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Mai 24
30 Anos de Young Magazine
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Categorias: Young Magazine

Ao contrário do que se possa pensar (e usando as palavras que um amigo usou para definir esse ponto), o demográfico seinen não é um bloco monolítico. As mais populares revistas seinen (para leitores adultos) no Japão – as campeãs de massa – tendem a ser assim: fotos sensuais com modelos na capa (e essas modelos estarão inevitavelmente presentes em ensaios fotográficos na publicação), e várias chamadas de canto com os personagens, para compensar sua virtual ausência como destaque da mesma capa. Mas olhando para o conteúdo de revistas campeãs como a
Young Magazine e a Young Jump, quedisputam o topo das vendagens no segmento, dá para perceber que elas não são muito diferentes em conteúdo de seus títulos-irmãos voltados a leitoresmais jovens (a Shonen Jump e a Shonen Magazine) – apenas incluem elementos como nudez e maior violência. E isso é diferente, por exemplo, de revistas voltadas a um público um pouco mais velho e mais maduro, que tem um perfil realmente mais adulto em suas histórias (como a linha "diária" da Kodansha – Morning, Evening, etc. – ou a linha Big Comic da Shogakukan); os franceses chegaram a perceber a diferença e deixaram de classificar os títulos da primeira categoria como seinen, passando a tratá-los como Young Shonen. E acho
que os franceses foram bem acertados ao perceber isso: no fundo essa é uma fase transicional, aonde os leitores adolescentes começam a migrar para os interesses adultos e trafegam em uma área nebulosa de suas vidas. Não são quadrinhos adultos de verdade. E isso não é demérito: muita coisa boa sai dessas revistas.
Então podemos dizer que o título campeão dessa categoria "Young Shonen" está completando três décadas de estrada. Campeão em termos, porque a Young Magazine da Kodansha pode ser tecnicamente o título seinen mais vendido, mas a Young Jump tradicionalmente está tão perto de sua cabeça em vendagens que podemos falar de empate técnico. Eu não duvidaria que periodicamente a Young Jump ficasse na frente, mesmo que não por muito tempo, por conta dessa posição; cada salto faz diferença a uma distância como essa. O que conta é que a Magazine é a campeã oficial nesse terreno e dela saem títulos populares como Initial D, Shinjuku Swan, Kaiji e Kenka Shoubai. E para comemorar a data, a revista trará uma leva de novas séries nas próximas semanas – e fatalmente noticiaremos seu lançamento aqui. Além disso, eles abrirão o espaço para ensaios memorialistas dos criadores que fizeram a história da revista, sob o nome "Ah, Young Magazine da Minha Juventude", com participação de nomes como Tetsuya Chiba (Ashita no Joe, Ore Wa Teppei) e Makoto Kobayashi (What's Michael, Club 9).
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Comentários:
P.s. Eu prefiro um shonen bem assumido do que um seinen vazio de conteúdo. xD
Alexandre: Sinceramente, eu tambem. XD
Eu pessoalmente acho que a sua definição é bem racional. O problema é que o termo gekiga, além de ser sinônimo de quadrinho adulto, veio acoplado a uma proposta estética. E com aquela fusão generalizada de elementos que veio com o final da década de sessenta, começo dos anos setenta, definir visualmente material juvenil e adulto não se tornou mais algo fácil. Traço anatômico não faz quadrinho adulto – lembre que Mai, a Garota Sensitiva, com arte de Ryoichi Ikegami, saiu na Shonen Sunday e Rookies, de Masanori Morita, saiu na Shonen Jump, ambos com traços anatômicos, enquanto materiais de entretenimento para adultos como Black Lagoon e Maison Ikkoku (eu acho Maison "para toda a família", mas originalmente aquilo foi pensado e dirigido para leitores adultos no Japão) são bem associados a estética que convencionamos atrelar aos mangás. O Seinen acabou engolindo o Gekiga e ele se tornou apenas mais uma de suas vertentes. Na verdade, nem vejo mais vertentes no Seinen: ele virou um território de vale-tudo. Eu poderia montar uma revista infantil só com títulos tirados de revistas supostamente adultas, acredite. XD
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