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Mai 23
Ranking do Oricon (JP) – 16/05/2010
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Categorias: rankings

Pois é, meu blog já volta de férias e encontra a casa bagunçada. Tá certo que durante minha ausência teve volume novo de Full Metal Alchemist (e a série já está nas bocas do ultimo capitulo), que pode ser considerado o mais importante título não-jump do mercado (e cujo fim deixa a Square Enix sem seu único blockbuster de verdade), mas o que salta aos olhos é que eu chego em casa e dou de cara com um ranking do Oricon com cara de Ranking da Taiyosha. Virou zona agora? Mayoi Neko Overrun? Tsugumomo? KODOMO NO JIKAN NO TOP 5? Que p**** é essa, meu Deus?
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Naruto 51 (Shueisha) – 62.825 / 918.583 [2]
02. Q&A 2 (Shogakukan) – 49.184 / 49.184 [3]
03. Drop 10 (Kodansha) – 39.981 / 80.637 [5]
04. Full Metal Alchemist 25 (Square Enix) – 37.086 / 1.184.337 [7]
05. Katekyo Hitman Reborn 29 (Shueisha) – 36.384 / 466.351 [8]
06. Gintama 34 (Shueisha) – 33.390 / 393.272 [11]
07. New Prince of Tennis 3 (Shueisha) – 32.245 / 278.009 [12]
08. Bakuman 8 (Shueisha) – 29.979 / 332.048 [13]
09. Toriko 9 (Shueisha) – 19.492 / 184.113 [19]
10. Crows Zero 8 (Akita Shoten) – 19.021 / 43.873 [20]
11. One Piece Soushuu-Hen The 12th Log (Shueisha) – 16.311 / 60.306 [26]
12. Mayoi Neko Overrun 1 (Shueisha) – 15.512 / 166.768 [27]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Kodomo no Jikan 8 (Futabasha) – 41.068 / 41.068 [4]
02. Shinjuku Swan 22 (Kodansha) – 23.389 / 63.378 [15]
03. Ookiku Furikabutte 14 (Kodansha) – 22.019 / 450.557 [17]
04. Thermae Romae 1 (Kadokawa/Enterbrain) – 18.113 / 329.207 [22]
05. xxxHolic 17 (Kodansha) – 18.113 / 375.131 [23]
06. Jin 18 (Shueisha) – 15.271 / 113.555 [28]
07. Tsugumomo 4 (Futabasha) – 15.021 / 15.021 [29]
O pior é que faz sentido. Geralmente, quando as vendagens estão baixas, os materiais voltados ao fã hardcore, que tem um teto de vendagem, acabam aparecendo quando em uma semana de boas vendas eles permaneceriam invisíveis ao radar. Nas gibiterias, eles fatalmente aparecem, por menos que sejam, porque as vendagens são mais restritas. Em uma listagem de vendas brutas como a do Oricon, é preciso estar lá no chão para que essas tralhas apareçam. E quando um campeão como Naruto (mesmo que ele carregue boas vendagens de semanas anteriores) vende menos de setenta mil exemplares, a coisa está feia: Materiais de apelo mais dirigido ao fã hardcore (leia-se, a criatura conhecida como otaku) como Tsugumomo saem da toca, com vendagens pífias que deveriam permanecer invisíveis a seres humanos comuns. Ao menos Q&A, de Mitsuru Adachi, está estreando em terceiro lugar, na frente do nefando Kodomo no Jikan. É uma boa estreia, convenhamos: A Shonen Sunday mensal ainda é recente e não é tão lida quanto a Shonen Sunday semanal. É claro, as vendagens aqui são poucas comparando com o desempenho de Cross Game, mas sendo Adachi quem é, sempre tem perspectiva de crescer. Juntando isso ao fato de que o investimento feito em uma revista mensal é menor do que o feito em uma revista semanal, para a Shogakukan foi algo até mais lucrativo; nada mau quando levamos em conta que Q&A é um trabalho atípico do autor. A série não é uma novela das seis contemporânea, como eu usualmente classifico seus principais trabalhos; é uma comédia de situação. Adachi não é um autor
de exageros – ele prefere a sutileza à intensidade. É um Jacques Tati em meio aos fabricantes de "filmes com Jim Carrey" da vida, com metalinguagem a toda força (algo que sempre apareceu de forma mais sutil mesmo nos seus trabalhos mais voltados ao drama). Talvez por isso ele desperte tanta indiferença fora do Japão: Jim Carrey e Adam Sandler enchem os cinemas, bandas emo como Cine e Restart tocam nas rádios e Love Hina é o quadrinho mais vendido da história da JBC. A vida não é justa.
Em comparação: quando Mayoi Neko Overrun apareceu – vindo de uma revista mensal – admitamos, entrou com 91.599 edições vendidas. Isso não é venda ruim em nenhum lugar do mundo e é um desempenho inicial bem superior ao de Q&A. Mas desceu bem rápido: reduziu-se a cerca de um terço dos numeros de estreia e, numa semana onde o mais vendido dos titulos que estrearam não chegou a 40.000 (e mesmo os que já tinham rodagem e continuaram no topo não chegaram a vender tanto assim), chegou ao pífio ponto de 15.512 vendidos. Nesse ritmo ele está destinado a sumir na próxima semana. Ou seja, a chance de Adachi se revelar estável e crescer a longo prazo é grande. Não podemos compará-lo ainda (veja bem, ainda) com o desempenho decadente de Kyokai no Rinne, de
Rumiko Takahashi. Mayoi Neko Overrun por sua vez é aquele produto de sempre voltado aos fãs hardcores, que não buscam histórias novas, e sim elementos recorrentes que sejam fetichizáveis e apareçam ao longo de um roteiro construído exclusivamente como escada para aparições pontuais desses mesmos elementos. Ou seja, as famigeradas Tsunderes (e a dessa série em particular é um compêndio tão excessivo de todas as clichês do arquétipo que chega a dar nos nervos), as garotas catatônicas (que de quebra aqui aparece com um cabelo que lembra as orelhas de um gato, juntando dois clichês-fetiche em um), e uma riquinha estabelecedora de relações dominatórias e de submissão com o banana da vez (que representa o espírito invertebrado do leitor dessas histórias no Japão) – e claro, esse banana é apaixonado pela "garota espancadora hidrófoba em perpétua tensão pré-menstrual" (tradução literal da palavra japonesa Tsundere em português). O roteiro ainda tenta fugir do lugar comum ao tentar racionalizar os clichês, emprestando uma sensação de coerência aos personagens. Mas para quê, se eles são a mesma coisa de sempre que vimos em mil materiais do gênero, que assumem sem frescuras que fazem o mesmo de sempre para leitores que querem ver o mesmo de sempre? Ao menos a arte de Kentaro Yabuki é muito bem-feita, com uma narrativa bem cozida durante os anos de trabalho na revista Shonen Jump (aonde boa narração é uma exigência
fundamental, mais até do que um bom desenho), mas isso é mandatório em se tratando do gênero.
De qualquer modo, vamos aproveitar o gancho dado por Mayoi Neko Overrun, para continuar falando dos horrores da vida. E o horror aqui tem nome: Kodomo no Jikan, a prova de que polêmica vende e que atitude de tablóide não tem fronteiras. Eu queria, realmente, evitar falar dessa desgraça – isso porque, quando eu escrevi um artigo para a revista Neo Tokyo sobre o assunto, o que não me faltou foi dor de cabeça. Hoje eu quero um pouco de sossego e sei que se eu soltar o texto aqui, esse sossego vai pro espaço em dez minutos. Só que minha opinião não mudou um décimo. O problema não é nem necessariamente o tema: é possível tratar qualquer tema de forma séria e não-apelativa, mesmo para adultos. Em Kodomo no Jikan, que conta a saga de um professor que tenta resistir ao assédio sexual de uma aluna do primário, o que temos é um tratamento leviano de roteiro para um tema perigoso, com cenas de apelo fetichista para pedófilos enrustidos (diabos, são meninas na faixa dos dez anos!). Não há outra definição. E eu sei que os maiores defensores dessa tralha são aqueles que sim, curtem esse apelo fetichista e dizem pra todo mundo "eu não sou pedófilo enrustido". Então tá, eu finjo que acredito. E cá entre nós...
... a abertura acima já não diz tudo que é preciso saber sobre a série? Se alguém vier defender Kodomo no Jikan e for sacaneado por isso nos comentários pelos demais, vou ser honesto: Está fazendo por merecer.
Mas por que essa atrocidade saiu dos domínios do fã hardcore contador de azulejos? Bom, apesar de tudo a autora tanto sabe desenhar quanto conduzir seu roteiro de forma tecnicamente muito competente, e isso acaba sendo intragável de se engolir: acabamos assistindo aquilo como quando
assistimos um desastre de automóvel. As vísceras estão espalhadas sobre os cacos do vidro frontal enquanto metade da cabeça de uma criança repousa em frente aos destroços, decapitada pelo acidente; mas por mais que haja repulsa, não conseguimos deixar de olhar. Kodomo no Jikan é o acidente com vítimas em forma de quadrinhos: dá engulhos, mas não conseguimos virar a cara por mais que tenhamos vontade de fazê-lo. A polêmica fez com que ele ganhasse versão animada e ele terá nova temporada em Julho. E claro, ele será assistido, da mesma forma que jornais como o Meia Hora vendem com manchetes como "Mata Rindo leva Balaço e Chora". Fazer escândalo vende, e o quadrinho original acaba se beneficiando disso. A humanidade não presta.
Bom, não há muito o que dizer hoje: vários materiais da Jump como Gintama e o obrigatório Bakuman, a volta de Thermae Romae à lista dos mais vendidos (sinal de que ele continuou vendendo a longo prazo), séries com respaldo televisivo como Shinjuku Swan e Jin… voltamos em uma semana fraquinha. Tomara que a próxima vez seja melhor: não troquei a Taiyosha pelo Oricon para falar dessas coisas!
Mas por outro lado, semana em que material otaku aparece é semana onde as vendagens foram baixas e ele por comparação apareceu, como eu mesmo disse lá em cima. Logo, toda semana com material otaku em destaque é um augúrio de trevas para o mercado. Lógica é lógica.
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Comentários:
Pena que não deu tempo de pegar o volume 8 de Bakuman no seu lançamento. Adoro quando você fala sobre esta série (que creio, deve acabar por volta do volume 12, não mais que isso).
Alexandre: Bakuman toca em cordas pessoais minhas. Acho que nao tem como não ser minimamente passional a respeito dele.
Não tem muito o que falar destas outras séries - exceto que a Sunday tá em apuros... A grande cereja do bolo, perversamente, é Kodomo no Jikan.
Alexandre: Tenho que concordar. A aparição dele assim, do nada, assusta tanto que não pode ser ignorada.
Tudo o que posso dizer é: ontem a noite aconteceu um negócio que me deixou chateada e triste. Mas bastou eu ficar assistindo esta abertura bizonha várias vezes (e putz... eu JURO que assisti mesmo várias vezes, ô musiquinha chata e grudenta!) que toda a minha tristeza passou; mas não foi exatamente substituida por alegria, mas sim por um: "Who fucking cares?!" e assim vamos levando a vida...
Acho que agora eu entendo os japoneses! XD
Alexandre: ISSO é assustador!
Com toda a certeza quem viu as fotos dos Mamonas Assassinas destroçados, mutilados, esmagados e com as entranhas de fora teve ânsia, repúdio, pesadelos... mas mesmo assim VOLTOU a ver as fotos de novo!
Todos ser humano tem uma tendencia natural à ser legista.
Alexandre: É como eu disse: nós, humanos, não somos boas criaturas.
Alexandre: Parece que você não foi a única.
Eu estava pensando se realmente iria fazer um comentário tão vazio mas... No final da abertura, por um segundo eu achei que aquele ursinho era o pedobear, de verdade. Eu tomei um susto tão grande misturado com uma vontade de rir.
Alexandre: Sinceramente acho que a piada com o Pedobear é deliberada.
E sinceramente eu acho que os humanos tem a natureza boa, mas tem alguma coisa esquisita. Ou eu sou otimista.
Alexandre: Eu prefiro acreditar que tem a natureza boa, mas sei que se eu der bobeira, vou dar de cara com o pior. Então acho melhor ser realista.
E vender mais de 300 mil exemplares de um PRIMEIRO volume de uma série que não é um shonen de ponta é um feito espetacular!
Alexandre: Nisso nós concordamos. É um produto que conseguiu um status cult e de crítica respeitável no mercado japonês.
então, eu queria a matéria de Kodomo no Jikan, acho ela muito interessante. E, sim, sou cruel e não ligo pra dor de cabeça que isso iria lhe causar
Alexandre: ò_ó
Mas enfim, eu tenho pena da humanidade saber que isso vende em casa de milhar. Triste.
Alexandre: Isso deprime. Por outro lado, me incomoda mais saber que tem gente disposta a invadir comunidades e fazer guerrinha para defender essa tralha. Tive contato com isso na época do lançamento da matéria na revista.
Alexandre: Edição 25.
Pedofilia SEMPRE existiu na nossa boa sociedade cristã e NUNCA foi considerado crime. Histórias da Branca de Neve com apenas 7 anos sendo levada pelo principe encantado machão, ou mesmo casamentos entre reis velhos e princesinhas de 10, 11 anos sempre existiram e sempre foram vistos com bons olhos.
E nem precisa ir muito longe. Elza Soares (sim, ela É velha, mas ainda está viva) foi obrigada pelo pai a casar com apenas 12 anos. E naquela época tava tuuuudo bem. (e lembrando que homossexualismo SEMPRE foi crime nestes últimos dois mil anos, mas pedofilia não: era coisa comum).
Alexandre: Não é questão de "se for". Ela já foi feita, e durante o auge do escândalo. E permanece tão atual como quando foi publicada. E repito o que falei na época: qualquer tema pode ser trabalhado, o diferencial é como. E aqui, a autora na pior das hipóteses é irresponsável.
Alexandre: Nodame Cantabile. Como é shoujo, não registramos aqui.
E essa abertura é pra pegar trouxa, porque me deu a impressão ao ve-la de que uma menina de 10 se mostrando para um adulto não passa de brincadeira e "inocência" de criança.
Mas você já viu um mangá toddlercon??? É mil vezes pior que um KNJ. Lembro que fui atrás no google para saber se existia mesmo essa palavra e acabei dando de cada com uma revista que tinha cada capa com bebezinhas (sim, desenhos de bebezinhas que não passam de 2 anos) que cheguei a ficar branca de medo com as roupas e posições delas, e tinha mãos adultas nas capas!!(só as mãos e braços)! Ai, que nojo de lembrar.
A humanidade é podre mesmo X_X
Alexandre: Sinceramente, eu sei o que é o toddlercon. E acho que por mais que não exista traficante sem viciado, deveriam mirar as editoras que fazem isso. Liberdade de expressão é uma coisa. Editar e desenhar mangá Toddlercon pra mim é algo similar a manufaturar cocaína.
Alexandre: O manga também, admitamos, é executado com alta competência técnica. A repulsa não me impede de negar o óbvio.
Eu chamaria a atenção nessa lista para o "Log" de One Piece. Pelo que eu escutei falar isso daí é feito a partir de páginas da Shonen Jump reaproveitadas, tipo reciclagem mesmo e que a qualidade é podre. Ver que isso vende mais de 10k em uma semana e mais 60k no total é tenso demais, é como assumir que One Piece venderia até cocô enlatado no Japão.
Alexandre: Pior que não critico isso, por pior que seja a semana, porque é uma forma de aumentar faturamento de empresa com algo que já rendeu seu retorno (o destino dessas revistas ao retornarem costuma ser a reciclagem de papel), e não chega a ser picaretagem, porque é público e notório. É como aquelas edições encadernadas de revistas antigas, coisa que nossas editoras também fazem. Compra quem quer.
Ver Kodomo no Jikan nessa posição foi triste, realmente triste. O meu consolo é ver que com 40k ele normalmente em uma semana saudável do ranking não teria entrado nem no top10.
Alexandre: Estou começando a pensar seriamente em fazer piadas sobre isso, porque o clima de consternação é geral.
E sobre a Jussara que comparou a Homossexualidade com a pedofilia é sempre legal lembrar que a pedofilia por mais mascarada que seja é sempre um ESTUPRO, já o sexo homossexual(quando não é praticado por padres xD) é praticado entre dois adultos que por mais que as vezes tenham feito por dinheiro sabem o que estão fazendo e o fazem por escolha e não porque foram forçados por alguém maior ou mais forte.
Alexandre: Ela não comparou, ou pelo menos acredito que não comparou. Ela levantou – e acho que o criticou implicitamente – um argumento comum tanto entre os que defendem a pedofilia quanto aos que atacam o homossexualismo. É usado de formas diferentes, mas é o mesmo argumento.
BTW, falando em homossexualidade KHR! está tomando uma bela dianteira de Gintama... e pensar que "as bolas douradas do Gin" costumavam empatar e até vender mais que Reborn!...
Alexandre: Reborn e Kodomo no Jikan: estragando seu dia desde sempre. XD
Ah, e New Prince of Tennis sim é uma franquia de respeito. Mais de 200k e ainda é o 3º volume e nem teve anime ainda. Parabéns para o criador que conseguiu manter uma bela parte do público pregresso.
Alexandre: Sinceramente, eu não vejo New Prince of Tennis como uma franquia; os dois são a mesma série, apenas mudou de nome, numeração e periodicidade, se pensarmos bem. Quem gostava continua.
E eu que achava nojenta a revista Megami, que dá as caras nas importadoras daqui (nunca vi um único mangá japonês, mas essa coisa aparece todo mês...). Perto disso, é fichinha!
Alexandre: Pois é. Como falei, há limites para o que é liberdade de expressão e o que é apenas criminoso.
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