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Jun 04
Ranking do Oricon (JP) – 03/06/2010
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8
Categorias: rankings

Quando os quadrinhos para leitores maduros parecem não vender bem, só há uma solução: orar a Jesus e a Buda (porque sozinhos eles não dão conta do recado). E eles respondem, fazendo o milagre da multiplicação das vendagens através de Saint Young Men, série publicada na revista Morning 2 e já estreando com a expressiva vendagem de 537.104 exemplares, trazendo a dupla como jovens dividindo um apartamento em Tóquio. Aleluia, irmãos da editora Kodansha, e recitem seu mantra de agradecimento sob a fumaça de incenso.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Toaru Majutsu no Index 6 (Square Enix) – 96.507 / 155.604 [3]
02. Detective Conan 68 (Shogakukan) – 88.224 / 432.587 [5]
03. Fairy Tail 21 (Kodansha) – 69.348 / 366.798 [8]
04. Neon Genesis Evangelion: Shinji Ikari Raising Project 10 (Kadokawa) – 65.276 / 96.000 [9]
05. Kekkaishi 29 (Shogakukan) – 54.474 / 233.827 [12]
06. Major 76 (Shogakukan) – 45.425 / 165.820 [15]
07. Ace of Diamond 21 (Shueisha) – 42.339 / 203.716 [17]
08. Negima! Magister Negi Magi 30 (Kodansha) – 38.468 / 203.802 [18]
09. Strongest Disciple Kenichi 38 (Shogakukan) – 29.635 / 143.345 [29]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Saint Young Men 5 (Kodansha) – 537.104 / 537.104 [1]
02. Vagabond 33 (Kodansha) – 301.993 / 301.993 [2]
03. Bamboo Blade 13 (Square Enix) – 95.213 / 95.213 [4]
04. Moteki 4 (Kodansha) – 64.760 / 135.091 [10]
05. Giant Killing 15 (Kodansha) – 81.260 / 142.353 [11]
06. Gantz 28 (Shueisha) – 51.693 / 193.595 [13]
07. Historie 6 (Kodansha) – 61.650 / 61.650 [15]
08. Adamas 4 (Kodansha) – 42.709 / 92.002 [16]
09. Shakugan no Shana 8 (Kadokawa / Media Works) – 38.303 / 38.303 [19]
10. Liar Game 12 (Shueisha) – 37.689 / 127.957 [20]
11. Peace Maker 5 (Shueisha) – 35.377 / 132.589 [22]
12. Dengeki 4-Koma Houkago Play 2 (Kadokawa / Media Works) – 31.291 / 31.291 [24]
13. Moon: Subaru Solitude Standing 6 (Shogakukan) – 31.136 / 31.136 [25]
14. Hetalia - Axis Powers 3 (Gentosha) – 53.755 / 53.755 [26]
15. Bamboo Blade B 3 (Square Enix) – 30.450 / 30.450 [27]
15. Kurokami 14 (Square Enix) – 29.237 / 29.237 [30]
Não há como duvidar do sucesso da duplinha Jesus e Buda. Eles já fazem sucesso há dois mil anos, vão deixar de fazer agora? É quadrinho de humor acessível, para leitores maduros, limpo, de fácil penetração popular no Japão. Eu sinto algum tipo de filtro local no humor dessa série que me impede de achá-la engraçada, mas isso não faz de Saint Young Men um material ruim. A série caiu nas graças de muita gente no Japão e ganhou popularidade entre os meios mais descolados. Essa popularidade redundou em sucesso e os números não mentem.
Vou manter o tom religioso e agradecer a Deus (e a Buda também): Vagabond caminha para a sua reta final. A série – que aparentemente deu no saco do próprio autor – como a maior parte dos meus leitores já deve saber, é uma reinterpretação radical do livro Musashi, de Eiji Yoshikawa, que era ágil, divertido e muito bom. Inoue quis fazer seu próprio Musashi, e por isso retirou a agilidade, retirou a diversão, e claro, retirou o "muito bom" da lista de elogios – e claro, nossa crítica especializada vai negar de forma veemente. É uma obra plasticamente muito bonita, com sequências que são verdadeiras aulas narrativas, mas a serviço de uma interpretação equivocada do personagem, que parece ser esticada desnecessariamente em sequências secundárias, em prol dessa abordagem reflexiva da história. O fato de Inoue ter um trabalho muito popular em seu histórico pessoal – o excelente Slam Dunk – somado a receptividade de uma história também muito popular fizeram o resto: ela é...
popular – e aqui no Brasil, chegou no vácuo do mito de Lobo Solitário e da decepção que certas pessoas tiveram com a chegada de Samurai X de Nobuhiro Watsuki: tinha gente que esperava um novo Lobo da saga do retalhador e se deparou com um notável exemplar dos quadrinhos da era dos videogames; não entenderam muito bem que as faixas de sintonia eram diferentes.
Quando chegou Vagabond, nossa crítica se agarrou a ele como a salvação da lavoura. Mas convenhamos: se o Musashi de Inoue enfrentasse o Musashi de Yoshikawa, a luta não duraria dez segundos; o de Yoshikawa partiria o crânio do personagem de Inoue porque este estaria perdendo tempo demais questionando a vida e a morte da bezerra. Bamboo Blade, da Square Enix, comparece em suas duas versões – a série principal e o sua série derivada, Bamboo Blade B. Ambos são materiais bem mais respeitáveis do que a profusão de menininhas bonitinhas possa sugerir. Essencialmente, são mangás de esportes sobre kendo, não produto para moezeiros; até onde li não tem nenhum fanservice. Se bem que tendo meninas bonitinhas, eles fatalmente lerão do mesmo jeito. A série provavelmente se beneficia disso, reunindo perfis de público diferentes e até gerando um filhote. Outro material de esportes digno de nota é Giant Killing, talvez o melhor material do gênero a surgir recentemente – e um material de alto nível.
A série gira em torno de um treinador de futebol que, quando era jogador, deixou seu time minúsculo e fez carreira no exterior, sendo visto como um traidor pelos membros mais velhos da torcida. Fazendo seu time na Inglaterra decolar – um time de origens igualmente modestas, associado aos modos de vida de uma comunidade – ele retorna, e inicialmente não é bem-vindo pelos torcedores, ligados aos moradores daquele distrito. Mas percebe que o motivo pelo qual seu time não decola tem a ver com a presença de jogadores veteranos, já cristalizados em sua posição pela comunidade, fazendo da nova geração de torcedores meio desgostosa em herdar dos pais a torcida por um time mequetrefe. O time se recusa a renovar conceitos e princípios.
Primeira medida do novo treinador: Colocar todos os veteranos no banco e tirar os novatos da reserva, aonde eles estavam se estagnando antes mesmo de entrar em ação. Porque com os veteranos, tudo o que o time conseguiu foi chegar a aquele estágio. E agora nosso treinador decide mirar o que ninguém ali, naquele time à beira da segunda divisão, sonharia: o campeonato. Só mirando o maior dos objetivos o time poderá romper com o padrão de conformismo e mediocridade que o atrofiou. Sentem como a premissa de Giant Killing bate à sua própria forma com os mesmos padrões de séries tão diferentes como Sanctuary e Team Medical Dragon?
Um elemento recorrente nos mangás para adultos japoneses é uma insatisfação com a situação presente no Japão, aprisionada por moldes gerontocráticos, avessa à mudanças. Pelo contrário, as forças de sempre tendem a imobilizar a sociedade. E por isso há um esforço concreto de se implementar mentes jovens em novas posições nas quais eles possam mudar a situação presente. Em Team Medical Dragon, era um sistema hospitalar injusto e burocrático. Em Sanctuary, são os rumos do próprio Japão. Aqui, temos esses temas básicos em uma escala menor, mais circunscrita a um cenário de comunidade, de pessoas comuns, unidas por um time de futebol que une a todas as pessoas de diferentes formas: jogadores, administradores, torcedores – que são trabalhadores comuns, que têm no time local não apenas um objeto de torcida,
mas também um definidor de identidade para uma sociedade do qual todos fazem parte. Incluindo o treinador.
Giant Killing é bom para cacete, em miúdos. :)
A Kodansha está bem presente na lista adulta, bom dizer. Saint Young Men, Vagabond, Moteki, Giant Killing, Historie, Adamas… mas sejamos honestos, ele tende a enfraquecer e quando isso acontece, alguns produtos de nicho invadem a lista. Assim temos alguns materiais dispensáveis, como Dengeki 4-Koma Houkago Play 2 – que como o nome indica, é uma tira de quadrinhos – assim como Shakugan no Shana, o Bleach para fãs hardcore, com direito a uma Rukia tsundere (o clichê de garotas furiosas por fora e melosas por dentro, que tem que passar por um degelo dos sentimentos nas mãos de um protagonista pamonha). Também merece destaque, pasme, Moon: Subaru Solitude Standing – um mangá de balé que seria mera nota de pé de página aqui no Maximum Cosmo não fosse o detalhe da assinatura de Masahito Soda, o mesmo autor do excelente quadrinho automobilístico para garotos Capeta, publicado na Shonen Magazine mensal. E quanto a lista para garotos… bom, pensem bem: Toaru Majutsu no Index está no topo e o resto dos materiais veio de listas pregressas. Vocês querem mesmo que eu fale dos shonen da semana?
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Comentários:
Alexandre: Na verdade, ele tem até meu respeito, sabe? Ele poderia ser tudo o que eu acho criticável e nunca se rebaixa a isso.
É engraçado, um dos poucos mangás que me fazem rir, já que a maioria tem o humor muito... Japonês...
Alexandre: Eu não o acho tão engraçado. Eu o acho simpático.
Giant Killing é bom, mas eu parei de ler esses dias, preguiça.
Alexandre: Acho que ele é uma das melhores coisas que apareceram nos últimos tempos e mereceu as premiações que já levou.
Alexandre: Esse é um ponto. Eu não acho ruim, não tenho nada contra e não vejo nada o que criticar – mas não acho graça.
Agora, se algum mangá de futebol teria uma chance no Brasil, só consigo ver Giant Killing, se houver outro, eu não conheço.
Alexandre: Eu até acredito que Area no Kishi teria chances. Mas Giant Killing até agora tem sido um candidato bem melhor nesse sentido.
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: Acho que esse é o problema.
Oh, esse tal de Moon salta aos olhos! Pena que você não falou absolutamente nada dele...
Alexandre: Há pouco a dizer: ele é a continuação de um mangá mais antigo do Soda, que acabou emplacando mesmo nos quadrinhos para garotos com Capeta. É inexplicavelmente visto como um mangá de esportes, talvez por usar uma estrutura de roteiro parecida.
E já que você citou as complicações socio-politica-economicas do Japão, acho que a única solução para eles é abrir de uma vez as portas para os brasileiros: incluindo postos de trabalho na Shonen Jump que, pasmem! Só me envergonhou com estes "novos" mangás que lançaram nesta última leva.
Alexandre: Curiosamente, Bakuman anda muito bom ultimamente, após a desastrosa saga do romance.
Alexandre: Não dessa vez. Não há realmente muito o que falar. E a franquia To Aru... deixa pra lá.
Agora fiquei com vontade de ver você falar disso.
Saint Young Men não é bem aquele tipo de mangá que te faz matar de dar risada, mas é um mangá que te relaxa, lhe faz sentir extremamente ''leve'' quando o esta lendo. Creio eu como aquelas tirinhas do Charlie Brown que você lê no jornal...
É o mangá perfeito para o trabalhador japones moderno que busca uma maneira de esquecer o estresse do dia a dia de maneira mais saudavel.
E poxa, acho que não existe na face da terra protagonistas mais carismaticos que Jesus e Buda...
Estou acompanhando Giant Killing pelo anime e estou gostando muito, mas os cliches, as vezes até esqueço que estou vendo um seinen...
Giant Killing podia até atrair uma ou outra pessoa que goste de HQs ou de futebol, pois seu traço é mais realista.
Pasme, até meu primo que nunca leu um mangá na vida (mas, como todo bom ser humano que ele é, já assistiu Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, e sabe quem é Naruto) achou "Éden - Um Mundo Infinto" muito interessante e perguntou se eu tinha mais...
Ahh, Capeta é um ótimo mangá esportivo. Não só na parte automobilística, mas a parte burocrática e psicológica do esporte também é muito bacana nele (tá, eu só li uns 3 capítulo hehe).
Pena que eu não leio em Japonês e não vou ter nenhum desses mangás da lista em mão tão cedo...
Li que muita gente já condenou a "Bíblia em mangá",imagine esse...triste
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