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Mai 23

Da Série "Steampunk": A Revisitação Vitoriana Made in Japan

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Lancaster | PERMALINK | 20

Categorias: Steampunk

Last Exile

É algo a se reparar: os japoneses sempre tiveram uma atração por uma estética neovitoriana/ neoedwardiana, antes mesmo disso ser notado como tendência ao redor do mundo. Pode ser reparada em detalhes: trajes escolares, desde sempre, seguem ainda um molde de inspiração prussiana, abotoando tudo até o pescoço (tem almas pouco perspicazes que sentem inveja dos uniformes japoneses e acham nossos uniformes uma pobreza só, mas quero ver o que essas pessoas sem noção de realidade achariam de usar esses trajes pretos e abotoados aos 42 graus do verão carioca). O traje de marujo que as meninas usam na escola também é herança de época, remetendo aos velhos trajes para crianças do começo do século XX. Há um gosto para formalismos visuais em Steam Detectivesvárias ocasiões sociais – e pensando bem, o japonês tem um gosto pelo formalismo de modo geral; esse tipo de estética casa bem com esse tipo de atitude – vide a moda Lolita, além do culto a mordomos e empregadas uniformizadas, que também remetem a essa atracão pelo passado, embora esses trajes pareçam mais com as roupas das bonecas que ficavam nas prateleiras dos quartos das meninas de boa família da época do que dos trajes dessas meninas em si. Boa parte dos desenhos para meninas dos anos setenta parece beber das referências da literatura para moças de tempos idos – acha que haveria algo como Candy Candy sem a popularidade que autoras como L. M. Montgomery, Louisa May Alcott, Frances Hodgson Burnett e outras construíram ao longo de décadas por lá? Não torçam o nariz; não podemos falar nada: o clássico absoluto da demagogia declarada – Pollyanna, de Eleanor H. Porter – até hoje é enfronhado na nossa cultura popular, mesmo após décadas. Muitas vezes, o referencial que os japoneses parecem ter do velho mundo também parece não ter ido muito longe desses tempos idos, e como sabemos, o Japão é especialista em reprocessar e devolver em forma de cultura pop tudo o que lhes cai em mãos, sob novo filtro.
Não é de se espantar que em um momento aonde muito se fala do Steampunk como tendência, uma olhada mais atenta mostra que ele já era cultivado em terras nipônicas antes de ser nomeado como tal.

O que é Steampunk?

Sakura WarsPrimeiro vamos ao básico. O que conhecemos como Steampunk – a revisitação da ficção científica vitoriana/edwardiana e seu apelo estético – e o surgimento do termo se deu a partir de 1990, quando dois dos pais da literatura Cyberpunk, William Gibson (Idoru, Neuromancer) e Bruce Sterling, lançaram o livro The Difference Engine (prometido para este ano pela editora Aleph), reimaginando o século dezenove a partir da construção de um invento que existiu na vida real mas jamais foi construído – a Máquina Diferencial de Charles Babbage. A imprensa especializada cunhou o termo Steampunk em analogia ao Cyberpunk (e até fazia sentido, porque essencialmente o que tínhamos era o ethos cyberpunk transposto para a época da Revolução Industrial) e o termo pegou. Mas gradualmente, nas mãos de outros autores, ele foi se tornando uma revisitação do espírito mais luminoso e aventuresco de outros tempos, impulsionado tanto por RPGs como Castelo Falkenstein quanto por livros como a Trilogia Steampunk de Paul de Fillipo e quadrinhos como a Liga Extraordinária de Alan Moore e Kevin O' Neill (ignorem a devastação feita nas telas, por favor – todo mundo nos Estados Unidos já deveria saber que não se deve entregar nenhuma licença adaptável de quadrinhos ou literatura à Fox; eles já mostraram não ter nenhuma Kenji Tsurutacompetência para fazer cinema e com certeza a destruirão). O tempo transformou, como eu disse no começo da matéria, o Steampunk em tendência, se refletindo tanto em moda como em design, e levando seus adeptos à customização em massa de aparelhos modernos para soarem mais… clássicos. Ele também chegou a moda e a música – mas o primeiro não é meu terreno e quanto ao segundo, apesar de eu achar uma banda como Abney Park até legal, tenho minhas reservas quanto ao conceito de "música steampunk".
O ponto é que apesar dele ter sido detectado, nomeado e rotulado a partir dos anos noventa, o Steampunk já dava seus sinais de existir muito, muito antes disso, a medida em que se faziam revisitações da ficção de autores como Jules Verne, H. G. Wells (e de outros menos votados) em outras mídias. O maior filme steampunk de todos os tempos ainda é o Tcheco Vynález Zkázy, de Karel Zeman (que pode ser traduzido como "Invenção Mortal" – The Deadly Invention – mas que os americanos batizaram preguiçosamente de "O Fabuloso Mundo de Jules Verne" mesmo que ele simplesmente adapte com muita liberdade o livro "Em Frente à Bandeira", do autor), e ele foi produzido em 1958!
Mas apesar do tom profundamente europeizado que o gênero tem em termos de percepção, os Japoneses se identificaram com ele de imediato. Até como um reflexo do fato de que eles já se identificavam com a literatura científica de Verne na época em que ele foi lançado.

Secret of Cerulean Sand

Quando Tudo Começou

"Da Terra a Lua", de Jules Verne, foi traduzido em Japonês em 1875, apenas dez anos após seu lançamento original na França, na esteira da ocidentalização que se seguiu à Restauração Meiji, que sintonizou o país aos novos tempos na base do tacape. Sua popularidade o levou a ser traduzido em massa e até hoje, ele é uma lembrança constante entre os Japoneses, sendo reimpresso e lido regularmente, de forma constante. Como era de se esperar, os próprios autores locais começaram a escrever suas histórias no gênero que viria a ser batizado de Mirai ShosetsuKaitei Gunkan"romances do futuro", fazendo com que a ficção científica acabasse se tornando o primeiro gênero popular dentro do novo conceito de literatura de massas trazido do ocidente. A relação entre japoneses e tecnologia não é coisa do século vinte e já está enfronhada há muito entre eles – e de modo geral, sempre dentro de um ponto de vista positivo. Não se cria amor pela ficção científica em um cenário de descrença generalizada quanto ao futuro (e geralmente cenários de descrença geram livros ranhetas e difíceis de engolir, como Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão – escrito em plena ditadura e até hoje um livrozinho intragável – ou o insuportável Stalker de Arkadi e Boris Strugatski, escrito sob o regime comunista soviético e ambientado na Inglaterra para disfarçar). Assim, os primeiros livros de ficção japoneses, representativos dessa época, tinham títulos como "A Nova Ásia do Século XX" (escrito em 1888) e "A Capital do Futuro" (de 1890).
Esse tom mais verniano acabaria por ser mudado pelos rumos da história – ou melhor, pela vitória nipônica na primeira guerra Sino-Japonesa no ano de 1894. Temas militares passaram a vender bem e a ficção científica, a partir daquele período, passaria a se militarizar também. E isso marcou a ascensão do escritor Shunro Oshikawa, através da saga Kaitei Gunkan (Belonave Submarina), que começou a ser publicada a partir de Novembro de 1900 de jornais como o Yomiuiri e o Tokyo Nichinichi.

Last Exile

Heróis Militares e Máquinas Gigantes

Kaitei Gunkan (que ganhou uma versão cinematográfica nos anos sessenta pelas mãos de Inoshiro Honda, diretor do primeiro Godzilla, com efeitos especiais a cargo de Eiji Tsuburaya, o mesmo criador de Ultraman), contava a saga aventuresca de um oficial da marinha japonesa, em suas contínuas aventuras ao lado de uma jovem tripulação – e pilotando uma nau de combate invencível. É importante lembrar que o Japão daqueles tempos ainda não havia sofrido com os traumas da Segunda Guerra e por essa razão não temos ainda aquela carga de melancolia que podemos encontrar até mesmo nos herdeiros conceituais desse tipo de história, como as obras de Leiji Matsumoto Laputa (Patrulha Estelar, Capitão Harlock). Assim, Oshikawa se tornou muito popular entre leitores jovens e com o sucesso monstruoso de seus trabalhos, ele migrou para as revistas infantis que surgiam naquele período, chegando a fundar uma revista chamada Bukyo Sekai, publicando suas histórias até sua morte precoce por pneumonia, aos 38 anos – e uma das crianças que consumiam as histórias do autor era ninguém menos do que Hayao Miyazaki, que admitiu a influência de outro de seus trabalhos, Kuuchuu Dai Hikoutei, em trabalhos como Porco Rosso.
Mas Oshikawa não era o único a ser influente. Em 1890, Yano Ryukei serializaria, no jornal Yubin Hochi Shimbun, seu romance Ukishiro Monogatari ("Conto do Castelo Flutuante"), aonde dois aventureiros japoneses tomam um navio pirata ultratecnológico (muito inspirado no Nautilus de Jules Verne), e decidem por conta própria, com seu supernavio, tomar a parte do Japão na partilha colonial da África, viajando até Madagascar. Sim, era o espírito daqueles tempos – influente até hoje, em produções como a franquia Sakura Wars (aonde meninas pilotam robôs movidos a vapor) ou o hediondo Raimuiro Senkitan (reciclagem de Sakura Wars baseada em um jogo pornográfico e que mostra meninas alistadas pela marinha e com poderes psiônicos em ação na guerra Russo-Japonesa em 1904); nesse sentido, há um paralelo aqui entre os Dime Novels (revistas baratas, que custavam centavos de dólar) americanos, aonde garotos inventores Last Exileianques até a medula invadiam o país alheio para fazer das suas, e os folhetins de ficção científica japoneses, com bravos militares pilotando máquinas futuristas (em termos da época) para enfrentar as ameaças que o mundo tinha a oferecer. Autores como o já citado Leiji Matsumoto (autor de Patrulha Estelar) tem obras do gênero como Oozora Makan, de Juza Unno, como uma influência assumida em seus trabalhos. Não a toa, quando o fator liminaridade passou a ser fundamental na relação entre a mídia juvenil e seus leitores, o tema do garoto inventor foi imediatamente bem absorvido em terras japonesas. Mas isso aconteceria bem mais adiante.
Os anos trinta mostraram um crescimento imenso dos quadrinhos, sedimentando o terreno para que no futuro eles se tornassem a mídia de massa por excelência no Japão. É bom lembrar que a revolução dos mangas teria sua raiz justamente nas revistas juvenis que um dia publicaram autores como Oshikawa e Ryukei. Osamu Tezuka não teria estourado e modificado a face dos quadrinhos se não se beneficiado de uma estrutura pré-existente. Não que as obras do Shotaro Ishinomorigênero fossem sumir dos livros juvenis: Nazo no Kuchiyu Senkan, de Youichiro Minami (1940), com seus navios de guerra voadores, serviu de inspiração direta para o anime Last Exile, da Gonzo, com character design de Range Murata. Mas a guerra viria, e após duas bombas atômicas e uma longa ocupação estrangeira, o militarismo por trás dessas histórias seria brutalmente varrido da literatura de massa por algumas décadas.

O Fator de Identificação

E aqui temos que dar um salto temporal. Porque apesar de tudo, esses autores de primeira dentição da ficção científica japonesa eram antes de mais nada contemporâneos, que falavam das expectativas tecnológicas (e de futuro em geral) para seu próprio tempo. Em algum momento, esse tipo de estética seria olhada como ponto de vista do resgate de um passado. Mas essa atracão e identificação dos japoneses pelo passado industrial do ocidente surge em um momento bem claro – o de expansão econômica do país, na virada dos anos sessenta para os setenta. Uma coisa importante ao se produzir para a massa é justamente falar a língua de seu próprio público. Apesar de ser mais efetivo ambientar conteúdo ficcional em um cenário que seus leitores conheçam e vivam, é possível se focar em ambientação estrangeira quando essa identificação pode estabelecer um diálogo claro entre o momento que seu leitor Gemini Sunrisevive. Rosa de Versalhes, ambientado na França a beira da Revolução Francesa, dialogou com suas leitoras por se sincronizar com a entrada da mulher japonesa no mercado de trabalho. Os faroestes italianos, ao contrário do que possam parecer, falam muito sobre os próprios italianos – e sua própria difusão tem tanto a ver com a rejeição a um nacionalismo saturado pelos anos de domínio fascista na Itália (representado pelos filmes de "espada-e-sandália" ambientados na Roma Antiga) quanto a um certo saco cheio do mimimi neo-realista italiano da mesma época, ótimo para críticos de cinema e morrinhento para o espectador normal – e não a toa, uma olhada atenta mostra que esses faroestes flertavam mais do que se imagina com o contexto de contracultura e rebeldia do final dos anos sessenta; não é a toa que mesmo hoje em dia, os fãs de western mais tradicionais – que carregam uma boa dose de conservadorismo – tendem a torcer o nariz para esses filmes. Quando Clint Eastwood mandou uma carta para John Wayne convidando-o a participar de um filme com ele, Wayne mandou uma resposta nada educada, atacando Eastwood e seus filmes, como O Estranho Sem Nome (High Plains Drifter).
Isso tudo pode parecer um desvio de rota, mas está aqui para apontar um elemento importante: a popularização de ambientações vitorianas no Japão, além do apelo estético que carregam, tem a ver com uma identificação que o país teve nos anos setenta entre sua própria decolada econômica e industrial, e o cenário da ascensão do Império Britânico.

Diferenças de Abordagem

Honey HoneyJá nos anos sessenta, os sinais já apareciam: obras para moças buscavam cenários ao estilo europeu, mas mesmo neles já havia interesse por algo mais do que salões de baile e beijos que nunca vinham: na revista Shoujo Club, em 1962, Shotaro Ishinomori (criador de Kikaider e Kamen Rider) produziu a série Kiri to Bara to Hoshi to, que apesar de ser uma história de ficção científica ambientada no longínquo ano de… 2008, se valeu de uma estética visual vitoriana (talvez para adicionar romantismo ao cenário; era uma revista feminina, afinal de contas). Hideko Mizuno, discípula de Tezuka e a única autora do gênero a ter feito parte do grupo Tokiwa-So, produziu a comédia maluca Honey Honey em 1966, cujo desenho animado foi exibido aqui no Brasil nos anos oitenta – e quem assistiu sabe que a graça ali foi a avacalhação geral de clichês de época, com um espírito absolutamente cartunesco. Talvez por isso os anacronismos tecnológicos tenham se instalado tão bem ali. Era possível se sacar do nada uma arma laser, que não havia sido inventada, mas tudo bem, os personagens sabiam que estavam em um desenho animado, de qualquer jeito…
A popularização das obras clássicas ocidentais pode ter sido um grande fator nessa equação. Elas já encontraram um Japão afeito à ficção científica, na esteira de seu desenvolvimento como nação, como parte da entronização de um projeto de futuro no quotidiano do povo japonês. E embora os animes da World Masterpiece Theatre em sua grande maioria não Nadia The Secret of Blue Watertivessem nada a ver com ficção científica, eles familiarizaram uma geração inteira com esse tipo de cenário de época – e não custa repetir, clássicos juvenis ocidentais foram lidos por décadas a fio pelos japoneses, e fizeram uma escola, com seus próprios ditames estéticos, ditados de forma particular por diretores como Isao Takahata e Hayao Miyazaki ao longo dos anos setenta – mas não se limitando a eles ou aos animes produzidos pela Nihon, e até influenciando autores como Kenji Tsuruta em obras como Spirit of Wonder – e que de certa forma encontraria a sua conclusão em 1990 com a série Nadia: the Secret of Blue Water, baseada em um conceito original de Miyazaki chamado "A Volta ao Mundo sob o Mar", que jamais foi produzido; Miyazaki se valeria de elementos desse conceito para desenvolver duas obras: a série de televisão Future Boy Conan (baseado no livro The Incredible Tide de Alexander Key, e seu trabalho mais maduro para a Nihon) e o clássico Tenkuu no Shiro Laputa. Mas a Toho, que contratara Miyazaki, deteve os direitos do conceito em si e contratou a Gainax para desenvolvê-lo. No final das contas, Nadia se tornou uma espécie de despedida para toda uma era de animes luminosos e não é difícil perceber que após a elegia, só restam dois caminhos: ou a revisitação nostálgica, como em Patapata Hikousen no Bouken (muito livremente baseado em duas obras de Jules Verne, transformando a heroína em uma menina inventora de matrizFull Metal Alchemist miyazakiana), ou a desconstrução – e é um tanto discutível esse exemplo, mas quem mais chegou perto nesse sentido foi Full Metal Alchemist, que não pode realmente ser considerado steampunk (falta o "steam" da equação, por assim dizer), mas aborda muitos temas embutidos em potencial dentro do gênero ao ambientar, na sua primeira versão animada, sua saga na 1911 de uma Terra alternativa aonde a Alquimia, em um ponto de divergência histórica que ocorreu na Idade Média, mas que não é bem especificado, existe como ciência funcional e com regras bem determinadas. E são discutidos temas que normalmente são evitados na busca por um tom mais aventureiro, como a disputa entre ciência e fé (e a falta de escrúpulo existe dos dois lados do ringue, com gente canalha manipulando as cordinhas), a ascensão de nacionalismos e as atrocidades do colonialismo (os rumos da nação de Ishbal e, em particular, da personagem Rose mostram bem isso). Podem conferir, o primeiro anime é mais barra-pesada do que o quadrinho que o originou. E em suma, aparentemente não havia para onde o gênero evoluir.
Aparentemente.

A Todo Vapor

Katsuhiro Otomo, em seu longa-metragem Steamboy, obteve respostas medianas de crítica e de público, mas a bem da verdade, apontou luzes para um terceiro caminho: a de que os elementos mais "perigosos" do cenário histórico pudessem reforçar o aspecto aventureiro sob um viés menos nostálgico e mais progressivo, mas não necessariamente desconstrutivo. Todos os elementos que preconizam o steampunk literário estão lá, com direito a reutilização de personagens existentes na vida real (como Robert Stephenson, engenheiro ferroviário e responsável por avanços tecnológicos nas locomotivas) e homenagens ficcionais (por uma série de motivos, é difícil Steamboyconsiderar a Scarlett O'Hara de Otomo uma versão de uma Terra Paralela da Scarlett O'Hara de Margaret Mitchell, apesar do nome e personalidade; fica no terreno de tributo, mesmo).
É curiosa a aceitação sem problemas da figura do garoto inventor como protagonista nesse tipo de obra no Japão. De modo geral, o destino desse tipo de personagem no ocidente passou a ser o de coadjuvante ou protagonista em materiais de cunho cômico. Mas nem sempre foi assim: esse conceito é herdado das antigas dime novels americanas (revistas muito baratas com histórias de personagens aventureiros para consumo juvenil; na Inglaterra, essas publicações eram conhecidas como Penny Dreadful), e casa bem com a necessidade de liminaridade que surgiu nos anos setenta, quando deixou de interessar aos jovens leitores a ideia de acompanhar personagens adultos nas aventuras que teoricamente um dia eles poderiam viver.
Os garotos leitores passaram a sonhar com a ideia deles mesmos viverem essas aventuras, sem demora, e absorveram bem esse conceito – um tanto quanto abandonado no ocidente em geral após a Primeira Guerra, talvez pela ressaca e o desencanto pela ciência salvadora que se seguiu ao conflito (salvo exceções que acabaram por confirmar a regra, como a série de romances juvenis Tom Swift). Pensem bem: quem viviam aventuras ao redor do planeta eram Donald Steam Detectivese o Tio Patinhas. O Professor Pardal ficava em casa criando aparelhos sobre encomenda e vivendo prosaicas comédias cotidianas em suas histórias solo. O cinema mostrava o mesmo perfil: o herói de músculos de ferro, que ficaria com a mocinha no final, enquanto o cientista estava destinado a um apatetado papel de apoio, isso quando não era o vilão; de herói das Dime Novels juvenis, ele foi rebaixado ao estigma de… nerd. Mas o papel do protagonista John Ray Steam no longa de Otomo nem de longe é coisa nova. Ele pode ser encontrado no Jean-Coq de Lartigue de Nadia, na Jane Buxton de Patapata Hikousen no Bouken (que é bem diferente da Jane Buxton de Verne), no garoto detetive Narutaki de Steam Detectives (que cria os aparelhos que usa) e de vários outros personagens. Claro, também é fácil de se localizar em vários coadjuvantes, como a chinesinha Li Kohran de Sakura Wars. Mas na hora do aperto, ela está em ação como todas as demais.
Em todo caso, talvez o maior atrativo dos cenários retrotecnológicos seja estabelecer o diálogo entre passado e presente – porque se pensarmos bem, aqueles tempos foram o verdadeiro início de nossos tempos. Diabos, a General Electric foi criada em 1878, a Coca-Cola Company em 1892, a Ford em 1903! Sakura TaisenAntes de encomendarmos nossos produtos à distância por compra on-line, a Sears em 1886 já fazia isso através de catálogos pelo correio. A lâmpada elétrica foi apresentada ao mundo em 1879 e, surpresa, chegou ao Brasil no mesmo ano (A Estação Central do Rio de Janeiro foi iluminada por energia elétrica; agradeçam ao fato de D. Pedro II ter sido talvez o primeiro chefe de estado geek de todos os tempos); nossa primeira usina hidrelétrica entrou em operação em 1883, e por aí vai. Muitas das disputas que tomaram vulto naquela época se tornaram perenes, como a luta entre atraso e modernidade (e sabemos que em toda época, há quem ganhe muito com o retrocesso).
O Steampunk tem um apelo estético inegável, mas ele não precisa ser necessariamente sobre rebimbocas e parafusetas, mesmo quando elas estão lá. Talvez ele fale mais sobre nós, hoje, do que nós mesmos imaginamos. E claro, máquinas são muito legais. :)
Só para fechar: os vídeos que vem a seguir compõem o curta-metragem A Tale of Two Robots – Chapter 3: Foreign Invasion, de Hiroyuki Kitakubo, presente no longa em episódios Robot Carnival, que teve o dedo do mesmo Katsuhiro Otomo de Steamboy. Divirtam-se.


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Comentários:

Nome: Romeu Martins 23/05/10 10:44
Opa, que ótimo que o site superou os problemas técnicos e voltou à ativa! E ainda por cima falando de steampunk. Não poderia deixar de fazer uma chamada:

http://cidadephantastica.blogspot.com/2010/05/retrofuturismo-oriental.html

Abraço e que as engenhocas eletrônicas não pertubem mais as atualizações!

Alexandre: Obrigado, Romeu! Pode deixar que esse vai ser apenas o primeiro: estou abrindo uma série sobre o assunto, como o próprio título indica. ;)
Nome: Quiof 23/05/10 01:54
Eu gosto de Steampunk, mais não gosto do muito dos ambientados na Era Vitoriana (salvo alguma exceções como De Volta para o Futuro 3 e originais Verne e Wells), gosto dos ambientados nos século 20 como Capitão Sky e Rocketeer.

Alexandre: Depois da Primeira Guerra, e com ênfase nos anos 20 e 30, é Dieselpunk.

lembra quando falei de um quadrinho pra explicar Creative Commons? achei esse:
http://nerdson.com/blog/criativos-comuns/

Alexandre, o Alexandre Soares do DB Milênio é você?
se for cadastre lá no Guia dos Quadrinhos:
http://www.guiadosquadrinhos.com/thumb.aspx?cod_tit=db502100&esp=&total=2

Alexandre: Não sou e não tive absolutamente nada a ver com o DB Milênio. Um dos motivos para adotar "Alexandre Lancaster" ("Lancaster" é mais antigo como apelido) foi justamente não ser confundido com o Alexandre Soares desse projeto, principalmente porque eu estava, à época, escrevendo para a Anime Pro do Junior Fonseca.

Vi num sebo o que parece ser o prelúdio do Expresso na "Break The Hand” da Editora Winner Graphic, o que foi essa revista? quantos números durou?

Alexandre: Só teve um número. Na prática, era para ser um fanzine, mas a editora decidiu encampar como projeto para virar editora pelo que soube.
Nome: João 23/05/10 06:19
Bela matéria, Lancaster. O universo steampunk costuma render histórias bem legais graças a essa mistura de realidade Pós-revolução Industrial e ficção.

Alexandre: Sem dúvida. Minha atração por essa ambientação já é de longa, longa data.
Nome: Jussara Gonzo 23/05/10 08:10
Ótimo artigo!

Só faltou explicar algumas coisas que, embora leitores como eu já saibam o que são (como a Máquina Diferencial, que é o avô natimorto do ENIAC), talvez alguns não saibam.

Alexandre: Tem razão. O livro vem aí, mas esse é o tipo de coisa que poderia ser pinçada. Se bem que posso aproveitar posts posteriores para isso...

Realmente fiquei com vontade de ler mais, mas sei que você já está preparando isso, certo?

Alexandre: É claro. ;)

... e rapaz... eu SEMPRE adorei os cientistas malucos! Mas eles sempre eram maus, né? Ou assexuados que ajudavam os heróis a salvar a heroína frígida. Por isso que o professor Emmet Brown do De Volta para o Futuro é até hoje um dos meus personagens favoritos do cinema! :D

Alexandre: Os cientistas foram heróis de ação na cultura de massa dessa época. Acredito que essa mudança de paradigma tenha vindo com o choque da primeira guerra, o desencanto com a ciência (ela não apenas não salvou a humanidade do conflito como também o tornou mais mortífero) e uma ascensão da cultura americana no ocidente (você já viu "a cidadela dos robinsons", da Disney? Acho que ela é a cara dessa mentalidade: tinhamos um garoto que estudava e que tinha como sonho fazer uma universidade, mas a mocinha que caiu de pára-quedas na história preferiu o outro irmão, um troglodita e boçal, com muito espírito redneck). Outro exemplo bem claro é o super-homem dos anos 50. Personagens que se apresentavam como inteligentes eram o maligno (o lex luthor da era de prata, o ultra-humanóide, brainiac – preste atenção no nome). O super-homem era o cara marombeiro que resolvia tudo com um soco. O bárbaro Conan também seguia esse molde: feiticeiros eram aqueles que acumulavam poder via conhecimentos distantes da pessoa comum (através, vejam só, de livros) e com esse conhecimento complicado, abusavam das pessoas ao redor. Conan vinha e resolvia tudo com uma machadada no crânio (o Isaac Asimov também apontou isso).
Preciso continuar? :)
Nome: Gabi Martins 23/05/10 09:54
Muito boa a matéria, adorei. Confesso que até então a minha admiração por material dessa vertente era mais pela estética do que pelo conteúdo (tá, ajuda muito não achar nada que explicasse as origens, diretrizes e não fosse além da aparência). E gosto demais dos paralelos que você traça não apenas com mangás e cultura japonesa, mas com outras obras e movimentos.

Vou acompanhar a série de matérias com curiosidade, fico no aguardo.

E não sabia dessa do "dieselpunk"; mais uma palavra pro meu repertório.

Alexandre: Obrigado, Gabi. :)
Nome: mrs 23/05/10 10:30
Lancaster, já que você vai dedicar uma série inteira ao steampunk que tal um artigo sobre dieselpunk? Não conhecia o termo, mas parece muito interessante (até mais que o steam).
Fora isso,muito bom ver o blog sendo atualizado de novo. A julgar por esse post, o descanso te fez bem.

Alexandre: Obrigado, mrs. Quanto ao Dieselpunk, sendo sincero: ele e muito derivativo do Steampunk. Na vertente americana ele ainda tem uma profunda relação com o pulp. Mas na Japonesa tanto o Steampunk quanto o Dieselpunk pertencem ao contexto da Era Showa (que na verdade durou entre 1926 e 1989, mas vejo ser mais associado ao período entre o começo do governo Hiroito e a presença japonesa na Segunda Guerra Mundial). Ou seja, ele meramente dá sequência, e tanto o steampunk quanto o dieselpunk tem fronteiras muito difusas nesse caso. Sakura Wars e Steam Detectives transitam nessa faixa nebulosa, se pensarmos bem, reunindo elementos vitorianos a elementos bem posteriores.
Nome: Jussara Gonzo 24/05/10 12:13
Dieselpunk... será que hoje estaríamos vivendo a era do Etanolpunk?!?! :D

Nevertheless... to tentando postar um comentário no seu post anterior, sobre o ranking do Oricon e a abertura de super bom gosto de Kodomo no Jikan, mas não to conseguindo... a caixa de comentários não aparece e parece que o script tá bichado.

Alexandre: Estranho... tenta limpar o historico e o cache e entra de novo. :\
Nome: Quiof 24/05/10 12:17
Dieselpunk, legal o termo
o anime Metropolis é Dieselpunk?

Alexandre: Eu diria que é.
Nome: Quiof 24/05/10 12:24
um gênero que gosto é o Swashbuckler, se tiver algum Swashbuckler com Steampunk, aí fica legal.

Alexandre: isso se chama Clockpunk.
Nome: Andre Santos 24/05/10 10:09
Opa! Que bom tê-lo de volta!
Sábado passado aluguei Steamboy e ainda não vi - não deu tempo. Fiquei com vontade!
Valeu, Lancaster!
Nome: Quiof 24/05/10 11:47
Batman: The Animated Series é totalmente diesel, principalmente o filme "A Mascara do Fantasma", aquela feira do futuro era bem retrô, isso se deve ao fato do Bruce Timm ter se inspirado no desenho do Superman feito pelos Fleischer.

Star Wars Steampunk:
http://www.flickr.com/photos/starwarsblog/2406135775/

Trasnformers Steampunk:
http://steampunkadventures.blogspot.com/2009/06/steampunk-transformers-and-pac-not-so.html
Nome: murilo 24/05/10 01:39
Post excelente, esperando os outros posts.

Nunca houve um mangá que enfocasse o gênero cyberpunk?

Alexandre: A lista do cyberpunk é monstruosamente grande: Ghost in the Shell, Akira, Silent Mobius... digite "manga" e "cyberpunk" no google e você vai ver só. :)
Nome: Gustavo 24/05/10 02:32
Ótima matéria Alexandre e bem-vindo de volta. :)

Alexandre: Obrigado, Gustavo. :)
Nome: Gabi Martins 24/05/10 02:35
Será que Full Metal Alchemist também não teria bastante de dieselpunk, talvez até mais que o steampunk? Já que a história se passa num período bem parecido com o intervalo entre a segunda e a terceira guerras mundiais.

Alexandre: Eu acho que não. Primeiro porque no paralelo estabelecido pela versão animada, ele acontece em 1911 (uma Terra alternativa, diferente do outro mundo que acontece no mangá original). E de certa forma, o Século XIX como conhecemos só acabou em 1914 – pode reparar, o período entre 1870 e 1914 foi uma era bem delimitada no tempo (um bom livro sobre o assunto é o "A Era dos Impérios", do Hobsbawn. O segundo é porque Full Metal Alchemist aborda temas que falam ao coração dessa época, mais do que da época seguinte, mesmo sem ser efetivamente steampunk (porque se ancora na existência de uma ciência própria e que acaba meio que eclipsando certos aspectos de desenvolvimento de mundo. O fator "vapor" é bem secundário em um cenário aonde as pessoas podem criar objetos do nada traçando riscos no chão). Pode reparar que há um duelo entre ciência e fé, aonde os dois lados são pesadamente questionados (a ciência tende a ser abusiva e a fé tende a ser emburrecedora – e em todos os casos são usados como instrumentos de controle social), o elogio ao militarismo cresce na sociedade e os eventos em Ishbal (assim como os rumos da personagem Rose, que nem reaparece no mangá original) refletem a própria face do colonialismo europeu. E isso é muito 1870-1914.
Já o Dieselpunk no Japão tem um ponto complicante: ele remete a uma época aonde o mangá já ensaiava a sua onipresença na sociedade Japonesa. Robô Gigante é Dieselpunk e funciona como um apanhado da obra de Mitsuteru Yokoyama. Ou seja, ele já tem uma face clara, com garotos altivos que pilotam carros, usam traquitanas de bolso e podem comandar robôs gigantes. É algo mais familiar ao leitor usual de mangás por já trazer esse diferencial. Se pensarmos bem, quem está mais nessa fronteira entre o Steampunk e o Dieselpunk é o Steam Detectives de Kia Asamiya, que tem entre suas inspirações o Homem de Ferro 28 (Gigantor).
Nome: Warty 24/05/10 04:02
ótimo artigo! No aguardo de mais outros. Acho o steampunk muito atrativo estéticamente, adoro Steamboy. Mas, vamos ver o que você nos trará mais sobre o assunto. :D
Nome: Júlio Nunes da Silva Filho 25/05/10 01:57
Lancaster é um enorme prazer tê-lo de volta!

Primeiramente, quero cumprimentá-lo pelo belíssimo texto, e pelo excelente bom gosto para ficção cientifica (seja muito bem-vindo ao Sakura Taisen Football Club!).

Alexandre: Obrigado, Julio. :) Mas sobre Sakura Taisen, a minha impressão é que ele é um excelente universo, com personagens simpáticos e riquíssimo em idéias e conceitos, mas cuja execução é irregular e inferior ao seu potencial. A disparidade entre as diferentes séries, longas, etc. é grande.

Agora, sobre o artigo, tenho alguns comentários:

- Fiquei muito impressionado pela análise da ficção cientifica no Japão; nunca li nada parecido, pelo menos em português;

- A sua citação de Full Metal Alquimist, como parte do fenômeno streampunk japonês, olhando com um pouco de calma, e tendo o texto como referência, faz sentido, embora ainda percebo o anime como uma variação de tecnofantasia, devido à presença da alquimia (normalmente entendida como fenômeno místico) dentro de um cenário tecnológico (sim, o cenário de FMA é tecnológico, embora não o percebamos como tal) ;

Alexandre: Bom, a alquimia em Full Metal Alchemist é tratada sem tirar nem pôr como uma ciência funcional, com regras empíricas. Nem o mais empedernido fã de Ficção Científica hard pode reclamar do tratamento da premissa aqui.

- Sobre o livro “The Difference Engine “(parece mesmo que vai se chamar no Brasil ”O Cérebro Diferencial”;), a editora Aleph já tem uma data para o lançamento; será em 20 de Setembro deste ano (quando tiver a confirmação, mando-lhe um e-mail);

Alexandre: Pelo que vinha sendo dito, será "A Máquina Diferencial". "Cérebro" pra mim é novidade.

- É impressão minha, ou só eu gosto do filme “A Liga Extraordinária”, da Fox (sei muito bem que ele não tem rigorosamente nada a ver com os quadrinhos de Alan Moore e Kevin O' Neill, mas não consigo deixar de me divertir quando o vejo, embora pudesse ser muito melhor do que é;)?

Alexandre: Eu acho terrível... e conseguiram transformar um dos meus personagens favoritos de infância, o Tom Sawyer de Mark Twain, num ****** ridículo.

- Aonde posso conseguir o filme Tcheco “Vynález Zkázy”, de Karel Zeman?

Alexandre: Bom, a versão americana (The Fabulous World of Jules Verne) é importável, mas tem alguns minutos a menos em relação ao original tcheco – que pode ser visto na íntegra no Youtube. Não tem problema, os direitos desse filme hoje parece que estão em aberto mesmo.

http://www.youtube.com/watch?v=Oy8lgBZI0mQ


- Sobre a série Nadia: the Secret of Blue Water, fiquei pasmo; poderia jurar que todo o projeto fosse da Gainax;

- Boa lembrança do lado geek de Dom Pedro II, além do comentário sobre o faroeste italiano (eu nunca havia pensado nele sobre esse prisma de analise social);

- Sobre o livro "Da Terra à Lua", de jules Verne, alguem se lembrou da referência no anime de Samurai X?

Alexandre: Aquilo foi bacana, mas foi mais a título de homenagem mesmo. :)

Fugindo um pouco do assunto, conseguiu gravar a palestra da quinta-feira?

Alexandre: Não. Mas deixei impressões minhas no Blog do meu projeto Expresso! – e há impressões tanto do outro debatedor, o Gerson Lodi-Ribeiro, quanto do co-curador do evento, o Octavio Aragão.

Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Nome: Pato_Supersonico 25/05/10 05:08
MUIIIIIIITÍSSIMOS PARABÉNS.

Esse texto ficou fenomenal. =)

Alexandre: Obrigado, Pato. :)
Nome: Warty 26/05/10 03:38
E o que você falou tanto sobre o Will Smith na palestra? xD

Alexandre: Nada que os filmes dele não falem por si. Mas acabaríamos falando fatalmente dele, por conta do nefando longa do James West.

E detalhe: a série original dos anos 60 era MUITO boa, mesmo sendo datada hoje.
Nome: Biguá 20/07/10 04:24
Realmente ótimo texto,

Qdo do lançamento do livro, vc vai avisar aqui no site né? procurei no site da aleph pra ver se tinha algum sistema de notificação e nada...

Alexandre: É meio off-topic, mas eu arrumo uma desculpa. ;)
Nome: Felipe Onodera 03/01/11 01:21
Meio tarde pra isso, mas só agora me toquei depois de voltar ao artigo em busca do título do filme. Alexandre, o Vynález Zkázy é sim baseado em Júlio Verne. É adaptação de "Em frente da bandeira". Mas, concordo, o título americano foi uma péssima escolha...

Alexandre: de modo geral as fontes dizem que ele não é baseado em nenhum livro. Vou confirmar isso antes de qualquer coisa.

UPDATE: Sim, você está certo. Há muitas liberdades, mas o vilão – o Conde D'Artigas – confere. Corrigirei isso, obrigado.

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