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Mai 25
Tiragens das Antologias de Mangá no Primeiro Trimestre de 2010
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Lancaster |
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7
Categorias: tiragens

Isso é preocupante. A mais recente lista de tiragens aponta que contrariando a própria tendência, a revista para garotos Shonen Jump finalmente... caiu em relação ao período anterior. E isso é assustador porque mesmo ela sendo ainda a maior revista do mercado, exercendo um domínio que ninguém tem e chegando por um breve momento aos três milhões de exemplares de tiragem, não aguentou o pique. É curioso ver que mesmo revistas que se mantinham em algum nível de crescimento e estabilização começaram a soçobrar: um título extremamente dirigido como a Dragon Age da Fujimi Shobo conseguiu reverter a tendência geral de declínio em seu caso por algum tempo, graças a uma movimentação editorial arriscada e que acabou dando bons resultados. Agora, esses resultados mostram que não são perenes.
Algumas quedas são assustadoras. Não é nada agradável, para, digamos, uma Shonen Rival (Kodansha) perder 25o leitores, mas em um período de seca, perdas mínimas são previsíveis – o problema é sua continuidade; de grão em grão, a galinha tem o papo menos cheio. Devastador é ver a tradicionalíssima Shonen Sunday (Shogakukan) finalmente cair da faixa dos 700.000 exemplares, perdendo mais de 30.000 leitores em três meses. Para uma revista menos vendida como a Shonen Ace da Kadokawa, a porrada foi mais bruta: perder um volume desses de leitores é periclitante no caso de uma antologia muito vendida como a Sunday, mas para uma revista que chegava quase à faixa dos 100.000 exemplares vendidos (ótimos números para uma revista mensal), descer para os 70.000 em tão pouco tempo é catastrófico. Por outro lado, por ser mensal e ter um custo menor de manutenção em termos (são doze edições por ano contra as cinquenta e duas de uma revista semanal), ela ainda pode arriscar e dar uma volta por cima – ou pelo menos subir a um ponto mais seguro, já que ela nunca foi exatamente uma revista blockbuster. A Sunday precisaria de uma reformulação editorial muito pesada – e ela teria que ser bem-sucedida a qualquer custo: ela mais e mais perde prestígio e se torna um dinossauro de tempos idos, mas é também um trunfo em termos de posição e tradição para a Shogakukan; afinal, ela, ao lado da Shonen Magazine da
Kodansha, abriu a porta para os almanaques semanais dequadrinhos que ajudaram a fazer dessa indústria o que é no Japão. Um eventual cancelamento da Shonen Sunday seria um golpe simbólico devastador para os japoneses – praticamente O marco histórico da decadência dos mangás. E ninguém quer isso, a menos que da atual crise venham a emergir novas forças que possam ditar novos modelos e encampar uma nova era. E não há nem sinal dessa nova força no horizonte.
E quem está subindo? A Young Animal mostrou alguma reação, mas parece mais uma mera flutuação de vendagens, coisa normal; A feminina Asuka vem mantendo um crescimento pequeno mas contínuo já há bastante tempo, e vem preservando a tendência; não posso falar muito da Sho-Comi por não acompanhar seu desempenho, mas o mais digno de nota durante este trimestre foi a tradicional revista infantil Corocoro, que mostrou a mais espetacular reação do período, ganhando noventa mil leitores e voltando a casa do milhão de exemplares – e isso é um alento, principalmente se levarmos em conta que o setor infantil foi um dos mais devastadoramente atingido nos últimos anos; várias antologias do gênero foram sendo canceladas, e editoras fortes como a Kodansha chegaram a deixá-lo de lado (basta lembrar da substituição de uma revista infantil, a Comic Bonbon, por uma revista juvenil como a Shonen Rival). Um mercado de quadrinhos infantis saudável é sinal da existência de leitores adolescentes no futuro. E isso é digno de nota.
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Comentários:
E no caso "pessoas" seria o departamento editorial destas revistas japonesas. O que eu vejo na maioria destes almanaques mais famosos é um medo TÃO grande de perder mais leitores que ficam insistindo em fórmulas prontas - no máximo mudando a roupagem. A tal "revolução" a que eles se propõem é sempre muito vazia, e isso eu digo não só nos mangás, mas nos meios de comunicação em geral (como a Folha ou o Estadão que mudam o design... mas continuam com as mesmas matérias e abrodagem de antes).
A impressão que se tem é que è mais ou menos isso que eles entendem por revolução:
"Ok, já tivemos mangás de lutas com ninjas, com samurais, com santos em armaduras, com detetives sobrenaturais, com demonios, com youkais, com colegiais, com robôs gigantes, com bichinhos de bolso... hmmm... e agora? O que fazemos?"
"Já sei! Vamos fazer um mangá de luta... com guerreiros astecas!"
Morra, Rumiko! MORRA!!!!
Por exemplo, depois da queda de Roma, a Europa permaceceu, durante a Idade Média como um continente pobre e atrasado. Mas com a queda de Constantinopla e a conquista do Império Bizantino pelos otomanos, que passaram a cobrar taxas mais altas do que os europeus estavam dispostos a pagar, os europeus tiveram que encontrar outras formas de ter acesso para as especiarias de que tanto necessitavam, e assim...
...lançaram-se aos mares!
Os europeus só queriam voltar a adquirir especiarias com preços acessíveis, mas quando perceberam que o domínio dos mares lhes dera uma vantagem decisiva sobre os outros povos, sentiram uma irresistível vontade de virarem senhores do mundo. O resto da história vocês já conhecem.
Um mostra de que a diferença entre a desgraça e a bênção é uma simples questão de atitude. Os europeus simplesmente pegaram o limão que os turcos lhes deram e fizeram uma limonada com ele.
Embora a internacinalização dos mangás já estivesse de vento em popa por conta da internet, é a crise por que o mercado interno japonês está passando que está obrigando as editoras japonesas a explorar o potencial do mercado internacional e é isto que está transformando a internacionalização do mangá em uma indústria e impulsionando o fenômeno do mangá global.
Com a crise, os japoneses estão saindo da casca de seu mercado interno, e se tiverem atitude, isso pode vir a ser algo muito bom para eles. Significa que estão se libertando de um mercado tradicional de 127,4 milhões de pessoas para ter acesso a um mercado de 6,6 bilhões de leitores potenciais.
Claro que, para ganharem esse novo nicho de mercado chamado "mundo", eles terá que ter paciência e sofrerem bastante até acertarem. Mas tudo bem, os europeus também não nasceram sabendo fazer navios. XP
Alexandre: A Shogakukan parece ser uma editora conservadora de modo geral. E não deixa de ser curioso, porque os títulos da Akita Shoten muitas vezes cheiram a naftalina e no entanto parecem ser bem mais ousados!
Agora, a maior queda em termos numéricos foi da Young Jump. 35 mil exemplares, uma Morning 2 inteira! Alguém faz ideia do que pode ter causado isso?
Alexandre: Não faço idéia – e eles tem muito material que vem fazendo sucesso e tem presença em diferentes mídias, como Liar Game, Rozen Maiden e Gantz. Não deveriam estar sofrendo um baque desses.
E eu já falei e o Alexandre não quer dar o braço a torcer, mas os gráficos de vendas das antologias japonesas andam iguaizinhos aos dos quadrinhos de supers americanos do famigerado Direct Market. A única diferença e que os japoneses têm mais "gordura" para perder...
Alexandre: Na verdade ambos perdem continuamente mas são cenários bem diferentes. Meu medo é que isso leve a uma busca pela nerdização como um porto seguro, e volta e meia vejo sinais de que isso possa já estar acontecendo.
Fora isso concordo com o Pato Supersônico, animes e mangás são midias reconhecidas no mundo todo pela sua variedade e peculiaridade e os japoneses deveriam aproveitar melhor isso e não ficarem se fechando no seu proprio mercado.
Meu medo é que isso leve a uma busca pela nerdização como um porto seguro, e volta e meia vejo sinais de que isso possa já estar acontecendo.
Talvez cara, isso possa realmente ja estar acontecendo. Com os sucessos dos K-ONs da vida acho que nunca se viu tanto destaque na midia para esse tipo de material.
Você não teria os resultados da Comic High!, GFantasy ou outras revistas do tipo para ver?
Alexandre: Infelizmente não. As listas de meio de ano tendem a ser muito incompletas.
Se me perguntarem se haverá renovação na revista, sou obrigado a responder qeu não.
Sobre a "nerdização" do mercado japonês, tenho que dizer que o pessoal no brasil é um pouco alarmista sore o assunto; devido a presença em massa dos leitores, ao contrario do mercado americano na época do começo do processo de encolhimento do mercado, não acredito que isso venha à acontecer em breve.
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Até que ponto as editoras irão esperar para arrumar uma forma de conter isso.
Tá na cara que não é uma questão de conteúdo das revistas, mas a forma como elas são vendidas.
Seria o óbvio - distribuição digital - a salvação?
Fico triste com isso, pois nesse cenário a necessidade de lançar obras comerciais é maior, e muita coisa boa acaba rodando por causa disso.
E como sempre, nenhuma revista da Square Enix teve as tiragens publicadas. -_-
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