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Jun 08

Investida TOTAL contra a Pirataria de Mangás

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Lancaster | PERMALINK | 37

Categorias: pirataria

Scanlation

Dessa vez eu me limitei a traduzir, gente. O texto – originalmente extraído da Publishers Weekly – já dá toda a dimensão da situação. Os grifos coloridos são meus, mas o conteúdo é dos autores originais. O texto em inglês pode ser lido AQUI.
Não há muito o que dizer: agora é guerra. E ninguém pode dizer que esse dia cedo ou tarde não iria chegar.

––––––––––––––––––––––

Editoras Japonesas e Americanas se Unem para Lutar contra Scanlations
Por Calvin Reid

Uma coalizão internacional de editores de mangás japoneses e norte-americanos se uniram para combater o que eles chamam de "problema crescente e galopante" de scanlations, a postagem online de edições digitalizadas e traduzidas dos quadrinhos japoneses, sem autorização dos detentores dos direitos autorais. O grupo está ameaçando tomar medidas legais contra trinta websites de scanlation.

Scanlation

O esforço reúne os 36 membros japoneses da Digital Comic Association – que inclui tanto as principais editoras nipônicas, como a Kodansha, a Shogakukan e a Shueisha, quanto empresas como a Square Enix, a Agência Tuttle-Mori e as editoras de mangá norte-americanas Vertical Inc, Viz Media, Tokyopop e Yen Press (o selo editorial de quadrinhos da Hachette Book Group).
Um porta-voz da coalizão afirmou: tal atitude mostra que essas editoras japonesas – que licenciam a maioria dos mangás vendidos nos EUA – estão tomando uma posição agressiva na luta contra a pirataria de mangá fora do Japão, assim como no seu próprio país. O grupo alega que a velha prática de scanlating, anteriormente executada por fãs – iniciada nos anos setenta (sic), numa época em que era difícil encontrar mangás fora do Japão e que consiste em escanear, traduzir e distribuir material pela internet – se transformou em agregamento de scanlations, alojando milhares de edições de mangás piratas em lucrativos websites de tráfego intenso e oferecendo-os gratuitamente aos leitores.
De acordo com o porta-voz, estes locais estão entre os sites mais pesadamente trafiegados na web, atraindo milhões de visitas por mês enquanto faturam receitas de publicidade e até mesmo solicitam doações e oferecem status, eventualmente, para membros ativos. O grupo também aponta que os mangás piratas agora estão começando a voltar sua atenção para os smartphones e outros dispositivos sem fio através da utilização de aplicativos desenvolvidos "apenas linkar e republicar o conteúdo dos sites de scanlations".

Scanlation

Um porta-voz disse que "ficamos sem nenhuma outra alternativa a não ser tomar uma ação agressiva. É nossa esperança sincera que os sites infratores irão cair em si e imediatamente cessar suas atividades. Se não for este o caso, no entanto, vamos buscar medidas cautelares e indenização". O grupo também relata agressivamente violações às autoridades federais, incluindo unidades anti-pirataria do Departamento de Justiça, agências policiais locais e o FBI. Enquanto o grupo ainda precisa entrar com quaisquer processos e recusa-se a nomear scanlators específicos, sites como o MangaFox e OneManga já tem sido identificados há muito como grandes agregadores.
Após vários anos de vendagens de mangás em franca expansão nos Estados Unidos, impulsionando a popularidade dos quadrinhos e graphic novels no mercado de livros tradicionais, as vendas de mangás no país caíram mais de 30% (a partir de uma alta de 210 milhões de Dólares em 2007), descendo ao patamar de US$ 140 milhões em vendas em 2009, de acordo com o site de notícias de cultura pop ICv2.com. Muitas editoras de mangá e varejistas, que costumavam acreditar que os scanlations realmente haviam atraído novos leitores, agora culpam o declínio de vendas ao aumento de grandes sites de scanlation com fins lucrativos, permitindo o surgimento de uma nova geração de fãs, que cresceram lendo mangá gratuitamente pela internet.

Scanlation

"Volte para dois anos atrás e monitore esses sites; você encontrará uma relação inversa entre o aumento do tráfego nesses sites de scanlation e o declínio nas vendas de mangá nos Estados Unidos.", disse Kurt Hassler, diretor editorial da Yen Press e ex-repassador de quadrinhos para Borders Books and Music (N. do T.: Uma das grandes cadeias de livrarias nos Estados Unidos, nos mesmos moldes que encontramos em lojas como a Saraiva no Brasil). Hassler pontua que os antigos sites de scanlation produzidos por fãs eram destinados a tornar mangás disponíveis no exterior em um momento aonde as traduções para o inglês eram raras. Na verdade, estes fãs tinham como ponto pacífico remover as suas traduções online quando os livros fossem licenciados para o mercado de língua Inglesa.
Não é mais esse o caso, disse Hassler. "Esses sites funcionam como empresas e incluem a digitalização direta de edições licenciadas em língua inglesa. Alguns incluem até mesmo os nossos avisos de direitos autorais. Nós não queremos ter que fazer isso, mas agora as editoras estão focadas neste problema. "

Scanlation

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Comentários:

Nome: Vorspier 08/06/10 09:17
É incrível que essa guerra parece que nunca vai acabar. Acredito que por mais que a indústria de mangá comece a atirar pra tudo quanto é canto para parar com a prática da distribuição, haverá sempre algum bendito para inventar uma estratégia nova pra burlar esse cerco.

Aliás, minha dissetarção de mestrado é sobre a prática do scanlation/difusão de mangá na cibercultura. A cada vez que esse embate indústria/scanlators se desenrola mais, mais pano pra manga tenho pra inserir no meu trabalho.

Alexandre: Bom, acho que com essa atitude provavelmente os mangás vão migrar para torrents e, claro, aumentar mais ainda a presença do IRC, que é difícil de ser vigiado.
Nome: Hakeru-chan 08/06/10 09:19
Acho que o grande problema aconteceu quando esses sites passaram a ganhar dinheiro com os scans.

Antes era tudo muito altruísta, "feito de fãs para fãs, não venda ou compre esse anime (mangá )", todos faziam questão de dizer que não ganhavam nada com isso...

E de repente começou a aparecer uma doação ali, uma publicidade acolá... e o negócio degringolou :P

Não sou a favor da pirataria, mas quero conitnuar acompanhando meus mangás enquanto compro as edições nacionais dele (que estão atrasadas), e também conhecer outras obras que se forem publicadas aqui eu compraria...

De qualquer forma é complicado se posicionar quanto a isso...

Alexandre: Complicado, mas convenhamos: realmente a profissionalização desses sites é algo difícil de ser negado. Nesse contexto as editoras não estão erradas.

E a Yen Press esta transformando a Yen Plus em almanaque online, então acho que isso aponta para o que deve acontecer: as editoras vão passar a fazer seus próprios sites de quadrinhos online. Já está acontecendo e elas querem o dinheiro dos anunciantes e do tráfego.

E se isso acontecer não vejo porque reclamar.
Nome: Estela 08/06/10 09:58
É... Bem problemático. Eu devo estar mesmo muito velha por achar estranho que alguém deixe de comprar uma edição disponível "em papel" e prefira seguir por scanlation... De qualquer forma, parece desleal com as editoras. Mas precisaria ser levado em conta o fato de que esses sites também são acessados por pessoas em cujos países certos mangás não foram - nem nunca serão - licenciados. Azar, né. Importa. Será que um mangatraders da vida também vai ser engolido nessa?
Nome: Leandro 08/06/10 10:03
Acho que essas editoras estão dando tiro no próprio pé!

A crise mundial mal estava aí e eles vem culpar os scanlations de baixa nas vendas? Mais fácil culpar a falta de competência pra fazer o produto vender do que os scanlations.

Não é demagogia, os scanlations e fansubs são responsáveis por boa parte da divulgação das séries fora do Japão. Talvez Naruto não fizesse todo esse sucesso se não fossem esses grupos, assim como muitos outros que só são sucesso por aqui porque muita gente já acompanhava pela internet.

Creio que nos Estados Unidos deve ser a mesma coisa. No Japão que a coisa fica mais complicada mesmo...
Nome: Pedro Bouça 08/06/10 10:41
Os sites de scanlation estavam debochando. Um primo meu que tem iPhone me mostrou uma aplicação que ele tinha pego (na loja da Apple!) e o permitia ler um monte de mangá. Quando eu fui ver, nada mais era que uma aplicação ligada direto ao OneManga!

Eu expliquei para ele que aquilo era material pirateado, mas ele não entendeu como é que era possível uma aplicação comercial exibir material ilegal.

Esse é o ponto em que a "inocente" scanlation chegou!

Eu já tinha convencido o cara a ler 20th Century Boys em inglês, agora alguém me explique como eu faço ele parar de ler de graça no iPhone e passar a pagar mais de 10 euros (preço por aqui) por volume...
Nome: F/X 09/06/10 12:12
É bem óbvio que as editoras estão se preparando pra um negócio forte em quadrinhos para internet e celulares. No Japão, já faz anos que funciona e se paga, e nos EUA, Brasil, etc, também é possível.

Eu pagaria por isso. E compraria meus mangás em papel também.

Mas eu nunca fui simpático ao scan, e duvido que esse profissionalismo todo tenha idealismo, divulgação, etc... Tanto é que recebi uma corrente uma vez de um site que dizia que outro site estava distribuindo o seu material, que aquilo era errado. Ou seja, pirata reclamando de pirata.

O que os defensores do scan sempre gostam de jogar é que Naruto foi um sucesso que nasceu da net. Eu acho que é um sucesso que teria nascido de um jeito ou de outro, seja por investimento japonês, ou por investimento de empresas licensiantes.

Tem coisa muito errada.
Nome: Lali 09/06/10 12:38
Acho uma pena.

Realmente não acho certo que o scanlation seja realizado com obras licenciadas. No entanto, acredito que disponibilizar parte das obras na internet para leitura gratuita seja uma excelente estratégia de venda. Aliás, deveria partir das próprias editoras colocar um trecho do mangá no site para a degustação do público. É como um test-drive. Muitos mangás eu só comprei porque li o scan antes... imagino que o mercado só tenha a perder dificultando que scans sejam encontrados. E, como a Tati disse, sempre haverá um jeito.

Imagino que a hype dos mangás está diminuindo lentamente e, se medidas assim forem tomadas, a situação só tende a piorar com mais velocidade.

Está faltando diálogo nessa situação toda.
Nome: Marcio E. Goncalves 09/06/10 02:04
"É... Bem problemático. Eu devo estar mesmo muito velha por achar estranho que alguém deixe de comprar uma edição disponível "em papel" e prefira seguir por scanlation..."

Olha, é porque tu nunca usou um Ipad ou Iphone então.

Esses dias passei na Apple Store (moro em San Francisco, a Apple Store fica a 5 quadras do meu prédio), peguei um Ipad p/ brincar (eles deixam várias ligadas) e conectei na onemanga.com para ver como eh ler um scan no aparelho.

Bom, o dito é simplesmente perfeito para se ler gibis e com sites como a onemanga.com se perde qualquer razão para se comprar um mangá oficial.

Mesmo para o americano médio, tipo de pessoa que em geral NÃO PIRATEIA NADA e ate fica desconfortável quando descobre que você, seu amigo, tem um monte de coisas piratas no computador.

O "turning point" das scalations, o que realmente fez as vendas despencarem, foi o momento em que o padrão passou a ser sites onde se pode ler os mangas diretamente no browser, sem esforco.

Enquanto as scans se limitavam a IRC, torrents e arquivos .cbr ou .pdf, a coisa não era muito significativa, pois exigia um esforço "nerd/geek" que o leitor comum americano não está disposto a fazer.

Nao é o caso agora - agora a pirataria é mais conveniente que a compra oficial.

E tenho que dizer que vi essa decadência de vendas ao vivo aqui em San Francisco - quando cheguei em 2008 a Borders (maior livraria daqui) tinha bem mais prateleiras de mangás do que de comicbooks.

Isso continua sendo verdade, mas de lá para cá a parte de mangás perdeu tres prateleiras e a de comics ganhou uma (e ambas foram tiradas de uma parte de destaque da loja para uma parte mais escondida).

Sintomático.
Nome: Rond 09/06/10 08:56
Um "googlecomentário": me impressiona que com todas as regras, o One Mangá tenha Adsense. Pro cara que publica os anúncios honestamente, você põe uma coisa fora das regras e, magicamente chega um e-mail dizendo que você será banido do programa, ou é banido sem isso. Pelo tráfego do OM, não duvido que gera algo perto ou além do milhão de dólares, não importa quanto, mas é muita grana.

Alexandre: Foi por isso que eles criaram o 1000 mangá para os quadrinhos mais "perigosos" – que poderiam lhe custar o adsense. Mas o fato é que foi justamente o tráfego desses websites que criou o problema, ainda mais em um momento de crise. E se você passar o mouse pelas imagens, vai ver que esses websites sim, são comerciais, rendem bem e com o crescimento tecnológico, passaram a competir com as editoras.

Acho que o texto – e alguns comentários por aqui – falam por si só.
Nome: Saouri 09/06/10 08:58
Al igual que tu, decidií tan solo traducir la noticia y no emitir comentarios al respecto.

Las acciones legales contra una u otra web, no van a terminar de raíz con la piratería de manga. Gracias a sitios como estos, mucha gente conoce títulos de manga que de otra manera jamás llegarían a leer, ya sea porque las editoriales de su país no están interesadas o sencillamente, como en el caso de mi país (Venezuela), no existen editoriales a las cuales pedirles que licencien tal o cual manga. Además que Japón pocas veces está interesado en mirar algunos mercados, como el Latinoamericano.

Pero entiendo totalmente la posición de las editoriales, dentro y fuera de Japón. Y considerando que el mercado norteamericano ha perdido recientemente 3 editoriales (Aurora, Go Comi y DMX), y Viz está en re-estructuración, tienen que tomar medidas para evitar a toda costa que el mercado siga cayendo en picada.

En fin, hay que hacerle seguimiento a esta noticia, a ver como se desarrollan los hechos en el futuro.

Saludos.

Alexandre: Sinceramente, eu acho que o que vai morrer não é a pirataria – ela não morre – mas sim a facilidade de acesso. Mas também acho possivel que as editoras, nos estados unidos, tenham seu próprio Onemangas no futuro para faturar com tráfego.
Nome: F/X 09/06/10 09:58
No Japão as livrarias dispõem uma amostra de titulos novos, em geral com uma historia completa, pra leitura. Isso sem contar que muita livraria faz poster de indicação por conta, incentivando a compra de material que eles mesmos recomendam.

Além disso, varios sites de editoras contam com capitulos gratuitos pra leitura, de todas as séries de catalogo. E nos sites de compra de manga, seja por cel, seja por net, vários titulos estão disponiveis pra leitura prévia.

O problema é o comodismo do crime. Da mesma forma que um ladrão se justifica pelas faltas de alternativas de vida, um leitor de scan se justifica com as faltas de alternativas de leitura. Só não sentimos o crime de perto por ser virtual.
Nome: Lucas 09/06/10 11:57
Vale lembrar que sites como o OneManga e o MangaFox não traduzem, não realizam o trabalho de "scanlation". O que esses sites fazem é pegar o material traduzido por outros sites e colocam na web. Os sites que traduzem geralmetne soltam os mangás por donwload, mirc, torrent, etc. e alguns até excluem o material quando é lançado em papel. Não estou defendendo os scanlators, só estou explicando um detalhe que faltou.

Outra coisa é sobre a distribuição de mangás. Os mangás mais lidos no OneManga são Naruto, One Piece e Bleach, Fairy Tale, Hitman Reborn, etc. mangás para um público jovem (até 16, as vezes 18 anos) e esse é o tipo de público que não trabalha, só estuda. Logo, se quiserem ler o mangá no papel vão ter que apelar pro papai para pagar pra eles, mas como essa é a "geração internet", onde tudo é possível de graça, eles mal devem saber que existem mangás em papel. Eu mesmo "comecei" (entre aspas pois o primeiro mangá que li foi no papel: "Pokemon Quadrinhos", lançado pela Conrad, eu acho, em 1999, e não fui em quem pagou) a ler mangás na internet, mas hoje eu compro vários, inclusive cavando em sebos e sites na internet e a maioria da população do Brasil é como eu. Mangás como 20th Century Boys, que é muito famoso pela internet, ficam longe da lista dos mais lidos do One Manga.

Mangás como Éden e Akira nem existem nesses sites (por questão de licenciamento)e mangás para adultos, como 2001 Nights, Planetes, Emanon estão longe de serem os mais lidos na web. Por quê? Porque esses mangás são direcionados para adultos que trabalham para sustentar seus hobbys e, se eles virem o mangá no papel, preferirão assim do que numa tela de computador que cansa os olhos e não cheira tão bem quanto um mangá, hahaha.

Me lembro de uma época em que, no site da Conrade era possível ler uma prévia do mangá na loja online. Eu lembro de ter lido umas 40 páginas de Angry e gostei, comprei o resto e fui feliz. Me lembro também de ter comprado Afro Samurai sem nunca ter tido um contato, uma prévia do material, e me arrependi de ter gasto o dinheiro, pois o enredo do mangá é (pessoalmente) muito ruim.
Falando nisso, cade o resto de Éden? To me segurando até hoje pra não ler o resto dele e Ghost in the Shell na internet pra aguardar o lançamento em papel. Um baita esforço! (ps: não compraria em inglês pois é caro e, particularmente, desconfortável pra mim ler em inglês e eu valorizo e tenho fé no mercado brasileiro).

Agora uma opinião completamente pessoal: eu odiaria ler mangás/livros num iPhone ou iPad. Nada melhor do que o bom e velho papel.
Nome: Jussara Gonzo 09/06/10 12:17
Sabe a utopia do Obama em ver um mundo "totalmente livre de bombas atômicas"? O mesmo ocorre aqui.

Não dá para desinventar a bomba atômica. Se um dia o mundo ficar totalmente livre delas, um famigerado VAI conseguir construir uma e vai ter o planeta nas mãos. Percebe o perigo?

O mesmo ocorre com os scanlators. Sim, com o fim do Raw Mangá está uma droga achar certos títulos mais raros, mas não duvido que em pouco tempo eles vão voltar a aparecer por aí. Para acabar com os scanlators eles teriam que desinventar a internet... o que é impossível. A não ser, é claro, que ocorra uma Terceira Guerra Mundial Nuclear... mas até ai, quem vai ligar para editoras e mangás nesta hora, certo?

Os tempos serão duros para os fãs de scanlators, mas são 36 editoras japonesas contra 2 bilhões de usuarios da web. Mesmo em locais como a França, onde a caça à pirataria pega pesado (incluindo invadir a casa alheia para confiscar conputadores) a pirataria ainda respiar (e como!) por lá. A "solução" seria criar uma espécie de AI-5 na web, que, nem preciso dizer, JAMAIS vingará... ou se vingar, os imbecis que declararem esta lei nunca mais terão votos na vida.

Estas editoras estão entrando numa guerra para perder - à longo prazo. Acham que os sistemas burocráticos antigos vão ajudá-los. Ora... declararam a sentença dos caras do Pirate Bay, mas e daí? E olha que eles são MUITO mais "perigosos" porque, ao contrário de mangás, eles pirateiam TUDO. E em Estocolmo, onde a população TEM SIM renda para comprar todas as besteiras possíveis que o site oferece, protestou.

E o Partido Pirata também está começando a ganhar força e a se oficializar em vários países, incluindo o Brasil.

É aquela coisa: o Bolsa-Família e o Fome-Zero acomodaram o povo... mas tenta cancelar qualquer um dos dois para ver o que vai acontecer nas urnas eleitorais.
Nome: Lucas 09/06/10 12:35
Não adinata procurar um culpado quando eles mesmo são os culpados. Do mesmo jeito que vendem jogos piratas do Naruto e Bleach, mangás piratas deles também serão divulgados (lidos de graça) por aí.

É o feitiço voltando contra o feiticeiro: eles (Weeklçy Shonen Jump) criaram produtos (sim, deixou de ser arte e se tornou apenas fonte de renda) que chama a atenção de jovens que querem diversão instantânea. Eu defendo o que eu disse antes, a maior vítima da pirataria são os mangás para crianças e adolescentes.

Ou você ve o Katsuhiro Otomo reclamando de pirataria por aí?
Nome: Jussara Gonzo 09/06/10 12:52
Ah, esqueci de citar mais uma coisa:

O velho papo de "nada como ler uma hq em papel" em poucas décadas soará tão anacrônico como "nada como digitar o texto numa boa e velha máquina de escrever". Acredite, mas já ouvi isso. E todas as "vantagens" de escreverr numa máquina de escrever, como "você presta mais atenção ao que está escrevendo... pois não pode errar... bla,blá.blá." Não que eu tire a razão deles, mas quem se importa hoje em dia com isso?

Talvez a profissão de mangaká ou mesmo de desenhista de quadrinhos se torne absurdamente elitizada (mais ainda!) do que é hoje, porque a CÓPIA vai sumir. Talvez a maioria destes desenhistas só consiga sobreviver daqui para frente se conseguirem mesmo lançar um BIG HIT que permita produzir uma série de produtos licenciados (que não possam viajar pelos fios da internet...), ou então vendendo artes originais como muitos desenhistas fazem hoje; dando palestras... fazendo comissions... coisas assim. E se quiserem que uma "cópia" do seu trabalho ganhe destaque, teríam que apelar para coisas mais atraentes, talvez um papel com textura, uma encadernação com cheiro... vender seu trabalho pessoalmente e ainda bater um papinho com o comprador ao vivo... enfim, oferecer aquilo que o fã não vai conseguir ter através de scanlators.

Parece trise, principalmente para aqueles (como eu) que sonham em um dia trabalhar com isso. Bem, mas o que fazer? Milhares de peões de montadoras de carros são despedidos e substituídos por máquinas... a profissão de "parafuseador" desapareceu. Mas o que fazer? Só sentar e chorar? Bola pra frente...

Mas curiosamente, com a banalização do digital, eu vejo uma crescente valorização da manufatura tradicional. Como o livro dos Malditos Designer - uma série de tiras que faz troça da vida do profisional de Design - que foi feito de forma totalmente manual, desde a capa até a impressão por silk de cada página, uma a uma, e depois costuradas à mão. Um trampo caro, mas, justamente por ter sido feito com este cuidado, MUITO valorizado (e eu não duvidadia, à esta altura esgotado). Um objeto de desejo muito além de qualquer representação fria numa tela de computador.

Talvez esse festival da pirataria e da internet 'fria' nos permita, também à longo prazo, valorizar mais um trabalho humano. Deixe a pirataria aflorar! Quem, neste mundo, é capaz de parar a História?
Nome: Warty 09/06/10 12:59
Só uma coisa: Lucas, o que você falou sobre sucesso na internet ser proporcional à faixa etária não ter dinheiro não faz sentido nenhum. Se fosse desse modo, 20th Century Boys deveria vender BEM MAIS que Naruto, já que seu público consumidor possui dinheiro pra gastar, enquanto o público de Naruto vive de mesada. Tipo, o sucesso na internet reflete o sucesso da série em si, eu creio. Naruto é o mais lido na internet e o mais vendido nos EUA. Não creio que tenha a ver com essa de os leitores de Naruto não lerem a série porque vivem de mesada... Por enquanto é só, depois comento mais.
Nome: Carlos 09/06/10 03:52
esse tipo de situação nao vai dar em nada

mesmo que tomem medidas legais e derrubem 3,4,5 sites grandes isso é igual a uma hydra vc corta uma cabeça nasce 3 cabeças no lugar.....

existem inúmeros meios de distribuição de midia pela internet,mesmo que eles consigam derrubar 100% da pirataria (coisa que é impossível) eles estariam dando um tiro no propio pe....

as editoras de quadrinhos americanas passaram pelo mesmo problema nos anos 90 com a novidade da internet,tentaram barrar a pirataria mais nao deu em nada...

o que eles fizeram?. hoje em dia a marvel,a dc comics entre outras ja distribuem suas HQs em versões online e começaram a fazer filmes de seus personagens onde faturam milhões, faturam ate mais do que a venda da HQ convencional...

mídia empresa hoje em dia estar por um fio da extinção,ja nao é vantagem vc ir na banca pegar a sua revistar ou jornal para ler um noticia ,vc poder ler a mesma noticia em tempo real no web site do seu jornal na comodidade da sua casa....

os japoneses tem é que se adequar as crescentes novidades da internet e tentar faturar em cima ao invés de ficar forçando a barra e querer ganhar milhões com venda de papel....

nao sou a favor da pirataria,mas ter que espera 1,2 anos a boa vontade de uma editora nacional publicar um manga é muito tenso
Nome: Pato_Supersonico 09/06/10 06:19
Olha, concordo que os sites de scans deram sua contribuição para a popularização da cultura J-Pop no ocidente, mas acho que o papel delas é superestimado. O fator que realmente deu o pontapé inicial que permitiu que os mangás saíssem do arquipélago dos samurais e entrassem em contato com outras culturas foram os imigrantes japoneses.

Diferentes de outros povos que se deixam absorver pela cultura nativa, os japoneses (e também os judeus, mas isto é outra história), talvez por terem hábitos muito diferentes dos ocidentais, tendiam a rejeitar a assimilação e permaneciam fiés para com suas origens, com muitos deles se juntando em comunidades onde se comunicavam em japonês e permaneceram praticando suas tradições.

Pelo mesmo motivo, tentavam, na medida do possível, manter contato com sua terra natal, importando de lá artigos de consumo, alimentos, informações, e, como não podia deixar de ser, material de entretenimento como jornais, revistas, livros e...

...quadrinhos! =)

Mas apesar de viverem na sua, as comunidades japonesas do mundo não eram necessariamente isolacionistas, eram economicamente muito abertas e sociologicamente muito ativas, de modo que com sua mentalidade que valorizava o trabalho duro e honesto - bem ao contrário de um certo povinho que exalta a malandragem - e com sua cultura de forte caráter mercantil, influenciaram profundamente e positivamente o desenvolvimento econômico dos países que os acolheram.

Foi nesse intercâmbio que alguns ocidentais entraram em contato com alguns aspectos de sua cultura que julgavam interessantes, e dentre estes, alguns achavam que a cultura japonesa era mais que interessante. Era potencialmente lucrativa.

Como aquele artigo do Lancaster sobre Macross/Robotech mostra, os ocidentais que fizeram a ponte que permitiu que a cultura pop japonesa saísse das colônias japonesas e tentasse conquistar seu lugar dentro da cultura pop ocidental não foram os otakus, que até hoje não promovem nada além de sua fama de destrambelhados. Foram empresários do setor de entretenimento que promoveram as produções japonesas (esbarrando em imensas dificuldades, inclusive o senso de exclusividade de certos fãs) e assim, permitiram que pessoas comuns entrassem em contato com o J-Pop, e foi isto que criou a indústria J-Pop ocidental.

Aqui no Brasil não foi diferente, lembrando que, antes mesmo da internet, havia animes e seriados japoneses que faziam sucesso, e que saíram das comunidades japonesas não graças aos fãs, mas graças a emissoras e estúdios de quadrinhos que inicialmente não trabalhavam com este material, mas o incluíram a título de diversificação. Não sei como foi o caso françês, mas considerando o caráter altamente empreendedor e cosmopolita da indústria de lá, é altamente provável que o esforço principal de promoção da cultura pop japonesa na França tenha partido dos editores franceses.

Aliás, já pude ver com meus próprios olhos que fãs, com seu senso de esclusividade, não só não promovem nada, como frequentemente atrapalham os esforços de promover a cultura pop japonesa, como o caso "Otakus contra a Globo" demostrou. Eles estão praticamente fazendo a cultura J-Pop virar sinônimo de doença mental, e duvido que isso seja encorajador para quem quer investir nesse ramo.

Assim, os fansubs não introduziram a cultura J-Pop no ocidente, nem criaram um mercado consumidor para essa indústria, o que eles fizeram foi criar um nicho dentro desse mercado, que se por um lado permitiu um aumento da lucratividade a ponto de atrair investimentos dos japoneses, por outro lado são um obstáculo para o processo de massificação da cultura J-Pop no ocidente.

Resumindo, os fansubs foram apenas um efeito colateral de um processo que já estava em andamento e nunca dependeu deles. E como os próprios japoneses lembraram, as circunstâncias mudaram. Se antes eram de alguma ajuda, hoje só atrapalham.
Nome: Thaís 09/06/10 06:53
Olha, eu sou contra os scans de mangás já publicados, que tendo eles pela net prejudica a editoa.
Mas acho injusto tirar aqueles que não foram licenciados, ajuda até a dar uma propaganda.
Eu por exemplo, leio vários mangás no MangaFox, mas só aqueles que não foram licenciados ou que nunca serão no Brasil.
Sinceramente, sem os scans eu não conheceria quase nenhum mangá e poderia ter deixado de comprar vários sem ter lido nada deles na internet.
Nome: Windyz 09/06/10 07:34
Eu acho que eles deveriam ter feito algo antes de chegar a esse ponto.

Tomara que eles não fechem tudo, dá tristeza pensar que centenas de mangás e manhwas que provavelmente nunca irão chegar aqui por causa disso.

Até que eu não tenho problema em cancelar os principais. (mesmo que esses demorem anos a chegar aqui ¬¬ já que eu não leio naruto, bleach e one piece) Eu tenho impressão é de que as editoras brasileiras são meio tremidas.
Nome: Marcio E. Goncalves 09/06/10 08:23
"Diferentes de outros povos que se deixam absorver pela cultura nativa, os japoneses (e também os judeus, mas isto é outra história), talvez por terem hábitos muito diferentes dos ocidentais, tendiam a rejeitar a assimilação e permaneciam fiés para com suas origens, com muitos deles se juntando em comunidades onde se comunicavam em japonês e permaneceram praticando suas tradições. "

Acho que isso eh mais verdade aqui nos EUA do que no Brasil. Os descendentes de japoneses no Brasil sao bem mais integrados do que as colonias de russos e alemaes no sul do Brasil, por exemplo.

Sabrina Sato que o diga - a mina é japa mas ficou famosa com o estereotipo de caipira burra. Algo do tipo seria inimaginavel aqui nos EUA (uma japonesa-americana como exemplo de redneck hillbillie? No way.

"Pelo mesmo motivo, tentavam, na medida do possível, manter contato com sua terra natal, importando de lá artigos de consumo, alimentos, informações, e, como não podia deixar de ser, material de entretenimento como jornais, revistas, livros e..."

Isso é comum em imigrantes de primeira e segunda geracao que nao dominam a lingua local.

Brasileiros (de todas cores e etnias) tendem a fazer o mesmo, tanto nos EUA quanto no Japao. Os que nao fazem (como eu) acabam mal tendo contato com os outros brasileiros.

Sua analise nao esta errada, mas é mais sintomatico do Brasil do que dos EUA - no Brasil a colonia japonesa, com essa mistura curiosa de manter a cultura mas ser aberta a mistura ao mesmo tempo (incluindo casamentos com nao-japoneses, algo que so comecou nas ultimas decadas nos EUA, mas é super comum no Brasil).

Nos EUA eu diria que a colonia teve muito pouco a ver com o sucesso de mangas.

O que fez estourar foram produtos muito mainstream como o Robotech e no final dos anos 90, Pokemon na TV (que foi na verdade o estopim real p/ o sucesso de anime aqui. Pokemon é aqui o que o Cavaleiros do Zodiaco foi no Brasil).
Nome: Lucas 10/06/10 09:50
"Olha, eu sou contra os scans de mangás já publicados, que tendo eles pela net prejudica a editora.
Mas acho injusto tirar aqueles que não foram licenciados, ajuda até a dar uma propaganda.
Eu por exemplo, leio vários mangás no MangaFox, mas só aqueles que não foram licenciados ou que nunca serão no Brasil.
Sinceramente, sem os scans eu não conheceria quase nenhum mangá e poderia ter deixado de comprar vários sem ter lido nada deles na internet."

E digamos que você leu um mangá de nome X pela internet porque ele não existia no seu país. Você ve isso como justo, foi o que disse, mas e se esse mangá X fosse lançado no seu país? Você já tinha lido, sabe a história e o final, ia fazer como muito fazem, compram só pra apoiar a editora, mesmo já sabendo o que acontece! Nâo tem sentido comprar uma coisa pra isso, o negócio é torcer pra ela ser publicada por aqui (eu mesmo leio muitos mangás na internet, atualmente to evitando pra esperar a publicação deles por aqui, mas fico muito nervoso em saber que o papel que tenho em mãos já foi lido numa tela de computador...). Mas, se não fosse a internet, você não saberia que ele existe e é aí que entra o dedo da editora. É ela que tem que mostrar a variedade para o leitor. Só esse bimestre foram lançados uns 4 ou 5 shoujos aqui no Brasil e eu, que prefiro seinens, fico sem nada pra ler (não comprei Guin Saga ainda, mas parece que não me agradará, depois eu passo aqui pra dizer o que achei).

Sem contar que a Conrad teve uma falta de respeito enorme com os fãs nos cancelamentos. Nâo só ela, a Panini também já deixou a gente muito nervoso com ela, cade o resto de Éden? Será que eu vou ter que baixar os volumes que faltam pra saber como acaba ou minha espera não vai acabar nunca?

Portanto, leitores que respeitam os mangakas sabem que devem comprar ao em vez de baixar (assim como um CD pirata), mas existem uns leitores que se aproveitam e preferem baixar. Eu já falei com um garoto que devia ter uns 14 anos e ele me disse: "pra que eu vou comrprar um mangá se eu posso baixar de graça". É revoltante saber que tem gente que pensa assim, mas não podemos fazer nada pois a culpa é do preço dos mangás. Aliás os mangás no Brasil são muito mais baratos que nos EUA, que custam 10 dólares por lá.

Ah, vou parar de comentar, eu só to revoltado com a situação das editoras brasileiras que me deixaram na mão com Éden...

E Marcio E. Goncalves, você é um metido que se acha só por que mora nos EUA :P

Alexandre: Gente, comportem-se que esse não é o antigo fórum da Henshin. XD
Nome: Leonardo 10/06/10 11:43
Hipocrisia de boa parte do pessoal que comentou aqui: "Ah, sou contra material licenciado, mas não ligo se não for licenciado".

Pirataria é errada tanto para títulos licenciados quanto para títulos não licenciados.

Se você abomina o fato de publicarem material licenciado e lê material não licenciado você também é um pirata. Não há justificativas para o leitor tentar se passar por "correto" ou tentar arrumar razões para que o trabalho de scanlators continue.

Outra coisa que muita gente não sabe e que foi dito aí pelo Lucas, Onemangá, Mangafox, mangatraders e sei lá mais o que, NÂO SÃO scanlators. Eles simplesmente pegam todos os mangás traduzidos e disponibilizam em um único lugar, e muitas vezes contra a própria vontade do scanlator.

Aí o cara lá diz: "ah, já vi scanlator reclamando de site que rouba seu material, pirata reclamando de pirata".
Justamente pelo fato de muitos scanlators largarem seus projetos quando eles são licenciados no país, eles entram em confrontos com esses sites para impedir a disponibilização de "seu" material "ilegalmente".

Não estou dizendo que scanlators são coitados nessa história, mas muitos grupos compram os mangás em japonês, scaneiam, traduzem e editam, e não ganham um centavo para isso. Aí chega um "agregador" como o onemanga e disponibiliza o trabalho deles sem uma prévia autorização. Eu também ficaria irritado se visse meu trabalho e esforço ser utilizado pelos outros sem meu consentimento.

E é simples assim, os scanlators, as fontes de tradução e edição de mangás, NÃO SERÃO fechados. Serão fechados esses sites monstruosos que reúnem todos os trabalhos dos scanlators em um único lugar.

Duvido que o pessoal aqui saiba o nome de 3 scanlators famosos.

Só pra constar, no Brasil, MUITA gente importante já disse que o trabalho dos scanlators não prejudica o trabalho das editoras.

Não sei se posso postar links aqui, mas o Marcelo Del Greco deu uma entrevista nesse site: http://www.jbox.com.br/entrevistas/marcelo-del-greco/ e deixou claro que o trabalho de um scanlator não ameaça a editora:

"Pergunta: Os fãs que traduzem e disponibilizam mangás online são vistos como alguma 'ameaça' pela editora ou até colaboram na hora de medir a popularidade de algum título no Brasil?

Resposta: Ameaçar não ameaçam, mas são pessoas, fãs ou não, que estão na ilegalidade e que podem sofrer as consequências previstas por lei a qualquer momento. É preciso lembrar que mesmo títulos não lançados no Brasil continuam tendo seus donos."

Informalmente (principalmente em eventos de anime) várias pessoas já disseram que os scanlators ajudam nas vendas e estão longe de serem uma pedra no sapato que são para os japoneses/americanos.

Não sei se vocês acompanham, mas diversos sites já fizeram enquetes procurando saber se os leitores abrem mão do papel para ler no computador e boa parte das respostas é que eles preferem ler no papel. Pela comodidade de você poder ler deitado, no ônibus, no banheiro e não ter que forçar a vista lendo num monitor.

O cara aí em cima também disse que é pela facilidade do leitor online que surgiu esse problema e eu digo que é verdade.
Os canais no IRC estão CHEIOS de mangás e vivem vazios (cerca de 40-300 pessoas), justamente porque é extremamente complicado para alguém acessar o IRC (sendo que é extremamente simples).

A preguiça do leitor em ir atrás do que quer, faz com que sites como o onemanga sejam Deuses para eles.

Resumindo: Tudo o que eu disse só faz sentido se considerarmos o que todos estão dizendo (de tolerarem material não licenciado). Ao mesmo tempo, tudo não passa de uma falácia se usarem o que eu disse no início do comentário.

Se for para assumir uma posição definitiva, o pessoal precisa primeiro se decidir se é a favor ou contra a pirataria. Se você é a favor, então não adianta reclamar de títulos licenciados sendo distribuídos por scanlators. Se você é contra, está com toda razão em reclamar do trabalho dos scanlator.

A única coisa que não funciona é a hipocrisia.
Nome: mrs 10/06/10 12:11
"Aliás os mangás no Brasil são muito mais baratos que nos EUA, que custam 10 dólares por lá."

Olha,acho que não é bem desse jeito. A qualidade do papel e da impressão dos mangás nos EUA são melhores do que os daqui. O preço é maior, mas o custo de produção também. Levando isso em conta, talvez os mangás de lá sejam mais "baratos" que os brasileiros.
E os americanos geralmente tem bem mais dinheiro pra gastar com livros do que nós, claro.

Alexandre: Eu estava deixando todo mundo falar, sem me meter muito dessa vez, mas aqui entro pra dizer: você acertou na mosca. Se os mangás americanos ou franceses fossem como os Brasileiros em termos gráficos, provavelmente seriam até mais baratos do que os nossos.
Nome: Lucas 10/06/10 12:45
Leonardo, eu também concordo que boa parte da fama dos mangás são contribuição dos scanlators. Eu mesmo não ia conhecer muita coisa sem eles.
É difícil assumir uma posição contra ou a favor, pra mim, pois alguns scanlators dizem que depois de licenciados os mangás são retirados de seus sites mas, se eu já li online, porque eu leria novamente na versão em papel? Só se eu fosse um colecionador ou tiver gostado muitíssimo da história e, convenhamos, tem muito mangá que eu já li na net que eu me arrependeria se tivesse comprado sem saber se é bom ou não (como fiz com Afro Samurai...).

"O cara aí em cima também disse que é pela facilidade do leitor online que surgiu esse problema e eu digo que é verdade."
Novamente, é o que eu disse. A geração orkut é a que mais se aproveita de scanlators pois o IRC é um programa mais antigo. Pergunta pra um leitor de Naruto se ele sabe o que é MIRC ou se ele sabia que antigamente os mangás só eram distribuídos dessa forma. Esse povo nem quer saber de Hokuto no Ken, Vagabond, o negócio deles é bleach, Air Gear, coisas com peitos e sutiãs a mostra, como no recente sucesso da Panini Morango 100%. No site mencionado no comentário acima, havia uma festa, com direito a gritos histéricos e tudo mais, no tópico que anunciava que esse mangá ia ser lançado no Brasil.
Mas como a molecada sabia que esse mangá era "bom" (pessoalmente, eu nao gostei. Ainda bem que eu li dois capítulos na web pra não ter que gastar mu dinheiro testando)? Sabiam porque esse mangá, anteriormente, tinha sido um sucesso na web e foram lá que eles leram pela primeira vez. E, assim, eu acabei mostrando a importancia dos scanlators, por mais pirateadores que eles sejam (sem esquecer que eu li uma prévia Angry no site da Conrad antes de comprá-los, opção de leitura online que não existe mais).

Agora, os scanlators podem até ter seu lado bom, como divulgadores (sem esquecer que o lado ruim é que pessoas deixam de comprar pra ler online), os verdadeiros vilões são so sites como One Manga, que ganham dinheiro em cima do trabalho dos outros.
Nome: Jussara Gonzo 10/06/10 01:37
Tomem cuidado ao chamar os scanlators de "criminosos", de afirmar que pirataria virtual é "errada".

Pois fazendo isso você está colocando pessoas que trabalham todos os dias, pagam suas contas e não tem coragem nem de roubar uma bala caída no chão de uma bomboniere, de criminosos. Isso, à longo prazo, pode BANALIZAR o crime e levar a um colapso lento e interno da ordem da socideade - parece exagero falando assim, mas falo sério.

O problema da pirataria virtual hoje em dia é este: você está BANALIZANDO o que você chama de "criminoso". Na verdade, o simples fato de você fazer uma das coisas mais comuns no Brasil, que é indicar um amigo para um cargo dentro da sua empresa, JÁ É um crime, e se chama NEPOTISMO. Mas é como funciona 70% das empresas hoje em dia no país.

Poderíamos discorrer mais profundamente sobre isso. "Crime" é uma denominação que muda com o tempo e o local. Dois exemplos rápidos: 1 - Num país do Oriente Médio um homem estuprou uma mulher. Os irmãos desta mulher, revoltados, exigiram justiça. O homem foi condenado com a pena máxima, que era: ter a IRMÃ estuprada por todos os parentes homens da moça que ele estuprou.

2 - Outro exemplo que é até bem recente no Brasil: os Crime de honra. Se um marido pegava a mulher com outro homem (não importando o quanto o marido fosse violento, frio ou tirano) ele teria todo o direito de assassinar a mulher e o amante e não responder por crime nenhum, pois ele estava apenas "lavando a sua honra". E isso valia se a mulher fugisse dele também, pois antigamente divórcio era crime - ah, e claro... estas regras NÃO valiam se fosse a mulher que pegasse o marido com outra.

Nós estamos no ponto de virada no conceito de chamar pirataria virtual de "crime" - não tenham nem dúvidas quanto à isso. Não se esqueçam que coisas como Direitos Autorais, no começo quando foram criados, foram feitos mais para proteger EDITORAS do que propriamente o autor. No começo eram de apenas 10 anos... 20... hoje, Mickey está com mais de 80 anos e ainda assim é domínio privado.

Pensem nisso.
Nome: Warty 10/06/10 02:20
Mas Jussara, e quem comete crime é o quê? Que eu saiba criminoso é o sujeito que comete crime, logo, só porque você pode participar de um scanlator não faz de você uma não-criminosa. É crime, ora pois!

Assim como eu sou criminoso ;3

E você joga toda a História no lixo nas suas idéias, né? ~___~
Nome: Thaís 10/06/10 02:48
"E digamos que você leu um mangá de nome X pela internet porque ele não existia no seu país. Você ve isso como justo, foi o que disse, mas e se esse mangá X fosse lançado no seu país? Você já tinha lido, sabe a história e o final, ia fazer como muito fazem, compram só pra apoiar a editora, mesmo já sabendo o que acontece! Nâo tem sentido comprar uma coisa pra isso, o negócio é torcer pra ela ser publicada por aqui"

Eu não sou do tipo que compra para apoiar uma editora, só compro aquilo que eu realmente gosto (não tenho condições de sair comprando tudo).
E se eu gostei muito do mangá X que li pela net, eu comprarei para colecionar e para ler novamente, mas se a história não me agradou, eu já largo logo no comecinho(1 ou 2 capítulos no máximo).
E há mangás que eu não leio na net porque acho que um dia sairão no Brasil (os mais longos), mas há muitos mangás que eu tenho total certeza(uma pena) que nunca virão para cá, então qual o problema de ler?
Nome: Pedro Bouça 10/06/10 03:56
Jussara, uma coisa é o Mickey, a outra são os mangás.

Praticamente todo mangá (e quadrinho europeu) pertence total ou parcialmente a seu autor - e os autores vivem dos royalties das vendas de seus mangás e produtos derivados!

Os pobres infelizes que desenham o Mickey são assalariados e não ganham um tostão de royalties, mas isso DEFINITIVAMENTE não é o caso dos autores nipônicos!

E os direitos autorais protegem os autores sim. O problema é que em muitos casos (particularmente nos EUA) assume-se que quem edita a obra é o "autor"...
Nome: Pato_Supersonico 10/06/10 04:36
Sim, Marcio E. Goncalves, o processo de integração da cultura japonesa teve suas diferenças de país para país, já que cada país tem seu próprio jeito de lidar com imigrantes. Eu não entrei em detalhes porque mantive o foco no fator "indústria", que é o que mais interessa a esta questão.

O que eu basicamente quis dizer foi que quem introduziu os mangás e animes no ocidente foram os imigrantes, e que quem os promoveu entre os ocidentais foi a indústria de entretenimento. Os sites de tradução apenas criaram um público cativo, e aí é que entramos no que interessa.

Esse público (o fã hardcore de J-Pop) não é grande o bastante para permitir que as empresas introduzam títulos no ocidente na escala que desejam (quase todos os títulos que existem, basicamente isto) ao mesmo tempo que atrapalham o trabalho destas empresas em expandir o mercado, com iniciativas que vão desde o pirateamento até agressões (que por enquanto são apenas verbais, mas nunca se sabe...) a pessoas que tenham interesse em promover a cultura japonesa neste hemisfério.

E isso sem falar das contínuas pagações públicas de mico que fazem com que o grande público passe a fazer cara feita para os que gostam de J-Pop, o que, ao afastar o grande público, também afasta grandes empresas.
Nome: Jussara Gonzo 10/06/10 05:23
Aí é que está, Warty... crime é uma REGRA criada mediante interesses gerais e/ou privados (depende do que abanar mais forte, o rabo ou o cachorro).

Maconha é crime no Brasil, na Dinamarca não é. Ser Homossexual é crime com pena de morte em muitos países mulçulmanos, no Brasil não é. Dizer que é a favor do comunismo era crime passível de tortura e morte no Brasil durante a ditadura, hoje não é mais.

Entendeu?

Caro Pedro Bouça , Mickey e mangás SÃO SIM a mesma coisa. Turma da Monica e quadrinho europeu autoral É mesma coisa. A diferença é que a Disney e o Mauricio de Sousa colocaram funcionários para trabalhar no lugar deles. Você está tomando o partido de quem é o famigerado que está desenhando, por isso está distorcendo a sua visão.

E não estou dizendo que os direitos autorais não protegem os autores... é OBVIO que os protegem (PRINCIPAMENTE das suas própria editoras!) estou falando que ele foi CRIADO visando proteger as editoras, não o autor.
Nome: Quiof 10/06/10 10:03
Jussara, você leu Cultura Livre do Lawrece Lessig? ele fala sobre dojinshis, disney e P2P
http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?view=144
Nome: Marcio E. Goncalves 11/06/10 02:04
"E Marcio E. Goncalves, você é um metido que se acha só por que mora nos EUA "

Eu sou curitibano - entao ja era metido antes de vir para ca :P
Nome: Jussara Gonzo 11/06/10 01:52
Talvez eu lesse se o link abrisse, Quiof. Se quiser conversar comigo a respeito dele mande uma mensagem pelo meu blog.
Nome: Pato_Supersonico 11/06/10 02:38
Mudando um pouco de assunto, sabem aquele meu comentário sobre Otakus não divulgarem nada além da própria fama de destrambelhados?

Comprei a revista "Mundo Estranho" de junho de 2010, cuja matéria de capa é "100 histórias sem-noção", para comemorar o centésimo número da revista, e que publicou sobre o japonês que casou com aquela personagem de Love Plus, para o Brasil inteiro ver.

Parabéns, caros compatriotas. Se nós queríamos deixar nossa marca na história do Brasil, conseguimos. Kampai! =)
Nome: Lucas 11/06/10 03:32
Lancaster da uma lidinha nisso, parece que é o ponto final dessa discussão: http://mangahelpers.com/news/details/377
Nome: Quiof 16/06/10 01:17
Open Manga: Plataforma para ler mangá legalmente

http://www.anmtv.com.br/2010/06/open-manga-contra-pirataria.html

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