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Jun 17
Ranking do Oricon (JP) – 13/06/2010
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Categorias: rankings

Semana de vendagens fracas? Não importa. Vendagens tão baixas que uma tralha pra moezeiros babões como Mitsudo Moe surge na lista? Não importa. One Piece derrubado na lista geral por – e vão pegar no meu pé por essa frase – um quadrinho de "romance fofinho"? Não importa. Porque temos Worst e Ganso! Urayasu Tekkin Kazoku na lista para garotos e duas obras de Nobuyuki Fukumoto (Kaiji e Akagi) na lista para adultos. Foi uma semana triste, mas pessoalmente tendo a encarar essa como uma semana que, ao menos, valeu. :)
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. One Piece 58 (Shueisha) – 379.876 / 1.960.633 [2]
02. Worst 24 (Akita Shoten) – 175.012 / 175.012 [3]
03. D.Gray-man 20 (Shueisha) – 141,141 / 382.501 [4]
04. Bleach 45 (Shueisha) – 137.785 / 603.498 [5]
05. Hanma Baki - Son of Ogre 24 (Akita Shoten) – 68.923 / 68.923 [8]
06. Tegami Bachi 10 (Shueisha) – 53.043 / 139.190 [9]
07. Beelzebub 06 (Shueisha) – 46.739 / 120.285 [12]
08. Kuroko no Basket 07 (Shueisha) – 46.339 / 124.013 [13]
09. Ganso! Urayasu Tekkin Kazoku 26 (Akita Shoten) – 35.451 / 35.451 [18]
10. Clover 16 (Akita Shoten) – 33.054 / 33.054 [21]
11. Rosario + Vampire II 07 (Shueisha) – 30.334 / 75.909 [23]
12. Yowamushi Pedal 12 (Akita Shoten) – 25.674 / 25.674 [28]
13. Kochikame 170 (Shueisha) – 25.537 / 71.463 [29]
14. Mitsudo Moe 9 (Akita Shoten) – 23.771 / 23.771 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Saint Oniisan 05 (Kodansha) – 51.278 / 697.637 [11]
02. Vagabond 33 (Kodansha) – 40.665 / 455.367 [14]
03. Gifuu Doudou!! Naoe Kanetsugu 7 (Shinchosha) – 40.269 / 40.269 [15]
04. Sengoku Tenshouki 09 (Kodansha) – 36.676 / 81.575 [17]
05. KissXsis 06 (Kodansha) – 35.112 / 81.486 [19]
06. Tobaku Datenroku Kaiji 03 (Kodansha) – 33.801 / 86.021 [20]
07. Sengoku Gaiden 03 (Kodansha) – 32.219 / 68.704 [22]
08. Akagi 24 (Takeshobo) – 28.514 / 28.514 [24]
09. Higanjima 31 (Kodansha) 26.858 / 52.260 [27]

Worst é a continuação do já clássico Crows, de Hiroshi Takahashi, e que apresenta um autor bem mais azeitado como artista e menos disposto ainda a concessões. Crows é Crows; já linkei antes em algum outro momento e para quem não leu, não custa lembrar que o blog XIL do Fábio Sakuda tem um pequeno artigo sobre a série que pode ser lido AQUI. Aliás, vou corrigir a mim mesmo e dizer que Worst é menos uma continuação do que um desenvolvimento extra desse universo cíclico, aonde as coisas caminham para
não mudar tanto assim e todos os personagens são inseridos em uma espécie de círculo vicioso que sempre se renova, entra ano e sai ano. Acredito que eu mesmo vá fazer meu próprio artigo sobre esse universo em algum momento. Não tão cedo, mas não dá para escapar para sempre da galera da Academia Suzuran. Vou acabar escrevendo isso. Então eu prefiro dar um pouco mais de atenção ao genial, mas definitivamente não para todos os gostos, Ganso! Urayasu Tekkin Kazoku de Kenji Hamaoka – que na verdade é aquilo que se costuma chamar de gag manga (ou melhor dizendo, o quadrinho japonês de humor por excelência). Essa série, na verdade, é continuação de Urayasu Tekkin Kazoku (de 1993, que rendeu 31 volumes na revista semanal para garotos malvados Shonen Champion da Akita Shoten). Essa história emocionante acontece em uma cidade bem normal, com uma família bem comum, que tem uma vida bem calma. Vejam até o final. Eu não me responsabilizo.
É raro eu ser grosseiro por aqui, mas não há outra palavra: a graça da série é ser hilariantemente escrota, com E maiúsculo. Essencialmente a história foi concebida para ter se centrado em uma família comum de classe baixa japonesa (o pai é motorista de taxi, a mãe é dona de casa, etc), mais ou menos como em séries americanas como os Simpsons e Uma Família da Pesada; mas em algum momento da história, a criançada que acompanha o protagonista Kotetsu acabou tomando conta de tudo, e a família acabou perdendo peso, se reduzindo ao papel de coadjuvante (com
alguns momentos eventuais sob os holofotes). Talvez tenha sido melhor; quando Os Simpsons passou a ser essencialmente sobre Homer Simpson, a série entrou no piloto automático e se tornou uma sombra do que um dia foi – podem reparar, há quantos anos não aparece um episódio memorável, como a estadia de Bart no acampamento Krusty ou a história do peixe de três olhos? Quanto a Urayasu, podemos dizer que a maior graça do material é ser aquela série para moleques que os pais não gostariam que eles lessem, com aquela escatologia que só um garoto de doze anos pode achar graça – a versão animada até zomba escancaradamente com certas censuras da televisão japonesa, ao apontar para o velho hábito de tingir cocô de cor de rosa nos desenhos animados ("isso pode estar cor-de-rosa, mas é um cocô"), garotos-pestes em um nível ao qual nenhum moleque de Springfield poderia chegar – e talvez esse tenha se tornado seu maior charme no frigir dos ovos: aquilo é uma coleção de todas as besteiras que um guri de dez anos não pode falar dentro de casa sem levar um tabefe, mas fala aos montes entre os amigos. Não poderia ter melhor lugar no mundo para esse material do que a Shonen Champion; dificilmente ela apareceria na Jump ou na Sunday hoje em dia, e colocá-lo numa revista seinen seria um desperdício. E diabos, a galerinha do Kotetsu é muito simpática, mesmo que seja de fazer o mais paciente dos pedagogos rasgar seus livros e correr atrás deles com vara de vergalhão, vara de araçá e cabo de vassoura.
Apenas me pergunto o que um material como Mitsudo Moe faz na revista Shonen Champion, que também comparece na lista com Hanma Baki, Yowamushi Pedal e Clover, de Tetsuhiro Hirakawa?

E, importante frisar: definitivamente, esse Clover cujos produtos de merchandising podemos ver acima, não é o mesmo Clover da Clamp nem de longe – e essa questão dos nomes irrita, porque existem inúmeros mangás chamados Clover: além desses dois, há um mangá shoujo-ai (leia-se "lesbianismo melissinha") de Hiyori Otsu; um shoujo (quadrinho para meninas) que sai na revista Margaret; outros que já topei e que nem fiz muita questão de achar de novo; sem falar dos materiais que incluem "Clover" em alguma coisa: Honey and Clover, Happy Happy Clover, Junai Clover, Yotsuba no Clover – praticamente todos eles materiais femininos. Será que Hirakawa não poderia ter escolhido um nome menos manjado e mais apropriado para uma série de
porrada com gangues e sujeitos mal encarados? Pesquisar sobre esse material na internet pode ser um verdadeiro inferno.
Então, chega de trevos e vamos direto a lista para adultos. Já falei de Kaiji em outras ocasiões, então me limito a transcrever um trecho de um pequeno review de um review que escrevi para a revista Neo Tokyo: Kaiji é um material com mensagens muito poderosas a respeito de autodeterminação, empreendedorismo pessoal (sim!), individualidade, ser dono do próprio destino e calcular seus próprios riscos. Ela também é muito rica em considerações sobre a natureza humana, e tem o dom de fazer quem o acompanha realmente pensar seriamente em tudo o que está sendo dito ali. Dito isso, acho melhor traçar algumas linhas sobre a outra obra mais famosa do autor Fukumoto: Akagi. Que em certos aspectos, pode ser descrito como um oposto complementar a Kaiji.
Akagi é um mangá de Mahjong – jogo de tabuleiro popular no Japão, que também é um jogo de azar. O protagonista é um gênio no Mahjong, que se destacou como um talento precoce aos treze anos, quando adquiriu status mítico no submundo da jogatina – para desaparecer por cinco anos. Aos dezoito, ele retorna com tudo. A série é publicada numa revista especializada da Fujimi Shobo, a Modern Mahjong, e já rendeu uma versão animada do estúdio Madhouse, mais dois longa-metragens com atores. Ela é interessante porque oferece, como eu já disse, um contraponto a Kaiji. Essa não é uma história de sobreviventes em meio ao desespero. É uma história de predadores.
Não por acaso, Akagi quer dizer Raposa – e realmente é sua esperteza que faz a diferença e o torna um oponente demoníaco. E essa diferença não torna a obra menos interessante – é na verdade outra faceta da mesma visão presente em Kaiji, aonde o mundo é um lugar frio e cruel, e não há lugar para bondade ou inocência; cada boa ação será seguida por uma punição. Fukumoto sabe do que fala: levou anos para emplacar como quadrinhista e teve que trabalhar inclusive como peão de obra para sobreviver. Seu mundo não é nem o dos garotos emos, nem o das meninas bonitinhas cantando "Nyu", e talvez por isso mesmo, ele mereça ser lido.
De resto, os samurais continuam imperando: Sengoku Tenshouki e seu derivado, Sengoku Gaiden, ambos de Hideki Miyashita, continuam se segurando na lista. Vagabond está na faixa dos 450.000 exemplares vendidos até agora e, ainda mais em um momento de encolhimento de vendagens, esses não são números de se jogar fora, nem de longe. E claro, ainda no tema samurai, quem entra com vendagens não tão altas, mas não duvido que esteja presente na próxima semana – a menos que tenhamos uma enxurrada de lançamentos de peso – é Gifuu Doudou!! Naoe Kanetsugu, a série derivada do jumpiano Hana no Keiji de Tetsuo Hara (publicada no almanaque Comic Bunch da Shinchosha), que tem público fiel e sempre diz "oi" na semana de estreia. No frigir dos ovos, as vendas não foram tão boas, mas em termos qualitativos não dá pra reclamar tanto assim.

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Comentários:
Aconselho com todo entusiasmo que quem o acessou aproveite para ler os outros posts de lá. Há muitos tesouros ali.
Bom, mas falando nos mangás... não sabia que tingiam coco de rosa na Tv japonesa. Mas acho que é melhor do que os americanos, que colocam sutiãs-imaginários em personagens femininas despidas, ou bolinhas pretas na boca de alguém que fala palavrão.
Realmente, nada tão interessante desta vez.
Finalmente alguém que concorda comigo. Pessoal costuma idolatrar o Homer e achá-lo o personagem mais genial do mundo...
Você sabe bem que eu não sou nem nunca fui o público-alvo teórico da Champion...
Alexandre: Dê uma olhada em Kongoh Bancho e Kenichi, que saem na Sunday (melhor, Kenichi sai, já que Bancho foi concluido recnetemente). Você vai repensar isso.
Alexandre: Verdade. Kaiji foi um dos poucos quadrinhos/animes que me passaram uma lição, de verdade. Aquilo vale ouro.
Engraçado que os EUA ainda não me produziram nenhuma HQ que tenha o pôquer como molde, o momento social e a cultura local são elementos propícios a produzir obras com o estilo de mensagem de um Kaiji.
Alexandre: Americano ou faz história para crítico, como Asteryos Polyp e Jimmy Corrigan, ou super-herói. O resto, o próprio americano não lê, a menos que o roteirista tenha feito algum super-herói pra ficar famoso.
Mas posso garantir que na França não tem quadrinhos sobre Mahjong ou Pachinko...
Agora, catando as duas na rede me voltou a cabeça uma coisa: O requerimento para se trabalhar na Sunday é não saber desenhar?
Quer dizer, a revista que tem como maiores expoentes Takahashi e Adachi não pode ser muito exigente em termos de arte, mas esse pessoal mais novo faz os dois parecerem gênios...
Alexandre: Olha, leia as sete primeiras páginas do capitulo quatorze de Bancho. Todas elas. Não vale largar antes da pagina sete. Se você não virar fã depois daquela página, não tem como eu te convencer. XD
Alexandre: Mas vai me dizer que você nunca quis ver essa cena? XD
Ao menos a arte é melhor, mas o cara ficou preso ao design original do protagonista (ou então é a única coisa que ele ainda desenha, com os assistentes fazendo o resto do serviço...).
Alexandre: Nada de mais, exceto que ele realmente passou se bem me lembro por dez anos de aperto antes de emplacar na carreira (ajuda o fato de que no começo o trabalho dele era absolutamente precário). Teve que trabalhar como peão justamente pelo fato de sua carreira como desenhista não deslanchar. E esse aperto financeiro fez diferença na sua visão de mundo, claramente.
Nesse ponto você até tem razão...
So quem ja foi (ou é
Imagine-se todo dia fazendo o mesmo serviço que você não gosta, com péssimas condições de trabalho, seu dia praticamente é consumido pelo serviço e você só tem tempo para jantar, tomar banho e etc.; chega o final do mês e o que você ganha vai pra mão de todo mundo menos a sua que trabalhou por aquilo; e enquanto anda na rua ou vê televisão, apenas percebe a imagem de pessoas tendo mais sucesso que você. Alguma coisa errada tem nisso aí.
O que vivemos levamos pro resto da vida, o mérito do Fukomoto é justamente trazer uma lição que só lendo pode-se perceber a dureza e a verdade dela.
http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo/?cat=5081
em que vc cita que Hikaru Yuzuki é autora, quando na verdade é um autor (apesar do nome feminino)que começou a carreira em 1969 (acertou nessa parte) e que nasceu em 1949.valeu!
Lancaster, 2 comentarios meio off-topic:
Viu o filme do Kamui-Gaiden? O que vc achou?
Alexandre: Não vi até agora. É até meio chato admitir isso. :\
Existe algum manga além de Saint Seiya que enfoque em Mitologia/ Periodo Greco-Romana? Estou acompanhando um chamado Kento Ankokuden Cestvs. Queria conhecer outros, de preferencia de luta ou seinen.
Alexandre: Cestus eu acho interessante. Não genial, mas interessante. Mas se você gosta de mitologia, uma leitura obrigatória é o Arion de Yoshikazu Yasuhiko, que saiu na Comic Ryu da Tokuma Shoten entre 79 e 84 e que eu adoraria ler em português inclusive. E acho que a arte dele envelheceu bem. Já em termos históricos, eu recomendaria o Historie de Hitoshi Iwaaki, que é uma biografia de Eumenes de Cárdia, um dos generais de Alexandre, o Grande.
No mais, excelentes matérias.
Osu!
Kimi ni Todoke vende mais que Bleach e até que estreiou mal, mas afinal de contas o anime já acabou e o filme em live-action ainda deve levar alguns meses para chegar aos cinemas. É um mangá que costuma vender cerca de 1 milhão de volumes na lista anual, então eu jamais diria que One Piece foi mal na lista, oras, One Piece vendeu quase 400k, isso é difícil, quantas séries conseguem vender 379,876 em sua segunda semana no ranking? Nenhuma! Kimi ni Todoke que é o novo Nana, não é culpa de One Piece.
Fora isso vejo várias séries ótimas no ranking, e diga-se de passagem em belas colocações. Kiss x Sis caiu para a posição que ele merece e Mistudo Moe que te incomoda tanto está na inócua lanterninha. Achei uma lista muito digna.
O Grant Morrison é um que vende gibi de super-herói só de colocarem o nome dele na capa. Antes de lerem, os fanboys já consideram uma obra-prima.
Alexandre: Eu acho que ele tanto pode mandar muito bem como pisar horrivelmente na bola. O melhor exemplo dessas inconstâncias qualitativas do Morrison é o Marvel Boy, que reúne essas contradições qualitativas em um pacote só: ele em uma edição apresentou uma história fantástica, em que o vilão é um meme vivo, entrando nas cabeças alheias só por existir (como um bom meme), mas no final dela, estragou tudo com um gancho para a próxima edição, com vilã dominatrix, de um ridículo que só vendo para acreditar. Poucas coisas definem tão bem o Morrison de um modo geral.
E Kaiji é simplesmente um anime fantastico. É muito bom assistir algo fora do padrão Shonen Jump e Ghibli pra variar...
Alexandre: Com certeza. Kaiji é impressionante.
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