de artes marciais que ilustram a ideia de que "as regras fazem boa parte do campeão", mas creio não ser necessário.
A verdade pode estar mais para um lado, mais para outro, no meio exato, ou mesmo em um extremo, por que não? O grande erro é cair no fetiche do meio-termo e dizer que sempre o ponto médio do caminho é o melhor.
O meio-termo está sempre em função dos extremos, e só valorizá-lo incentiva que posições cada vez mais extremas surjam só para puxar o meio-termo para seu lado.
As séries pipocas são as mais perigosas. Por trás de divertimento inocente podem estar mensagens monstruosas que o autor nem percebe...
Quando Yamcha pede que Shen-Long ressucite todos os que foram mortos por Bû, "exceto os malvados, esses podem ficar mortos mesmo", a coisa é bem maior do que parece...
É assim que se lida com o mal? Quem é bonzinho e quem é malvado? A decisão de um único ser é infalível? Ser um deus-dragão o torna capacitado, lembrando que Enmadaiô mandou Dâbura para o céu só porque ele não queria ir ao inferno e "estava dando muito trabalho"?
E a situação de pais que, depois de ressucitarem, verem seu filho ainda morto, sem entender direito o motivo, para talvez descobrirem que é porque um deus-dragão o considerou "malvado", de acordo com o desejo de Yamcha?
O público geral pode não ter pensado nada disso, mas na narrativa fica a mensagem de que Yamcha pediu assim, Shen-Long cumpriu e tudo ficou bem. Inclusive parece que a Terra melhorou, com essa limpeza (i)moral.
Teeeeeeennnnnnssssoooooo....
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