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Jun 24
Ranking do Oricon (JP) – 20/06/2010
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Categorias: rankings

Tem certos dias que a gente olha para o topo da lista e diz "p*** que p****". E se dá conta de que vai ter que escrever algo sobre ela de qualquer jeito, mesmo que a vontade é de nem comentar nada – apenas olhar para o próximo no ranking e seguir em frente. Ao contrário do que possa parecer, Kimi no Todoke como campeã geral não é problema, não rankeamos os shoujos (quadrinhos para meninas) na Maximum Cosmo. Mas quando é anunciado o cancelamento da Comic Bunch na mesma semana em que a campeã da semana é uma (censurado) como Kuroushitsuji (além da presença de Dear Boys, que já foi malhado por mim o suficiente em colunas prévias para que eu não insista mais), bem… p*** que p****, ora! Então na prática o campeão moral da lista shonen, para mim, é Hajime no Ippo. Colocar Kuroushitsuji como campeão na lista shonen é mera formalidade desagradável na minha opinião; seria como colocar um daqueles "shoujos para garotos" da Comic High, que na verdade produz é material para fã hardcore babão no pior sentido da palavra (nem rankings que fazem a separação, como os da Taiyosha, caem nesse papo furado) no topo da lista para meninas caso vendesse bem a esse ponto. Nenhum título da revista GFantasy deveria ser chamado de shonen.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Kuroshitsuji 9 (Square Enix) – 224.967 / 224.967 [2]
02. Hajime no Ippo 92 (Kodansha) – 124.318 / 124.318 [4]
03. One Piece 58 (Shueisha) – 114.154 / 2.074.787 [5]
04. Kaiouki 44 (Kodansha) – 108.672 / 108.672 [7]
05. Dear Boys Act.3 4 (Kodansha) – 76.920 / 76.920 [8]
06. Area no Kishi 21 (Kodansha) – 76.920 / 76.920 [11]
07. Ryuroden: Chugen Ryoran-Hen 7 (Kodansha) – 57.889 / 57.889 [12]
08. Kami Nomi zo Shiru Sekai 9 (Shogakukan) – 54.337 / 54.337 [13]
09. Yankee-Kun to Megane-Chan 18 (Kodansha) – 53.181 / 53.181 [14]
10. Bleach 45 (Shueisha) – 45.079 / 648.577 [16]
11. D.Gray-Man 20 (Shueisha) – 44.590 / 427.091 [17]
12. Pumpkin Scissors 13 (Kodansha) – 43.430 / 43.430 [18]
13. Kyokai no Rinne 4 (Shogakukan) – 41.803 / 41.803 [19]
14. Godhand Teru 52 (Kodansha) – 37.831 / 37.831 [22]
15. Worst 24 (Akita Shoten) – 37.001 / 212.013 [25]
16. Q.E.D. 36 (Kodansha) – 33.101 / 33.101 [26]
17. Saijou no Meii (Shogakukan) – 27.259 / 27.259 [28]
18. C.M.B. 14 (Kodansha) – 25.080 / 25.080 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Otoyomegatari 2 (Kadokawa/Enterbrain) – 108.672 / 128.525 [6]
02. Usogui 17 (Shueisha) – 37.976 / 37.976 [21]
03. Gang King 19 (Shonen Gahosha) – 37.553 / 37.511 [23]
04. Kingdom 18 (Shueisha) – 37.411 / 37.411 [24]
05. Saint Young Men 5 (Kodansha) – 30.874 / 728.511 [27]
06. Kinnikuman: Choujin Tag Arc 22 (Shogakukan) – 26.317 / 26.317 [29]
Então vamos a Hajime no Ippo. A excelente série de George Morikawa entra no ranking em excelente posição, no seu 92º volume, e convenhamos que mesmo não tendo as vendagens monstruosas de um título de sucesso da rival Shonen Jump (Ippo é publicado na revista Shonen Magazine da Kodansha), é um título que estreia na lista com mais de 124 mil exemplares vendidos. Isso não é de se jogar fora, nem de longe, ainda mais em tempos de encolhimento generalizado de mercado. A essa altura, já deveria haver um esforço de se trazer uma nova animação de Ippo, nos mesmos moldes do temporão New Challenger, que preserva todos os bons aspectos da versão animada anterior. Sim, se falou de uma nova temporada, mas cadê os sinais de vida? Esse tipo de esforço traz novos leitores e para uma série tão extensa como Ippo (e que mostra gerar resultados quando isso acontece), é necessário. Muitas pessoas a essa altura do campeonato já devem se sentir intimidadas em encarar uma série que em poucos anos vai chegar ao volume 100, por melhor que ela seja. E a essa altura, e com tanto material, acho que uma produtora pode arriscar uma temporada de 52 episódios ou mais
para manter a série viva e fresca na cabeça de todo mundo. Não há risco de fillers aqui.
One Piece não cumpre mais do que sua obrigação a essa altura do campeonato e o mais recente volume já rendeu até agora aproximados US$1.066.301,39 ao bolso de Eichiro Oda (levando em conta o tradicional percentual de 11%) – que provavelmente só deve se dar conta do dinheiro que tem em caixa assim que a série acabar. Convenhamos, de cerca de oito em oito semanas, ele embolsa uma tremenda bolada – e isso sem levar em conta licenciamentos e similares. Então vamos aos que venderam menos de cem mil exemplares: Kaiouki, de Masatoshi Kawahara, está se não me engano se despedindo, com seu último volume (se não for esse, deve ser o próximo, me corrijam se for o caso). A série já é veterana da Shonen Magazine Mensal e em muitos aspectos parece um sobrevivente dos sólidos quadrinhos para garotos dos anos setenta – uma aventura de ambientação histórica muito bem amarrada, mas que deve causar estranheza a muitos leitores mais novos nos dias de hoje. Não duvido que o público dela seja essencialmente de adultos. Em todo caso, ela é parte do que faz da Shonen Magazine Mensal uma das mais interessantes revistas do mercado ao lado de títulos como Capeta, Tekken Chinmi Legends (um dos meus recentes favoritos), Pumpkin Scissors, C.M.B., Q.E.D. e Ryuroden – sendo que esses quatro últimos também fazem parte da listagem desta semana.
Okay, Dear Boys vem de lá também, mas em almanaques sempre é preciso alguns bugalhos em meio às cabeças de alho. De qualquer forma, Kaiouki vai fazer falta. Vamos torcer para que o próximo trabalho de Kawahara não seja uma continuação dessa série – e que seja nessa mesma revista. Ela rendeu bem nas suas páginas e seria uma perda se ele migrasse para um almanaque para leitores adultos. Antes que alguém estranhe a presença da Shonen Magazine Mensal de forma tão massiva, é bom lembrar que este é o terceiro almanaque para garotos mais vendido do Japão, perdendo apenas para a Shonen Jump e a Shonen Magazine semanal. O porquê de seus materiais parecerem tão invisíveis no ocidente… bem, eu também não sei.
A Magazine semanal também está presente com Yankee-Kun to Megane-Chan – comédia que ganhou seriado na televisão japonesa (eu preferia que tivesse ganhado uma versão animada; essa tendência de preterir animações ao invés de novelas de televisão tem sido preocupante); e com o simpático – mas não mais do que isso, e supervalorizar mais do que este merece é um exagero – Area no Kishi, de Tadashi Agi e Kaya Tsukiyama. A história começou emulando descaradamente o Touch de Mitsuru Adachi, só que com uma certa dose de exagero mais irônica do que pode parecer sob uma análise superficial. Mas rapidamente deu uma puxada de tapete nas expectativas de quem esperava um Touch com uma bola no pé e… bem, em miúdos, se tornou uma
história esportiva comum; bem conduzida, bem desenhada, que cumpre o que passou a prometer, mas de pretensões modestas. Jamais será o tão sonhado quadrinho de futebol que alcançará as dimensões dos grandes clássicos dos quadrinhos de beisebol. Quem tem mais condições de chegar lá, com certeza, é Giant Killing. E ele tem ainda muita estrada pela frente a percorrer para chegar lá, se é que vai chegar – mas pode.
Ah, sim: D. Gray-Man est á com 427.091 exemplares vendidos e independentemente do que eu pense ou deixe de pensar sobre esse título, esses são números sensacionais para uma série publicada em uma revista mensal. Explicando isso melhor: uma revista essencialmente é feita para fidelizar, criar público e vender os volumes compilados nas livrarias. Ou seja, por mais que demore a sair um volume de uma série mensal, o investimento feito nela é bem menor; maior periodicidade significa maior custo de produção. Por isso, uma série compilada que venda 25.000 exemplares por volume, mas que vem de uma revista mais modesta, na faixa dos 60-70 mil leitores, pode estar numa situação muito mais confortável do que um título da Shonen Jump que venda 50.000 exemplares, por exemplo. Em compensação, a capacidade de congregação e fidelização de público também é maior nas revistas semanais (títulos como Full Metal Alchemist são exceções que confirmam a regra). Os campeões de popularidade e vendagens ainda vem de publicações com o prefixo Shuukan justaposto ao nome de modo geral.

Por isso tanto a atitude de encerrar O Príncipe do Tênis na Shonen Jump e levá-lo para a Jump Square quanto o "acidente feliz" que fez com que Katsura Hoshino tivesse que ser transferida para a revista citada mostram que talvez isso venha a se tornar mais frequente. Ambos são títulos que fizeram muito sucesso em uma revista semanal. Não houve tempo para que houvesse abandono da parte de seus leitores mais fiéis. Agora o investimento nesse material foi reduzido, mas como eles já trouxeram público prévio, eles provavelmente se tornaram simplesmente mais lucrativos. Em todo caso, D. Gray-man é mais um material que estreou em outra semana e que continua na
listagem, assim como os demais títulos da Jump ainda presentes. De resto, temos material da Sunday também: o irritante Kami Nomi zo Shiru Sekai conseguiu passar dos 50.000 exemplares. Kyokai no Rinne, nem isso (talvez seja o desempenho mais melancólico que uma obra de carreira de Rumiko Takahashi já teve no cômputo geral. Pelo menos não passou a vergonha de ser ultrapassada por seu outro colega de revista, o inofensivo e inócuo Saijou no Meii. Gostaria de saber quem lê esse material).
Bom, e os quadrinhos adultos? Otoyomegatari, de Kaoru Mori, está no topo do material seinen – e este é um topo merecido. Este é um material de qualidade, bem desenhado e bem escrito, sobre uma mulher entregue como noiva a um garoto ainda muito jovem. Ao contrário do que possa parecer a partir da descrição, não é uma história de fetiches; é material histórico levado a sério. Digno de uma autora cujo maior sucesso foi uma trama que poderia muito bem ter sido conduzida como um romance-rosa de banca e foi tratada com um recorte sociológico e imensa dignidade (em Victorian Romance Emma). Otoyomegatari mostra que Mori não é uma autora de um sucesso só e que pode ir mais longe até com o tempo. Alguns materiais da Young Jump como Usougui e Kingdom aparecem aqui e ali. Worst passou dos 200 mil exemplares e Saint Young Men chegou a marca dos 728 mil exemplares vendidos até agora. A lista pode ter tido um ovo podre quebrado no topo, mas pensando bem, poderia ter sido muito pior.
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Comentários:
Otoyomegatari é uma série que eu queria MUITO ter em papel, só pela arte, embora a história seja boazinha também.
Quanto à Rumiko... bem, para que chutar Youkai morto?
Alexandre: É um ponto. Para mim, inclusive, o New Challenger foi o anime que mais gostei no ano passado. Pode não ter sido o melhor, mas foi o que mais gostei – eu o acompanhei na época inclusive que comecei a praticar boxe também.
E as novelas substituindo as animações é consequência da brutal queda no número delas presentes no horário nobre. Se não fosse a TV Tokyo (que passa anime todo dia no horário nobre) e seus Naruto, Bleach, Reborn e outros a coisa estaria feia para quem assiste algo antes da meia-noite...
Alexandre: Verdade. Eu até tenho uma teoria para o crescimento das novelas nos gostos de muitos fãs no ocidente, mas se eu falar, sou capaz de ser morto. XD
P.S.: A GFantasy é tão ruim assim? A adaptação para manga de Durarara!!, de cuja versão animada gosto muito, é publicada nessa revista. Sei que não é um material exatamente para o sexo masculino, mas não vejo tanto apelo fujoshi.
Alexandre: Não vi a adaptação de Durara, mas a GFantasy é a casa de Kuroshitsuji, Nabari no Ou, Gestalt (que não conheço, mas a autora é Yun Kouga e o currículo dela já diz tudo pra mim), Pandora Hearts e Zombie Loan. É como eu disse: se o que sai nessa revista é "shonen para meninas", então temos que considerar a Comic High uma revista "shoujo para rapazes." E se aplicarmos o raciocínio de quem acha que a revista determina o gênero, Kodomo no Jikan passa a ser automaticamente shoujo.
Alexandre: Corrigindo.
Alexandre: Bom, a melhor palavra sobre o assunto foi dada pelo Felipe Neto na Internet quando ele sacaneou o Justin Bieber (AQUI), e falou da busca das novas gerações de meninas por "homens-fêmeas". Na verdade, isso é um assunto que seriamente me preocupa. Porque me parece em muitos aspectos ter relação com o conceito de "homem inofensivo". No Japão, muitas vezes eu tenho a impressão que as meninas tem medo dos rapazes (já repararam que em vários animes escolares há sempre alguma menina que tem medo de outros garotos) e cultivam o seu próprio conceito de "homem fêmea" – ou seja, elas enxergam no homem algo ameaçador, e criam a fantasia de um homem que não lhes cause essa insegurança. E isso é mais um tijolo naquela construção de isolamento social que acontece no Japão. Me preocupa ver isso glamourizado e sendo exportado mundo afora. O homem ideal vira um homem emasculado, o homem de verdade fica excluído dessa equação. O resultado não é bonito e dependendo de como essas meninas cresçam, esse tipo de fantasia só alimenta frustrações de um lado e rancores do outro.
E vendo por essa ótica fica aquela questão do que pode ser considerado shounen ou shoujo hoje em dia, animes e mangás como Kuroshitsuji utilizam conceitos de shounen mas buscam agradar publicos diferentes (mulheres no caso), o mesmo acontece com homens, sendo um exemplo recente o mega-sucesso que é K-On! (entre os fans hardcore, claro).
Então entra naquele debate do que faz um shounen ser um shounen de verdade, para um mangá ser shounen ele tem que parecer ser shounen (tendo a mesma estrutura), ou deve agradar homens mesmo não parecendo um?
Nesse caso então porque Nanoha, K-On!, Lucky Star dentre outros materiais de publico hardcore são considerados seinen/shounen e Kuroshitsuji ou Pandora Hearts (e sei lá, até mesmo The Prince of Tennis da Shonen Jump que tem a maior parte do publico composto de mulheres) tambem o são sendo que o publico que os agrada é outro?
Alexandre: Eu sinceramente já acho que esses materiais deveriam ter classificações que os definem por público alvo, simples. E convenhamos, as velhas definições "kodomo / shonen / seinen / shoujo / josei" não dão mais conta do recado; a realidade as tornou mais complexas do que eram. Pense bem, o que é K-On? Um título para meninas em forma dirigido – e formatado – para adultos que nunca tiveram uma namoradinha de infância (e que os excluem do processo; é um mundo normatizado pelas relações interpessoais entre meninas e meninas). O que é Nabari no Ou? Um título para rapazes dirigido – e formatado – para garotas que passaram a ter uma imagem tão negativa de um homem que fantasiam com homens inofensivos, com não-homens (que também as excluem do processo, basta ver as conotações homoeróticas da coisa).
Só que para mim, a natureza de um título é definida não pela revista que o publica, mas a que público ela se dirige. Se um titulo para garotos é dirigido para garotas, então ele não é um título para garotos e vice versa. É diferente de um título para garotos que é dirigido para garotos mas atrai garotas sem jamais deixar de ser um título para garotos. Acho Reborn horripilante, mas por muito tempo, ele foi, sim, um título para garotos. Hoje, nem sei mais dizer que diabos aquilo é. E em um título da Jump, acho isso uma perda de foco imensa.
Mas bem, desconsiderando isso 224 mil unidades vendidas não é nem um pouco ruim, não achei certo você desconsiderar ele de sua analise apenas porque não é um material que lhe agrada (vendo que sempre vejo você exaltando aqueles materiais que vendem muito) e querendo ou não, com o fim de Fullmetal Alchemist é bom abrir os olhos pra esse material pois junto com Soul Eater ele acaba se tornando o maior sucesso atual da Square Enix...
Alexandre: Bom, só digo uma coisa: eu não desconsiderei – ele está na lista e no topo. Se eu desconsiderasse, eu o removeria da lista da mesma forma que faço ao estabelecer um critério de ranking e isso sim seria um abuso de minha parte, eu estaria indo longe demais.
E diabos, isso que você falou é verdade. E não deixa de ser trágico. Nenhum deles é Full Metal Alchemist, que tem vendas em níveis dignos dos grandes sucessos da Shonen Jump.
Ainda não li, mas simpatizo com o mangá. Vamos ver se continuo assim após ler...
Alexandre: Você não leu. Mas ao bater o olho, eu sabia que não deveria ter lido. Se não tivesse vendido bem em outras ocasiões, eu não me sentiria forçado a dar uma olhada. Era melhor eu ter confiado na minha intuição. XD
E a Comic High tem pelo menos UM mangá bacana. Não seja tão fechado.
Alexandre: Não li nada de lá que não fosse no mínimo apavorante.
Esse Dear Boys "3" parece que será o mais bem sucedido de todos. Ele e Yankee-kun salvaram a lista shonen na minha opinião.
Alexandre: Olha, Yankee-Kun é simpático, e opinião é opinião, mas para Dear Boys ser a melhor coisa da lista, ela precisaria estar uma desgraça de níveis absolutos – e ela tem Hajime no Ippo, One Piece e Worst mantendo alguma dignidade aqui.
Abraços!
Alexandre: Acho que é só pseudônimo mesmo...
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