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Jul 03
Enquanto Isso, na Young Ace... o de Sempre.
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Lancaster |
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Categorias: Young Ace

Convenhamos que o almanaque mensal Young Ace, da Kadokawa Shoten, é uma revista sem nada de mais que, embora volta e meia mostre um sucesso eventual, como a adaptação em quadrinhos do longa animado Summer Wars, acabou se destacando na verdade por ter uma série muito maior do que o seu todo – o Neon Genesis Evangelion de Yoshiyuki Sadamoto, cuja presença é tão forte que, mesmo durante seus hiatos, a série continua ali na forma de brindes, suplementos e outros materiais de interesse (porque senão, vamos ser honestos: ninguém compraria essa revista, e com
razão). Olhando o perfil das suas demais séries, dá para se notar que ela não é diferente de muitos almanaques da própria Kadokawa ou de uma das micro-editoras pertencentes ao seu próprio grupo editorial, repletos de séries com meninas bonitinhas que gerarão desenhos animados exibidos na madrugada e que terão traço de audiência, mas renderão bastante dinheiro em produtos licenciados em lugares dominados pelo fã hardcore como o bairro de Akihabara. Em miúdos, serão as futuras bonequinhas de pvc, e, eventualmente, almofadas em tamanho gigante. E olhando bem, os destaques da Young Ace desse mês são a cara do que realmente é a revista – porque ao contrário do que possa parecer, Evangelion não dita o tom do restante dos títulos ali, nem de longe: De um lado, temos a estreia de uma nova série: Inari, Konkon, Koiiro wa, de Morohe Yoshida. A história é o de praxe: conta a saga de mais um sujeitinho patético (impressão minha ou de acordo com a animação e os quadrinhos japoneses, há uma população inteira de sujeitos patéticos no país? Se isso corresponder a realidade está explicado porque a taxa de natalidade está caindo) que não consegue a menina que ele está a fim por sua incapacidade de se comunicar. Mas ele começa a visitar um templo repleto de cachorros e naturalmente sua vida começa a mudar. Anotem esse nome porque dificilmente esse tipo de material não vira animação em três tempos.
Além disso, eles colocam como destaque de capa a série de 4-Koma (leia-se, aquelas tirinhas verticais de quatro quadros) Hozuki-san chi no Aneki, de Ran Igarashi, sobre uma moça disposta a tudo para seduzir o seu irmão postiço (como diria o Agente 86, "Ahá! O velho truque do falso incesto!"). E para isso, ela se vale de expedientes como aparecer nua em sua cama, ficar em posições exatas para mostrar a ele a calcinha, vestir apenas um avental de cozinha, tentar tomar banho junto a ele, enquanto ele foge como a peste, afinal eles são (tecnicamente) irmão e irmã – se bem que depois de tantos quadrinhos e desenhos animados abordando o tema, eu começo a me perguntar seriamente o quanto isso pode ser flexibilizado no Japão (no caso de irmãos que não são de sangue, filhos de diferentes casamentos ou adoção, etc.); a presença de quadrinhos sobre esse tema é enorme e não parece se limitar apenas ao terreno do fetiche, devido a sua presença até casual em material mais mainstream. Em todo caso, há alguma dúvida de que isso também é sério candidato a virar animação futura, até por conta de ter sua cota de esforço editorial, com direito a destaque de capa comemorando a chegada do primeiro volume as lojas?
Ah, sim, a Young Ace também tem Kurosagi Delivery Corpse e MPD Psycho, puxadas de outras revistas canceladas, mas ninguém liga. E claro, um brindezinho de Evangelion, porque, como sabemos, sem isso ninguém compra a revista.

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Comentários:
Alexandre: O que explicaria não apenas porque a natalidade está despencando como também [politicamente incorreto mode on] porque eles tem o pavor de abrir as portas para os imigrantes: o Japão viraria um país mestiço em três gerações.
Aqui conheço cada garoto que pega qualquer uma mesmo, com uma dessas de mangás, acho que nem pensariam duas vezes O_O
Alexandre: Aqui eu costumo dizer que se decidissem traduzir culturalmente o gênero harém para o Brasil, a pergunta não seria "porque esses dois não se resolvem", mas "por que raios ele se segura para traçar uma que seja".
E sobre essas histórias entre irmãos, independente de serem de sangue ou não, só digo uma coisa: "Gente com probleminha me assusta"
Alexandre: Mas os japoneses não parecem ter probleminha; tem problemão, e dos grandes. XD
Sim, existe. Os otakus para quem este tipo de produção é dedicada. Não custa lembrar que este tipo (deprimente) de sujeito é minoria por lá.
Note que os títulos protagonizados por pamonhas são geralmente os que, ou são declaradamente voltados para o público otaku, ou no mínimo flertam com esse público.
Note ainda que os protagonistas de títulos de massa (que são os que realmente representam o gosto do povão), mesmo os de hoje, como One Piece, Naruto, ou Cross Game, são totalmente diferentes do estereótipo de protagonista japonês que temos no ocidente.
E mesmo quando o protagonista de um título de massa faz o tipo pamonha, sua pamonhice geralmente está inserida dentro de uma história de superação (ainda que a história não esteja enfocada nisso), onde o protagonista rejeita seu bunda-molismo e tenta, por vontado própria ou necessidade, ser alguém melhor. Já nos títulos de nicho, a sua inércia é tratada até com uma certa naturalidade, já que seu público-alvo é naturalmente inerte.
Pamonhas são um tipo humano universal e existem em qualquer cultura. A diferença é que os pamonhas japoneses, chamam mais a atenção (da indústria e do público) que os dos outros países.
Já o porquê disso é outra história. Bem longa, aliás.
Alexandre: Pior que isso é absurdamente coerente...
Alexandre: Pode ser. Olhando com atenção, parece que o problema é mais a consanguinidade do que qualquer outra coisa. Na bio do Tezuka que a Conrad publicou, foi enfatizado que a esposa dele era sua prima, mas sem relação consanguínea direta...
Alexandre: Acho que o que chega mais perto disso é o Kami nomi zo Shiru Sekai da Shonen Sunday – desde que você queira seduzir meninas de videogames simuladores de encontros... XD
Alexandre: Já é muito pensar que eles continuam sobrevivendo mesmo que as revistas aonde eles são publicados tendam a ser canceladas assim mesmo.
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