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Jun 13
Ranking do Oricon (JP) – 09/06/2010
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Lancaster |
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Categorias: rankings

Em primeiro lugar, desculpem o atraso – as coisas acontecem desse lado e nem sempre é fácil manter o ritmo de atualização. Em todo caso, semana que tem lançamento de volume novo de One Piece… não tem mais pra ninguém, é jogo ganho. E por isso mesmo não há muito o que falar. Por isso mesmo vou aproveitar agora um momento rápido: um título infantil (que não listamos, porque publicamos os rankings de shonen e seinen) chegando entre os títulos mais vendidos. Mas não é algo muito auspicioso: Pokemon Special chega ao volume 35 na sua segunda semana, com quase 50.000 exemplares vendidos, o que é uma vendagem ao menos decente. Mas é sempre um péssimo sinal quando um quadrinho infantil vira notícia por chegar aos mais vendidos – e mesmo assim, na última posição do Top 30 geral. Porque eles são fundamentais para o futuro do mercado. São eles que cativam um leitor pela primeira vez em sua vida.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. One Piece 58 (Shueisha) – 1.580.757 / 1.580.757 [1]
02. Bleach 45 (Shueisha) – 465.713 / 465.713 [2]
03. D.Gray-man 20 (Shueisha) – 241.360 / 241.360 [3]
04. Tegami Bachi 10 (Shueisha) – 86.147 / 86.147 [7]
05. Kuroko no Basket 07 (Shueisha) – 77.674 / 77.674 [8]
06. Beelzebub 06 (Shueisha) – 73.546 / 73.546 [9]
07. Kochikame 170 (Shueisha) – 45.926 / 45.926 [12]
08. Rosario + Vampire II 07 (Shueisha) – 45.575 / 45.575 [13]
09. Detetive Conan 68 (Shogakukan) – 39.059 / 471.646 [15]
10. Fairy Tail 21 (Kodansha) – 33.214 / 400.012 [18]
11. Houkago no Oujisama 01 (Shueisha) – 26.466 / 26.466 [23]
12. Major 76 (Shogakukan) – 23.644 / 189.464 [25]
13. Kekkaishi 29 (Shogakukan) – 22.882 / 256.709 [27]
14. Mayoineko Overrun! Chara Navi (Shueisha) – 22.551 / 22.551 [28]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Vagabond 33 (Kodansha) – 112.709 / 414.702 [04]
02. Saint Oniisan 05 (Kodansha) – 109.255 / 646.359 [05]
03. Tobaku Datenroku Kaiji 03 (Kodansha) – 52.220 / 52.220 [10]
04. KissXsis 06 (Kodansha) – 46.374/ 46.374 [11]
05. Sengoku Tenshouki 09 (Kodansha) – 44.899 / 44.899 [14]
06. Sengoku Gaiden 03 (Kodansha) – 36.485 / 36.485 [16]
07. Hetalia Axis Powers Edição Especial 03 (Gentosha) – 30.019 / 175.570 [19]
08. Im a Hero 03 (Shogakukan) – 29.188 / 60.586 [20]
09. Moon 06 (Shogakukan) – 26.994 / 58.130 [22]
10. Higanjima 31 (Kodansha) 25.402 / 25.402 [24]
11. KissXsis – Edição Especial 06 (Kodansha) – 23.469 / 23.469 [26]
12. Moteki 04 (Kodansha) – 22.377 / 157.468 [29]
O quadrinho japonês se tornou o que se tornou em um longo processo, que tomou décadas para tomar forma. Houve aquela percepção de que quadrinho era coisa de criança – mesmo que os materiais adultos existissem e caminhassem à sombra dentro do cenário dos mangás de aluguel, os akai-hon. Levaram décadas, mas ela acabou por ser vencida: o quadrinho passou a ser respeitado devidamente como mídia, em um processo lento e gradual, com alguns percalços. E isso se deu com a percepção mercadológica de encadeamento em um processo enfocado na liminaridade, que começa na infância e caminha ao longo da vida, de faixa etária em faixa etária. Começa-se com as revistas para crianças, migra-se para as revistas shonen se você for menino ou shoujo se você for menina, passa-se para as revistas seinen cujo conteúdo ainda ecoa a faixa etária anterior… enfim, de modo geral eu diria que a trajetória de muitos leitores da Jump começou com uma Coro-Coro da vida. Por isso a situação atual é preocupante: sinaliza que muitos potenciais leitores não estão começando a ser leitores. O preço a ser pago por isso será percebido mais adiante, quando esses leitores que deveriam estar começando a consumir quadrinhos agora estiverem na idade de passar para os grandes almanaques semanais: serão menos leitores a chegar, e de menos um grão em menos um grão, a galinha morrerá de anemia e inanição. Ou, pior, abrirá as pernas para a turma que faz de quadrinho parte de um gueto composto por nerds anti-
sociais. Isso aconteceu nos Estados Unidos. A diferença é que no Japão, os nerds terminais gostam de meninas muito mais jovens do que deveriam, mostrando calcinhas; nos Estados Unidos, eles gostam de lutadores de luta-livre alçados ao posto de policiais voluntários (ou, de forma curta e grossa, é como aquela velha piada sobre nos filmes americanos ser mais polêmico pôr para fora um mamilo do que cortar fora o mesmo mamilo).
Mas convenhamos que falar de um material que nem estamos listando é sinal de que há, como eu disse lá em cima, muito pouco a se dizer.
Então vamos a primeira visão superficial: se os quadrinhos para garotos estão dominados pela Shueisha (notadamente pela linha Jump – e nisso incluo tanto a Shonen Jump semanal quanto a Jump Square, herdeira da finada Shonen Jump mensal), com dez títulos, a Kodansha domina o segmento adulto com nove títulos. Talvez por isso efetuar essa separação ao invés de postar a listagem total seja tão importante para mim; evidencia-se segmentos e estratégias. Vagabond não compete com One Piece, são voltados a leitores completamente diferentes. E certas atitudes são perceptíveis. Um detalhe importante é a presença de edições especiais nas listas de mais vendidos, fazendo praticamente o marketing de si mesmas. No caso, da série KissXSis da Kodansha, publicada na Young Magazine mensal e voltada aos leitores com pulsões pervertidas de plantão.

KissXSis é a típica série que lida com fetiches, ou seja, o do falso incesto. No caso a história acompanha um jovem que cresceu com duas irmãs gêmeas postiças (leia-se, eles ja haviam nascido quando os pais se casaram). Mas como os três cresceram juntos, na prática são irmãos de verdade. Só que as duas meninas decidem seduzi-lo a todo custo e ele se segura como pode – o que é muito, muito difícil com tanta esfregação. De quebra, há praticamente a bênção dos pais que ele escolha uma delas e divirta-se. As cenas não são leves – eu iria dizer que parece um pornô softcore, mas na prática aquilo me lembra os exemplares um pouco mais pesados dos filmes sobre estudantes virgens que se sucederam ao estouro comercial de Porky's. Leia-se: é gibi de "mulher pelada",
mais do que um material pornográfico propriamente dito – pode chamar de pornochanchada se quiser. Para sermos minimamente justos, a Young Magazine, seja mensal ou semanal, jamais foi uma revista para crianças. Mas por outro o desenhista é Bow Ditama, que começou a carreira na indústria dos quadrinhos pornográficos e depois que migrou para as publicações mainstream, tem em seu currículo a horrorosa série moezeira Mahoromatic (e já passou pela Comic Gum, que é um celeiro de material do gênero); e isso se reflete no character design; talvez ele não fosse o melhor desenhista para uma história dessas. Elas parecem duas fedelhas. Se ele chama a atenção aqui, é por contar com um dvd de animação em sua edição especial – chamariz infalível para moezeiros, hentaizeiros e outros eiros menos nomeáveis em público de plantão; mas é importante lembrar que a versão normal do material também está lá. A Young Magazine não é uma revista para fã hardcore, é uma revista de massa, e é como uma pornochanchada de massa que KissXSis deve ser vista – um Erocom, na terminologia correta. Fosse o characer design um pouco mais maduro, talvez não incomodasse.
Os eiros também estão representados na lista para garotos, com a presença de um produto derivado da série Mayoi Neko Overrun, publicada na Jump Square. No caso, um guia de personagens, com ilustrações das meninas da série mostrando o que interessa a seu público.

Sim, vocês entenderam.
Não sei se já comentei isso aqui neste blog, mas a minha impressão sobre Mayoi Neko Overrun – desenhado pelo mesmo Kentaro Yabuki do igualmente hormonal To Love Ru: Trouble publicado originalmente na Shonen Jump – e posteriormente defenestrado da grade da revista – é que ele tentou racionalizar os clichês para que eles não parecessem tão ocos assim. Há, sim, algum foco deliberado no sentido de se tentar trabalhar concretamente a construção de personagens e fazer com que o leitor realmente se importe com o que acontece com eles. Mas será que foi realmente uma boa ideia? Na prática,
eles acabaram se tornando apenas mais e mais desesperadamente visíveis, como se fosse articulado um esforço do roteiro (que na verdade está apenas adaptando uma série originalmente produzida em light novel – os romances ilustrados de literatura ligeira, muito populares nos últimos tempos em terras nipônicas) para que possamos engoli-los como algo plausível e esse esforço revertesse contra os próprios personagens. O problema é que o clichê tsundere – referente às garotas bipolares espancadoras de zé-manés pamonhas – que eu mesmo já disse considerar um mero compensatório imaginário para rejeições da parte de homens solitários ("ela me rejeita mas me ama") – não é plausível nos moldes apresentados nos animes e mangás. É uma caricatura elevada ao patamar de fetiche. Uma personagem como Naru Narusegawa, de Love Hina – e é até assustador dizer isso – é até tolerável em seu contexto porque por mais que eu olhe torto para os trabalhos de Ken Akamatsu, temos que reconhecer que ele deixa claro que o seu universo obedece a uma lógica de comédia pastelão. Explicar o que não precisa de explicação faz com que a Fumino Serizawa de Mayoi Neko Overrun pareça uma candidata urgente à terapia.
Por outro lado, os leitores desse tipo de série não estão particularmente preocupados com coerência de roteiro.

Não que não haja material legível na lista dessa semana. A Jump é a Jump – ame-a ou deixe-a, e haverá alguma coisa boa ali dentro (também há o que não vale a pena, mas discutir qual série pertence a qual categoria leva a guerras insuportáveis que não levam anada). Os materiais da Shogakukan que estão na lista para garotos também são materiais qualitativamente respeitáveis, dependendo mais de seu perfil como leitor. Apesar de KissXSis e Hetalia (eu já disse aqui que a fujoshi – as cultivadoras de material homoerótico – é como o
moezeiro, só muda o objeto de fetiche, mas o coração de sua atitude é o mesmo, e Hetalia é mero produto fujoshi), há materiais dignos de atenção como a espetacular série Kaiji, aqui em nova fase da saga (Tobaku Datenroku Kaiji), a franquia de época Sengoku Tenshouki (que conta inclusive com uma série derivada, Sengoku Gaiden), a reta final de Higanjima (que serve como um bom antídoto à onda de vampiros emos afetados que tomou o planeta) e até o I am a Hero, que não sei realmente do que se trata ainda, mas que merece uma olhada por ser assinado por Kengo Hanazawa, autor do simpático Boys in the Run e da espetacular pedrada Ressentiment – talvez a mais dura crítica que já li ao abandono do real em prol do virtual por parte dos japoneses, e talvez a mais virulenta resposta a baboseiras como Chobits – que foi uma das pouquíssimas histórias que li na vida que quase me fez rasgar a revista, sem brincadeira. A bem da verdade, não foi uma semana tão ruim como as menções a Mayoi Neko Overrun e KissXSis podem dar a entender, mas em semana de títulos Jump de peso, falar sobre eles é chover no molhado. Ter o que se escrever sobre uma listagem semanal é mais difícil do que se pensa, porque a repetição te espreita a cada momento.
Ah, sim: um leitor mencionou que certa imagem era meio exagerada para se abrir, e decidi olhar bem e repensar. É verdade que eu a pus para ser ironizada por ser desnecessariamente vulgar, mas o fato é que ela é uma imagem desnecessariamente vulgar sendo exibida aqui. Por isso mesmo, eu a removi neste update. Mas não estou fazendo censura: se alguém quiser ver do que se trata, é só olhar AQUI.
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Comentários:
Ops! Estava ocupada prestando atenção nas imagens do post. Confesse! Você fala mal do gênero mas curte ver isso, Lancaster! Hehe XD
Alexandre: Olha que eu me perguntei se era para colocar ou não pelo menos a primeira. Mas saiu na Jump Square, que é justamente a herdeira da Jump mensal antiga, então... Além do mais a primeira parece mais exagerada do que qualquer coisa. Quando é pra ver essas coisas é preferível ver as fotos de modelos das revistas sein... aham, vamos mudar de assunto. XD
Bem, One piece é One Piece e nem temmais o que falar. Mas acho que você não devia se preocupar tanto com o segmento de revistas infantis ir mal. Talvez a maioria da petizada esteja lendo mesmo é Shonen Jump. Série como esse Metalica "Dragon Ball" Metalicana parecem feitas só para agradar crianças! E esse Lock On, não sei por que, mas me lembrou Turma da Monica - embora os personagens não tenham nem um décimo do carisma dos filhos do Mauricio de Sousa.
Alexandre: Sinceramente esse Mettalica Metalluca pode dar certo para crianças jovens demais para conhecer tudo o que veio depois de dragon ball. Como eu disse, aquilo é Dragon Ball no mundo de Dragon Quest com os poderes de Full Metal Alchemist. Para nós pode gerar até irritação, mas para um garoto de nove, dez anos, pode ser sensacional.
Isso se der certo. Se não der, ninguém vai lembrar dele...
De resto, tenho uma pergunta: Vagabond já vendeu melhor do que isso? Porque se me disesse que o titulo só vendia nesta faixa na época do seu auge (com o Musashi brigão e ignorante, que ainda era mais legal que o filosofo insuportável que se tornou agora) eu acharia pouco. Embora o que esteja vendendo agora é bem o que o titulo merece... mais pela arte mesmo.
Alexandre: Pelo que me lembro, já vendeu mais sim.
Alexandre: Hm... pode ser. Se houver mais reclamações de que eu estou abusando, troco sem problemas. Até porque quem lê esse blog sabe que este não é um blog otakuzão. Se eu pus esse material é porque eu quis deixar claro – é assim que essas séries são.
P.S.: Mudei de idéia. Cheguei a conclusão de que você estava certo. A imagem é vulgar. Mas eu pus um link, para quem estiver interessado. Afinal de contas uma coisa é expôr o que não deveria ser exposto, mas mais do que isso seria auto-censura.
Garotas falantes de "Nyu" dominarão o mundo!
Alexandre: Lamento dizer, Pato, mas não é Nyu pra lá e Nyu pra cá que vende essa série... XD
Eu até leio. Gosto do traço Yabuki (leia-se "curte FanService"), mas não deixo de perceber que o título é quase patético.
Alexandre: Eu acho KissXSis honesto dentro de sua proposta, mesmo. Não é uma defesa, mas também não faz dele verdadeiramente motivo para ataque – eu só acho mesmo que como os personagens estão na faixa dos 16 anos, seria bom que eles fossem desenhados como tal. Já o Mayoi Neko Overrun, vou admitir: acho Yabuki um excelente desenhista, mesmo. Mas o material é de lascar...
Quanto a Metallica Metalluca que vi num comentário acima, também acho que é um título bem... medíocre. Nem fiz a ligação com Dragon Ball. Qualquer Shounen de batalha Mainstream atual têm varios elementos originados na série do Goku e cia. O que eu percebi é que ele lembra muito, mas muito MESMO, Fairy Tail da Kodansha. Troque a magia pelos minérios e é praticamente a mesma coisa. Até a companheiro do protagonista é uma loira, peituda que abusa do seu sex appeal. Talvez melhore (ou piore) conforme a série evolui, apesar de que não tenho muitas esperanças...
Alexandre: Bom, eu não vi muito Fairy Tail ali – a Lucy não é a Bulma.
Por fim, a jump real poderia se parecer bem mais com a jump de Bakuman. A revista fictícia da série goleia a jump real. Eu leria, sem problema nenhum, séries como Natural+, Otters 11, KTM, Trap e Kanzai Hanzen Club. E, enquanto isso, a nossa jump fica lançando coisas como Metallica Metalluca... Complicado...
Alexandre: Por algum motivo acho que a Jump de Bakuman lembra de forma vaga outras épocas da Jump, não sei por que.
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